Economia

Empreendedorismo

MS abre mais empresas em 10 meses do que em todo 2025; fechamentos batem recorde

Estado soma 14.063 novos negócios até outubro, enquanto 6,2 mil empresas encerraram atividades no primeiro semestre; serviços concentram 76,3% das aberturas

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Mato Grosso do Sul abriu 14.063 empresas entre janeiro e outubro de 2026, superando em 920 registros o total de novos negócios de todo o ano passado, quando foram abertas 13.143 empresas. O avanço, porém, ocorre em paralelo ao aumento dos encerramentos: somente no primeiro semestre deste ano, 6.250 empresas fecharam as portas no Estado, o maior número já registrado para o período desde o início da série histórica, em 2000.

Os dados da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul (Jucems) mostram que o Estado abriu 1.245 empresas em outubro, alta de 6,6% em relação a setembro, quando foram registrados 1.168 novos negócios. No mesmo mês, 800 empresas encerraram as atividades, deixando saldo positivo de 445 registros.

O volume acumulado de aberturas em 2026 já é cerca de 7% superior ao total de 2025, embora ainda faltem dois meses para o encerramento do ano. O resultado reforça o ritmo de formalização de negócios, mas não significa, necessariamente, que todas as empresas abertas permaneçam em funcionamento.

Em reportagem publicada em julho, o Correio do Estado mostrou que as baixas empresariais cresceram aproximadamente 13% no primeiro semestre, na comparação com o mesmo período de 2025. Foram 6.250 encerramentos, ante 5.534 no ano anterior. No mesmo intervalo, a Jucems contabilizou 8.978 novas empresas, aumento de 30,2% em relação às 6.893 aberturas do primeiro semestre de 2025.

Apesar do crescimento das baixas, o saldo entre empresas constituídas e extintas no primeiro semestre permaneceu positivo em 2.728 negócios.

Serviços 

O setor de serviços responde pela maior parte dos novos registros em Mato Grosso do Sul. Entre janeiro e outubro, foram abertas 10.729 empresas do segmento, o equivalente a 76,3% do total. O comércio aparece na sequência, com 2.927 registros (20,8%), enquanto a indústria contabilizou 407 novas empresas (2,9%).

Em outubro, a concentração foi ainda maior: dos 1.245 novos negócios, 970 eram do setor de serviços, representando 77,9% das aberturas. O comércio respondeu por 252 registros, e a indústria, por 23.

Entre as atividades com mais empresas abertas no mês estão holdings de instituições não financeiras e atividades médicas ambulatoriais restritas a consultas, ambas com 45 registros. Também aparecem consultoria em gestão empresarial, com 41 empresas, e serviços combinados de escritório e apoio administrativo, com 39.

O perfil acompanha o resultado de 2025, quando os serviços concentraram 75,5% das 13.143 empresas constituídas no Estado. Naquele ano, o comércio respondeu por 20,9% das aberturas, e a indústria, por 3,6%.

Campo Grande concentrou 485 das empresas abertas em outubro, seguida por Chapadão do Sul, com 171, e Dourados, com 123. Três Lagoas contabilizou 62 novos negócios, enquanto Ponta Porã teve 40 registros.

No acumulado de janeiro a outubro, a Capital também lidera, com 5.929 empresas abertas. Dourados soma 1.348 registros, seguida por Chapadão do Sul, com 1.325. Três Lagoas aparece na sequência, com 648, e Ponta Porã, com 399.

Pequenos negócios 

O crescimento das aberturas ocorre em um cenário no qual os pequenos empreendimentos representam a maior parte das empresas em atividade. Levantamento publicado pelo Correio do Estado em outubro apontou que Mato Grosso do Sul tinha 378.391 CNPJs ativos, dos quais 336.425 pertenciam a pequenos negócios, o equivalente a 89% do total.

O mesmo levantamento identificou 234.007 microempreendedores individuais (MEIs) ativos até abril de 2026. Além disso, das 63,7 mil empresas abertas no Estado naquele ano, até a data de referência da reportagem, 61,2 mil eram microempreendedores individuais, microempresas ou empresas de pequeno porte.

