Estudos analisados por pesquisadores reunidos na Escola de Saúde Pública T. H, e chan de Harvard, nos Estados Unidos, associam o consumo diário de meia taça a uma taça de álcool a menor mortalidade por infarto e a uma vida mais longa.
A associação, porém, não deve ser interpretada como incentivo ao consumo. Os cientistas ressaltam que ela não comprova que a bebida prolongue a vida, não estabelece relação de causa e efeito nem indica proteção direta ao organismo.
O que os pesquisadores observaram
Timothy Rebbeck, diretor do Centro Zhu Family para Prevenção Global do Câncer de Harvard. Disse ao TN que o álcool faz parte da rotina das pessoas, do café da manhã às celebrações e tradições culturais.
Embora os estudos tenham associado o consumo a menos mortes por problemas cardíacos nesse grupo específico, o encontro em Harvard também discutiu os riscos crônicos do hábito, incluindo o câncer.
Eric Rimm, professor de Medicina e Epidemiologia da instituição, disse ao TN que algumas investigações associaram o consumo moderado a uma menor mortalidade por infarto.
Os riscos apontados pelos cientistas
Walter Willett, epidemiologista de Harvard, apontou uma relação entre a ingestão de álcool e o aumento do risco de determinados tipos de câncer, como o de mama. Mesmo um risco individual pequeno pode gerar impacto relevante quando analisado em escala de toda a população.
Idade, histórico familiar e condições de saúde preexistentes mudam a forma como o corpo de cada pessoa reage ao consumo.
Anna Grummon, diretora do Laboratório de Políticas Alimentares de Stanford, disse ao TN que o consumo de álcool também está associado à dependência. A transtornos ligados ao uso da bebida, a acidentes de trânsito e a episódios de violência, com consequências que atingem não só quem bebe, mas também quem está ao redor.
Atenção às bebidas do dia a dia
Os cientistas chamaram a atenção para escolhas simples da rotina, como trocar refrigerante por água. Segundo os pesquisadores, essa mudança ajuda a cortar o excesso de açúcar e reduz um dos fatores ligados à obesidade e ao diabetes.
No caso do álcool, a possível ligação entre o consumo moderado e menos mortes por infarto exige cautela e não deve ser interpretada como sugestão para começar a beber. Os especialistas ressaltam que os efeitos do álcool variam conforme fatores pessoais, como idade e histórico familiar de doenças.


