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DIA DOS JOGOS

Cidades-sede terão esquemas diferentes

Cidades-sede terão esquemas diferentes

AGÊNCIA BRASIL

17/05/2014 - 09h15
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Cada uma das 12 cidades-sede definiu um esquema próprio de feriados e horários de trabalho durante os dias de jogos da Copa do Mundo. De acordo com a Lei Geral da Copa, os estados, o Distrito Federal e os municípios que sediarão os eventos podem declarar feriado ou ponto facultativo nos dias das partidas em seu território. Há ainda aquelas cidades que optaram por mudar o horário do expediente em dias de jogos na cidade, para facilitar a ida de torcedores ao estádio.

A cidade do Rio de Janeiro, que sediará a final da Copa do Mundo, terá feriado a partir do meio-dia, nos dias 18 e 25 de junho, duas quartas-feiras. Já na disputa de quartas de final, no dia 4 de julho, que cai em uma sexta-feira, o feriado será integral. A regra vale tanto para funcionários públicos como para a iniciativa privada. A cidade receberá sete partidas da Copa, incluindo a final da competição, mas quatro delas cairão no fim de semana, não sendo necessário decretar feriado. Os jogos no Rio estão marcados para os dias 15, 18, 22, 25 e 28 de junho e 4 e 13 de julho.

A Câmara Municipal de São Paulo autorizou a prefeitura a decretar feriado no dia da abertura da Copa do Mundo, em 12 de junho. Nos outros dias de jogos do Mundial na cidade, a prefeitura poderá decretar ponto facultativo. Além do jogo da abertura, entre Brasil e Croácia, a capital paulista vai receber mais cinco jogos, nos dias 19, 23 e 26 de junho e 1º e 9 de julho.

Nas demais cidades, só haverá mudança no horário de trabalho dos funcionários públicos. Em Brasília, o expediente dos servidores será encerrado ao meio-dia nos dias de jogos no Estádio Mané Garrincha e quando houver jogos da seleção brasileira em outra cidade, de segunda-feira a sexta-feira. Os setores de atendimento à comunidade deverão seguir escalas de plantão para garantir a continuidade dos serviços. Brasília sediará sete jogos da Copa, nos dias 15, 19, 23, 26 e 30 de junho e nos dias 5 e 12 de julho.

Em Belo Horizonte, só haverá alteração no horário de trabalho dos servidores públicos nos dias de jogo da seleção brasileira, quando o expediente será encerrado três horas antes do início da partida. Não haverá mudanças no horário de trabalho nos dias de jogos realizados no Estádio do Mineirão. Caso haja jogo da seleção brasileira em Belo Horizonte, o que pode ocorrer na fase semifinal, o expediente será encerrado cinco horas antes do início da partida. O Mineirão receberá jogos nos dias 14, 17, 21, 24 e 28 de junho e no dia 8 de julho.

No Recife, será decretado ponto facultativo a partir das 12h, nos dias das partidas do Brasil na primeira fase e nos jogos na Arena Pernambuco que serão realizados em dia de semana. Os jogos na capital de Pernambuco serão nos dias 14, 20, 23, 26 e 29 de junho.

Natal decretou ponto facultativo nos dias de jogos na cidade. Quando a seleção brasileira entrar em campo em outras cidades, o ponto facultativo será à tarde. A capital do Rio Grande do Norte receberá quatro jogos, nos dias 13, 16, 19 e 24 de junho.

Em Manaus, será ponto facultativo nos dias de jogos na cidade – 14, 18, 22 e 25 de junho. Em Fortaleza, ainda não há definição sobre feriados nos dias de jogos. A cidade sediará seis partidas: nos dias 14, 17, 21, 24 e 29 de junho e no dia 4 de julho.

Em Salvador, apenas nos dias 16 e 25 de junho, quando os jogos estão marcados para as 13h, o expediente será suspenso nas repartições públicas municipais. Nos outros dias de jogos na cidade o horário de trabalho será das 8h às 12h. Na capital baiana, as partidas ocorrem nos dias 13, 16, 20 e 25 de junho e 1º e 5 de julho.

Na capital paranaense, será ponto facultativo nos dias de jogos na Arena da Baixada. Haverá partidas nos dias 16, 20, 23 e 26 de junho. Porto Alegre não terá feriado nos dias de jogos, mas está autorizada a decretar ponto facultativo no período da tarde nas datas de jogos da seleção brasileira e nos dias em que ocorrerem partidas no Estádio Beira-Rio.