Em julho, ao analisar o recorde de encerramentos, o economista Eduardo Matos apontou fatores como o custo para manter os negócios, o crédito caro, as obrigações tributárias e o endividamento das famílias como desafios para a sobrevivência das empresas.

Os números de outubro mostram que Mato Grosso do Sul continua registrando mais aberturas do que baixas no mês. Ao mesmo tempo, o recorde de encerramentos no primeiro semestre indica que o crescimento do empreendedorismo precisa ser analisado também pela capacidade de os negócios permanecerem ativos, além do volume de novos registros.

concurso especial

Caixa abre apostas para Mega da Virada com prêmio estimado em R$ 1 bilhão

Sorteio que tradicionalmente é realizado no dia 31 de dezembro será no dia 1º de janeiro no concurso especial deste ano

03/11/2026 10h00

Apostas da Megada Virada começam nesta terça-feira

Apostas da Megada Virada começam nesta terça-feira Foto: Agência Brasil

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As apostas para a Mega da Virada 2026, concurso especial da Mega-Sena, começam nesta terça-feira (3). O prêmio está estimado em R$ 1 bilhão, podendo ser ainda maior, dependendo do volume da arrecadação.

Neste ano, a novidade divulgada pela Caixa Econômica Federal é a mudança na data do sorteio. Tradicionalmente, a Mega da Virada é sorteada na noite do dia 31 de dezembro, mas no concurso especial de 2026, o sorteio será no dia 1º de janeiro de 2027.

Apesar de começar a venda para a Mega da Virada, os apostadores também podem fazer apostas para o concurso regular da Mega-Sena, que manterá os sorteios realizados três vezes por semana, às terças-feiras, quintas-feiras e aos domingos.

A partir da segunda quinzena de dezembro, em data que ainda não foi divulgada pela Caixa, as apostas passam a ser exclusivas para o concurso especial.

Para correr atrás do sonho de ser o próximo milionário, o apostador deve marcar de 6 a 15 números dentre os 60 disponíveis no volante, podendo deixar que o sistema escolha os números para você (Surpresinha) e ou concorrer com a mesma aposta por 2, 4 ou 8 concursos consecutivos (Teimosinha).

Os jogos podem ser feitos em casas lotéricas credenciadas de todo o País, pelo Internet Banking, pelos aplicativos Loterias Caixa e Caixa, além do portal Loterias Caixa. A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6.

Assim como nos demais concursos especiais das Loterias Caixa, o prêmio principal da Mega da Virada não acumula.

Se não houver ganhadores na primeira faixa de seis números, o prêmio será dividido entre os acertadores da 2ª faixa de 5 números e assim por diante, conforme as regras da modalidade.

Conforme a Caixa Econômica Federal, a probabilidade de acertar os seis números é de uma em 50.063.860, com um jogo simples de 6 dezenas.

Prêmio bilionário

No ano passado, a Mega da Virada pagou o maior prêmio do concurso especial até então, de R$ 1.091.357.286,52.

Seis apostas dividiram o prêmio bilionário, dentre elas, um bolão realizado em Ponta Porã. Outros ganhadores foram de Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, João Pessoa e Franco da Rocha.

Os números sorteados no Concurso 2.955 foram: 09 - 13 - 21 - 32 - 33 - 59.

Das apostas ganhadoras, três foram feitas em lotéricas de João Pessoa, Ponta Porã (MS) e Franco da Rocha (SP). As outras três apostas foram feitas por meio de canal eletrônico. 

