Economia

FINALMENTE

Descontada em MS, brasileiros pagaram toda a dívida da construção de Itaipu

Última parcela foi quitada em fevereiro deste ano, e Brasil pagou para a hidrelétrica US$ 85,7 bilhões (R$ 428,9 bilhões) no período de 1985 a 2022

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Análises dos fluxos financeiros e da repartição de energia da hidrelétrica de Itaipu mostram que os brasileiros pagaram integralmente a dívida da construção da usina binacional no rio Paraná, entre o Brasil e o Paraguai.

O pagamento da tarifa dessa energia no lado brasileiro está obrigatoriamente embutido em conta de luz, inclusive do sul-mato-grossense, justamente para garantir que a dívida seria paga, e Itaipu, mantida.

A última parcela foi quitada em fevereiro deste ano. Foram pagos US$ 63,3 bilhões (R$ 313 bilhões) no total, US$ 35,4 bilhões (R$ 175 bilhões) a título de amortização de dívida e US$ 27,9 (R$ 138 bilhões) de juros. Os consumidores seguem mantendo a operação da hidrelétrica.

Um grupo de 31 distribuidoras que atendem dez estados e o Distrito Federal nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste repassa os custos para os brasileiros.

Cada país tem um tratamento para energia no seu mercado interno, mas as regras de funcionamento da usina estão definidas no Tratado de Itaipu, que completou 50 anos em 2023.

Os itens financeiros ficam detalhados no chamado Anexo C desse documento, que começa a ser renegociado pelos dois países neste fim de ano. Trata-se de um momento histórico, em que será possível redefinir o futuro da energia da usina.

Os cálculos sobre o fluxo financeiro de Itaipu foram realizados pelo Instituto Acende Brasil, um think tank da área de energia, espécie de centro de estudos dedicado ao desenvolvimento de ações e projetos que buscam reforçar a transparência e sustentabilidade do setor elétrico do país.

O estudo já foi entregue ao Itamaraty, como contribuição para a revisão do Anexo C. A base de dados foram os balanços financeiros divulgados pela própria empresa. 

O acompanhamento dos pagamentos e recebimentos líquidos de cada país mostram que o Brasil pagou para a hidrelétrica US$ 85,7 bilhões (R$ 428,9 bilhões) no período de 1985 a 2022. O Paraguai, por sua vez, recebeu US$ 5,9 bilhões (R$ 29,5 bilhões).

Segundo o estudo, o Paraguai não só garantiu seu suprimento de energia com a binacional como teve na usina uma importante fonte de receita.

"O Brasil pagou tudo, basta ver o fluxo do dinheiro. Pagou a dívida, a operação, o custeio. Tudo foi bancado pelos consumidores de energia do lado brasileiro", afirma Claudio Sales, presidente do Acende Brasil.

É preciso conhecer a dinâmica do consumo de energia e da contabilização dos diferentes custos da hidrelétrica para entender como algo assim é possível.

Pelo tratado, ficou acordado que Itaipu não teria lucro. Sua tarifa de energia deve ser o valor necessário para cobrir o Cuse (Custo Unitário dos Serviços de Eletricidade), ou seja, o valor exato para custear a hidrelétrica. O setor chama esse modelo de tarifa pelo custo.

Entre os grandes itens estão royalties pelo uso da água dos dois lados da fronteira (que é repassado a municípios), o custo de exploração, que na prática agrupa as despesas para operação e manutenção da usina, e os custos financeiros, cujo maior valor sempre foi a dívida contraída para construção da hidrelétrica. Historicamente, representou 60% das despesas.

O tratado também fixou que tudo em Itaipu é dividido meio a meio entre Brasil e Paraguai, despesas e benefícios.

O país vizinho, no entanto, até hoje não conseguiu consumir os 50% de produção de energia elétrica a que tem direito. No ano passado, o Paraguai ficou com 24% do total, por exemplo. A regra diz que a parcela não consumida por um parceiro é cedida para o outro mediante um pagamento.

O Brasil pagou no ano passado US$ 218,5 milhões (R$ 1,1 bilhão) por essa cessão, um valor considerado generoso.

O cálculo para definição do valor da cessão foi reajustado em 2009, após uma negociação bilateral que gerou muitos questionamentos no Brasil.

A mudança elevou o fator de reajuste em favor do país vizinho, beneficiando o governo do então presidente Fernando Lugo, o único que conseguiu quebrar a hegemonia do Partido Colorado em 70 anos.

