Esportes

DESVIOS

Suposto esquema de corrupção põe na cadeia presidente do futebol de MS

Operação do Gaeco intitulada de "Cartão Vermelho" prendeu Francisco Cezário, que comanda o esporte de Mato Grosso do Sul há 27 anos; outros dirigentes e familiares dele também são investigados

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Operação realizada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga suposto esquema de corrupção na Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS)prendeu ontem o presidente da entidade, Francisco Cezário.

Segundo as investigações, o esquema tinha como principal objetivo o desvio de dinheiro que era proveniente do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, através de convênios, subvenção ou fomento ao esporte, e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para uso em benefício próprio ou de terceiros.

A principal forma de desvio era a realização de saques das contas da Federação de Futebol, em valores pequenos, de até R$ 5 mil, que após mais de 1.200 saques, ultrapassaram o montante de R$ 3 milhões.

O MP aponta que, além disso, o esquema também incluia desvio de diárias dos hotéis pagos pelo Estado para jogos do Campeonato Estadual.

Levantamento feito pelo Ministério Público no período de setembro de 2018 até fevereiro de 2023, identificou que o desvio de dinheiro total na Federação de Futebol superou a casa dos R$ 6 milhões.

A operação, intitulada como “Cartão Vermelho” cumpriu de 7 mandados de prisão preventiva, além de 14 mandados de busca e apreensão, nos municípios de Campo Grande, Dourados e Três Lagoas.

Os alvos de investigação do Ministério Publico são: o presidente da Federação de Futebol, Francisco Cezário; Aparecido Alves Pereira; Francisco Carlos Pereira; Umberto Alves Pereira; Valdir Alves Pereira; Rudson Bogarim Barbosa; Marcelo Mitsuo Ezoe Pereira. 

Além desses nomes, o diretor de patrimônio da Federação, Jamiro Rodrigues de Oliveira, e o vice-presidente da Federação de Futebol, Marco Antonio Tavares também são investigados, junto com os donos da empresa de confecção de materiais esportivos de Dourados, Invictus Sports, Marcos Antonio de Araujo e Patricia Gomes de Araujo.

Em nota a empresa Invictos Sports se pronunciou sobre a operação, informando que os proprietários foram autuados pelo Gaeco e forneceram as informações solicitadas a eles. 

“A empresa de confecção de uniformes Invictus, de Dourados, é prestadora de serviços para a Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul e tem os referidos serviços registrados através de fornecimento de nota fiscal e pagamento registrado em conta corrente da empresa.

Marcos Araújo, proprietário, acompanha o trabalho do Gaeco e está fornecendo todas as informações solicitadas. Está à disposição e confia no trabalho desempenhado pela Justiça de Mato Grosso do Sul”, disse a nota.

O advogado de defesa da FFMS e do presidente Francisco Cesário, André Borges, também enviou um pronunciamento referente a Operação. 

“Nessa fase qualquer investigação é sempre unilateral; logo ela será submetida ao necessário contraditório; devemos aguardar os esclarecimentos, que serão prestados, oportunamente”, declarou.

De acordo com o Gaeco, na casa do presidente da FFMS foram apreendidos mais de R$ 800 mil.

DIRIGENTES

A reportagem do Correio do Estado procurou os presidentes dos principais clubes do Estado, para prestarem um posicionamento diante da operação que prendeu o presidente da Federação de Futebol do Estado, que está a frente do cargo há 27 anos. 

Campeão do Estadual neste ano, o Operário Futebol Clube informou que aguarda o desenrolar da operação, após ter o conhecimento do caso apenas do que foi divulgado na imprensa.

“Para não cometermos nenhuma injustiça, preferimos nos pronunciar depois que tenhamos mais conhecimento das acusações e imputações contra os acusados. A expectativa da diretoria é que de alguma forma, essa operação possa colaborar para o crescimento e desenvolvimento do nosso futebol, pois precisamos de credibilidade para crescer e levar o nosso futebol novamente a ser destaque a nível nacional”, disse nota do clube.

