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Frigoríficos sonegaram mais de meio bilhão de reais em Mato Grosso do Sul

Fenafisco aponta que 12 estabelecimentos do segmento estão entre os 100 maiores devedores para o Fisco estadual

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A lista de devedores de impostos em Mato Grosso do Sul é vasta, mas, olhando o recorte dos 100 maiores inadimplentes com o Fisco estadual, é possível identificar vários frigoríficos. Levantamento da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco) aponta que 12 estabelecimentos do segmento devem mais de R$ 550 milhões aos cofres estaduais. 

O levantamento mostra que somente os dez maiores inadimplentes com o governo do Estado devem R$ 983,359 milhões. Quando considerado o recorte dos cem maiores, conforme o site Barões da Dívida, esse montante salta para R$ 3,022 bilhões. 

Ainda de acordo com a listagem da plataforma, que é um produto da própria Fenafisco, quando listados os 500 maiores inadimplentes, o valor devido chega a R$ 5,176 bilhões. 

No recorte analisado pelo Correio do Estado, os valores devidos pelos frigoríficos se destacam na lista de grandes devedores, com montantes que chegam a ultrapassar a casa dos R$ 100 milhões.

O frigorífico River Alimentos, sediado na cidade de Coxim, lidera o ranking dos maiores devedores do setor em Mato Grosso do Sul. A dívida ativa do comércio chega a R$ 162,234 milhões, conforme os dados divulgados pela Fenafisco. 

Entre os 100 maiores devedores de impostos, a empresa aparece com dois débitos, sendo o primeiro de R$ 106,602 milhões (na quarta posição dos 100 mais) e o segundo de R$ 55,632 milhões (11º do ranking).

Enquanto o frigorífico Margen, com sede em Paranaíba, aparece quatro vezes na lista e acumula dívidas de R$ 107,195 milhões. A primeira vez que o nome da empresa aparece na listagem é na 13ª posição, com débito de R$ 50,826 milhões.

O estabelecimento ainda aparece como 47º, com dívida de R$ 20,612 milhões; novamente na 57º entre os cem maiores devedores, com dívida de R$ 18,762 milhões; e, por fim, na 77ª posição, com débito de R$ 16,993 milhões. 

Já o Frigo-Bras, com endereço registrado em Campo Grande, aparece três vezes entre os cem maiores devedores e registra débito de R$ 63,282 milhões. A primeira aparição no ranking é na 30ª posição, com R$ 26,492 milhões em impostos não pagos.

Na sequência, aparece na 42ª posição, com débitos que somam R$ 22,802 milhões. E no fim da tabela, como 98º, com dívida de R$ 13,987 milhões. 

Destaque também, devendo R$ 43,623 milhões, o frigorífico Campo Grande, que é citado como o 15º devedor entre os 100 maiores; o Frigotel (23°), da cidade de Três Lagoas, tem dívidas que somam R$ 32,210 milhões; e o Pedra Bonita, 39º da lista, tem débito tributário de R$ 23,201 milhões.

Somando os 12 frigoríficos listados entre os 100 maiores devedores, são R$ 550,489 milhões devidos pelo segmento. 

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AMBEV

Conforme publicado pelo Correio do Estado na edição do dia 15 deste mês, a cervejaria Ambev também figura entre os 100 maiores devedores de Mato Grosso do Sul. Pela dívida, o governo do Estado cobra na Justiça que a cervejaria pague o montante de R$ 189,9 milhões, referentes a Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Esse valor também consta no portal Barões da Dívida, que aponta a cervejaria pelo menos três vezes entre os maiores devedores de MS. Em sétimo lugar, com a razão social da Cervejarias Reunidas Skol Caracu S.A., que foi adquirida pela Ambev há muitos anos, deve R$ 76.533.055,75.

Já em 28º e 29º lugar, quando figura como Ambev S.A., a empresa acumula duas pendências, a primeira de R$ 28.345.093,97 e a segunda de R$ 27.027.855,52.

O montante total da dívida, no entanto, é superior à somatória dessas três partes das pendências da empresa, o que significa que a cervejaria figura em outras posições abaixo do 100º lugar. Em virtude da grande dívida, o governo do Estado já judicializou diversos processos pedindo que valores devidos pela cervejaria fossem pagos.

Em um dos processos mais recentes, de agosto deste ano, na Vara de Execução Penal de Multa Condenatória Criminal e Fiscal da Fazenda Pública Estadual, Mato Grosso do Sul pede o pagamento de R$ 312.390,47 ou a penhora de bens da empresa para que esse valor seja pago.

