Economia

CRISE

Mercado faz ajustes e preços de imóveis caem até 30% na Capital

Mudanças na economia colocaram freio no frenesi que caracterizava o setor imobiliário

DA REDAÇÃO

25/01/2015 - 00h00
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As mudanças nos humores da economia colocaram um freio no frenesi que caracterizava o setor imobiliário. Em Campo Grande, os preços de imóveis estão recuando para não comprometer o ritmo das vendas. Na avaliação de fontes do setor, os valores estão passando por ajustes após os anos de especulação. “Muitos imóveis estão, agora, com preço real de mercado”, afirma o presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Sindimóveis), James Antônio Gomes, que estima redução entre 20% e 30%. Segundo ele, esse comportamento foi provocado pelo baixo crescimento econômico dos últimos anos. 

Na avaliação de Gomes, com a retração da economia, as pessoas, de modo geral, estão descartando imóveis supervalorizados. Isso não significa, conforme o corretor, que as vendas estejam fracas. “Só não vende, se o imóvel estiver acima do preço”, enfatiza. Essa pressão da demanda obriga os investidores a redefinirem os valores de suas propriedades. “Eles [os proprietários] estão caindo na real e reajustam os preços para baixo”, afirma o presidente do Sindimóveis. 

A reportagem, de Osvaldo Júnior, está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.

GÁS DO POVO

Em MS, 461 mil pessoas são beneficiadas com gás de cozinha gratuito

142 mil famílias podem procurar 409 estabelecimentos de revenda credenciados para adquirir o benefício

28/09/2026 12h00

Botijão de gás GLP

Botijão de gás GLP GERSON OLIVEIRA

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Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) apontam que 142.056 famílias – 461.268 pessoas foram atendidas pelo programa Gás do Povo, do Governo Federal, no mês de setembro de 2026.

O programa oferece gás de cozinha gratuito à famílias de baixa renda.

Atualmente, há 409 estabelecimentos de revenda credenciados ao programa. No Brasil, 4.230.776 vales foram distribuídos e há 26.920 revendas credenciadas.

O MDS não divulgou o valor investido em reais neste mês.

GÁS DO POVO

O programa Gás do Povo oferece botijões de gás (GLP 13kg) gratuitos para famílias de baixa renda. O vasilhame/botijão vazio não está incluso.

O benefício garante a recarga gratuita de um botijão de 13 kg diretamente nas revendas credenciadas, ao invés do depósito em dinheiro.

De acorodo com o MDS, têm direito ao benefício:

  • famílias inscritas no CadÚnico
  • ter renda per capita de até meio salário-mínimo
  • ser beneficiário do Bolsa Família
  • ter uma família de no mínimo duas pessoas

Famílias com 2 a 3 pessoas recebem até 4 recargas/ano e famílias com 4 ou mais pessoas recebem até 6 recargas/ano.

Os vales são disponibilizados no dia 10 de cada mês.

As famílias podem consultar no App Meu Social se são beneficiárias do Programa Gás do Povo, acompanhar a situação do benefício e acessar outras informações relacionadas ao vale.

Pelo aplicativo, é possível verificar a disponibilidade, o período de vigência e o histórico de uso, localizar revendas credenciadas e conferir orientações sobre como utilizar o benefício.

Agricultura

Produtor rural segura milho e vendas chegam a só 50% após supersafra em MS

Colheita está praticamente encerrada, com produção de 16,25 milhões de toneladas, mas metade do cereal ainda não foi negociada

28/09/2026 07h55

Foto: Marcos Maluf/Aprosoja-MS

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Mato Grosso do Sul está encerrando uma das maiores safras de milho de sua história, mas o cereal ainda não saiu das mãos dos produtores. Com 99,5% da área colhida, apenas metade da produção havia sido comercializada até o dia 21, segundo levantamento do Boletim Casa Rural, elaborado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS). 

O movimento ocorre justamente em um momento de valorização da commodity, o que reforça a estratégia de parte dos agricultores de postergar as vendas e aguardar melhores condições de mercado.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a postura reduz a disponibilidade de lotes para negociação e contribui para a sustentação dos preços no mercado interno. O comportamento das cotações no exterior também favorece esse cenário. 

A segunda safra 2025/2026 está estimada em 16,254 milhões de toneladas, volume 16,7% superior ao do ciclo anterior. A produtividade média chegou a 122,79 sacas por hectare, conforme o boletim semanal da Casa Rural. O levantamento, realizado pelo Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga MS), já alcançou 18% da área para revisão da produtividade. 

Ao mesmo tempo, a saca de 60 kg alcançou R$ 54,83 no dia 21, alta de 0,92% em apenas uma semana. Na média entre os dias 14 e 21 deste mês, ficou em R$ 54,40, 6,4% acima dos R$ 51,13 registrados no mesmo período de 2025. Em relação a agosto, quando a cotação média era de R$ 49,17, a valorização chega a 11,5%. 

