Economia

NO VERMELHO

Contas do governo têm déficit inédito no pior primeiro semestre da história

Déficit foi de R$ 1,59 bi. Resultado foi afetado pela baixa arrecadação com impostos

G1

30/07/2015 - 17h36
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As contas do governo registraram neste ano o pior resultado para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 1997, segundo números divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional nesta quinta-feira (30).

Nos seis primeiros meses deste ano, foi registrado um déficit primário (receitas menos despesas, sem contar os juros da dívida pública) inédito de R$ 1,59 bilhão, segundo números oficiais.

Em igual período do ano passado, foi registrado um superávit de R$ 17,35 bilhões. Até então, o pior resultado para o período havia ocorrido em 1998 (superávit de R$ 3,06 bilhões).

Os resultados das contas públicas têm sido afetados pela redução da arrecadação federal, que registrou o pior desempenho para o período de janeiro a junho desde 2011.

As receitas foram afetadas pelo baixo nível de atividade econômica e, também, pela  desonerações de tributos efetuadas nos últimos anos justamente para tentar estimular o Produto Interno Bruto (PIB) e o nível de emprego – que não foram totalmente revertidas pelo governo federal.

"Não é o resultado que gostaríamos, mas estamos trabalhando no dia a dia. Uma questão de atividade, de ciclo econômico, tem afetado nossa arrecadação. Quando a economia tem um grau de incerteza muito grande, a gente percebe que as empresas retêm um pouco sua disposição ao pagamento de impostos", afirmou o o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive.

"E isso significa também que o nível de atividade da economia não explica por si só a queda de arrecadação", declarou.

Nota de risco
Apesar do resultado ruim das contas públicas e da indicação da Standard & Poors de que a nota brasileira pode ser rebaixada no futuro, Saintive afirmou que o governo não trabalha com redução da nota de risco do país.

"Não trabalhamos com redução de avaliação pelas agências de rating. Temos explicado tudo o que está sendo feito [para as agências]. O esforço fiscal permanece. Quadro fiscal complexo, delicado, mas tem várias medidas que foram mandadas ao Congresso Nacional. Isso nos leva a crer que manteremos nosso 'investment grade'", afirmou o secretário.

A equipe econômica trabalha para que a nota brasileira, concedida pelas agências de classificação de risco, permaneça no chamado "grau de investimento" – que é um tipo de recomendação para investimento.

Perdendo essa nota, as regras de vários fundos de pensão de outros países impediriam o investimento no Brasil, o que dificultaria a capacidade de o país, e das empresas do setor privado brasileiro, buscarem recursos no exterior – aumentando subsequentemente os juros destas operações.

Mês de junho
Somente no mês de junho, o Tesouro Nacional informou que foi registrado um déficit primário de R$ 8,2 bilhões. Este também foi o pior resultado para este mês desde o início da série histórica, em 1997.

Até então, o valor mais baixo em junho havia sido em 2014, com o resultado negativo de R$ 1,93 bilhão.

Meta do governo
Na semana passada, o governo formalizou a a redução da meta de superávit primário de suas contas para todo este ano – procedimento que já era esperado pelos analistas do mercado financeiro devido, principalmente, pela redução da arrecadação. O superávit primário é a economia que o governo faz para pagar os juros da dívida pública.

Em novembro, a equipe econômica havia fixado uma meta de R$ 55,3 bilhões para as contas do governo em 2015. Na última semana, porém, esse objetivo foi reduzido para somente R$ 5,8 bilhões neste ano, o equivalente a 0,10% do PIB.

Para todo o setor público, o que inclui ainda os estados, municípios e estatais, a meta fiscal para este ano caiu de R$ 66,3 bilhões (1,2% do PIB) para R$ 8,7 bilhões (0,15% do PIB).

Medidas
Para tentar atingir as metas fiscais, além de aumentar tributos sobre combustíveis, automóveis, empréstimos, importados, receitas financeiras de empresas, exportações de produtos manufaturados, cerveja, refrigerantes e cosméticos, o governo também atuou na limitação de benefícios sociais, como o seguro-desemprego, o auxílio-doença, o abono salarial e a pensão por morte, medidas já aprovadas pelo Congresso Nacional.

