Reportagem publicada na tarde da última sexta-feira (05), pelo site da revista Exame, assinada pela agência Reuters, informa que a Vale pode fechar mina de Corumbá (MS). Intitulada “Vale pode fechar mina de Corumbá', a reportagem explorou uma fala do diretor da divisão de ferrosos da companhia.
"Sempre há uma dúvida sobre Corumbá, que é o nosso pequeno sistema, no oeste do país", afirmou o executivo Peter Poppinga em evento com investidores realizado em Londres. Poppinga acrescentou ainda que parar o sistema de uma só vez não seria simples. "Preferimos esperar um pouco mais para ver onde o preço está indo”, disse, alegando que todas as minas da empresa nos sistemas Sul e Sudeste estavam dando lucro com o preço atual do minério de ferro.
As afirmações, entretanto, vão contra o posicionamento defendido pela gerência da mineradora na cidade. Há exatamente um ano, no dia 04 de dezembro de 2013, o então diretor de Operações de Ferrosos do Centro-Oeste da Vale, Alexandre Campanha, afirmou em uma entrevista coletiva que a mineradora tinha o projeto de expandir a retirada de minério de suas minas e que, inclusive, essa expansão dependia apenas de licenças ambientais.
Na época, a justificativa era que a empresa planejava ampliar para 10,5 milhões de toneladas por ano a produção de minério de ferro, contra os 4 milhões produzidos atualmente (segundo a Reuters, este ano, em nove meses esse volume foi de 2,7 milhões de toneladas). “Estamos aguardando o pronunciamento do Ibama e a emissão do licenciamento prévio. A etapa seguinte à liberação prévia é protocolar no Ibama o pedido de licenciamento de instalação; depois de obtida essa licença, aí sim começamos a fazer as obras”, disse o diretor naquela data.
A assessoria de imprensa da Vale disse que ainda não tinha um posicionamento específico, mas defendeu “prudência e sobriedade” nas declarações. Como exemplo, a Vale utilizou a própria fala de seus executivos durante os encontros realizados em Nova York, no dia 02 de dezembro, e em Londres, no dia último dia 05.
“Se você considerar o manganês como parte do sistema, porque, como vocês sabem, nós mineramos minério de ferro e de manganês no mesmo sistema, na verdade, ainda é um negócio positivo. Então não é fácil parar o sistema de uma vez. Preferimos esperar mais para ver para onde os preços vão. Porque não vamos fazer um julgamento com base em dois ou três meses de preços enfraquecidos”, afirmou Peter Poppinga, na Capital Britânica.
“Há uma parte da produção de Corumbá que não está atrelada ao IODEX (índice chinês de preço). O que significa que a lucratividade é maior. A Argentina não está no mesmo contexto. Como o Peter disse, temos que tratar dessa questão com uma perspectiva de, pelo menos, médio prazo”, complementou o presidente da Vale, Murilo Ferreira, no mesmo evento.
Antes, na última terça-feira, o Diretor executivo de Finanças e Relacionamento com Investidores, Luciano Siani, disse em Nova York que “a situação em Corumbá é um pouco diferente. Estamos dando prioridade a suprir o mercado argentino, em que o sistema de Corumbá é competitivo, e vendendo o minério do tipo granulado, que recebe prêmio [valor acima da média de mercado].” Todas as falas dos executivos, em inglês, estão disponíveis ao público, na íntegra, no site da Vale (www.vale.com).



