Para a Mercedes, qualquer ajuda é bem-vinda. Nem mesmo o início de temporada avassalador, com cinco vitórias nas cinco primeiras corridas deste ano, fez com que a equipe medisse esforços na tentativa de conquistar seu primeiro Mundial de F-1.
Com Lewis Hamilton e Nico Rosberg cada vez mais isolados na liderança do campeonato e despontando como adversários diretos na disputa pelo título, o time alemão resolveu se precaver e, desde o GP da China, em abril, tem à disposição um psicólogo.
Ceri Evans, 50, ex-jogador de futebol profissional da Nova Zelândia é o responsável por zelar para que o ambiente no time permaneça tranquilo e que seus membros saibam como melhor lidar com momentos de maior pressão.
Especialista em psicologia do esporte, Evans tem em seu currículo o trabalho com a seleção de rúgbi de seu país, conhecida como "All Blacks", em sua campanha vitoriosa na Copa do Mundo de 2011.
"Na Mercedes nós queremos otimizar cada aspecto de nossa performance e acreditamos que há muito a aprender dos outros esportes. Isso inclui o desempenho do time como um todo e a maneira como reagimos em momentos cruciais", afirmou Toto Wolff, diretor da equipe que lidera o Mundial deste ano com 197 pontos –a Red Bull, segunda colocada, soma 84 pontos.
Mas apesar dos esforços dos dirigentes em tentar buscar a ajuda de um profissional para melhorar o trabalho em equipe, Hamilton e Rosberg não se mostraram empolgados com a novidade.
"Estou confortável como estou e vou continuar fazendo o que tenho feito até aqui", disse Rosberg, que venceu a primeira corrida do ano, na Austrália, e depois chegou imediatamente atrás do parceiro nas quatro etapas seguintes, caindo para vice-líder do Mundial, com três pontos a menos que Hamilton.
Já o inglês, que em vários momentos de sua carreira na F-1 mostrou descontrole emocional, especialmente durante a temporada de 2011, quando ainda estava na McLaren, foi ainda mais duro ao comentar a chegada de Evans.
"Nunca tive [um psicólogo], nunca precisei e nunca terei. Então nunca conversarei com ele a não ser que eu comece a ficar louco. Para mim, como piloto, não sinto esta necessidade pois desde os oito anos eu corro e tudo que sempre tive ao meu lado foi apenas minha família", afirmou o campeão de 2008.
"Sei que o time quer fazer o melhor e às vezes é bom ter alguém de fora para ajudar a ver como a gente se comporta. Sei que há coisas para aprender de outros esportes e eles estão tentando coisas diferentes para aprender. Mas isso não é para mim", completou Hamilton, que busca neste fim de semana sua segunda vitória em Mônaco -nesta quinta-feira ele fez o melhor tempo do primeiro dia de treinos livres nas ruas do principado.


