Economia

marco regulatório

Taxação da energia solar será iniciada dia 7 de janeiro de 2023

Deputados aprovaram a extensão do prazo por seis meses, mas os senadores não votaram o projeto antes de encerrarem o ano legislativo; a cobrança pelo uso da rede distribuidora começa em 15%

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Apesar de esforços para postergar o prazo para o início da incidência de taxas na energia solar produzida por residências e comércios, a taxação passa a valer a partir do dia 7 de janeiro de 2023. Todos os sistemas protocolados até o dia 6 de janeiro terão garantia de isenção até 2045.

O Projeto de Lei nº 2.703/2022 que visava adiar a taxação da energia gerada por painéis solares foi aprovado na Câmara dos Deputados no dia 6 de dezembro. O texto chegou a ser pautado no Senado Federal no dia 14 de dezembro, mas foi retirado de pauta e não foi votado antes do recesso parlamentar. 

Com isso, passa a valer o que previa a Lei nº 14.300 de 2022 (Marco Legal da Geração Própria), que define que os projetos protocolados a partir de 7 de janeiro de 2023 passam a ser taxados gradualmente. 

O presidente da associação Movimento Solar Livre (MSL), Hewerton Martins, que encabeçou desde o início o movimento contra a taxação, explica que o consumidor será o único prejudicado.

“O PL foi retirado de pauta por conta de obstruções que foram colocadas e não foi votado esse ano. Portanto, quem quiser fazer o projeto solar sem o critério de taxação tem que protocolar até o dia 6 de janeiro de 2023”. 

Ainda de acordo com ele, quem conseguir protocolar projetos pequenos, como residências, “pode protocolar até o dia 6 e construir em 120 dias. Já projetos empresariais maiores, chamados de minigeração, podem ser protocolados até o mesmo prazo e o empresário tem prazo de 12 meses para construção da usina”. 

Conforme publicado pelo Correio do Estado na edição de 9 de novembro, o projeto original tinha por objetivo postergar por um ano o início da cobrança.

Após a aprovação na Câmara, fontes ouvidas pela reportagem afirmaram que a mudança para seis meses de prorrogação foi um acordo entre as lideranças das Casas e que o projeto seria aprovado pelo Senado, o que não ocorreu.

O marco legal da microgeração e minigeração foi sancionado em janeiro deste ano pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). A lei determina que projetos que protocolarem solicitação de acesso nas distribuidoras até 6 de janeiro ficarão isentos do pagamento pelo uso do fio (rede) e de encargos até 2045.

Para quem fizer a solicitação de instalação após essa data haverá um prazo de transição gradual, até que passem a arcar com todos os encargos da rede.

As regras incidem sobre a geração de energia solar fotovoltaica, eólica, de centrais hidrelétricas e de biomassa. Hoje, os micro e minigeradores não pagam pela energia que é gerada a mais e inserida na rede distribuidora. 

O pagamento escalonado da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (Tusd fio B) começa em 15% a partir de 2023, vai a 30% a partir de 2024, para 45% a partir de 2025 e 60% a partir de 2026. As taxas vão a 75% a partir de 2027, 90% a partir de 2028 e a partir de 2029 ficarão sujeitas às tarifárias estabelecidas pela Aneel.

Já para os consumidores com novos sistemas acima de 500 kW da modalidade de autoconsumo remoto, o pagamento sobre a energia injetada na rede elétrica será equivalente a 29,3% da tarifa de eletricidade média de baixa tensão de 2023 até 2028.

De acordo com a Energisa Mato Grosso do Sul, em 2021 e em 2022, foram conectados 36.279 sistemas de Geração Distribuída (GD) em Mato Grosso do Sul. Em cinco anos, o número total chega a 50.408 unidades integradas ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

NOVA TENTATIVA

De acordo com o presidente do MSL, já há uma tentativa de negociar mudanças com o novo governo federal. A intenção, segundo Martins, é sensibilizar quanto à importância da geração de energia limpa. 

“Realizamos uma reunião com lideranças do governo que está assumindo para que esse tema seja retomado com caráter de urgência no mês de fevereiro e possamos ter uma votação que preserve os mais de 300 mil empregos diretos. E preservar o direito do consumidor em que a Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] acabou não cumprindo a parte dela da lei”, detalha.