Em Cuiabá, quando a seleção brasileira entrar em campo na Arena Pantanal, o expediente será das 7h30 às 13h30. Nos dias em que outras seleções entrarem no estádio, será ponto facultativo. Os jogos na cidade serão nos dias 13, 17, 21 e 24 de junho.

Nos órgãos públicos federais, a jornada será reduzida em dias de jogos do Brasil, quando os servidores serão liberados às 12h30. As horas não trabalhadas serão compensadas depois. Nos dias de jogos sem a participação da seleção brasileira, haverá expediente normal de trabalho. Em caso de serviços essenciais, como nas áreas de saúde e segurança, deverá ser mantido o contingente de trabalhadores previsto em lei. Na primeira fase, a seleção brasileira jogará nos dias 12, 17 e 23 de junho.

Durante a Copa, os bancos deverão atender ao público em horário alternativo nos dias de jogos da seleção brasileira. Será obrigatório o funcionamento mínimo de quatro horas. As instituições financeiras terão que divulgar, em avisos afixados na porta dos bancos, o horário de atendimento nos dias dos jogos, com antecedência mínima de dois dias úteis.

Esporte

Alison dos Santos concorre ao prêmio Melhor do Ano da World Athetics

Brasileiro quebrou o recorde mundial nos 400m com barreiras

06/10/2026 22h00

Gustavo Alves/CBAt

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Atual recordista mundial nos 400 metros com barreiras, o brasileiro Alison dos Santos foi indicado nesta terça-feira (6) ao prêmio de Melhor Atleta do Ano da Federação Internacional de Atletismo (World Athetics). Piu fez uma temporada memorável, com direito à quebra de recorde na Diamond League Zurique (Suiça) e a conquista da Liga Diamante, prinicipal circuito de atletimo, pela terceira vez na carreira. E teve mais: Alison levantou o troféu da edição inaugural do Mundial de Atletismo Ultimate, em Budapeste (Hungria), que reuniu os melhores do mundo.

Além do paulista de São Joaquim da Barra, outros nove atletas homens concorrem com Piu ao prêmio, entre eles o sueco Mondo Duplantis (recordista mundial no salto com vara) e o queniano Sebastian Sawe, que este ano foi o mais rápido na história da maratona de Londres, com o tempo de 1h59min30. Na relação de 10 corredoras mulheres indicadas não constam representantes brasileiras.

Os finalistas ao prêmio de Melhor Atleta do Ano serão definidos  por meio de votação até meia-noite de 17 de outubro (horário da Europa Central). Quatro grupos estão aptos a votar, cada um com 25% de peso: fãs da World Athetics (clique AQUI para votar); atletas que tenham disputado competições da World Athetics Series 2026; profissionais da imprensa; e integrantes da “Família World Athletics”, como membros do Conselho e de comissões, organizadores de competições e representantes de atletas.

Os três finalistas em cada gênero serão anunciados nos dias 10 e 11 de novembro. A entrega do prêmio Melhor Atleta do Ano será em Mônaco, em 29 de novembro. 

Duas vezes medalhista olímpico (bronze em Tóquio 2020 e Paris 2024), Piu estabeleceu o novo recorde mundial na prova dos 400m com barreiras ao cravar 45s80 na Diamond Lague Zurique (Suíça), superando a marca anterior (45s94) do norueguês Karsten Warholm, obtida em 2021 na Olimpíada de Tóquio. O paulista também foi tricampeão da Liga Diamante ao vencer todas as seis etapas da Diamond League que disputou: Shaoxing (China), Xiamen (China), Oslo (Noruega), Estocolmo (Suécia), Silésia (Polônia), Zurique (Suíça) e Bruxelas (Bélgica). Piu já arrematara a Liga Diamente em 2022 e 2024.

Em setembro, Alison do Santos também venceu a primeira edição do Mundial de Atletismo Ultimate, em Budapeste (Hungria), que reuniu os melhores do planeta, entre eles o norte-americano Rai Benjamin e o norueguês Warholm.  

futebol

Cristiano Ronaldo abre o jogo sobre briga com Jorge Jesus e se compara a Pelé e Maradona

Em comunicado divulgado nesta terça-feira, 6, o camisa 7 pediu desculpas aos companheiros e aos torcedores pela maneira como deixou a equipe

06/10/2026 21h00

Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo Foto: Divulgação / Fifa

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Cristiano Ronaldo abriu o jogo sobre sua situação com a seleção de Portugal e Jorge Jesus. O atleta detalhou, em oito pontos, os acontecimentos que envolveram a partida contra a Noruega, desde o planejamento para sua utilização até a saída da concentração portuguesa. Em comunicado divulgado nesta terça-feira, 6, o camisa 7 pediu desculpas aos companheiros e aos torcedores pela maneira como deixou a equipe, assumiu a responsabilidade pelo episódio e criticou o treinador por, segundo ele, não cumprir o que havia sido combinado.

