Em junho, foram gerados 2.075 novos postos de trabalho no Estado, puxados pelo setor de serviços
Mato Grosso do Sul gerou 18.531 trabalhos com carteira assinada de janeiro a junho de 2026. O número é o menor registrado no período desde 2020, ano em que estourou a pandemia da Covid-19.
Os dados do Novo Caged. foram divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Em 2020, foi registrado um saldo negativo de -3.008 empregos no primeiro semestre do ano, isto é, foram demitidas mais pessoas que empregadas no período.
No ano seguinte, o saldo saltou para 29.595 empregos, um salto de mais de 32 mil vagas. Em 2022, foram 31.362 empregos gerados no semestre. O índice caiu em 2023, quando registrou 24.932 vagas. Em 2024, foram ainda menos vagas novas, 21.325. O número começou a subir novamente em 2025, quando atingiu 23.896, mas caiu neste semestre.
O saldo é resultado de 225.415 admissões e 206.884 demissões no Estado entre janeiro e junho deste ano, puxado pelo setor de serviços, com saldo positivo de 6.462 empregos no período.
Junho
No mês de junho, foram gerados 2.075 novos empregos em todo o Estado, resultado de 34.031 contratações e 31.956 demissões.
O número é maior que o registrado no mês passado, quando foram gerados 1.999 novas vagas. Esse resultado vem mostrando um leve crescimento no mercado de trabalho desde o mês de abril, quando o saldo foi de 463 vagas em todo o Estado.
Em junho, todos os cinco setores tiveram saldos positivos, com destaque para o comércio, onde foram geradas 629 novas vagas formais. Em seguida, o setor de serviços criou 505 vagas. A construção civil teve saldo de 332 vagas, a indústria, de 323 e o agronegócio teve 286 novos postos.
As características predominantes dos contratados foram homens (1.186), jovens entre 18 e 24 anos de idade (1.428) e com ensino médio completo (1.730). A predominância das vagas era para o ramo de serviços, vendedores de comércio em lojas e mercados.
Empresas
No primeiro semestre, Mato Grosso do Sul também atingiu o maior número de empresas fechadas. Foram 6.250 empresas que encerraram as atividades entre janeiro e junho no Estado, o maior número desde o início da série histórica, em 2000.
O avanço dos fechamentos ocorre justamente em um cenário de forte expansão do empreendedorismo. No mesmo período, a Jucems registrou 8.978 novas empresas, também o maior número da história para o primeiro semestre.
Segundo o economista Eduardo Matos, os principais fatores para o fato são o elevado custo do crédito, os juros ainda altos, a carga burocrática para cumprimento das obrigações tributárias e a intensa concorrência em praticamente todos os setores da economia.
Atrelado a isso, também aparece o elevado endividamento das famílias brasileiras, que afeta diretamente a atividade das empresas.
"O empresário continua enfrentando um custo muito alto para operar. Existe um enorme gasto de tempo e recursos apenas para cumprir as exigências tributárias. Soma-se a isso um ambiente de crédito caro, forte concorrência e diversas despesas que acabam reduzindo a capacidade financeira das empresas. São custos invisíveis que tornam muito difícil manter um negócio funcionando por muitos anos", afirmou ao Correio do Estado.
Ainda segundo Matos, o recorde de fechamento de empresas não significa necessariamente que MS esteja vivendo uma crise, mas representa um indicador que merece atenção.
"Quando vemos recordes tanto na abertura quanto no encerramento de empresas, isso nos mostra que empreender ficou mais acessível, mas permanecer no mercado continua sendo um enorme desafio. Esses dados podem ser um indicativo de que parte das empresas está encontrando dificuldades para sobreviver em um ambiente de custos elevados e crédito restrito", conclui.