Economia

ENERGIA-PREÇOS

Conta de luz deve cair 3,5% com MP que antecipa recursos da Eletrobras

Ao mesmo tempo, o governo propõe a prorrogação de prazo para que projetos de energias renováveis ganhem desconto no uso do sistema de transmissão de energia.

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O governo espera redução de 3,5% na conta de luz dos brasileiros com a antecipação de recursos da privatização da Eletrobras, segundo minuta de MP (medida provisória) à qual a Folha teve acesso. O impacto já poderá se sentido pelo consumidor este ano.

A MP está na Casa Civil e deve ser publicada em breve no Diário Oficial. Ao mesmo tempo, o governo propõe a prorrogação de prazo para que projetos de energias renováveis ganhem desconto no uso do sistema de transmissão de energia.

A possibilidade de antecipação dos recursos da privatização da Eletrobras já havia sido antecipada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Um das maiores preocupações é evitar alta de 44% na conta de luz do Amapá, que já é uma das mais caras do país.

No processo de privatização, a Eletrobras se comprometeu a aportar recursos na CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), que custeia subsídios a consumidores e geradores de energia. A MP não fala no valor a ser antecipado, mas Silveira havia mencionado a cifra de R$ 26 bilhões.

Os recursos serão usados para quitar antecipadamente prestações de dois empréstimos feitos pelo setor elétrico em momentos de crise, a Conta Covid (que cobriu perdas com a queda no consumo na pandemia) e a Conta Escassez Hídrica (que bancou térmicas durante a seca de 2022).

Com relação ao Amapá, a distribuidora local de energia pediu em 2023 um reajuste de 44%, o que faria da conta de luz no estado a mais cara do país. O aumento foi suspenso pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) enquanto o governo debatia uma solução.

"O impacto deletério desse reajuste no orçamento das famílias e na economia local demanda que se adotem contramedidas urgentes", diz a minuta da MP. O dinheiro da Eletrobras vai antecipar recursos de fundos regionais ao quais a distribuidora local tinha direito, suavizando o aumento.

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Pesquisa

Café pode custar quase o dobro em Campo Grande e diferença chega a R$ 21

Levantamento do Procon comparou 38 produtos em oito estabelecimentos

14/09/2026 14h45

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Levantamento do Procon encontrou variação de 88,24% no preço de uma mesma embalagem de 500 gramas; pesquisa avaliou 38 produtos em oito supermercados e atacadistas

O preço de um mesmo pacote de café pode variar mais de R$ 21 em Campo Grande, dependendo do estabelecimento escolhido pelo consumidor. Pesquisa do Procon Municipal encontrou diferença de até 88,24% entre os preços praticados para uma embalagem de 500 gramas do Café do Ponto, que foi encontrada por R$ 23,90 em um estabelecimento e chegou a R$ 44,99 em outro.

O levantamento foi realizado entre os dias 2 e 4 de setembro e avaliou 38 itens em oito supermercados e atacadistas da Capital. A pesquisa considerou diferentes marcas, tipos e apresentações de café e mostra que comparar os preços antes da compra pode representar uma economia significativa no orçamento doméstico.

No caso do Café do Ponto Tradicional e Extraforte a vácuo de 500g, a diferença entre o menor e o maior preço foi de R$ 21,09. Assim, quem encontra o produto por R$ 23,90 economiza praticamente o valor de uma segunda embalagem em comparação com o consumidor que paga R$ 44,99.

A diferença também é expressiva no Café Tradicional a vácuo de 500g da Três Corações. O produto foi encontrado por R$ 21,90 no menor preço pesquisado e chegou a R$ 37,99 no maior, uma diferença de R$ 16,09. A variação percentual foi de 73,47%, a segunda maior identificada pelo Procon.

Diferença

As diferenças ganham dimensão maior quando o café é comprado regularmente. No caso do Café do Ponto, por exemplo, a escolha pelo menor preço representa uma economia de R$ 21,09 em apenas uma embalagem de 500g.

Se o consumidor comprar dois pacotes do mesmo produto, a diferença entre escolher o menor e o maior preço chega a R$ 42,18. Em quatro embalagens, a economia acumulada seria de R$ 84,36.

Já na comparação entre os preços do Café Três Corações, duas embalagens compradas pelo menor valor custariam R$ 43,80, enquanto a mesma quantidade pelo maior preço chegaria a R$ 75,98. A diferença, nesse caso, seria de R$ 32,18.

