Seis estados brasileiros entram em alerta vermelho para uma onda de calor a partir deste sábado (26 de setembro). O Super El Niño deve elevar as temperaturas para a faixa dos 30 °C, com picos que podem chegar a 40 °C em várias regiões do país até segunda-feira (30).
A intensidade do calor resulta da combinação do Super El Niño com as mudanças climáticas globais. O aquecimento das águas dos oceanos Pacífico e Atlântico, características do fenômeno, altera a circulação atmosférica e reduz a formação de chuvas em determinadas áreas. Esse efeito se intensifica quando se soma à elevação geral da temperatura do planeta.
Quais regiões enfrentam o maior risco
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu o aviso nesta quinta-feira (24) para Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo em todo o território. Partes do centro e sul de Mato Grosso, incluindo Cuiabá, também entram na zona de risco, assim como o centro, sul e oeste do Rio de Janeiro, incluindo a capital.
Minas Gerais tem o sul e sudeste sob aviso vermelho, englobando municípios como Passos, Poços de Caldas, Varginha, Maria da Fé e Lavras.
Essa distribuição desigual permite que estados vizinhos fiquem, ao mesmo tempo, sob alerta de calor e sob influência de frentes frias. O El Niño "trava" as frentes mais ao sul, deixando o ar quente avançar sobre outras áreas do país.
Como o El Niño altera o clima regional
O fenômeno não afeta o Brasil de forma uniforme, e no Centro-Norte, ondas de calor já ocorrem com intensidade e persistência durante toda a primavera, e no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
O padrão muda: períodos de 4 a 5 dias quentes alternam com 4 a 5 dias de muita chuva e pouco calor, criando um cenário irregular mesmo dentro de um estado. O Paraná exemplifica essa variação: embora esteja sob alerta de calor, partes vizinhas podem registrar frentes frias e chuvas volumosas ao mesmo tempo.
Os ventos predominantes de norte, potencializados pelo El Niño, permitem que o ar quente avance para o norte enquanto as frentes frias permanecem estacionadas mais ao sul — uma dinâmica que dificulta a formação de nuvens em certas regiões e favorece temperaturas elevadas em outras.
Risco global do calor extremo
Uma projeção da revista Climate Impact Lab, ligada à Universidade de Chicago, estima cerca de 451 mil mortes adicionais entre junho de 2026. E fevereiro de 2027 por causa do calor extremo, em comparação com um ano normal. O levantamento aponta ainda 44% a mais de dias de calor intenso do que o esperado em condições normais.
Esses números mostram a importância da hidratação e da atenção a sinais de mal-estar nos dias de pico, quando o corpo perde líquido mais rápido do que consegue repor.
Procurar ambientes ventilados e evitar exposição prolongada ao sol entre o meio-dia e o início da tarde reduz o risco nos dias indicados pelo INMET para este fim de semana.