A título de explicação, o levantamento do instituto detalha o fluxo de receitas e despesas de Itaipu no ano passado. O Brasil foi responsável pela receita de US$ 2,8 bilhões (R$ 14 bilhões) enquanto o Paraguai, por US$ 495 milhões (R$ 2,4 bilhões).

A análise da contabilidade mostra que, considerando saldos financeiros de 2021, US$ 2,5 bilhões (R$ 12,5 bilhões) foram destinados a cobrir custos de manutenção da usina, como despesas com exploração e a dívida da obra.

Outros US$ 801 milhões (R$ 4 bilhões) foram para pagamentos fora da usina, por assim dizer, como royalties a municípios dos dois lados da fronteira e repasses a título de remuneração das empresas estatais que respondem pela usina, no Brasil, ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional), e, no Paraguai, Ande (Administração Nacional de Eletricidade).

Somando todos os repasses para o Paraguai, incluindo o valor da cessão, e fazendo um paralelo com a receita que ele destinou, o parceiro do Brasil ficou, no ano passado, com um saldo positivo de quase US 15 milhões (R$ 75 milhões), mostra o levantamento da entidade.

No balanço geral do ano, o Brasil foi responsável por 85% das receitas de Itaipu, adquirindo 76% da energia gerada. No total, 64% dos repasses da hidrelétrica destinam-se ao Paraguai.

"Quando olhamos o fluxo total líquido, o Paraguai recebeu não apenas energia, mas também pagamentos. Desde que a Itaipu começou a operar apenas em um ano, 2021, o Paraguai não teve receita", diz Richard Hochstetler, diretor de assuntos econômicos e regulatórios do instituto, que coordenou o trabalho.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa de Itaipu disse que a empresa não conhecia o estudo e, por isso, não comentaria.

Brasil e Paraguai dariam início às discussões sobre o Anexo C na quinta-feira (26), em uma reunião no Ministério de Minas e Energia, em Brasília, que contaria com a presença dos presidentes da binacional de cada lado da fronteira.

Em paralelo, o presidente Lula (PT) e o presidente paraguaio, Santiago Peña, também fariam um encontro para tratar do tema. O governo brasileiro, no entanto, pediu o adiamento.

Quem no Brasil paga pela energia de Itaipu

Consumidores de 31 distribuidoras em dez estado e no DF são obrigados por lei a incluir na conta de luz a tarifa da usina binacional

  • São Paulo
    - Enel SP (Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo)
    - EDP SP (São Paulo Distribuição de Energia)
    - Elektro (Neoenergia Elektro)
    - CPFL Paulista (Companhia Paulista de Força e Luz)
    - CPFL Santa Cruz (Companhia Jaguari de Energia)
    - CPFL Piratininga (Companhia Piratininga de Força e Luz)
    - ESS (Energisa Sul-Sudeste)*
  • Rio de Janeiro
    - Light Enel RJ (Ampla Energia e Serviços)
    - EMR (Energisa Minas Rio, antiga EMG)*
  • Minas Gerais
    - Cemig (Companhia Energética Minas Gerais)
    - CPFL Santa Cruz (Companhia Jaguari de Energia)
    - DMED EMR (Energisa Minas Rio, antiga EMG)*
    - MESS (Energisa Sul-Sudeste)*
  • Espírito Santo
    - EDP ES (Espírito Santo Distribuição de Energia)
  • Mato Grosso
    - EMT (Energisa Mato Grosso)
  • Mato Grosso do Sul
    - EMS (Energisa Mato Grosso do Sul)
  • Goiás
    - Celg (Equatorial Goiás)
    - Chesp (Companhia Hidroelétrica São Patrício)
  • Distrito Federal
    - NDB (Neonergia, antiga CEB)
  • Paraná
    - Copel Cocel (Companhia Campolarguense de Energia)
    - CPFL Santa Cruz (Companhia Jaguari de Energia)
    - Forcel (Força e Luz Coronel Vivida)
    - ESS (Energisa Sul-Sudeste)*
  • Santa Catarina
    - Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina)
    - DCELT (Distribuidora Catarinense de Energia Elétrica, antiga Ienergia)
    - Cooperaliança (Cooperativa Aliança)
  • Rio Grande do Sul
    - CEEE distribuição (Equatorial Energia)
    - DEMEI (Departamento Municipal de Energia de Ijuí)
    - Eletrocar (Centrais Elétricas de Carazinho)
    - ELFSM (Empresa Luz e Força Santa Maria)
    - RGE Sul Nova Palma Energia Muxenergia (Muxfeldt Marin & Cia)
    *A distribuidora aparece em mais de um estado porque tem área de abrangência regional
    Fonte: Aneel