Os cálculos consideram apenas os preços registrados na pesquisa e servem para demonstrar como pequenas diferenças por embalagem podem se acumular quando o produto é adquirido com frequência.

Apesar das diferenças encontradas entre alguns produtos, o levantamento também identificou cafés com preços iguais nos estabelecimentos pesquisados.

O Café Rancheiro almofada de 500g, nas versões tradicional e extraforte, foi encontrado pelo mesmo preço de R$ 32,90 nos locais avaliados. O Café Rincão almofada tradicional também apresentou estabilidade, com o pacote de 500g custando R$ 24,90 em todos os estabelecimentos considerados na pesquisa.

A pesquisa incluiu ainda marcas comercializadas exclusivamente por determinados estabelecimentos. Segundo o Procon, a presença dessas opções demonstra a variedade de produtos disponíveis ao consumidor e reforça a necessidade de observar não apenas a marca, mas também o tipo e a apresentação do café antes de decidir pela compra.

Comparação pode reduzir gasto

Para o Procon, a diferença encontrada mostra que pesquisar antes de colocar o produto no carrinho pode fazer diferença no orçamento familiar.

O superintendente do Procon Municipal, José Costa Neto, afirmou que o café é um produto de consumo frequente e que a comparação entre estabelecimentos pode gerar economia para as famílias.

“O café é um produto indispensável na mesa dos campo-grandenses. A nossa pesquisa demonstra que, ao comparar os preços e as marcas disponíveis no comércio, o consumidor obtém uma economia expressiva que ajuda a aliviar o orçamento familiar”, afirmou.

O levantamento também funciona como uma fotografia dos preços praticados no período da coleta. Como os valores podem mudar conforme promoções, reposição de estoque e política comercial de cada estabelecimento, os preços encontrados entre os dias 2 e 4 de setembro não representam necessariamente os valores cobrados atualmente.

 

Expansão

MS tem quase R$ 90 bilhões em investimentos previstos

Carteira reúne megaprojetos de celulose, mineração, bioenergia e citricultura; UFN3 acrescenta R$ 5 bilhões à conta

14/09/2026 07h45

Carteira reúne megaprojetos de celulose, mineração, bioenergia e citricultura; UFN3 acrescenta R$ 5 bilhões à conta

Carteira reúne megaprojetos de celulose, mineração, bioenergia e citricultura; UFN3 acrescenta R$ 5 bilhões à conta Divulgação

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Mato Grosso do Sul mantém uma carteira próxima de R$ 90 bilhões em grandes investimentos previstos para os próximos anos, mesmo após a conclusão de empreendimentos que estavam no radar no levantamento realizado pelo Correio do Estado em 2025.

A nova panorâmica mostra avanço de obras, projetos que ganharam cronograma e também investimentos que foram reprogramados.

O levantamento atualizado pelo Correio do Estado reúne cerca de R$ 85 bilhões em investimentos privados entre projetos em implantação, confirmados ou em fase de estruturação.

A esse montante se soma a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), da Petrobras, com investimento superior a R$ 5 bilhões para a conclusão da fábrica em Três Lagoas. Com isso, o volume chega a cerca de R$ 90 bilhões.

O valor, portanto, é superior aos R$ 81,5 bilhões identificados na reportagem publicada no ano passado. A comparação, porém, não significa apenas o surgimento de novos recursos.

Alguns empreendimentos que constavam no levantamento anterior já entraram em operação, enquanto outros foram substituídos por uma nova geração de projetos.

Entre os maiores investimentos está o Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência, estimado em R$ 25 bilhões.

A construção da fábrica avançou para uma etapa decisiva e a previsão é de início das operações no segundo semestre de 2027. A unidade terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. 

A movimentação em torno do empreendimento também já alcança a logística. O ramal ferroviário da Arauco, que consumirá cerca de R$ 1 bilhão, chegou a 50,8% de execução e teve iniciado o orçamento das vigas de uma ponte de 270 metros.

Carteira reúne megaprojetos de celulose, mineração, bioenergia e citricultura; UFN3 acrescenta R$ 5 bilhões à conta Fonte: Reportagem/Semadesc/Petrobras

CELULOSE

O setor de celulose continua sendo o principal responsável pela concentração de capital na nova carteira de investimentos de Mato Grosso do Sul. Além da Arauco, a Bracell projeta uma fábrica no Estado, com investimento estimado pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) em R$ 25 bilhões.

