Economia

Projeção

Super-El Niño pode derrubar safra de soja em MS após colheita recorde

Mesmo com expansão de 5,5% na área, Aprosoja-MS estima recuo de 8,4% na produção para o ciclo 2026/2027

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Depois de colher a maior safra de soja da série histórica, Mato Grosso do Sul iniciou ontem o plantio do ciclo 2026/2027 com uma projeção de queda de 8,4% em sua produção. A estimativa inicial da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS) aponta para 15,331 milhões de toneladas, ante 16,744 milhões de toneladas produzidas na safra 2025/2026. A conta resulta em uma produção 1,413 milhão de toneladas menor.

A retração projetada ocorre mesmo com a expansão da área semeada. Para a nova safra, são estimados 4,874 milhões de hectares, crescimento de 5,5% em relação aos 4,6 milhões de hectares cultivados no ciclo anterior.

O que pesa sobre a produção é a produtividade, porque a expectativa caiu de 60,4 sacas por hectare para 52,4 sacas por hectare, redução de 13,2%.

O cenário coloca a nova temporada em uma situação diferente da observada durante a colheita do ciclo anterior. A safra 2025/2026 chegou a ter uma previsão de 17,759 milhões de toneladas, mas a estiagem prolongada e as temperaturas elevadas registradas em janeiro reduziram o potencial produtivo. Ainda assim, com 16,744 milhões de toneladas, o Estado terminou o ciclo com o maior volume de soja de sua história.

O principal ponto de atenção para o rendimento da oleaginosa neste ciclo será o comportamento do clima, principalmente dependendo dos impactos do El Niño de alta intensidade (ou super-El Niño), que deve influenciar no desenvolvimento das lavouras de Mato Grosso do Sul. 

Conforme já publicado pelo Correio do Estado, o super-El Niño, que vem sendo acompanhado pelos meteorologistas, deve ganhar força entre o fim deste ano e o início de 2027, período que coincide com fases importantes do plantio e desenvolvimento das culturas de verão.

A previsão da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) indica 63% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade forte ou muito forte entre novembro e janeiro. O cenário é associado ao risco de calor mais intenso e irregularidade das chuvas no Estado. 

O risco climático ganha relevância porque a própria experiência da safra passada mostrou o impacto que uma mudança nas condições meteorológicas pode provocar. No início deste ano, a combinação de estiagem e temperaturas elevadas afetou principalmente áreas da região sul do Estado e reduziu a produtividade da soja.

Para o coordenador técnico da Aprosoja-MS, Gabriel Balta, o momento exige planejamento desde a implantação da lavoura.

“O produtor precisa olhar para cada hectare de forma estratégica. Em um cenário de maior dificuldade de acesso ao crédito, eficiência não é apenas buscar mais produtividade, mas também produzir com racionalidade, aproveitando melhor os recursos disponíveis e tomando decisões baseadas em planejamento e acompanhamento técnico”.

A entidade destaca que a disponibilidade de água e o momento da semeadura serão determinantes para o resultado da safra.

“O resultado dependerá das condições encontradas ao longo do ciclo. O posicionamento da semeadura e a disponibilidade hídrica são fatores fundamentais”.

CHUVAS

A previsão climática até o fim de novembro indica chuvas próximas ou acima da média em Mato Grosso do Sul, mas com possibilidade de irregularidade na distribuição das precipitações. Também há previsão de temperaturas acima da média e risco de períodos de calor intenso e ondas de calor.

O cenário já vinha sendo tratado como um fator de risco para a agricultura estadual. Em agosto, reportagem do Correio do Estado mostrou que especialistas projetavam efeitos mais fortes do fenômeno justamente durante o período de plantio da soja, com possibilidade de ondas de calor e impactos sobre a disponibilidade hídrica.

A diferença entre as duas safras evidencia uma mudança importante: o crescimento da área não será suficiente para compensar a perda esperada de produtividade.

Com os 4,874 milhões de hectares previstos, a soja ocupará uma área 5,5% maior. Porém, a produtividade projetada de 52,4 sacas por hectare é 13,2% inferior à registrada na temporada passada.

A Aprosoja-MS avalia que, diante da expansão da cultura no Estado, o desafio passa a ser aumentar o resultado obtido nas áreas já incorporadas ao sistema produtivo, com maior eficiência operacional, controle de custos, conservação do solo, tecnologia e manejo.

“O produtor vem de um período de maior endividamento, o clima continua sendo uma variável importante e também observamos uma compra menor de fertilizantes. Tudo isso precisa ser considerado no planejamento da safra, porque pode impactar os custos e o resultado final da produção”, avalia Balta.

CRÉDITO

Além do clima, o acesso ao financiamento aparece como outro desafio para a safra 2026/2027. De acordo com a Associação, MS registrou R$ 1,006 bilhão em contratações de crédito rural em julho, queda de 15,75% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado da safra 2025/2026, a retração chegou a 20,6%.