 

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LOTERIAS

Resultado da Dupla-Sena de ontem, concurso 3016, sexta-feira (02/10): veja o rateio

A Dupla-Sena tem três sorteios semanais, às segundas, quartas e sextas, sempre às 20h; veja quais os números sorteados no último concurso

03/10/2026 08h21

Confira o rateio da Dupla-Sena

Confira o rateio da Dupla-Sena Foto: Arquivo

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A Caixa Econômica Federal realizou o sorteio do concurso 3016 da Dupla Sena na noite desta sexta-feira, 2 de outubro de 2026, a partir das 21h (de Brasília). A extração dos números ocorreu no Espaço da Sorte, em São Paulo, com um prêmio estimado em R$ 6 milhões.

Premiação - 1º Sorteio

  • 6 acertos - Não houve ganhadores
  • 5 acertos - 29 apostas ganhadoras (R$ 2.863,45)
  • 4 acertos - 984 apostas ganhadoras (R$ 96,44)
  • 3 acertos - 15.599 apostas ganhadoras (R$ 3,04)

Premiação - 2º Sorteio

  • 6 acertos - Não houve ganhadores
  • 5 acertos - 12 apostas ganhadoras (R$ 6.228,00)
  • 4 acertos - 962 apostas ganhadoras (R$ 98,65)
  • 3 acertos - 17.701 apostas ganhadoras (R$ 2,68)

Confira o resultado da Dupla-Sena de ontem!

Os números da Dupla Sena 3016 são:

Primeiro sorteio

  • 50 - 15 - 44 - 28 - 39 - 10 

Segundo sorteio

  • 11 - 18 - 06 - 13 - 15 - 50 

O sorteio da Dupla Sena é transmitido ao vivo pela Caixa Econômica Federal e pode ser assistido no canal oficial da Caixa no Youtube.

Próximo sorteio: Dupla Sena 3017

Como a Dupla Sena tem três sorteios regulares semanais, o próximo sorteio ocorre na segunda-feira, 5 de outubro, a partir das 20 horas, pelo concurso 3017. O valor da premiação está estimado em R$ 7 milhões.

Para participar dos sorteios da Dupla Sena é necessário fazer um jogo nas casas lotéricas ou canais eletrônicos.

Como jogar na Dupla-Sena

A Dupla-Sena tem três sorteios semanais: às segundas, quartas e sextas, às 20h (horário de MS).

O apostador deve marcar de 6 a 15 números dentre os 50 disponíveis no volante e torcer.

Caso prefira o sistema pode escolher os números para você através da Surpresinha ou ainda pode concorrer com a mesma aposta por 2, 3, 4, 6, 8, 9 ou 12 concursos consecutivos com a Teimosinha.

Com apenas um bilhete da Dupla Sena, você tem o dobro de chances de ganhar: são dois sorteios por concurso e ganha acertando 3, 4, 5 ou 6 números no primeiro e/ou segundo sorteios.

O preço da aposta com 6 números é de R$ 3,00.

É possível marcar mais números. No entanto, quanto mais números marcar, maior o preço da aposta.

Probabilidades

A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada.

Para a aposta simples, com seis dezenas e preço de R$ 2,50, a probabilidade de acertar 6 números e ganhar o prêmio milionário é de 1 em 15.890.700 segundo a Caixa.

Já para uma aposta com 15 dezenas (limite máximo), a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 3.174, ainda segundo a Caixa.

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atividade

Indústria bate recorde nas exportações, mas ritmo de contratações cai pela metade

Segmento vendeu US$ 5,39 bilhões ao exterior até agosto, maior valor da série histórica, enquanto saldo de empregos industriais recua 54,8% na comparação com 2025

03/10/2026 08h20

Foto: Divulgação/Fiems

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A indústria de Mato Grosso do Sul vive um momento de forte desempenho nas exportações, produção estável e expectativa de aumento da demanda, mas o avanço do setor ainda não se traduz no mesmo ritmo de geração de empregos. Enquanto as vendas externas de produtos industrializados alcançaram US$ 5,39 bilhões entre janeiro e agosto, recorde para o período, o saldo de empregos formais da atividade industrial caiu de 5.609 vagas para 2.536 vagas na comparação com o mesmo intervalo de 2025, uma redução de 54,8%.

Os dados do Novo Caged mostram que a indústria teve 47.666 admissões e 45.130 desligamentos no acumulado deste ano até agosto, resultando no saldo positivo de 2.536 postos. No mesmo intervalo do ano passado, o saldo havia sido de 5.609 vagas.