O empreendimento, que inicialmente seria instalado em Água Clara, foi direcionado para Bataguassu e terá capacidade produtiva de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas de celulose.

Em julho deste ano, o governo estadual entregou a licença prévia para o empreendimento. Apesar do avanço no licenciamento, o início das obras foi reprogramado para 2027, depois de uma previsão inicial de começar em fevereiro deste ano.

O terceiro grande projeto é a segunda linha da Eldorado Brasil, em Três Lagoas. Depois de anos travada pelo conflito societário entre a J&F e a Paper Excellence, a proposta voltou ao radar após a solução da disputa.

O investimento estimado é de R$ 25 bilhões e elevaria a capacidade de produção da empresa de 1,8 milhão para aproximadamente 4,4 milhões de toneladas de celulose por ano.

O projeto, contudo, deve ser tratado com uma ressalva. Embora a expansão esteja novamente nos planos da empresa, ainda não há um cronograma oficial de inauguração. Por isso, o valor entra no levantamento como projeto confirmado, mas não como uma obra com data definida.

Somados, Arauco, Bracell e Eldorado representam R$ 75 bilhões, ou mais de 80% de toda a carteira mapeada.

BIOENERGIA

A segunda frente de grandes investimentos está no setor sucroenergético. A Atvos confirmou um pacote adicional de R$ 2,36 bilhões para Mato Grosso do Sul, destinado à instalação de três plantas, uma unidade de biometano e duas usinas de etanol de milho.

Em Nova Alvorada do Sul, a planta de biometano recebe investimento superior a R$ 350 milhões e já está em implantação. A unidade deverá produzir cerca de 28 milhões de metros cúbicos de biometano por safra, utilizando resíduos da cana-de-açúcar.

Também em Nova Alvorada do Sul, a Atvos recebeu licença de instalação para uma nova usina de etanol de milho. O projeto prevê investimento superior a
R$ 1 bilhão.

A terceira unidade prevista pela companhia será instalada em Costa Rica. Como os três projetos fazem parte do mesmo pacote de R$ 2,36 bilhões, o levantamento considera o valor consolidado para evitar dupla contagem.

Outra aposta na produção de biocombustíveis está em Jaraguari, onde a usina de etanol de amido Pioneiras prevê investimento de R$ 300 milhões.

O movimento reforça a mudança no perfil dos investimentos industriais do Estado, que deixa de depender exclusivamente da celulose e amplia a participação de etanol de milho, biometano e outras fontes de energia renovável.

OUTRAS FRENTES

Em Corumbá, a LHG Mining, do grupo J&F, prevê R$ 4 bilhões para ampliar as operações no complexo Morro do Urucum. O projeto pretende elevar a produção anual de minério de ferro de alto teor de 12 milhões de toneladas para 25 milhões de toneladas.

Na região sul do Estado, a Copasul mantém em implantação a indústria de processamento de soja em Naviraí, com investimento total de R$ 1,4 bilhão. A unidade deverá produzir farelo e óleo vegetal e agregar valor à produção de soja regional. 

A agroindústria também aparece com força na expansão da citricultura. A Cambuhy Agropecuária, do grupo Moreira Salles, anunciou R$ 1,2 bilhão para o plantio de laranja na região de Ribas do Rio Pardo e Água Clara. Já a Cutrale prevê R$ 500 milhões para o cultivo de cerca de 5 mil hectares na divisa entre Campo Grande e Sidrolândia.

A citricultura já acumula cerca de R$ 2,1 bilhões em investimentos anunciados no Estado, considerando diferentes grupos que estão implantando pomares. 

UFN3

Fora do cálculo dos investimentos privados, a UFN3 representa uma das principais novidades em relação ao levantamento do ano passado. Depois de mais de uma década de paralisação, a Petrobras retomou oficialmente as obras da fábrica de fertilizantes em Três Lagoas.

A estatal estima investimento de cerca de US$ 1 bilhão, equivalente a mais de R$ 5 bilhões, para concluir o empreendimento.

A previsão atual é de início das operações comerciais em 2029. A fábrica deverá responder por aproximadamente 15% da demanda nacional de ureia, reforçando a estratégia de reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados.

A retomada também representa uma mudança importante em relação à reportagem anterior, quando a UFN3 ainda era tratada como uma promessa sem definição concreta para o reinício das obras.

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