Economia

CELULOSE

Suzano conclui compra de 70 mil hectares em MS por R$ 2,12 bilhões

Do total, mais de 50 mil hectares são considerados úteis, já com plantação de eucalipto

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A Suzano concluiu a compra de 70 mil hectares de terra em Mato Grosso do Sul pelo valor de R$ 2,1 bilhões. Parte da área já é ocupada por plantação de eucalipto.

A gigante da celulose celebrou a aquisição da totalidade da participação societária das empresas Timber VII SPE S.A. e Timber XX SPE S.A, sob gestão do BTG Pactual Timberland Investment Group, no Estado.

Conforme noticiou o Correio do Estado, o contrato de compra e venda foi fechado em dezembro do ano passado, mas a conclusão das transações foi comunicada em fato relevante nessa quarta-feira (31), após o cumprimento de todas as condições precedentes e todos os atos de fechamento conforme estabelecidos no contrato.

As chamadas companhias alvo são detentora de aproximadamente 70 mil hectares de terras em Mato Grosso do Sul, na região de abrangência das operações da Suzano no Estado.

Deste total, 50 mil hectares são úteis, com parte das terras já plantadas com eucalipto em idades variadas.

"A Companhia reitera que a operação está alinhada a sua estratégia de criar opcionalidade em seu negócio e ampliar a sua autossuficiência no suprimento de madeira", diz a empresa no documento.

Não há confirmação pela empres do município onde fica a propriedade adquirida. 

O valor inicial informado era de R$ 1,83 bilhão, mas houve aumento de quase R$ 300 milhões.

"Em contraprestação às ações das Companhias Alvo e considerando correção e ajustes previstos nos contratos, a Operação foi liquidada, na presente data, ao preço de R$ 2.122.859.858,01 (dois bilhões, cento e vinte e dois milhões, oitocentos e cinquenta e nove mil, oitocentos e cinquenta e oito reais e um centavo), o qual está sujeito a ajustes não-materiais pós-fechamento para refletir a posição das Companhias Alvo na data de fechamento, no que se refere aos aspectos econômicos e operacionais usuais neste tipo de Operação", diz o fato relevante.

Operações em MS

No dia 21 de julho deste ano, a Suzano iniciou as operações da maior fábrica de linha única de produção de celulose do mundo, em Ribas do Rio Pardo. Além da nova unidade, em Três Lagoas a Suzano já tem uma fábrica com capacidade para 3,25 milhões de toneladas anuais.

Em Ribas, com capacidade para produzir 2,55 milhões de toneladas por ano, o empreendimento teve investimento de R$ 22,2 bilhões, dos quais R$ 15,9 bilhões destinados à construção da fábrica e R$ 6,3 bilhões para formação da base de plantio e a estrutura logística para escoamento da celulose.

Toda a produção será despachada por rodovia até o município de Inocência, onde a empresa está terminando a construção de um terminal intermodal às margens da Ferronorte. De lá, será transportada por ferrovia até o porto de Santos. 

Inicialmente a Suzano chegou a informar a intenção de construir um ramal ferroviário de 231 quilômetros até Inocência, mas o projeto, que demandaria investimento da ordem de R$ 3,5 bilhões, está engavetado.

Com o início das operações da nova unidade, a capacidade instalada de produção de celulose da Suzano salta de 10,9 milhões para 13,5 milhões de toneladas anuais, o que representa um aumento de mais de 20% na produção atual da companhia. 

amendoim

Governo concede isenção fiscal para instalação de indústria em MS

Termo de acordo de isenção fiscal foi assinado entre o governo e a MS Grão Nuts, que vai instalar unidade de beneficiamento de amendoim em Nova Alvorada do Sul

26/03/2026 13h00

Termo de isenção fiscal foi assinado durante a Expocanas

Termo de isenção fiscal foi assinado durante a Expocanas Foto: Mairinco de Pauda

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O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), assinou termo de acordo de isenção fiscal para a implantação de uma indústria de beneficiamento de amendoim da MS Grão Nuts, em Nova Alvorada do Sul. A assinatura foi nessa quarta-feira (25), durante a programação da Expocanas.

O empreendimento prevê investimento de aproximadamente R$ 30 milhões e a geração de cerca de 60 empregos diretos, com início de operação estimado para janeiro de 2029.

O projeto conta com apoio do poder público, por meio da concessão de área e incentivos fiscais.

Conforme reportagem do Correio do Estao, a empresa já iniciou, em fevereiro deste ano, a terraplanagem em área doada pela Prefeitura de Nova Alvorada do Sul.

De acordo com o projeto apresentado, a unidade industrial irá atuar no beneficiamento, secagem e branqueamento do grão, além da fabricação de ração animal, produção de sementes certificadas, extração e refino de óleo vegetal, comercialização e exportação de cereais in natura e industrializados.

Os empresários afirmaram que, mesmo sendo produtores, também pretendem adquirir amendoim de terceiros para garantir escala e regularidade no abastecimento da indústria.

Na ocasião do anúncio da nova indústria, o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, afirmou que a industrialização é o ponto central para o crescimento da cadeia e que o projeto já nasce com foco no mercado externo.