O movimento contrasta com os indicadores de atividade. De acordo com a Sondagem Industrial do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), 78% das empresas consultadas mantiveram ou ampliaram a produção entre julho e agosto. Do total, 53% mantiveram o nível de produção e 25% registraram crescimento. 

O cenário, portanto, não é de retração da indústria, mas de crescimento com menor expansão do emprego formal, em um setor que enfrenta, ao mesmo tempo, dificuldade para encontrar trabalhadores qualificados.

EXPORTAÇÕES

As exportações de produtos industriais de Mato Grosso do Sul somaram US$ 5,390 bilhões de janeiro a agosto, alta de 5% em relação aos US$ 5,1 bilhões registrados no mesmo período de 2025. É o maior valor já registrado para os oito primeiros meses de um ano. 

Somente em agosto, os produtos industrializados responderam por US$ 704,4 milhões das vendas externas, crescimento de 3% sobre agosto do ano passado e também recorde para o mês. A indústria representou 72% de tudo o que Mato Grosso do Sul exportou em agosto e 66% no acumulado do ano. 

A pauta é concentrada em poucos segmentos. Celulose e papel lideram, com US$ 2,15 bilhões e 40% das receitas industriais. Na sequência aparece o complexo frigorífico, com US$ 1,89 bilhão e participação de 35%.

Somados, os dois segmentos respondem por 75% de toda a receita de exportação industrial do Estado.

Na sequência aparecem óleos vegetais e produtos de sua extração, com US$ 580,5 milhões; açúcar e álcool, com US$ 272,4 milhões; extrativo mineral, com US$ 159,5 milhões; e siderurgia, metalurgia e metalmecânica, com US$ 125,3 milhões.

A China lidera como principal mercado, até agosto, os chineses compraram US$ 1,83 bilhão em produtos industrializados de MS. Os Estados Unidos aparecem em segundo, com US$ 499,6 milhões, seguidos por Países Baixos, com US$ 333,4 milhões.

PRODUÇÃO

O bom desempenho externo ocorre em paralelo a uma atividade industrial que, segundo a sondagem da Fiems, permanece relativamente estável. Em agosto, as indústrias pesquisadas utilizaram, em média, 71% da capacidade instalada, enquanto 68% dos empresários disseram operar em nível igual ou superior ao considerado habitual para o período.
 

A pesquisa ouviu 60 empresas de pequeno, médio e grande porte, de segmentos como alimentos, biocombustíveis, metalurgia, produtos químicos, máquinas e equipamentos, farmacêutico, madeira e mineração. 

O resultado mais importante para os próximos meses está nas expectativas, 41% das empresas esperam aumento da demanda por seus produtos nos próximos seis meses. Outros 52% projetam estabilidade e apenas 7% preveem retração.

A perspectiva de maior demanda também aparece na intenção de compras 38% das indústrias pretendem aumentar as aquisições de matérias-primas, enquanto metade deve manter o volume atual.

O índice de intenção de investimento ficou em 54,9 pontos em setembro, mesmo após recuo no mês. Além disso, 48% das empresas afirmaram que pretendem realizar algum investimento no próximo semestre, seja para ampliar capacidade, modernizar processos ou aumentar a competitividade.

EMPREGO

No mercado de trabalho que aparece a principal diferença entre o desempenho da atividade e sua capacidade de gerar novas vagas. Embora o saldo industrial continue positivo, as 2.536 vagas abertas até agosto representam menos da metade do resultado de 2025, quando haviam sido criados 5.609 postos no mesmo intervalo.

A redução ocorre em um cenário em que a indústria não sinaliza intenção de reduzir seus quadros de forma generalizada. A Sondagem Industrial mostra que 91% das empresas pretendem manter ou ampliar o número de trabalhadores nos próximos seis meses.

Do total, 72% devem preservar o quadro atual e 19% projetam novas contratações. Apenas 9% esperam redução no número de empregados. 

Ou seja, a indústria não está apontando para uma onda de demissões. O que aparece nos dados é uma redução do ritmo de abertura de novas vagas, apesar da manutenção da atividade.

O paradoxo fica ainda mais evidente quando confrontado com a estimativa da Fiems sobre a falta de mão de obra. 

O presidente da entidade, Sérgio Longen, já afirmou que existem mais de 25 mil vagas abertas na indústria de MS que não conseguem ser preenchidas. Em manifestação anterior, ele relacionou o deficit à expansão das fábricas e ao aumento da demanda por trabalhadores. 

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