Representando o futebol do Estado no Campeonato Brasileiro da Série D, o Costa Rica relatou que está acompanhando as movimentações dos fatos, e aguarda o desenrolar das investigações.

“Este acontecimento não passa despercebido por nenhum de nós, e deixa todos os envolvidos com futebol sul-mato-grossense consternados com tal situação. Existe uma preocupação muito grande por parte de toda nossa equipe, afinal, somos o representante de Mato Grosso do Sul nas competições nacionais. Nós nos posicionamos contra qualquer ato de corrupção no futebol, pois milhares de pessoas tem seu ganha pão tirado do futebol diariamente, e não é aceitável e nem justo que haja desvio nas funções da Federação em benefício próprio”, declarou.

Procuradas pelo Correio do Estado, as diretorias do Dourados Atlético Clube, atual vice-campeão do Estadual e do Comercial Esporte Clube, que deve disputar a segunda divisão neste ano, não se pronunciaram.

OPOSIÇÃO

O ex-presidente do Cene, o advogado Paulo Telles, que tentou se candidatar a presidência da Federação de Futebol em 2022, na última eleição para o quadriênio (2023 até 2027), falou que as acusações contra o presidente são “profundas”.

“Ainda é muito cedo porque o presidente Cezário e a Federação podem apresentar as suas justificativas, mas é lógico que as acusações são pesadas e profundas. Tentamos nos candidatar no último pleito porque entendemos que esta atual diretoria não tinha mais competência legal para poder ser reeleito, e que deveria ter uma alternância no poder, mas, infelizmente não tivemos apoio dos clubes que votavam”, declarou Telles.

O ex- dirigente do Cene, clube que foi hexacampeão Estadual e foi extinto, também falou o que pode acontecer dentro da Federação de Futebol, durante a  investigação de corrupção dentro da entidade. 

“Acredito que agora os próprios clubes devem se manifestarem, convocando uma assembleia geral que afaste a atual diretoria e eleja uma comissão para tocar a Federação neste período de investigação, para que os campeonatos continuem. Penso que a CBF também deve mandar um interventor para organizar este processo no Estado”, disse o advogado.

CORRUPÇÃO NO FUTEBOL

Não é de hoje que casos de corrupção no futebol “estouram”, na principal entidade esportiva do país, a CBF desde o início dos anos 90 há investigações e criações de CPI relacionadas ao tema.

Em 1996 contrato de US$ 160 milhões com a Nike foi alvo de uma CPI. Ricardo Teixeira, então presidente, foi acusado de remessa ilegal de dinheiro para o exterior.

Entre 2001 e 2003, 13 inquéritos foram abertos na Superintendência da Polícia Federal, no Rio, tendo como alvo Ricardo Teixeira e a CBF.

Em 2012 Ricardo Teixeira e renunciou e o sei vice que assumiu, José Maria Marin, foi é preso na Suíça, em 2015, acusado de vários crimes. O posto foi assumido por Marco Polo Del Nero, que foi banido do futebol em 2017 por de corrupção.

SAIBA

Cezário comandou a entidade pela primeira vez em 1987, 37 anos atrás. Neste período, ele ficou fora do do comando por quatro anos, entre 2001 a 2004, quando assumiu a prefeitura de Rio Negro, mesmo assim ainda controlava a entidade.

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SÉRIE D

Desta vez em casa, Costa Rica enfrenta o Água Santa (SP) novamente

Na última rodada, a equipe sul-mato-grossense venceu o Netuno, como é conhecido o time paulista, por 2x0, em Diadema (SP), e se aproximou da zona de classificação para a próxima fase

12/06/2024 11h00

Costa Rica busca vitória nesta quarta-feira (12) parta consolidar boa fase

Costa Rica busca vitória nesta quarta-feira (12) parta consolidar boa fase Foto: Divulgação / Costa Rica

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Após conquistar vitória importante fora de casa na última rodada, Costa Rica e Água Santa (SP) se reencontram nesta quarta-feira (12), às 19h, no estádio Laertão. A equipe sul-mato-grossense pode entrar de vez na zona de classificação do grupo.

