Impacto forte

Asteroide provoca efeito catastrófico no Mar do Norte e levanta tsunami de mais de 100 metros

Impacto deformou uma extensa área do fundo oceânico e deslocou a água.

O leito do Mar do Norte foi atingido há 43 a 46 milhões de anos por um asteroide de 160 metros de diâmetro, que viajava em alta velocidade e entrou em um ângulo baixo. O impacto deformou uma extensa área do fundo oceânico e deslocou a água.

A colisão criou a Cratera Silverpit, cuja origem permaneceu discutida por mais de duas décadas, até que imagens sísmicas, amostras de rocha. E dados sobre a idade dos sedimentos confirmassem que se tratava de um impacto.

Localizada a aproximadamente 130 quilômetros de Yorkshire, a cratera está soterrada a cerca de 700 metros de profundidade no leito marinho e permanece invisível para quem navega acima dela. Levantamentos sísmicos feitos originalmente para explorar o subsolo identificaram ali a prova geológica do impacto.

Simulações do impacto indicam que o tsunami gerado nas proximidades superou os 100 metros, transformando a região em poucos segundos.

A magnitude oculta da deformação

A cavidade central da Cratera Silverpit mede aproximadamente 3,2 quilômetros de diâmetro. A deformação causada pela colisão se estende por aproximadamente 18 quilômetros, quase seis vezes o diâmetro da cavidade principal deixada pelo impacto.

A diferença entre o tamanho do asteroide e a área que ele alterou mostra a escala da colisão. A energia liberada no impacto comprimiu e moveu sedimentos por uma extensa área do fundo oceânico, criando uma zona de destruição que perturbou as camadas rochosas muito além dos limites do impacto direto.

A deformação pode incluir crateras secundárias e fraturas que se propagaram pelo subsolo marinho.

 

Décadas para confirmar a causa real

A Cratera Silverpit foi identificada em 2002 durante levantamentos sísmicos de rotina, mas sua origem permaneceu controversa por mais de duas décadas. Alguns pesquisadores argumentavam que movimentos de sal no subsolo poderiam gerar uma geometria semelhante à de uma cratera de impacto, mantendo viva a dúvida sobre as verdadeiras causas da deformação.

A combinação de novas imagens sísmicas, amostras de rocha e informações sobre a idade dos sedimentos foi decisiva, segundo estudo publicado na Nature Communications.

Esse conjunto de dados eliminou as alternativas e confirmou que um asteroide colidiu com o leito marinho dezenas de milhões de anos atrás. As marcas da colisão permanecem até hoje, e a Silverpit é um dos raros exemplos de impacto confirmado em ambiente submarino.

Raridade entre crateras marinhas

A dificuldade em detectar impactos submarinos reside na profundidade, que oculta evidências visuais diretas, e na capacidade do oceano de apagar rapidamente sinais superficiais. A Silverpit mostra como eventos extremos podem ser rastreados e confirmados mesmo sem indícios visíveis na superfície. O caso também pode ajudar a identificar outros impactos antigos ainda ocultos nas profundezas dos oceanos.

Submarino gigante

Maior que um prédio de 20 andares: submarino de 72 metros pode ficar 70 dias submerso

Novo submarino representa grande avanço para a força submarina brasileira

30/09/2026 10h08

Imagem gerada por inteligência artificial

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O submarino Almirante Karam, mais novo da Classe Riachuelo, completou sua primeira imersão estática na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O teste ocorreu perto do Complexo Naval de Itaguaí na semana passada e representa uma etapa crucial da certificação antes da entrada em operação prevista para o segundo semestre de 2027.

Com 72 metros de comprimento — altura de um prédio de 24 andares —, a embarcação comporta 42 tripulantes e pode permanecer submersa por até 70 dias em operações. A profundidade alcançada ultrapassa 200 metros, avanço para a força submarina brasileira, segundo o capitão de corveta Leandro Amaral, comandante do submarino.

O que o teste avaliou

O procedimento da semana passada verificou o equilíbrio, a estabilidade e o funcionamento dos sistemas internos. Sem usar a propulsão, a tripulação levou o submarino à condição de mergulho de forma controlada. Assim, engenheiros e técnicos puderam observar a reação do casco.

A água do mar preencheu os tanques de lastro pela abertura dos suspiros até o submarino atingir o ponto planejado para o ensaio. Esse procedimento caracteriza uma imersão estática. A equipe também monitorou a resposta às variações de peso e inclinação, reunindo dados sobre o deslocamento e as condições de flutuação.

Silêncio como vantagem operacional

O Almirante Karam pode lançar minas, mísseis e torpedos. Para permanecer indetectável, o submarino precisa reduzir ao máximo o nível de ruído, segundo o comandante.

Comparar as previsões do projeto com o comportamento real na água vai além de medir a profundidade máxima. Antes de o submarino tocar o mar, engenheiros calculam como ele flutuará, inclinará e reagirá a mudanças de peso, considerando o casco, as baterias, os tanques e os demais equipamentos embarcados.