“Eles já têm linhas estruturadas para exportação. Parte da produção será destinada ao mercado local e outra parte atenderá parceiros e produtores, com foco também nas exportações”, destacou Verruck.

Segundo maior produtor

Atualmente, Mato Grosso do Sul ocupa a segunda posição do ranking nacional de produção de amendoim.

Na safra 2024/2025, a produção foi superior a 56 mil toneladas, o que representa crescimento de 176,37% em relação à safra anterior, além de participação de cerca de 7% no total do país.

A área plantada também apresentou avanço expressivo, superando 203% de crescimento e alcançando 21,26 mil hectares.

Os municípios de Santa Rita do Pardo, Nova Andradina, Inocência, Paranaíba e Angélica concentram mais de 70% da produção e da área cultivada, evidenciando, segundo o Executivo Estadual, o potencial de expansão e a consolidação da cultura como alternativa de diversificação agrícola no Estado.

Para o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o avanço da cadeia do amendoim representa um movimento estratégico de diversificação produtiva aliado à agregação de valor.

“Estamos estruturando uma nova cadeia no Estado, com base tecnológica e integração com a indústria. A chegada de uma planta de beneficiamento fortalece esse processo, gera empregos e permite que Mato Grosso do Sul avance na industrialização da produção, ampliando sua competitividade e atraindo novos investimentos”, disse.

Mercado

Guerra eleva preço dos fertilizantes e pressiona o agro

Preço da ureia quase dobrou neste ano; custo dos fertilizantes na relação de troca com soja e milho disparou

26/03/2026 08h35

Fertilizantes como ureia teve um aumente de 50% nos últimos 30 dias

Fertilizantes como ureia teve um aumente de 50% nos últimos 30 dias Gerson Oliveira

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Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Israel, de um lado, e Irã, do outro, o preço dos principais fertilizantes utilizados pelo agro brasileiro disparou. No caso da ureia, o preço do insumo aumentou 50% nos últimos 30 dias, informa relatório da consultoria Itaú BBA.

A relação de troca entre os produtos agrícolas piorou, o que indica que o custo de produção está aumentando conforme a guerra no Oriente Médio se prolonga.

O preço da tonelada da ureia atingiu US$ 710. “O mercado de fertilizantes voltou a operar sob forte tensão, elevando os preços internacionais, com repasses quase imediatos ao mercado brasileiro”, informa o relatório da consultoria.

Outro fertilizante que teve alta significativa é o fosfato monoamônico (MAP), insumo que fornece principalmente fósforo e uma quantidade menor de nitrogênio às plantas.

O preço desse fertilizante, explica o relatório do Itaú BBA, subiu 17% nos últimos 30 dias, indo a US$ 850 por tonelada.

O único dos fertilizantes que tem impacto significativo para o plantio das principais culturas do agronegócio brasileiro é o cloreto de potássio (KCl), cujo preço tem permanecido estável.

Exemplos

Um dos exemplos práticos de como os conflitos no Oriente Médio têm afetado o mercado de fertilizantes é que a relação de troca de MAP por soja está disparando.

No início deste ano, cada tonelada do fertilizante equivalia a 27 sacas de soja. Agora, cada tonelada custa pelo menos 35 sacas de soja.

No caso do milho, também há aumento. No início deste ano, cada tonelada do fertilizante fosfatado custava em torno de 50 sacas de milho, agora, está em torno de 62 sacas.

A piora mais significativa é na troca de milho por ureia. Em janeiro, eram necessárias 30 sacas de milho para cada tonelada de ureia, hoje, 1 tonelada de ureia custa pelo menos 55 sacas de milho na relação de troca.

Vale lembrar que a saca de milho (R$ 58) ainda teve leve alta, ao contrário da soja, cujo preço (R$ 113) teve leve queda em meio à desvalorização do dólar.

“A relação de troca piorou para quase todas as culturas, visto que a alta das commodities não acompanhou a valorização dos fertilizantes”, analisa o Itaú BBA.

Colheita avança

De acordo com dados do Siga MS, executado pela Aprosoja-MS, que realiza o acompanhamento da safra em todo o Estado, a colheita da soja se aproxima da reta final, com cerca de 82% das áreas já colhidas.

Em relação às condições das lavouras, nas regiões norte e nordeste do Estado, 69% das áreas estão em boas condições. Já nas regiões oeste, sudoeste, sul-fronteira e centro, houve maior variação nas condições, com presença mais significativa de áreas em situação regular e ruim, em razão da falta de chuvas no fim do ciclo da soja.

O plantio do milho também avança, com maior ritmo na região sul de MS, seguida pelas regiões centro e norte. Até o momento, cerca de 1,8 milhão de hectares foram plantados.

A previsão do tempo indica a ocorrência de chuvas significativas nas próximas semanas, especialmente nas regiões sul, centro-norte e sudoeste.

Esse cenário reforça a importância do monitoramento contínuo das condições climáticas, permitindo que o manejo seja ajustado de acordo com as particularidades de cada região.

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