A NASA confirmou na última segunda-feira (28) um investimento de US$ 359 milhões para adaptar a espaçonave Boeing e certificá-la para um foguete diferente do que ela usava até agora. O plano inicial previa oito dias na Estação Espacial Internacional.
Os astronautas Sunita Williams e Barry Wilmore chegaram em junho de 2024 para uma missão de teste. Mas ficaram presos em órbita terrestre durante nove meses enquanto engenheiros tentavam descobrir o que havia dado errado. A falha no sistema de propulsão e os vazamentos de hélio revelaram problemas estruturais mais profundos do que se imaginava.
Para trazer os dois de volta, a NASA recorreu à Crew Dragon, da SpaceX.
O que saiu do trilho na primeira tentativa
A Starliner chegou à estação em junho de 2024 com falhas repetidas no sistema de propulsão durante a aproximação. Propulsores suficientes voltaram a funcionar para permitir a acoplagem, mas os vazamentos de hélio indicavam um problema estrutural que não podia ser ignorado.
Com Williams e Wilmore impossibilitados de retornar, a NASA classificou posteriormente a missão como um "acidente tipo A" — a designação de nível mais alto para fracasso de uma operação espacial. O astronauta Woody Hoburg foi anunciado como comandante da próxima missão com tripulação, reforçando o comprometimento da agência com o projeto.
Novo cronograma e mudança tecnológica
A próxima viagem da Starliner, prevista para dezembro, será apenas de carga, sem astronautas a bordo. A nave não deve voltar a levar pessoas ao espaço antes de meados de 2028, quando as correções estiverem concluídas e ela tiver sido certificada para o novo foguete Vulcan.
A troca de foguete era inevitável: a Starliner foi projetada para o Atlas V, da United Launch Alliance, mas restam apenas seis unidades que usam motores russos. O Vulcan, sucessor do Atlas V, ainda não está certificado para voos tripulados, e a NASA arcará com esse custo.
A certificação é um passo crítico para garantir dois caminhos independentes de acesso humano ao espaço.

SpaceX segue adiante enquanto Boeing se reposiciona
As trajetórias das duas empresas, contratadas em 2014 para levar astronautas à órbita, divergem. A SpaceX completou uma dúzia de missões operacionais da Crew Dragon desde seu primeiro voo bem-sucedido em 2020. A 13ª missão está agendada para decolar nesta quinta-feira, 1º de outubro.
A NASA também concedeu à SpaceX três novas missões no valor de US$ 946 milhões, com lançamentos previstos para 2027 e 2028. Enquanto isso, executivos da SpaceX afirmam que pretendem aposentar a Crew Dragon após o Starship entrar em operação. A diferença mostra que o setor privado avança mais rapidamente que os programas convencionais de exploração espacial.
O futuro do acesso humano ao espaço
Mesmo com os problemas, a NASA mantém a Starliner como peça central de sua estratégia de redundância no acesso à órbita baixa. A agência planeja desativar a Estação Espacial Internacional em 2030, quando estações comerciais deverão assumir seu papel como laboratório orbital.
O investimento de US$ 359 milhões mostra que a agência decidiu corrigir, adaptar e certificar a Starliner em vez de abandonar a plataforma. Para a NASA, manter duas rotas independentes de transporte humano continua fundamental, e agora, esse objetivo passa por um foguete novo.