A Ambev também contesta na Justiça alguns pagamentos que são atribuídos a ela. Em julho deste ano, a empresa ingressou com processo também na Vara de Execução Penal de Multa Condenatória Criminal e Fiscal da Fazenda Pública Estadual solicitando embargos à execução fiscal distribuídos por dependência à execução fiscal embargada.

Vale ressaltar que, enquanto não realizava o pagamento de impostos, a empresa obteve, no último trimestre deste ano, um salto em seu faturamento.

No fim de outubro, a Ambev apresentou lucro líquido consolidado de R$ 4,015 bilhões, o que representa um crescimento de 24,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

A empresa também divulgou lucro líquido ajustado de R$ 4,038 bilhões, montante 25,1% acima do apurado um ano antes.

pesquisa

MS tem 4,3 milhões de hectares de área degradada, a 3ª maior do País

Embrapa indica que o Estado tem grande concentração de pastagens deterioradas que podem ser aproveitadas

20/02/2024 08h30

Foto: Gerson Oliveira

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Estudo elaborado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que Mato Grosso do Sul tem a terceira maior área de pastagem degradada apta para conversão agrícola do País. No total, são 4,34 milhões de hectares que apresentam potencial para serem convertidos em áreas agrícolas.

Segundo a pesquisa, as regiões com níveis de degradação intermediário e severo podem ainda receber o cultivo de culturas, e a maior parte delas está localizada no Cerrado. A concentração das áreas facilita o planejamento de recursos públicos e privados para promover a recuperação das terras, afirma a Embrapa.

Ainda de acordo com a Embrapa, a conversão do quantitativo poderia aumentar em 35% a área total plantada com grãos no País em relação à safra 2022/2023.

A estatal cruzou inúmeras bases de dados públicas e privadas nacionais e refinou as informações agronômicas e ambientais para identificar as áreas com maior potencial de conversão.

Mato Grosso lidera, com 5,12 milhões de hectares que podem ser recuperados, seguido de Goiás, com 4,68 milhões de hectares, e Mato Grosso do Sul, com 4,34 milhões de hectares com potencial de serem convertidos. 

Dados do quinto boletim de safras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que, para a safra 2023/2024, Mato Grosso do Sul terá uma área cultivada de 6,41 milhões de hectares.

Caso fossem adicionados os 4,34 milhões de hectares com potencial de conversão agrícola, o Estado teria uma ampliação de 67,69% na área cultivada.

Em simpósio sobre sistemas de produção realizado no ano passado, o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste Fernando Mendes Lamas disse que muitas áreas de pastagens degradadas, com solos arenosos, estão sendo ocupadas por lavouras. 

“O desafio é encontrar alternativas para que a atividade agropecuária continue sendo sustentável”, pontuou.

Conforme publicado pelo Correio do Estado, na edição de 25 de setembro de 2023, Mato Grosso do Sul já tem atuado na conversão de áreas. A área de cultivo de soja aumentou em 100% no período de 10 anos.

Dados do Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (Siga MS) apontam que, na safra 2013/2014, foram 2,1 milhões de hectares dedicados ao cultivo da oleaginosa. A estimativa para o ciclo 2023/2024 sugere 4,2 milhões de hectares.

No mesmo período, houve uma redução na produção de bovinos, apesar de não ter dados oficiais da quantidade de hectares que eram dedicados para pastagens e que foram transformados em lavouras, o número de animais produzidos no Estado ajuda a mostrar que realmente houve uma troca.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, no período de 10 anos, houve redução de 12,41% no rebanho bovino. Em 2012, MS tinha 21,49 milhões de cabeças, em 2022, o número de animais passou a ser 18,43 milhões.

O titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, explica que o aumento da área plantada se deu com a recuperação de pastagens degradadas.

“Expandimos a produção do grão para áreas que eram até então ocupadas pela pecuária e que tinham algum grau de degradação. Isso mostra que a política agrícola do Estado tem atingido resultados adequados”.

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PESQUISA

A pesquisa da Embrapa levou em conta não só as imagens de satélite para localizar as propriedades com terras em degradação, mas estudos sobre os perfis de solo, a topografia, o clima e até a disponibilidade de infraestrutura instalada nas proximidades, como armazéns e rodovias.

Segundo a instituição, cerca de 11 milhões de hectares de pastagens com degradação severa estão em áreas com potencial agrícola bom ou muito bom, enquanto 18 milhões de hectares com nível de degradação intermediário estão em áreas com potencial agrícola bom ou muito bom.