“E possa dar condição à agricultura familiar, por exemplo, que hoje a energia solar tem ajudado bastante na redução de custos da produção e possa continuar usando a energia solar. Isso está sendo e vai ser discutido novamente no mês de fevereiro de 2023 com o novo governo”, finaliza Martins.

A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) cobra providências e maior rigor da Aneel na fiscalização dos descumprimentos de prazos e das dificuldades criadas pelas distribuidoras de energia elétrica aos consumidores que tentam protocolar o pedido de acesso à geração própria de energia renovável no País.

De acordo com a entidade, desde a aprovação da Lei nº 14.300/2022, houve uma piora considerável do nível de qualidade de serviço e atendimento pelas distribuidoras aos clientes e empreendedores do segmento.

“E, nos últimos dias, as reclamações dos associados da Absolar aumentaram de forma significativa”, explica a associação em nota.

 “Com a proximidade da data limite [6 de janeiro], inúmeras dificuldades têm sido colocadas pelas distribuidoras de energia, colocando em risco o acesso a esse direito pelos consumidores interessados”, afirma a Absolar.

De acordo com matéria publicada na Folha de São Paulo, as distribuidoras afirmam que a frustração não se justifica, porque a demanda de pedidos de acesso à rede chegou a sobrecarregar os sistemas. 


Em 20 das 40 distribuidoras representadas pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), os pedidos dobraram na comparação com o ano passado.

O número saltou de 35,9 mil em novembro de 2021, para 70 mil, neste ano, e a projeção das distribuidoras é que dezembro termine com aumento de 100% nas solicitações.

A média de novas conexões chegou a 2.000 unidades consumidoras por dia. 

Saiba: Reportagem publicada pelo Estadão traz a discussão sobre quem paga os custos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição não pagos por quem tem os sistemas de geração distribuída – que são rateados entre os demais consumidores de energia elétrica.

Segundo cálculos da Aneel, os subsídios devem somar R$ 5,4 bilhões para os consumidores do País em 2023. Esses custos serão suportados pelos consumidores por meio da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo setorial usado para bancar subsídios para diversos segmentos.

 


 


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Emenda constitucional

Senado aprova fim da escala 6x1 e prevê jornada de 40 horas semanais

Proposta aprovada estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial

14/10/2026 21h23

Votação ocorreu na noite desta quarta-feira (14)

Votação ocorreu na noite desta quarta-feira (14) Agência Senado

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O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de serviço para ter um de descanso. A proposta reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, estabelece dois dias de repouso remunerado e proíbe a redução salarial em decorrência da mudança.

A votação em primeiro turno terminou em 75 votos favoráveis e 1 voto contrário. E em segundo turno pelos mesmos 75 a 1. Os três senadores por Mato Grosso do Sul, Soraya Thronicke (PSB), Tereza Cristina (PP) e Nelsinho Trad (PSD), votaram pela aprovação da proposta. 
O único voto contrário à PEC foi do ex-vice-presidente da República, senador Hamilton Mourão (Republicanos - RS). 

O texto aprovado prevê a substituição gradual do modelo atual, com a adoção de dois dias de descanso por semana, preferencialmente aos domingos. A implementação será escalonada, para permitir a adaptação das empresas às novas regras.

A proposta é de autoria do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) e já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados antes de chegar ao Senado. Para ser aprovada no plenário da Casa, uma PEC precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis, em cada um dos dois turnos de votação.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu a análise da proposta e destacou os efeitos que a mudança pode provocar na rotina dos trabalhadores brasileiros. Durante a sessão desta quarta-feira, ele afirmou que a ampliação do descanso semanal pode representar uma transformação significativa para quem enfrenta longas jornadas e deslocamentos diários.

“À primeira vista, pode parecer uma mudança sutil. Mas, para quem acorda cedo, pega ônibus lotado, cumpre sua jornada e volta para casa no fim do dia, essa mudança é gigantesca”, afirmou Alcolumbre, conforme publicação da Agência Senado.

Votação ocorreu na noite desta quarta-feira (14)O senador Nelsinho Trad (PSD) e suas duas colegas de bancadas em MS foram favoráveis/  Agência Senado

O presidente também ressaltou a necessidade de avaliar os efeitos da medida sobre trabalhadores, empregadores e diferentes setores da economia, em meio às discussões sobre a reorganização das jornadas e os custos da atividade produtiva.

Durante a discussão da pauta, o senador Nelsinho Trad, afirmou ser o único médico do trabalho no Senado Federal e que por isso entende a importância da mudança.