Ronaldo afirmou que, após a partida contra a Noruega, teve uma conversa com Jorge Jesus e Simão Coutinho, diretor esportivo do Al-Nassr, que havia acompanhado as negociações sobre sua utilização na seleção. Segundo o atacante, ficou acertado que o treinador levaria a uma coletiva oito pontos definidos a partir daquela conversa para esclarecer o episódio.

Entre eles, estava o reconhecimento de que Jesus havia errado ao mandar um jogador da dimensão de Pelé ou Maradona aquecer para depois não colocá-lo em campo. A referência retoma uma frase do próprio treinador, que havia citado os dois ex-jogadores ao explicar por que decidiu manter Ronaldo no banco mesmo depois de o atacante aquecer por cerca de 30 minutos.

O episódio que deu origem à crise aconteceu na vitória de Portugal por 2 a 1 sobre a Noruega. Ronaldo começou no banco e foi chamado para aquecer no intervalo. Ele permaneceu à disposição durante a segunda etapa, mas não entrou em campo. Após a partida, Jesus disse que pretendia utilizá-lo por cerca de 30 minutos, mas que as circunstâncias do jogo fizeram com que mudasse de ideia.

No novo comunicado, porém, Ronaldo apresentou outra versão. Segundo ele, no dia da partida, recebeu do próprio Jesus a informação de que jogaria o tempo estipulado. O atacante afirma que a orientação estava fora do planejamento físico inicialmente estabelecido, mas que aceitou a mudança e iniciou o aquecimento após o intervalo. Quando não foi utilizado, entendeu que o treinador havia faltado com a palavra.

De acordo com Ronaldo, Jesus havia apresentado um plano de utilização baseado no controle físico, com alternância entre jogos e descanso. O atacante, porém, recusou a possibilidade de não viajar para os compromissos contra Noruega e Dinamarca, por entender que isso não seria adequado para um capitão da seleção

Segundo o português, a postura de Jesus mudou na entrevista antes da partida com a Dinamarca. Horas depois, deixou a concentração, apesar de uma tentativa de convencê-lo a permanecer. Na ocasião, afirmou que explicaria posteriormente os motivos da decisão.

Na carta, também disse que aceita eventual punição da FPF e reforçou que pretende continuar disponível para defender Portugal após cumprir a suspensão, caso esteja em condições físicas e atuando por seu clube.

CONFIRA A CARTA

"Tal como prometi, decidi contar, na primeira pessoa e de forma direta, as circunstâncias que envolveram o último estágio da Seleção Nacional.

Após o Mundial 2026 preparei uma carta aos portugueses, que ainda guardo, com as palavras que lhes quero dirigir quando abandonar, definitivamente, a nossa equipa.

No final da competição, logo no voo de regresso dos Estados Unidos, o Presidente da Federação pediu e insistiu que eu ponderasse a decisão de sair porque a FPF queria que eu continuasse.

Logo a seguir pediu que lhe desse a minha opinião sobre o nome do atual Selecionador e que ele estava a ponderar, a par de outros nomes que não me revelou.

Respondi ao Presidente da Federação que, em minha opinião, seria a escolha certa.

Por isso, no dia em que o atual Selecionador foi apresentado fiquei genuinamente feliz pela escolha. Era a opção certa, como os resultados vão comprovando.

Poucos dias depois recebi um primeiro contacto do novo selecionador nacional a dizer que gostava de estar comigo pessoalmente. Respondi que sim e agendámos para o final das minhas férias.

Encontrámo-nos na Cidade do Futebol onde o meu clube fazia estágio de pré-temporada.

O Selecionador disse-me nesse dia que contava comigo e que a minha presença era fundamental para o seu projeto. Apresentou-me, logo ali, um plano para a minha participação. Disse-me que jogaria o primeiro jogo e o último e que por razões de gestão física iria fazer sempre três a quatro mudanças por jogo.