Outros 3.921 jogos acertaram a quina, com prêmio de R$ 11.931,42 para cada. A quadra pagou R$ 216,76 para cada um dos 308.315 ganhadores.

proposições

"Pacotão" do governo muda ICMS, incentivos fiscais e IPVA

Projetos do Estado incluem revisão de benefícios tributários e mudanças nas regras de emplacamento de veículos

03/11/2026 08h00

Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul

Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul Foto: Arquivo

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O governo de Mato Grosso do Sul prepara um conjunto de medidas fiscais e administrativas para reorganizar as contas públicas e a estrutura do Executivo a partir do ano que vem. O “pacotão” inclui propostas que já começaram a tramitar na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) e outras que ainda estão em elaboração, como a possível mudança na alíquota geral do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a revisão de incentivos fiscais e a reforma administrativa.

Conforme apurou o Correio do Estado, o governador Eduardo Riedel (PP) prepara dois conjuntos de projetos para encaminhamento à Assembleia neste mês.

Um será voltado ao ajuste fiscal, enquanto o outro tratará da reorganização administrativa, com a previsão de separar a atual Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) em duas pastas: Justiça e Segurança Pública. Os textos ainda dependem de formalização e análise dos deputados.

A movimentação ocorre em meio à discussão do orçamento estadual de 2027, estimado em R$ 27,99 bilhões, alta nominal de 2,95%, em relação aos R$ 27,19 bilhões previstos para este ano.

Na mensagem que acompanha o projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA), o governador afirma que a proposta foi elaborada para estimar a arrecadação e fixar as despesas da administração pública, considerando o comportamento das receitas e fatores capazes de afetar a arrecadação.

De acordo com o presidente da Alems, deputado Gerson Claro (PP), a previsão orçamentária está relacionada ao desempenho da arrecadação em 2025, especialmente à queda do ICMS sobre o gás natural.

“O orçamento foi bem conservador, com base no índice de receita, já que para elaborar a lei orçamentária é somada a receita corrente líquida dos últimos 11 meses, normalmente com base no ano anterior. Em 2025, nossa receita foi muito ruim, em função da queda de arrecadação do ICMS do gás natural, com queda de 23,8%, no valor de R$ 1,282 bilhão, por isso, esse valor estimado de menos de R$ 28 bilhões para o orçamento, com muita coisa que pode ser suplementada depois”, afirmou.

O orçamento também prevê mudanças na distribuição dos duodécimos dos Poderes, após a alteração da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Teto de Gastos.

De acordo com Gerson Claro, os porcentuais passam a ser de 7,3% para o Poder Judiciário, 3,9% para o Ministério Público, 2,9% para a Assembleia Legislativa, 2,2% para o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) e 1,8% para a Defensoria Pública.

Segundo o parlamentar, o governo acrescentou dispositivo à receita corrente líquida para estabelecer um mínimo que assegure a manutenção dos repasses aos Poderes mesmo em caso de redução da arrecadação.

Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul

INCENTIVOS FISCAIS

Entre os temas ainda em discussão está a alíquota modal do ICMS, atualmente em 17% no Estado. Não há porcentual definido para uma eventual alteração e a proposta ainda depende de estudos técnicos e da elaboração de um projeto pelo Executivo.

Gerson Claro afirmou que a discussão considera a necessidade de manter os investimentos e os serviços públicos durante a transição para o novo sistema tributário nacional, que será implementado gradualmente até 2033.

“Nossa alíquota do ICMS é a menor do País, de 17%. Devemos nos basear nos parâmetros, um estado rico como São Paulo, que é de 20%, temos estados ricos em que o índice é 21%. A nossa preocupação é a manutenção do nível de investimentos, dos serviços e a mudança que haverá com a reforma tributária que ainda será implementada até 2033”, declarou.

O presidente da Alems acrescentou que a equipe técnica ainda trabalha na definição do texto. Na avaliação dele, a manutenção de uma alíquota baixa pode afetar a capacidade futura de arrecadação, considerando as regras de distribuição de receitas que serão adotadas com a reforma nacional.

A revisão dos incentivos fiscais também está na pauta. Parte dos benefícios concedidos pelo Estado é formalizada por decreto, e o governo discute quais regras poderão ser incorporadas à legislação.

