Mesmo com a tendência de retração no mercado imobiliário, o valor do metro quadrado em Campo Grande apresentou valorização de 10,5% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o Censo Imobiliário elaborado pela Brain Inteligência Estratégica, o valor alcançou R$ 10.513/m².
Além disso, o levantamento também apontou um crescimento de 3,3% nas vendas de unidades residenciais verticais, passando de 449 unidades no primeiro trimestre de 2025 para 464 em 2026. O estoque disponível também apresentou crescimento, chegando a 19,1%, o que representa uma ampliação na oferta de imóveis em Campo Grande.
"O Censo Imobiliário foi concebido para oferecer ao mercado informações qualificadas e confiáveis sobre o desempenho do setor. É um trabalho iniciado em gestões anteriores e que seguimos fortalecendo, pois entendemos que acompanhar esses indicadores é fundamental para orientar decisões, ampliar a transparência e posicionar Campo Grande entre as principais cidades monitoradas nacionalmente. Nossa intenção é manter esse acompanhamento ao longo de todo o ano, com a divulgação dos resultados de cada trimestre"", explicou o vice-presidente do Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção de Mato Grosso do Sul (Sinduscon/MS), Rafael Tenuta.
O Censo também mostrou uma tendência nacional na intenção de compra, onde praticamente metade dos brasileiros pretende adquirir algum imóvel nos próximos meses.
Por outro lado, houve retração nos número de lançamentos no período. Em comparação ao primeiro semestre de 2025, o número de unidades lançadas caiu 41%, acompanhando uma estratégia do mercado diante do atual ambiente econômico de manutenção de juros em patamar elevado.
Mesmo assim...
Apesar desse cenário, representantes do setor ainda enxergam espaço para crescimento. A presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Sindimóveis-MS), Luciana de Almeida, destaca que o Estado continua atraindo novos moradores e investimentos, o que sustenta a demanda por imóveis.
“MS se tornou um polo de investimentos bilionários e sentimos esse impacto em muitas regiões do Estado. Milhares de novos moradores chegaram nos últimos anos e isso influenciou diretamente a demanda por imóveis. Temos a inflação subindo, e isso pode deixar o Banco Central mais cauteloso no corte dos juros”, explica.
Na avaliação dela, as condições atuais de financiamento seguem favoráveis em comparação aos últimos anos.
“Os financiamentos imobiliários estão operando entre 11% e 12,5% ao ano, e isso é muito bom. Nossa Capital figura com um dos maiores resultados do Programa Minha Casa, Minha Vida. E o Programa sinaliza positivamente os resultados do mercado imobiliário. E ainda lembrando que o orçamento do FGTS para a habitação é de mais de R$ 140 bilhões. O mercado está bom mas, é preciso estar atento às oportunidades e agir”, afirmou.
O presidente do Creci-MS, Roberto da Cunha, também avalia que o setor segue aquecido.
“Observamos forte demanda por imóveis residenciais, especialmente em loteamentos e condomínios de médio padrão, impulsionados pelo crescimento populacional recente e pela percepção de Campo Grande como polo regional de desenvolvimento e investimento”, detalha ao Correio do Estado.
Segundo ele, embora os juros continuem pressionando o mercado, o segmento apresenta fundamentos mais sólidos do que em ciclos anteriores.
“Apesar de ainda haver pressões como taxas de juros elevadas, o setor responde com lançamentos planejados e estoque relativamente controlado, o que reduz o risco de bolhas e contribui para um crescimento mais sustentável”.