O cenário reforça a necessidade de planejamento financeiro em uma temporada na qual a produtividade esperada já parte de um patamar inferior ao recorde obtido anteriormente.

Conforme estudo divulgado no início deste mês, a Aprosoja-MS estimou o custo médio de produção da soja em R$ 5.024,82 por hectare para a safra 2026/2027. O levantamento aponta que são necessárias 42,04 sacas por hectare para cobrir o custo total, considerando os preços utilizados no estudo. 

De acordo com o presidente da entidade, Jorge Michelc, o novo ciclo exige decisões mais estratégicas por parte do produtor.

“Começamos mais uma safra com a força e a capacidade de produção do produtor sul-mato-grossense, mas também com desafios que precisam ser considerados desde o planejamento. Crédito, clima, custos e produtividade estão diretamente ligados ao resultado dentro da porteira. Por isso, é fundamental que o produtor tenha informação e condições para tomar decisões cada vez mais estratégicas”.

agricultura

El Niño pode contribuir para derrubar produções no sul de Mato Grosso do Sul

Por causa do período de maior impacto do fenômeno, que vai de setembro a dezembro, o maior risco é para lavouras de soja e algodão

12/10/2026 08h48

Por conta do período de maior impacto do fenômeno, que começou no fim de setembro e prossegue pelos próximos três meses, o maior risco é para lavouras de soja e algodão

Por conta do período de maior impacto do fenômeno, que começou no fim de setembro e prossegue pelos próximos três meses, o maior risco é para lavouras de soja e algodão FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) está com um acompanhamento técnico para tentar identificar possíveis impactos do El Niño nos setores do agronegócio e a análise elaborada pela Embrapa apontou que as regiões do Estado mais sensíveis para ter danos negativos estão na parte sul, principalmente no recorte que observa as produções que são feitas em Maracaju e Aral Moreira. Por conta do período de maior impacto do fenômeno, que começou no fim de setembro e prossegue pelos próximos três meses, o maior risco é para lavouras de soja e algodão.

Com dados anteriores aos efeitos que vem alterando a intensidade e condições da chuva no Estado, algo que passou a ser sentido diretamente com o início da primavera, o boletim Casa Rural da Agricultura deste mês, elaborado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), já identificou perdas.

A análise divulgou que a safra da soja 2026/2027 tem projeção de produção de 15,3 milhões de toneladas, com produtividade média de 52,4 sacas por hectare. Nesses termos, já foi identificada uma redução de 13,2% em relação ao ciclo anterior. 

A redução da safra não é acompanhada na mesma proporção que a área de lavoura. A área destinada ao cultivo de soja é estimada em 4,87 milhões de hectares, um aumento de 5,5% com relação à safra passada.
Os estudos do Mapa consideraram analisar recorte do Centro-Oeste, colocando lupa em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 

“O atraso do início da estação chuvosa poderá inviabilizar a semeadura na época mais adequada, impactando a produtividade física e a qualidade do produto. Isto é válido para a região sul de Mato Grosso do Sul e Sul de Mato Grosso. No Sul de Mato Grosso do Sul, especialmente para Maracaju e Aral Moreira, poderá haver dificuldades no processo de colheita e apodrecimento de frutos e perda da qualidade. Para a região nordeste de MS, onde a semeadura deve ser realizada em dezembro, o efeito do atraso do início da estação chuvosa deverá ser menor”, apontou a avaliação, que também sinalizou para os efeitos de altas temperaturas com ondas de calor, que gera impacto no crescimento da lavoura.

Por conta do período de maior impacto do fenômeno, que começou no fim de setembro e prossegue pelos próximos três meses, o maior risco é para lavouras de soja e algodão

PLANTIO

A Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS) divulgou neste começo de outubro que o plantio da cultura alcançou 18% da área que é monitorada. No Sul, o avanço é maior (25,3%) e na região Norte, o plantio representa menos de 0,4% da área. Somente se houver uma regularização de chuvas é que esse cenário vai ser alterado.

“No Centro-Sul, a condição de umidade tem permitido uma evolução mais rápida das operações, enquanto a região Norte ainda depende de uma regularização das chuvas. Para o produtor, o acompanhamento das condições de solo e das previsões climáticas continua sendo fundamental para definir o ritmo das operações e reduzir os riscos durante a implantação da lavoura”, explicou o analista técnico da Aprosoja-MS, Lucas Santana.

De acordo com a associação, já houve identificação de excesso de precipitação de curto período nessa etapa de semeadura. Quando há essa situação, um efeito sentido é o selamento superficial do solo que causa prejuízo para a emergência das plântulas.

ALGODÃO

A Associação Sul-mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampasul) tem acompanhado o cenário dos efeitos do El Niño desde o período do inverno. 

