Caso de Justiça

Aos 83 anos, mulher é demitida após trabalhar 53 anos como doméstica sem receber salário

Justiça determinou indenização.

Uma trabalhadora doméstica de 83 anos conquistou o direito a R$ 200 mil em indenização após passar mais de cinco décadas em uma residência de Santos. No litoral paulista, sem contrato formal e sem receber remuneração.

A decisão foi tomada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, que reconheceu todo o período de trabalho, entre 1972 e 2025, como relação de emprego válida. Aos 30 anos de idade, ela ingressou na casa em 1º de julho de 1972 e ali permaneceu até 13 de março de 2025, quando foi dispensada.

Ao longo de todos aqueles anos, seu sustento limitou-se a moradia e alimentação — nada além disso foi oferecido em troca dos serviços domésticos prestados diariamente.

A investigação por trabalho análogo à escravidão

O Ministério Público do Trabalho abriu inquérito para examinar se havia dimensão coletiva no caso, isto é, se a família submetia outros funcionários às mesmas condições. Uma audiência foi marcada para 19 de outubro, com objetivo de discutir medidas que impeçam o empregador de repetir tal prática com novos trabalhadores.

Entre as provas apresentadas ao tribunal estava uma notificação extrajudicial na qual a patroa descrevia a mulher como funcionária há aproximadamente 50 anos, realizando tarefas domésticas com muita presteza e cuidado. Esse documento foi crucial: contradisse a alegação da defesa de que tudo havia sido apenas uma relação familiar ou assistencial, sem vínculo trabalhista.

Os juízes consideraram o registro como reconhecimento implícito do emprego.

Sinais de negligência e continuidade do trabalho

Documentos apresentados ao processo evidenciaram a situação de vulnerabilidade vivida pela doméstica. A defesa mencionou visíveis sinais de desnutrição, e imagens anexadas à ação mostravam condições precárias de habitação. Além disso, um documento de 1994 indicava que a antiga empregadora a considerava semianalfabeta e dizia que ela não tinha, na época, para onde ir.

Quando a antiga empregadora faleceu em 2006, a mulher permaneceu no imóvel trabalhando para os herdeiros, agora como caseira. O tribunal teve que resolver uma questão técnica: uma decisão anterior havia limitado a indenização apenas aos períodos posteriores a outubro de 2020, baseando-se na prescrição trabalhista de cinco anos.

O TRT-2 reverteu essa sentença, argumentando que a caracterização de trabalho análogo à escravidão afasta a aplicação da prescrição, legitimando assim o cálculo indenizatório sobre toda a trajetória entre 1972 e 2025.

Astronomia

Astrônomos observam estrela devorando lentamente sua companheira em fenômeno raro

Quando um planeta se aproxima demais de sua estrela, o desfecho é rápido.

07/10/2026 18h20

Foto: Oliver Schröder/Pexels

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Astrônomos identificaram uma estrela pequena que remove, de forma lenta e contínua, material de uma anã marrom companheira. O sistema, chamado ZTF J0440+2325, fica a cerca de 300 anos-luz da Terra. Essa interação estelar, nunca antes observada, desafia o que se esperava desses encontros cósmicos.

Quando um planeta se aproxima demais de sua estrela, o desfecho é rápido: a estrela o engole por inteiro. Neste caso, porém, a transferência de material ocorre ao longo de bilhões de anos. A teoria previa que esse processo gradual pudesse acontecer, mas ninguém o havia testemunhado.

Um sistema fora do comum

A estrela pesa cerca de 85 vezes mais que Júpiter, enquanto a anã marrom equivale a 25 massas jupiterianas. Ambas são pequenas pelos padrões estelares e orbitam uma à outra a cada 87 minutos, em uma órbita tão compacta que caberia dentro do Sol.

Kevin Burdge, professor assistente de física do Massachusetts Institute of Technology, e o estudante de pós-graduação Aaron Householder trabalharam no estudo no Departamento de Ciências da Terra, Atmosférica e Planetária da instituição. Pesquisadores de várias outras instituições nos Estados Unidos e na Espanha também colaboraram no estudo.

Burdge explicou que o resultado abre perspectivas inesperadas. Em vez de engolir o objeto completamente, como ocorre na maioria dos casos, a estrela consegue consumi-lo gradualmente ao longo de bilhões de anos.

A descoberta pela Zwicky Transient Facility

O sistema foi identificado em dados coletados pela Zwicky Transient Facility, uma câmera instalada em um telescópio do Observatório Palomar, na Califórnia. O equipamento rastreia mudanças rápidas de brilho no céu, sinais típicos de supernovas. Burdge notou uma curva de luz incomum — um registro de como o brilho do objeto varia ao longo do tempo.