A discussão envolve a manutenção de tratamentos tributários diferenciados e a possibilidade de revisão de benefícios, inclusive para setores industriais.

Claro afirmou ainda que a reforma tributária nacional já altera as condições para concessão de incentivos e pode influenciar a competição entre os estados por novos empreendimentos. O deputado também ressaltou que a redução de despesas deve integrar a estratégia de equilíbrio fiscal.

“Quando falamos em reforma tributária, não estamos inventando a roda, está acontecendo em nível nacional, os outros estados já fizeram antes da gente, mantivemos esse índice por praticamente dois anos, mas o corte de despesas está no primeiro item daquilo que a gente acredita que é o equilíbrio fiscal, não estamos falando de aumento de tributo, e sim de deixar o equilíbrio do Estado nos mesmos patamares de outros para que, no futuro, quando esse índice estiver estabelecido, a gente não tenha diminuição de receita e comprometimento do futuro do Estado”.

REFIS, IPVA E IBS

Enquanto o pacote de ajuste fiscal ainda está em elaboração, quatro propostas do Executivo foram protocoladas na Alems, o programa de renegociação de débitos (Refis), mudanças na legislação do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), alterações na isenção do primeiro emplacamento de veículos novos e adequações para a implantação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

O Refis prevê condições especiais para regularização de débitos tributários, com descontos de até 90% em multas e juros, conforme as regras do projeto.

A proposta contempla débitos relacionados ao ICMS e ao Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundersul). 

No caso do IPVA, a proposta busca formalizar em lei regras relacionadas à aplicação de alíquota de 3% para determinadas categorias de veículos, hoje associadas a decreto do Executivo.

O governo também propõe restringir a isenção da taxa de primeiro emplacamento de veículos novos aos carros populares, com cobrança para veículos considerados de luxo.

Outra frente é a adequação estadual à reforma tributária. O IBS será compartilhado entre estados, Distrito Federal e municípios e substituirá gradualmente o ICMS e o ISS. A implementação exige mudanças na legislação estadual, inclusive na Constituição de Mato Grosso do Sul.

FISCALIZAÇÃO

O Executivo também discute mecanismos de fiscalização tributária relacionados a empresas enquadradas no Simples Nacional. A pauta envolve a utilização de informações sobre recebimentos via Pix ou transferências bancárias para verificar operações sem emissão da respectiva nota fiscal.

Segundo Gerson Claro, o assunto foi discutido após dúvidas de empresários sobre notificações da Secretaria de Estado de Fazenda. A intenção, conforme relatou, é definir regras para o uso dessas informações na fiscalização futura.

O presidente ressaltou que ainda existem debates antes da conclusão do projeto. A possibilidade de cruzamento de dados não significa que todo recebimento por Pix seja irregular nem que uma movimentação bancária isolada resulte automaticamente em multa. Os critérios dependerão das normas aplicáveis e da regulamentação a ser definida.

O governo também avalia uma regulamentação específica para microempreendedores individuais (MEIs), além de outras mudanças tributárias. Ainda não há data definida para o envio dessas propostas.

REFORMA

Em paralelo ao ajuste fiscal, Riedel prepara a reforma administrativa para o segundo mandato. A principal mudança, conforme já adiantou o Correio do Estado, é a divisão da Sejusp em duas secretarias independentes, uma de Justiça e outra de Segurança Pública.

A separação deverá exigir redistribuição de competências, estruturas e cargos atualmente concentrados na Pasta.

A futura Secretaria de Justiça poderá reunir atribuições relacionadas à administração penitenciária, enquanto a Secretaria de Segurança Pública ficará voltada às políticas de prevenção e enfrentamento à criminalidade e à integração das forças policiais. A distribuição definitiva dependerá do projeto.

O governo também avalia a estrutura de outras áreas, mas ainda não há confirmação sobre quais secretarias poderão ser fundidas, desmembradas ou reorganizadas.

Um grupo de trabalho foi criado para analisar aspectos administrativos, orçamentários e operacionais e preparar a estrutura para o plano de governo.
 

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