A morte de Oscar Schmidt nesta sexta-feira (17), provocou forte comoção no esporte brasileiro. Ídolo histórico do basquete, o ex-jogador reconhecido internacionalmente como "Mão Santa", deixa um legado que ultrapassa quadras e gerações.
Em entrevista ao Correio do Estado, o sul-mato-grossense Joélcio Joerke, o 'Janjão', ex-pivô da seleção brasileira, relembrou a convivência com Schmidt nos tempos áureos do basquetebol nacional e destacou a importância do armador para o país.
Ao lado de Oscar, Janjão atuou por cerca de oito anos, e disputou os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, último ciclo olímpico do lendário camisa 14. Atualmente com 53 anos, o professor de educação física vive em Campo Grande falou já com saudosismo sobre o ex-companheiro.
“É um orgulho realmente, ele (Oscar) é um patrimônio do basquete brasileiro, do esporte brasileiro. Todo mundo conheceu a trajetória dele sabia o quanto ele era boa pessoa, um cara que treinava mais que os outros, obstinado por resultado, me ensinou muito dentro e fora da quadra e sempre colocou o basquete como prioridade na vida dele.”, destacou o ex-pivô.
Ao recordar a convivência com o ídolo, Janjão destacou o impacto pessoal deixado por Oscar. “Eu tive a sorte de conviver fora da quadra com ele e aprender muitas coisas no dia a dia, na obstinação dele, na forma como encarava cada treinamento. Foi uma experiência incrível.”
O ex-pivô também lembrou das experiências vividas ao lado do “Mão Santa”, consideradas por ele como momentos marcantes da carreira. Ainda assim, reforça que o principal legado vai além das conquistas esportivas.
“O grande tesouro de ter convivido com um cara desse tamanho não ficou só dentro da quadra. Eu levo isso para a minha vida pessoal também, como exemplo de ser humano”, disse.
Sobre Oscar, Janjão ressaltou não apenas o talento dentro de quadra, mas também as escolhas que marcaram sua carreira. “Mesmo com a possibilidade de jogar na NBA, ele optou por continuar na seleção brasileira. Era onde ele encontrava o maior prazer, a maior alegria da vida dele.”, frisou o ex-atleta.
Na ocasião, a decisão de vestir a camisa 'amarelinha' tinha muito mais peso. Escolhido pelo New Jersey Nets (atual Brooklyn Nets) no Draft de 1984 da NBA, liga americana, Oscar Schmidt optou por não jogar a competição para continuar defendendo a Seleção Brasileira, regra imposta pela Federação Internacional de Basquete à época.
Carreira
Joelcio iniciou sua trajetória ainda jovem. Aos 16 anos, deixou Campo Grande rumo a Franca (SP) para investir na carreira esportiva. Ao longo dos anos, integrou todas as seleções brasileiras de base e, posteriormente, a equipe principal por uma década. Também representou o Brasil em dois Mundiais, em 1994, no Canadá, e em 1998, na Grécia.
No exterior, o pivô sul-mato-grossense atuou por três temporadas na Itália, onde conquistou a Copa Itália pelo Snaidero Udine. No Brasil, acumulou títulos importantes, incluindo cinco campeonatos nacionais três por Franca, além de conquistas por Vasco da Gama e Uberlândia.
Adeus
Aos 68 anos, Oscar morreu após sofrer um mau súbito na manhã desta sexta-feira . Ele estava internado no Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), em Santana de Parnaíba, na cidade de São Paulo.
O ex-atleta foi diagnosticado com câncer no cérebro mas afirmou estar curado da doença em 2022.
Ele é o único brasileiro a estar no Hall da Fama no basquete e é o maior pontuador da história do basquete, com 49.70 pontos, além de ser dono do maior pontuador da história dos Jogos Olímpicos, com 1.093 pontos.