Conforme dados da Granos Corretora, na sexta-feira, a saca era cotada a R$ 55,17, valor 7,7% acima da cotação de R$ 51,19 aferida na mesma data do ano passado. 

VENDAS

Os dados indicam que o produtor não está simplesmente deixando de vender. A comercialização avançou 6,5 pontos porcentuais desde o levantamento de 27 de agosto, quando 43,5% da safra havia sido negociada. Ainda assim, o porcentual atual está 2,5 pontos abaixo do registrado no mesmo período de 2025. 

Ainda conforme os dados da Granos Corretora, o mercado vem pagando mais pelo cereal. Em Dourados, a cotação chegou a R$ 56 por saca. Chapadão do Sul, Maracaju e São Gabriel do Oeste registraram R$ 55, enquanto Campo Grande e Sidrolândia ficaram em R$ 54. São Gabriel do Oeste teve a maior valorização entre os municípios acompanhados, de 3,77% no período. 

O comportamento pode indicar que parte dos produtores está administrando o estoque à espera de condições mais favoráveis. A decisão de vender depende da combinação entre preço, necessidade de caixa, capacidade de armazenagem, custo de transporte, demanda regional e expectativa de mercado.

Com uma produção estimada em 16,254 milhões de toneladas, o Estado terá um volume expressivo de milho para comercializar ao longo dos próximos meses. O atual porcentual de vendas significa que aproximadamente metade da safra ainda precisa encontrar comprador.

A própria estimativa de produção ainda pode sofrer ajustes. O boletim informa que os dados foram obtidos a partir de amostragens que cobrem 18% da área cultivada e que a produtividade e a produção podem ser revisadas à medida que o levantamento avance. 

A supersafra também ajuda a explicar a cautela comercial. Conforme já informou o Correio do Estado, a projeção atual está 45,9% acima da estimativa inicial, que apontava produção de 11,139 milhões de toneladas. O aumento ocorreu principalmente pela produtividade observada nas áreas colhidas. 

ETANOL

Um fator que mudou a dinâmica da comercialização em Mato Grosso do Sul nos últimos anos foi o avanço da indústria de etanol de milho. Estudo divulgado recentemente pela Aprosoja-MS aponta que o Estado passou de nenhuma usina de etanol de milho em operação para três unidades, instaladas em Dourados, Sidrolândia e Maracaju. Uma quarta planta está em implantação em Nova Alvorada do Sul. 

A expansão cria uma alternativa de venda dentro do Estado, reduzindo a dependência exclusiva das exportações e das fábricas de ração.

Na safra 2024/2025, 2 milhões de toneladas de milho de MS foram exportadas, enquanto as usinas passaram a absorver uma parcela crescente da produção. Para a safra 2025/2026, a produção de etanol de milho no Estado é estimada em 2,128 bilhões de litros, equivalente a cerca de 20,9% da produção nacional, segundo o estudo da entidade. 

Para o analista de economia da Aprosoja-MS, Linneu Borges Filho, a expansão das plantas representa uma nova alternativa de comercialização para o produtor.

“A instalação das usinas acrescenta um novo comprador de grande porte dentro do próprio Estado, criando uma terceira alternativa de comercialização para o grão”, avalia.

Além do etanol, as usinas produzem DDG ou DDGS (farelo de milho), óleo de milho e CO industrial. O DDG, subproduto utilizado principalmente na alimentação animal, também ganhou espaço nas exportações sul-mato-grossenses. Em 2025, foram produzidas 1,4 milhão de toneladas, das quais 1,15 milhão de toneladas foram exportadas. 

Esse modelo amplia a participação do milho na economia estadual. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária citados no estudo mostram que o milho apresentou alta de 88,1% no Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária de Mato Grosso do Sul em 2025, passando a representar 16,8% do VBP estadual.

LOGÍSTICA

A logística é outro componente que pode influenciar a escolha do produtor entre vender agora ou aguardar. De acordo com a Aprosoja-MS, cerca de 80% da produção agrícola do Estado é transportada por rodovias.

Em operações destinadas à exportação, o frete pode representar uma parcela relevante do valor recebido pelo produtor. 

“A proximidade entre as lavouras e as indústrias pode reduzir a distância percorrida pelo milho e, consequentemente, a exposição aos custos logísticos das operações de longa distância”, analisa Borges.

Isso muda a conta de comercialização. O preço nominal da saca não é o único indicador que determina a rentabilidade. O produtor precisa considerar quanto efetivamente receberá depois de descontar frete, armazenagem, taxas e demais custos da operação.

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