Em sua análise, a estatal ainda excluiu 447 milhões de hectares de áreas de comunidades tradicionais, assentamentos rurais, unidades de conservação, áreas públicas não designadas e áreas militares, que representam cerca de 52%do território nacional. Também não considerou áreas prioritárias para conservação da biodiversidade.

Ao todo, o Brasil tem 177 milhões de hectares de pastagens, dos quais 109,7 milhões apresentam limitação de moderada a severa. 

PROGRAMA

Na mesma vertente, o governo federal lançou, em dezembro de 2023, o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis (PNCPD) e criou seu comitê gestor interministerial, por meio do Decreto nº 11.815.

A pretensão do governo é a recuperação e conversão de até 40 milhões de hectares de pastagens de baixa produtividade em áreas agricultáveis em 10 anos, podendo dobrar a área de produção de alimentos no Brasil sem desmatamento, evitando a expansão sobre áreas de vegetação nativa.

Para o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, além de ser uma prática sustentável, a adoção dessas medidas garante a segurança alimentar e reduz o impacto das mudanças climáticas.

“Com foco na produção com rastreabilidade e sustentabilidade, a proposta visa a intensificação da produção de alimentos sem avançar no desmatamento sobre as áreas já preservadas e com práticas que levem a não emissão de carbono”, destacou.

produção

Chuva alcança quase todo o Estado e produtor rural agradece

Em meio ao plantio do milho e colheita da soja, chuva ocorre na hora certa

19/02/2024 11h05

Marcelo Victor

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No sábado (17) e domingo (18), quase todos os municípios de Mato Grosso do Sul foram contemplados com chuvas significativas. Em meio ao plantio do milho e colheita da soja, produtores rurais agradecem. 

Conforme os dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS (Cemtec), o Pantanal foi uma das áreas em que mais houve chuva, bem como em cidades que vivem da soja. 

O local que registrou o maior volume de chuva no período de 72h foi Rio Verde de Mato Grosso, com 110,6 mm. 

Em sequência, as maiores chuvas ocorreram em Nhumirim (107,6 mm); Cassilândia (97,2 mm); Ponta Porã (92,8 mm); Maracaju (82,6 mm); Coxim (79,6 mm); Miranda (77,2 mm). Veja o balanço completo: 

Produção rural  

Os números mostram que cidades que concentram grande volume de produção de soja foram beneficiadas com a chuva, entre elas, Maracaju, Ponta Porã, Sidrolândia, Dourados, São Gabriel do Oeste, entre outras. 

O Boletim Casa Rural mais recente, da Aprosoja, mostra que, até 9 de fevereiro, a evolução da colheita da soja, nas regiões norte, centro e sul do Estado, alcançou 18%.

No momento, a região norte está com a colheita mais avançada, com média de 33,9%, enquanto a região centro está com 18,6% e a região sul com 13,8% de média. 

A área colhida até o momento, conforme estimativa do Projeto SIGA-MS, é de aproximadamente 768 mil hectares.

Aprosoja pontua no Boletim que a área de soja no estado ainda está em constante crescimento, enquanto a média de sacas por hectare está dentro do potencial produtivo das últimas 5 safras do Estado. 

Entre os fatores que influenciam está o volume de chuvas, especialmente no período que se estende do final de janeiro até o final de fevereiro. 

O Boletim mostra que a chuva nesses período é o principal fator determinante da produtividade em todo o Estado.

Os produtores de milho também são beneficiados, embora a estimativa é de que a safra seja 5,82% menor em relação ao ciclo passado (2022/2023), atingindo a área de 2,218 milhões de hectares. 

A expectativa é de produção de 11,485 milhões de toneladas, apontando retração de 14,25% quando comparada ao ciclo anterior. 

Conforme as informações divulgadas, a chuva não é o fator que leva à tal retração, mas outras questões como o atraso na colheita da soja que afetou a janela de semeadura do milho 2ª safra e a ocorrência de eventos climáticos adversos, como estiagem. 

Até 9 de fevereiro, a evolução do plantio do milho, nas regiões norte, centro e sul do Estado, alcançou 17,2%. 

A região norte está com o plantio mais avançado, com média de 42,3%, enquanto a região centro está com 16,7% e a região sul com 13,1% de média. 

A área plantada até o momento, conforme estimativa do Projeto SIGA-MS, é de aproximadamente 381 mil hectares.

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