Além disso, efetuou um bloqueio inicial de R$ 69,9 bilhões no orçamento deste ano, valor que foi acrescido de outros R$ 8,6 bilhões na semana passada. As principais rubricas afetadas pelo contingenciamento do orçamento de 2015 são os investimentos e as emendas parlamentares.

Receitas, despesas e investimentos
De acordo com dados do governo federal, as receitas totais subiram 4,3% nos seis primeiros meses ano (em termos nominais, sem descontar a inflação), contra o mesmo período do ano passado, para R$ 627 bilhões. O aumento das receitas foi de R$ 26 bilhões sobre o mesmo período do ano passado.

Ao mesmo tempo, as despesas totais subiram o dobro nos seis primeiros meses deste ano (ainda em termos nominais): 8,7%, para R$ 514 bilhões.

Neste caso, o aumento foi de R$ 41 bilhões. Os gastos somente de custeio, por sua vez, avançaram 16,1% na parcial deste ano, para R$ 119 bilhões – um aumento de R$ 16,52 bilhões.

Já no caso dos investimentos, porém, houve forte redução de gastos. Segundo números oficiais, as despesas com investimentos caíram 31,1% nos seis primeiros meses deste ano, para R$ 27,79 bilhões. A queda frente ao mesmo período de 2014 foi de R$ 12,56 bilhões, de acordo com a Secretaria do Tesouro Nacional.

Dividendos, concessões, CDE e subsídios
Além do fraco comportamento da arrecadação, fruto do baixo ritmo da atividade econômica, o governo também informou que recebeu, nos seis primeiros meses deste ano, menos recursos de dividendos de empresas estatais.

De janeiro a junho de 2015, o governo recebeu R$ 3,36 bilhões em dividendos (parcelas de lucros), contra R$ 10,49 bilhões no mesmo período de 2014. O Tesouro Nacional informou que não estão previstos pagamentos de dividendos pela Petrobras neste ano.

Em concessões, porém, o governo recebeu mais recursos de janeiro a junho deste ano (R$ 3,98 bilhões) contra o mesmo período do ano passado (R$ 1,24 bilhão).

O governo informou ainda que foi realizado um pagamento de R$ 1,25 bilhão para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) nos seis primeiros meses deste ano, em comparação com R$ 4,1 bilhões no mesmo período do ano passado.

Apesar de ter prometido não fazer pagamentos para a CDE neste ano, foi paga uma última parcela em janeiro. A CDE é um fundo por meio do qual realiza ações no setor elétrico, entre elas o financiamento de programas como o Luz para Todos, subsídio à conta de luz de famílias de baixa renda, compra de combustível para termelétricas e pagamento de indenizações para empresas.

No caso dos subsídios, a Secretaria do Tesouro Nacional informou que os pagamentos somaram R$ 11,28 bilhões de janeiro a junho deste ano, contra R$ 4,96 bilhões no mesmo período do ano passado.

Segundo o secretário Marcelo Saintive, chefe do Tesouro Nacional, a gestão do governo "vem pagando tempestivamente as despesas". "Isso tem acontecido. Resultado de subsídios e subvenções mostra isso", declarou ele. Nos últimos anos, o governo atrasou alguns pagamentos, processo que ficou apelidado como "pedaladas fiscais" – que está sendo questionado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Imposto de Renda

Receita Federal alerta que 395 mil pessoas ainda não declararam Imposto de Renda em MS

Prazo termina em 29 de maio e Receita Federal do Brasil já recebeu 255 mil declarações; órgão reforça uso de sistema pré-preenchido e atendimento gratuito no Estado

28/04/2026 17h12

Receita Federal alerta que 395 mil ainda não declararam Imposto de Renda em MS

Receita Federal alerta que 395 mil ainda não declararam Imposto de Renda em MS Arquivo/Agência Brasil

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A Receita Federal do Brasil alertou que cerca de 395 mil contribuintes ainda precisam entregar a declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026 em Mato Grosso do Sul. O prazo final para envio é 29 de maio.

De acordo com o balanço divulgado até a tarde desta terça-feira (28), aproximadamente 255 mil declarações já foram recebidas pelo órgão no Estado. A expectativa é atingir um total de 650 mil documentos entregues dentro do prazo estabelecido.

Segundo o delegado da Receita em Campo Grande, Zumilson Custódio da Silva, o processo de envio tem sido cada vez mais simplificado, com o objetivo de reduzir dificuldades enfrentadas pelos contribuintes na hora de acertar as contas com o Fisco.