“A gente já tem sentido algumas diferenças climáticas já no decorrer deste ano. O inverno, por exemplo, foi mais chuvoso”, comentou o diretor executivo da entidade, Adão Hoffmann.

Para a safra 2026/2027 do algodão, o plantio está previsto para começar em dezembro e o que os produtores estão atentos é para a ocorrência ou não de um veranico em novembro, etapa pré-plantio, e o corte de chuvas prematuro a partir de março de 2027, quando poderia ocorrer um maior impacto na lavoura. 

“Caso isso ocorra, o final do ciclo do algodão pode ser impactado. Mas ainda é precoce e são todas projeções. Não temos como ainda falar em possíveis danos. Contudo, o produtor vem tomando os devidos cuidados para correr menos risco”, completou o representante da Ampasul.

O estudo alertou que pecuaristas devem ter atenção com relação ao uso do solo por conta de excesso de chuvas em áreas do Pantanal e região central. Além disso, territórios com drenagem natural devem ser priorizados na conservação para garantir o escoamento da chuva.

“Em períodos de excesso de chuva, restringir o pastejo e o trânsito de máquinas em solos saturados. Também devem ser protegidas áreas de drenagem natural, nascentes, margens de cursos d’água e locais suscetíveis à erosão, observando-se a legislação ambiental aplicável”, contextualizou o estudo.

Como orientação, a Embrapa apontou que pecuaristas devem manter registros de chuva, produção de forragem, lotação, consumo de suplemento, peso e condição corporal para subsidiar decisões e considerar revisões do planejamento. 

MILHO

O atual período está sendo de colheita do milho na segunda safra 2025/2026, com alcance de 99,96% da área plantada. Esses dados são do Projeto Siga-MS até o dia 2 deste mês. Nesse contexto, a estimativa de produtividade passou de 122,79 sacas por hectare (aumento de 13,3% com relação ao ciclo anterior), com produção em 16,253 milhões de toneladas, o que equivale a 16,7% de crescimento na comparação com a safra 2024/2025.

“Na maior parte do Estado, a operação está encerrada. Restam apenas áreas pontuais nas regiões Sul-Fronteira e Sudoeste, que ainda seguem em processo de colheita”, informou a Aprosoja-MS.

Nas projeções para a safra 2026/2027, a Famasul avalia que pode ocorrer uma redução de 13,2% na produção em razão de diferentes fatores ambientais e também com relação ao ciclo.

 

Premiação

Aposta de Campo Grande acerta a quina da Mega-Sena e fatura R$ 26 mil

Aposta ganhadora foi realizada na Lotérica Santa Fé, na Avenida Mato Grosso. 

11/10/2026 16h45

Lotérica Santa Fé, localizada na Avenida Mato Grosso

Lotérica Santa Fé, localizada na Avenida Mato Grosso Foto: Google Street View

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Uma aposta de Campo Grande acertou a quina da Mega-Sena e faturou R$26.095,23, sorteio do concurso 3069 realizado na manhã deste domingo, 11 de outubro de 2026. A extração ocorreu às 11h (de Brasília), no Espaço da Sorte, em São Paulo. Os números sorteados foram: 05 - 19 - 22 - 44 - 47 - 57. 

A aposta ganhadora foi realizada na Lotérica Santa Fé, na Avenida Mato Grosso. 

Premiação

  • 6 acertos - Não houve ganhadores; 
  • 5 acertos - 150 apostas ganhadoras, (R$ 26.095,23);
  • 4 acertos - 9.096 apostas ganhadoras, (R$ 709,33).

Confira o resultado da Mega-Sena de ontem!

Os números da Mega-Sena 3069 são:

  • 05 - 19 - 22 - 44 - 47 - 57

O sorteio foi transmitido ao vivo pela Caixa Econômica Federal e pôde ser assistido no canal oficial da Caixa no Youtube.

Próximo sorteio: Mega-Sena 3070

Como a Mega Sena tem três sorteios regulares semanais, o próximo sorteio ocorre na terça-feira, 13 de outubro, a partir das 20 horas, pelo concurso 3070. O valor da premiação está estimado em R$ 150 milhões.

Para participar dos sorteios da Mega-Sena é necessário fazer um jogo nas casas lotéricas ou canais eletrônicos.

A aposta mínima custa R$ 6,00 para um jogo simples, em que o apostador pode escolher 6 dentre as 60 dezenas disponíveis, e fatura prêmio se acertar de 4 a 6 números.

Como jogar na Mega-Sena

A Mega-Sena paga milhões para o acertador dos 6 números sorteados. Ainda é possível ganhar prêmios ao acertar 4 ou 5 números dentre os 60 disponíveis no volante de apostas.

Para realizar o sonho de ser milionário, você deve marcar de 6 a 20 números do volante, podendo deixar que o sistema escolha os números para você (Surpresinha) e/ou concorrer com a mesma aposta por 2, 3, 4, 6, 8, 9 e 12 concursos consecutivos (Teimosinha).

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