Para abrir o segundo turno da fase de grupos da série D do Campeonato Brasileiro, os clubes se enfrentam em momentos diferentes na temporada. Após não conquistar nenhuma vitória nos três primeiros jogos da competição, agora o Costa Rica tem duas vitórias e um empate nas últimas quatro partidas, coincidindo com o período do novo técnico, Alan George, no clube.

Em contrapartida, o Água Santa não vence há cinco jogos, incluindo a derrota no último sábado (08), para o próprio Costa Rica por 2x0, em casa. Com este acúmulo de resultados negativos, o técnico da equipe paulista, Bruno Pivetti, foi demitido do cargo.

Neste momento, a equipe de Mato Grosso do Sul ocupa a quinta colocação, com o mesmo número de pontos do Pouso Alegre (MG), quarto colocado. Em casa de mais um bom resultado nesta quarta-feira, é certo que a equipe entrará no G4 do grupo, ultrapassando o próprio adversário desta noite, que ocupa a terceira posição, com 9 pontos.

O jogo será transmitido no canal oficial do Costa Rica no Youtube, a CrecTV. Para a torcida que comparecer ao estádio, será realizado um sorteio durante o intervalo da partida. Uma camisa oficial da equipe sul-mato-grossense e uma fritadeira de ar. 

Situação do grupo 

A sétima rodada marcou, além da primeira vitória do Costa Rica fora de casa, a primeira derrota da Inter de Limeira (SP) na competição, diante do Maringá (PR), por 1x0, na casa da equipe paranaense. Mesmo com a derrota, o time paulista continua na liderança do grupo, com 16 pontos, mas agora empatado com a própria equipe que a derrotou no domingo.

No contexto geral, a rodada deste fim de semana foi positiva para a equipe sul-mato-grossense, com o empate em 0x0 entre Santo André (SP) e Pouso Alegre e a vitória do Patrocinense, por 2x1, contra o São José (SP). 

Agora, para esta oitava rodada, “start” inicial da reta final da fase de grupos, o Pouso Alegre já enfrentou o Santo André e empataram por 1x1, em casa, na noite de ontem, terça-feira (11). Há outros dois jogos para acontecer, são eles:

  • Inter de Limeira (SP) x Maringá (PR) - 12/06, às 19h30.
  • São José (SP) x Patrocinense (MG) - 12/06, às 20h;

Confira a classificação de momento (até 12/06) do grupo 7 da série D:

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Gestão Esportiva

Governo negocia com a UFMS a administração do Estádio Morenão

Governo busca transferir a gestão do Estádio Universitário Pedro Pedrossian para empresas privadas, afirma deputado Pedrossian Neto

11/06/2024 17h22

Estádio Universitário Pedro Pedrossian

Estádio Universitário Pedro Pedrossian Fotos: Gerson Oliveira

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Durante a comissão parlamentar criada na Assembleia Legislativa para monitorar e discutir o andamento das obras no Estádio Universitário Pedro Pedrossian, o deputado Pedrossian Neto (PSD) confirmou que o governo estadual está em conversas com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) sobre a concessão para administrar o Estádio do Morenão, por meio da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc).

Incomodados com a tímida reforma do Morenão, parlamentares e dirigentes de clubes cobraram dos representantes da Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura (Fapec) mais agilidade na entrega das obras. A reforma do Estádio Universitário Pedro Pedrossian está ocorrendo desde 2022, enfrentando atrasos significativos e custos excedentes.

"As obras no Morenão estão acontecendo de forma muito tímida. As condições do gramado são péssimas. Está crescendo até mamão e melancia e as condições do complexo são insalubres. O estádio está deteriorando com o tempo. Por isso, preciso saber o que falta para voltar a ter jogos?" 

Fotos: Gerson Oliveira

A revitalização do Morenão teve início em 2022 com expectativas elevadas de investimento inicial de R$ 9.404.942,70, dividido em duas etapas: infraestrutura e reforma dos banheiros/vestiários.

