Ministro da Fazenda afirma que reforço das contas públicas é condição para reduzir o custo do crédito, defende avanço da reforma tributária e diz que Mato Grosso do Sul tem papel estratégico para atrair investimentos
“Seguir melhorando o fiscal vai ajudar na redução da taxa de juros”. A declaração do ministro da Fazenda, Dario Durigan, sintetizou o principal recado transmitido ao setor produtivo durante agenda realizada ontem na Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), em Campo Grande.
Em meio às discussões do governo federal para reforçar o arcabouço fiscal e conter o avanço da dívida pública, o ministro afirmou que a continuidade do ajuste das contas públicas é o caminho para reduzir o custo do crédito, estimular investimentos e fortalecer a economia.
A declaração do ministro ocorre em um momento em que a equipe econômica busca sinalizar ao mercado compromisso com a consolidação fiscal.
Nos bastidores, o Ministério da Fazenda discute medidas para tornar mais rígidas as regras do arcabouço fiscal, reduzindo o crescimento das despesas obrigatórias e ampliando o espaço para investimentos públicos.
Embora não tenha detalhado as propostas em estudo, Durigan deixou claro que o governo pretende manter a trajetória de fortalecimento das contas públicas.
“Se a gente seguir melhorando o fiscal na linha do que a gente fez nesses anos, nós fizemos um ajuste de dois pontos porcentuais do PIB [Produto Interno Bruto], vai ajudar na redução da taxa de juros, que vai ajudar na redução da dívida pública”.
Ainda segundo o ministro, a elevada taxa de juros hoje afeta praticamente todos os setores da economia e se tornou uma das principais preocupações do governo.
“Eu tenho ouvido muito e concordo que um dos passos seguintes é lidar com a taxa de juros altos do País. Eu ouço isso dos industriais, dos agricultores, das famílias, dos trabalhadores e até do Tesouro Nacional, que também enfrenta dificuldades para administrar a dívida. Nós temos que encarar esse problema dentro das competências do governo e do Banco Central”.
Durigan ressaltou que responsabilidade fiscal e crescimento econômico não são objetivos opostos.
“Nós temos que ter um Estado forte, eficiente, com controle de gasto, mas também uma iniciativa privada forte. Não há essa dicotomia entre uma coisa e outra, como também não existe entre responsabilidade fiscal e desenvolvimento”, disse.
“Desde 2024, o deficit primário do governo não é a causa do aumento da dívida pública. Se existem outras causas, nós temos que enfrentá-las. O importante é seguir melhorando o fiscal para mudar essa trajetória nos próximos anos”.
REFORMA
Além da política fiscal, Durigan voltou a defender a regulamentação da reforma tributária como um dos principais instrumentos para elevar a competitividade da economia brasileira. Segundo o titular da Fazenda, o atual sistema de impostos é reconhecido como excessivamente complexo e burocrático.
“Não podemos ter medo do futuro. Todos reconhecem que a tributação no Brasil é ruim, caótica e difícil. Nós temos que avançar para um modelo melhor para todo mundo”.
O ministro afirmou ainda que o governo continuará dialogando com empresários durante a implementação da reforma e destacou que o momento exige proximidade entre o poder público e o setor produtivo, principalmente diante das incertezas do cenário internacional.
“É muito importante, nesse momento de desafios externos, que a gente tenha proximidade com os empresários para entender o que está acontecendo e manter o foco no aumento do investimento, na melhoria da economia e na manutenção do emprego”, afirmou Durigan.
ESTRATÉGICO
Durante o encontro, ele também classificou MS como um dos estados mais estratégicos para o desenvolvimento do País.
A localização geográfica e os investimentos em infraestrutura colocam o Estado, segundo ele, em posição privilegiada para ampliar sua participação nas cadeias produtivas da América do Sul.
“O Mato Grosso do Sul cumpre um papel estratégico para o Brasil. Está próximo do mercado consumidor do Sudeste, da força do agro e passa a assumir uma importância regional na América Latina. Isso permitirá atrair investimentos e adensar cadeias produtivas”.
O ministro também destacou o refinanciamento de R$ 7,7 bilhões da dívida estadual com a União. Segundo ele, a renegociação amplia a capacidade fiscal do Estado para investir em infraestrutura, segurança pública e qualificação profissional.