 “Gostaria que todos relembrassem como era há 40 anos, a vida era mais pacata sem a agressividade de competição que o mercado de trabalho nos impõe. Logicamente que a saúde do trabalhador é afetada, nada melhor do que esse dia a mais para que o trabalhador possa descansar e garantir uma saúde física e mental”.

Ainda durante sua explanação, o senador pontuou que foi procurado por diversos agentes do setor produtivo que apresentaram números de prejuízo para as empresas. “É necessário que todos esses pontos sejam esclarecidos durante a regulamentação desta PEC por lei complementar. Porque não podemos deixar de olhar aquele que é empregador”. 

MUDANÇAS

A mudança tem potencial para afetar especialmente atividades que dependem de funcionamento contínuo ou atendimento ao público, como comércio, alimentação, transporte e serviços. Entre os pontos em discussão estão a necessidade de reorganizar escalas, contratar trabalhadores e adequar a operação das empresas ao novo limite semanal.

Defensores da proposta argumentam que o aumento do tempo de descanso pode favorecer a convivência familiar, o lazer e a saúde dos trabalhadores. Já as preocupações de setores empresariais se concentram nos custos de adaptação e na manutenção do funcionamento das atividades com a redução da jornada.
 

Regulamentação

Governo federal regulamenta Marco Legal dos Jogos Eletrônicos

Decreto abre mecanismos de fomento cultural aos produtores de games

14/10/2026 21h00

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (14) o decreto que regulamenta o Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos, sancionado em 2024. A medida estabelece diretrizes para fortalecer o setor por meio de ações voltadas à produção nacional, inovação tecnológica, qualificação profissional, internacionalização e proteção da propriedade intelectual.

Segundo o governo, a regulamentação busca dar segurança jurídica ao segmento e estimular o desenvolvimento da indústria brasileira de jogos eletrônicos. O decreto também amplia a integração dos jogos eletrônicos com políticas públicas de cultura, educação, saúde e acessibilidade.

Durante a cerimônia, Lula afirmou que o objetivo é transformar o Brasil em um produtor de tecnologia e conteúdo digital.

“O Brasil não pode se limitar a ser um grande mercado consumidor de jogos criados em outros países. Temos condições de criar, desenvolver, financiar e exportar nossos produtos, gerando empregos qualificados, renda e inovação”, disse.

Trabalho e empreendedorismo

O presidente destacou ainda o potencial dos games para abrir novas oportunidades de trabalho e empreendedorismo, especialmente entre os jovens.

“O papel do Estado é criar oportunidades. A gente está dizendo para vocês: façam que nós damos a cobertura, porque o Brasil precisa de vocês”, afirmou.

Produto cultural

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, disse que o decreto consolida o reconhecimento dos games como produtos culturais e obras audiovisuais interativas, permitindo ao setor acessar mecanismos de fomento já existentes.

“Game é cultura, game é audiovisual”, ressaltou.

Segundo ela, a regulamentação fortalece a produção nacional, a formação de profissionais e a proteção da propriedade intelectual, além de ampliar o uso dos jogos eletrônicos em iniciativas de educação e saúde, estimular a geração de empregos e impulsionar o desenvolvimento tecnológico.

A ministra também ressaltou o peso econômico da indústria de jogos eletrônicos no país. Segundo ela, o Brasil reúne cerca de 115 milhões de jogadores, está entre os maiores mercados de games do mundo e movimenta entre R$ 12 bilhões e R$ 13 bilhões por ano.

Game Brasil

O governo também anunciou a plataforma Game Brasil, destinada à divulgação e promoção de jogos produzidos no país, e uma rede nacional de espaços de formação, pesquisa e desenvolvimento. Para Lula, a política representa uma aposta em setores intensivos em conhecimento.

“O Brasil não pode ser eterno país exportador de soja, de minério de ferro e de milho. O Brasil tem que ser exportador de inteligência, de conhecimento”, afirmou.

Aprovada no Congresso Nacional e sancionada pela Presidência da República em 2024, a lei que criou o marco legal dos jogos eletrônicos estabeleceu princípios para o desenvolvimento sustentável do setor e para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

A legislação abrange jogos para computadores, consoles, celulares e plataformas on-line, incluindo aplicações de realidade virtual e aumentada, mas não se aplica a apostas esportivas, jogos de azar e outras modalidades com premiação em dinheiro.

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