Com o tempo passando e a falta de transparência da Fapec, tornou-se evidente que as obras estavam sendo estendidas até o primeiro semestre de 2024. Até o momento, apenas a segunda fase das obras foi concluída. 

Representando a Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura (Fapec), o assessor jurídico José Eduardo Lima relatou que, até o momento, foram gastos R$ 7.838.761,08. No entanto, para concluir a obra, incluindo a instalação de cadeiras na área coberta, seriam necessários R$ 38.904.711,10, representando um aditivo de mais de R$ 31 milhões. Caso o contrato seja rompido, esses valores devem ser entregues aos cofres públicos. 

"Até o momento a reforma do banheiro foi concluída, mas existe agora uma necessidade de repensar no projeto como um todo. Por que? O valor destinado para obras do Morenão foi superado após a elaboração dos orçamentos. Por isso demonstra que o valor está bem acima do previsto para poder dar  continuidade à parceria". 

Divulgação/ Fapec

Negociações entre Governo e UFMS

De acordo com meses de apuração da reportagem, o governo de Mato Grosso do Sul demonstra total interesse em investir ainda mais no futebol de Mato Grosso do Sul. Durante conversas com dirigentes e representantes de governo, observa-se o interesse de Eduardo Riedel em utilizar o esporte local como atrativo para atrair investidores de fora do estado. 

O objetivo do governo estadual é adquirir a gestão do Estádio Universitário Pedro Pedrossian e, posteriormente, investir na revitalização e ultilizar o esporte local para atrair o interesse de empresários e buscar mais investimentos em Mato Grosso do Sul e, assim impulsionar a economia do estado.

A informação sobre o interesse no esporte foi confirmada pelo governador Eduardo Riedel, durante a assembleia de clubes, na última semana no Hotel Turis, quando os dirigentes aprovaram o nome de Estevão Petrallas à frente da federação. 

"Neste momento precisamos de equilíbrio, porque tem muita coisa que precisa ser apurada nessas investigações do Cartão Vermelho. Vocês precisam discutir o futebol do estado e dialogar para chegar em um bom termo. O nosso compromisso com vocês continua e precisamos discutir o futuro do Morenão", disse o governador para os presidentes de clubes, durante a assembleia de clubes na semana passada.  

Confirmando as declarações do governador Eduardo Riedel na reunião dos clubes, o deputado Pedrossian Neto afirmou que o governo do estado tem interesse em adquirir a gestão do Morenão e, posteriormente, repassá-la para uma empresa privada para administrar o complexo. 

"O Morenão precisa ser uma arena moderna como em outras capitais brasileiras. Ela precisa ser usada não somente para o futebol, mas atividades artísticas, religiosos entre outros segmentos que possam dar rentabilidade econômica para o estado. Eu sei que o público e o torcedor querem que este estádio seja administrado por uma empresa, não pelo dinheiro público", relatou.  

 

Divulgação/ 

As negociações ...

Durante a reunião, o titular da Setesc Marcelo Miranda, ressaltou a necessidade de um plano para administrar a utilização adequada do complexo. 

“Precisamos de uma sinalização para efetuar a concessão. Depois disso, o governo precisa criar um plano de ação para analisar como essa gestão pode ser ultilizada", disse Miranda.  

De acordo com o procurador do Estado, Wagner Garcia, disse que em caso a UFMS transfira a titularidade para o estado, a Agesul (Agência Estadual de Empreendimentos) poderá iniciar as obras conforme a disponibilidade financeira. Ele acredita que em 45 dias, a situação possa ser resolvida para avançar com as obras re revitalização.  

“Esse contato com a UFMS já aconteceu diretamente com o reitor. A gente acredita que entre 45 dias, teremos uma definição  e formalização juridica, porque essas mudanças envolvem até a Superintendência do Patrimônio da União sobre questões burocráticas que precisam ser resolvidas.” mencionou o procurador.  
 

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