Enquanto uma supernova exibe uma curva suave em forma de sino, este objeto produzia repetidamente uma forma triangular aguda. Burdge disse ao Earth que se lembrava de olhar para a curva e pensar que estrelas não produzem ondas triangulares assim.

O padrão não correspondia ao comportamento conhecido de binários viúva-negra, sistemas onde uma estrela de nêutrons consome lentamente uma companheira bem menor, causando oscilações características no brilho observado.

Confirmação através da medição

Recentemente, Burdge e Householder apontaram vários telescópios para o sistema. Ao medirem a oscilação, descobriram que não se tratava de uma anã negra: era uma estrela de baixa massa orbitada por uma anã marrom. A amplitude da oscilação era pequena demais para ser qualquer outra coisa. Householder ressaltou que essa foi a prova decisiva do sistema.

As duas mantêm uma órbita estreita, que caberia dentro do Sol. A anã marrom perde aproximadamente um centésimo de milionésimo da massa da Terra para a estrela a cada ano. O material cai diretamente na superfície da estrela em alta velocidade, como um asteroide atingindo a lua. Esse processo contínuo e gradual é uma alternativa rara ao cenário cataclísmico comum nos encontros estelares próximos. Burdge explicou ao Earth que há um "hotspot" contínuo em um dos objetos. À medida que um orbita o outro, esse ponto quente entra e sai de vista e cria o padrão triangular observado.

Guerra

Donald Trump envia drones "assassinos" para a América do Sul com um único objetivo

Os drones estão sendo reposicionados.

07/10/2026 17h49

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Washington transferiu diversos drones MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador. A transferência marca a mudança estratégica da administração Trump: intensificar o combate aos cartéis na América Latina. A decisão também reflete a expansão das operações militares americanas na região, que passam de ataques a embarcações para incursões em terra firme.

Os drones estão sendo reposicionados depois que pelo menos 45 unidades — cerca de um quarto da frota total dos EUA — foram destruídas na guerra com o Irã. Cada aeronave custa aproximadamente US$ 50 milhões, pode permanecer horas no ar e transportar mísseis, bombas e equipamentos de interceptação eletrônica.

Máquinas de precisão letal

O MQ-9 Reaper se tornou símbolo da superioridade tecnológica americana em operações de ataque direcionado. As Forças Armadas dos EUA deram à aeronave o apelido de "caçador-assassino" depois de sua participação em operações como a que eliminou o general iraniano Qassim Suleimani em 2020, comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.

Além de atacar, o drone transporta câmeras térmicas avançadas e sistemas para interceptar comunicações. A máquina já foi empregada contra o Estado Islâmico e a Al Qaeda no Oriente Médio, além de grupos como o Al Shabab na África.

Sinais de compromisso político e militar

Francisco Palmieri, ex-diplomata americano que ajudou a moldar a estratégia antidrogas dos EUA durante o primeiro governo Trump. E atuou como embaixador interino na Colômbia no governo Biden, afirmou que a redistribuição dos drones representa um sinal inegável de compromisso político. Segundo Palmieri, a redistribuição demonstra disposição de expandir tanto o nível quanto o escopo da cooperação militar na região.

A Colômbia concordou em receber três unidades, enquanto o Equador confirmou o recebimento de duas máquinas que já estão operacionais em seu espaço aéreo. O general Francis L. Donovan, principal comandante militar dos EUA para a maior parte da América Latina, afirmou que Washington planeja expandir as operações, passando de ataques a embarcações para ataques em terra.

Críticas sobre direitos humanos e efetividade

A intensificação da campanha militar levantou preocupações de defensores dos direitos humanos, que temem que ataques aéreos possam colocar civis em risco. Analistas também questionam a efetividade da estratégia. Matar membros de cartéis, mesmo líderes de alto escalão, contribui pouco para reduzir o fluxo de drogas — os mortos simplesmente são substituídos por novos chefes na hierarquia criminosa.

Especialistas jurídicos consideram os ataques ilegais. Segundo eles, os alvos, ainda que envolvidos em crimes graves, não representam ameaça direta aos Estados Unidos, o que viola normas internacionais de direito de conflito.

A coalizão de Trump contra os cartéis

O governo Trump constituiu uma coalizão de líderes regionais comprometidos em desmantelar os cartéis latino-americanos sob o lema oficial "Fazemos coisas ruins com pessoas ruins". Washington já havia classificado traficantes de drogas como combatentes inimigos em operações anteriores, abrindo o caminho legal para essa expansão de poder de fogo.

A chegada dos drones representa a nova prioridade da administração: aumentar a influência americana na América Latina com foco em segurança. A mudança coincide com a retirada de recursos da África e marca uma reorientação clara das operações de inteligência e combate do Pentágono.

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