 

Por que cada unidade passa por testes próprios

Mesmo compartilhando o mesmo projeto, submarinos podem apresentar variações sutis na distribuição de peso. Por isso, cada unidade passa por avaliações independentes que evitam que um erro de cálculo pequeno comprometa o desempenho em situações reais.

Navegação na superfície, imersão dinâmica e verificação de sistemas essenciais ainda aguardam o Almirante Karam. As próximas etapas avaliarão propulsão, resposta dos lemes, equipamentos de navegação, comunicação e detecção, sempre em diferentes condições operacionais.

O Programa que construiu o submarino

Nascido do Programa de Desenvolvimento de Submarinos, o Almirante Karam é o quarto integrante da Classe Riachuelo, versão brasileira adaptada do projeto francês Scorpène. O modelo recebeu alterações nas dimensões e autonomia para atender às necessidades operacionais da Marinha do Brasil.

Antes dele, a frota incorporou os submarinos Riachuelo (S40), Humaitá (S41) e Tonelero (S42). Cada etapa só começa depois da análise dos resultados da anterior, o que permite fazer eventuais ajustes antes de ensaios mais avançados. Imersões em grandes profundidades e testes dos sistemas de armas estão entre as próximas avaliações que precedem a entrada em serviço.

NASA em ação

Missão de 8 dias durou 9 meses: NASA dá novo impulso à nave da Boeing

Investimento milionário foi aplicado na operação

30/09/2026 09h28

Imagem: Divulgação/NASA

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A NASA confirmou na última segunda-feira (28) um investimento de US$ 359 milhões para adaptar a espaçonave Boeing e certificá-la para um foguete diferente do que ela usava até agora. O plano inicial previa oito dias na Estação Espacial Internacional.

Os astronautas Sunita Williams e Barry Wilmore chegaram em junho de 2024 para uma missão de teste. Mas ficaram presos em órbita terrestre durante nove meses enquanto engenheiros tentavam descobrir o que havia dado errado. A falha no sistema de propulsão e os vazamentos de hélio revelaram problemas estruturais mais profundos do que se imaginava.

Para trazer os dois de volta, a NASA recorreu à Crew Dragon, da SpaceX.

O que saiu do trilho na primeira tentativa

A Starliner chegou à estação em junho de 2024 com falhas repetidas no sistema de propulsão durante a aproximação. Propulsores suficientes voltaram a funcionar para permitir a acoplagem, mas os vazamentos de hélio indicavam um problema estrutural que não podia ser ignorado.

Com Williams e Wilmore impossibilitados de retornar, a NASA classificou posteriormente a missão como um "acidente tipo A" — a designação de nível mais alto para fracasso de uma operação espacial. O astronauta Woody Hoburg foi anunciado como comandante da próxima missão com tripulação, reforçando o comprometimento da agência com o projeto.

Novo cronograma e mudança tecnológica

A próxima viagem da Starliner, prevista para dezembro, será apenas de carga, sem astronautas a bordo. A nave não deve voltar a levar pessoas ao espaço antes de meados de 2028, quando as correções estiverem concluídas e ela tiver sido certificada para o novo foguete Vulcan.

A troca de foguete era inevitável: a Starliner foi projetada para o Atlas V, da United Launch Alliance, mas restam apenas seis unidades que usam motores russos. O Vulcan, sucessor do Atlas V, ainda não está certificado para voos tripulados, e a NASA arcará com esse custo.

A certificação é um passo crítico para garantir dois caminhos independentes de acesso humano ao espaço.

SpaceX segue adiante enquanto Boeing se reposiciona

As trajetórias das duas empresas, contratadas em 2014 para levar astronautas à órbita, divergem. A SpaceX completou uma dúzia de missões operacionais da Crew Dragon desde seu primeiro voo bem-sucedido em 2020. A 13ª missão está agendada para decolar nesta quinta-feira, 1º de outubro.

A NASA também concedeu à SpaceX três novas missões no valor de US$ 946 milhões, com lançamentos previstos para 2027 e 2028. Enquanto isso, executivos da SpaceX afirmam que pretendem aposentar a Crew Dragon após o Starship entrar em operação. A diferença mostra que o setor privado avança mais rapidamente que os programas convencionais de exploração espacial.

O futuro do acesso humano ao espaço

Mesmo com os problemas, a NASA mantém a Starliner como peça central de sua estratégia de redundância no acesso à órbita baixa. A agência planeja desativar a Estação Espacial Internacional em 2030, quando estações comerciais deverão assumir seu papel como laboratório orbital.

O investimento de US$ 359 milhões mostra que a agência decidiu corrigir, adaptar e certificar a Starliner em vez de abandonar a plataforma. Para a NASA, manter duas rotas independentes de transporte humano continua fundamental, e agora, esse objetivo passa por um foguete novo.

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