Nessa altura colocou-me a hipótese de eu não viajar com a Seleção para Noruega e Dinamarca. Propôs-me que fizesse o primeiro jogo e ficasse em Portugal, para depois me juntar de novo antes do jogo do Dragão.

Recusei de imediato esta proposta. Parecia-me evidente que não a poderia aceitar. Não seria por não jogar os jogos no estrangeiro que deixaria de capitanear a nossa equipa. Esse privilégio de ficar em Portugal não seria um bom exemplo.

O Selecionador acabou por concordar com a minha análise.

Esta conversa foi acompanhada pelo Simão Coutinho, diretor Desportivo do Al Nassr, pessoa a quem reportava o atual selecionador durante toda a época passada e um dos responsáveis pela sua contratação pelo clube em 2025.

Na véspera do estágio começar o Selecionador deslocou-se a minha casa, em Lisboa, para ter nova conversa comigo, a seu pedido. A conversa foi tranquila e todos os princípios combinados em agosto foram mantidos.

Joguei o jogo de Alvalade, e apesar de substituído, não fiz nenhum problema. Coloquei a braçadeira eu mesmo ao Bruno Fernandes, longe de imaginar que pudesse estar a dar os últimos passos, como atleta e capitão da Seleção Nacional. O importante desse dia, para mim, foi a nossa vitória. Ganhar é sempre bom, em Portugal e pelo meu País, ainda melhor.

À hora de almoço do dia do jogo na Noruega um adjunto do selecionador do veio à mesa onde o grupo estava a almoçar e informou-me que o Selecionador me queria falar. Para minha absoluta surpresa, o selecionador perguntou-me se estava bem para jogar 30 minutos. Eu estava totalmente focado na minha recuperação física, integrado com os meus companheiros como sempre e a pensar que não jogaria naquele dia. Sem nenhum problema.

Este pedido era algo fora do meu plano de recuperação física e de treino - porque apenas iria jogar dia 4 no Dragão - mas obviamente disse que sim. Respondeu-me que então estivesse preparado porque jogaria 30 min.

O resto todos conhecem. Aqueci desde o intervalo, vi os minutos a passar e não fui chamado.

O Selecionador tinha-me falhado com a sua palavra.

No fim do jogo só queria que tudo acabasse com a vitória e ficar sozinho. Não fui cumprimentar os torcedores. Uma falha que é apenas da minha responsabilidade e que não deveria ter acontecido. Peço desculpa aos portugueses que ali nos apoiaram intensamente, peço desculpa aos torcedores e peço desculpa aos que, sem serem portugueses, ali se possam ter deslocado para me ver e a quem eu possa ter desiludido.

Passado 48 horas tivemos uma conversa, eu, o Selecionador e o Simão Coutinho uma vez que tinha sido ele a acompanhar as nossas conversas de Agosto.

Foi um momento profundo, muito frontal, sem qualquer tipo de filtro.

Concordamos que só havia uma maneira de encerrar este "caso": que o Selecionador repetisse o que acabara de me dizer ali em privado, na presença do Simão Coutinho, mas na Sala de Imprensa

O que foi combinado era simples: o Selecionador começaria a conferência de imprensa por este tema, procurando encerrar o assunto contando a verdade. Diria que nunca pedi para jogar minutos nenhuns, que foi o Selecionador e mais ninguém, quem me propôs o plano para este estágio e que foi um erro colocar-me a aquecer para não entrar e que se voltasse a acontecer não o faria.

Acabamos essa reunião com o Selecionador a pedir-me um abraço, a prometer-me que ia dizer na conferência o que acabara de me dizer a mim e que o assunto se ultrapassava. Eu não jogaria na Dinamarca e jogaria o jogo do Dragão. Tudo isto na presença do Simão Coutinho, sempre.

A pedido do selecionador, decorreu depois uma reunião entre ele mesmo, o Simão Coutinho e o Tiago Craveiro em videoconferência, em que se resumiu aquilo que falámos.

Foi produzido um pequeno documento que eu mesmo validei e que, com o meu conhecimento, foi entregue ao Selecionador, tal como ele havia solicitado.

A conferência foi o que se conhece: a postura não teve nada a ver com a nossa reunião, ouvi expressões e uma agressividade que julgo não merecer, uma atitude de quero, posso e mando que nunca me manifestou, nem de perto nem de longe, em privado, na véspera

As notas que validei eram as seguintes:

"Acho importante, até porque é a verdade, esclarecer algumas coisas antes de falar da Dinamarca:

1. Propus ao Cristiano eu mesmo, sem mais ninguém, um plano para ele, esta época desportiva, na Seleção Nacional. Foi uma conversa demorada e muito boa.