Atualmente, a declaração pode ser feita por diferentes meios: pelo computador, com o programa disponibilizado no site oficial da Receita, diretamente pelo navegador via Portal e-CAC ou ainda por dispositivos móveis, utilizando o aplicativo Meu Imposto de Renda, disponível para celulares e tablets.

O órgão também recomenda a utilização da declaração pré-preenchida, que importa automaticamente informações fiscais do contribuinte. Para acessar essa funcionalidade, é necessário possuir conta gov.br nos níveis prata ou ouro.

Além disso, a Receita destaca a oferta de serviços gratuitos voltados a contribuintes que tiveram rendimentos de até R$ 50 mil ao longo de 2025. Esses atendimentos são realizados por entidades da área contábil no Estado, como forma de ampliar o acesso à regularização fiscal.

Um dos exemplos é o projeto “Declare Fácil”, desenvolvido pela Receita em Campo Grande em parceria com o Conselho Regional de Contabilidade de Mato Grosso do Sul (CRC-MS). O atendimento ocorre às terças-feiras, das 8h ao meio-dia, por ordem de chegada.

De acordo com Zumilson, embora a Receita Federal não possa preencher declarações em nome dos contribuintes, o serviço é prestado por estudantes da área contábil, sob supervisão de professores, garantindo orientação adequada durante o processo.

A recomendação do órgão é que os contribuintes evitem deixar a entrega para os últimos dias, a fim de reduzir riscos de erros, instabilidades no sistema e possíveis penalidades por atraso.

Combustível

Valor do diesel começa a cair no anel viário de Campo Grande

A variação no combustível chegou a quase 6% entre o dia 10 de abril e o dia 23

28/04/2026 14h00

Monitoramento do Procon indica redução nos valores de diesel no anel viário de Campo Grande

Monitoramento do Procon indica redução nos valores de diesel no anel viário de Campo Grande FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Uma pesquisa de monitoramento de preços realizada pelo Procon de Mato Grosso do Sul mostrou que o preço do óleo diesel apresentou redução no mês de abril nos principais postos localizados nas saídas de Campo Grande. 

Os dados foram coletados nos dias 10 e 23 de abril de 2026 nos estabelecimentos no anel viário da Capital. 

Considerando os maiores valores encontrados no período, a redução chegou a quase 6% até a última pesquisa. 

O litro do diesel s10 caiu 5,93% nas bombas de abastecimento, saindo de R$ 7,59 para R$ 7,14. É possível encontrar o combustível no valor de R$ 6,89. 

Já o litro do diesel s500, a variação chegou a 5,38% entre os maiores valores, passando de R$ 7,29 para R$ 6,94 para pagamentos à vista e de R$ 7,44 para R$ 7,04 no pagamento em crédito. 

Entre os menores preços do combustível, é possível encontrar o litro por até R$ 6,79, independente do pagamento, variação de 2,86% no período. 

A pesquisa considera preços de seis postos situados em regiões estratégicas do anel viário de Campo Grande, localizados nas saídas para Sidrolândia, Três Lagoas, Corumbá e Coxim. 

Estratégias

O monitoramento faz parte de estratégias para conter a alta de valores decorrente dos conflitos no Oriente Médio, além de avaliar os efeitos das medidas anunciadas pelo governo para conter a alta dos preços dos combustíveis no Brasil. 

O governo federal já havia ofertado subsídios de até R$ 1,20 por litro na importação, dividido entre a União e os estados (R$ 0,60 cada), além de um incentivo fiscal adicional de R$ 0,32 por litro criado no mês de março. Também houve isenção de tributos fiscais, como o PIS/Cofins sobre o diodiesel. 

A guerra no Oriente Médio impacta de forma significativa os preços dos derivados de petróleo em todo o mundo. No Brasil, cerca de 30% do diesel consumido é importado e precificado diretamente no mercado internacional.

A alta no mercado internacional acompanha a incerteza sobre a abertura do Estreito de Ormuz e o cessar-fogo na guerra entre Estados Unidos e Irã.

Nas refinarias da Petrobras, o diesel abriu com defasagem de 37% na última segunda-feira (27), conforme a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Já a gasolina registra defasagem de 58%.


 

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