2. Sei o quanto ele vive e Ama a Seleção e o peso que tem no Mundo, mais ainda, o peso e a influência positiva que tem na Seleção há 24 anos consecutivos.

3. O plano que propus ao Cristiano foi aceite.

4. Ele nunca questionou as minhas opções. Foi exemplar, leal e profissional.

5. Do plano que tracei para ele não constava o jogo da Noruega. No entanto, senti que ele tinha conseguido recuperar fisicamente do primeiro jogo e avisei-o que poderia ter de o utilizar. O Cristiano concordou.

6. Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo. Se fosse hoje não o faria.

7. Para encerrar o assunto: Eu quero o Cristiano na Seleção Nacional. Aliás não quero pouco, quero muito. Felizmente ele também acredita em mim. Acreditou no Al Nassr e aqui também.

8. Sobre não ter cumprimentado os adeptos. Já falámos sobre isso Quem faz mais de 230 jogos pela Seleção não recebe de mim lições de Amor a Portugal. Foi um momento de frustração que não apaga coisa nenhuma. É o jogador que mais autógrafos dá, que mais selfies tira, que mais acarinha os adeptos. Não inventemos problemas onde eles não existem. Quando não estamos contentes reagimos. Foi só isso."

Nenhuma destas notas dizia, portanto, que o selecionador me pedisse sequer desculpa.

Era a segunda vez, que me estava a faltar à palavra dada.

Decidi abandonar o estágio sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra. Para mim a verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre as pessoas. Por muito que doa, que me digam a verdade.

Aliás, numa conversa que mantive com o Presidente da FPF e com o Selecionador na manhã do dia dessa conferência de imprensa, podem confirmar seguramente, reafirmei que se não me quisessem ali mo dissessem. Bastava serem francos comigo. Eu aceitaria isso e prometi que prepararíamos algo bonito, como sonho que aconteça, e ninguém ficaria zangado.

Lembro-me como se fosse hoje. Responderam em uníssono que não. Que o meu lugar era na Seleção Nacional.

Nunca, em nenhum momento me intrometi em qualquer decisão técnica ou tática de qualquer treinador ou selecionador em quase 25 anos de carreira. Aceito é melhor ou pior o que me propõem fazer. Respeito a decisão e quando me faltam à palavra, sinto que o meu lugar não é ali.

Devo também um pedido de desculpas aos meus companheiros de Seleção por ter abandonado o estágio. Apesar da absoluta quebra de confiança na palavra do Selecionador, como poderá testemunhar quem assistiu a estas conversas, eu não o devia ter feito. A responsabilidade é exclusivamente minha.

Peço desculpa aos portugueses mais uma vez, mas a quebra da palavra tem, para mim, um impacto definidor. Senti que, a partir dali, a minha permanência iria apenas prejudicar o grupo de trabalho e fiz o que sempre disse que faria se não me sentisse útil: peguei nas malas e saí.

A consequência deste meu ato deve ser avaliada e punida pela Federação Portuguesa de Futebol. Entendo que a punição não deve ter atenuantes. Não sou um jogador qualquer, sou capitão de equipa e isso constitui uma agravante. Já pedi desculpa, mas sei que as atitudes têm de ter consequências. Quem está no futebol como estou sabe que, independentemente do estatuto de cada um, as regras são iguais para todos.

A este propósito, tenho ouvido muito falar em jogos de despedida, que tenho que ter uma despedida digna e que a Federação me quer dar essa oportunidade.

Aprendi na vida, com fome e sem nada para comer muitas vezes, que ninguém dá nada a ninguém.

Posso prometer a todos os meus fãs, naturalmente e em especial a todos os portugueses, que faremos um ou mais jogos de despedida, haverá tempo para isso.

Mas quando penso na seleção o que eu penso mesmo é em competir. Foi nisso que pensei no dia em que me deram a notícia da morte do meu Pai. Estava em estágio da nossa Seleção e lá decidi ficar até terminar o jogo do dia seguinte. Fiz por isso pelo País o que jamais faria por clube algum.

Portanto se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com golos espero, a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa Seleção.

Esta é, acreditem, a mais pura das verdades.

Cristiano Ronaldo

6 de Outubro de 2026."

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