A mostra "Caio Quintessencial — As múltiplas faces de Caio Fernando Abreu" foi aberta em 14 de outubro, às 18h30, na Galeria Multipalco Eva Sopher, em Porto Alegre, reunindo registros fotográficos de momentos íntimos ao lado de manuscritos e cartas que nunca haviam sido divulgados.
Quem quiser visitar não paga nada, podendo ir diariamente, entre 10h e 20h, até o dia 2 de novembro. As fotografias assinadas por Dulce Helfer trazem flagrantes do escritor gaúcho em sua rotina, distante da imagem pública construída em torno de sua obra. O acervo inédito reúne ainda um mapa astral elaborado pelo próprio Caio e cartas que ele trocou com o amigo Luciano Alabarse.
Um retrato em duas camadas
O jornalista Salus Loch assina a curadoria, que reúne acervos de Amanda Costa e Juarez Fonseca, além de trechos publicados em jornais e revistas na época. A ideia é colocar lado a lado o homem fotografado em gestos simples e o escritor das páginas ainda guardadas.
Uma frase amplamente atribuída a Caio Fernando Abreu sintetiza essa busca: o tempo tem uma forma maravilhosa de mostrar o que realmente importa. Com o tempo, as urgências superficiais e as ansiedades perdem força, enquanto os afetos verdadeiros, as conexões genuínas e as prioridades que dão sentido à vida ganham nitidez. A exposição procura fazer esse mesmo filtro da realidade.
Cinco espaços, uma só jornada
A exposição na Galeria Multipalco Eva Sopher encerra a "Jornada Caio Quintessencial", projeto assinado por Amanda Costa e Flávia Cunha que passou por cinco endereços culturais de Porto Alegre em 2026.
A jornada passou pelo Instituto Estadual do Livro, pela Casa da Memória Unimed Federação, pelo Memorial do Ministério Público, pelo Goethe-Institut Porto Alegre e pela Cinemateca Capitólio.
Em cada um desses pontos, uma camada diferente do autor de "Morangos Mofados" e "Onde Andará Dulce Veiga?" ganhou destaque, do escritor inquieto com as questões de seu tempo ao homem por trás dos textos.
Livro fecha a programação
A Feira do Livro de Porto Alegre recebe, em 31 de outubro, o lançamento de uma publicação sobre a trajetória da jornada dedicada ao escritor. Amanda Costa, doutora em literatura, e Flávia Cunha, jornalista e mestra em literatura, organizam a obra e também respondem pelo projeto expositivo.
A realização é da Casa da Memória Unimed Federação/RS, que conta com o apoio de diversas instituições: Unimed Porto Alegre, Sescoop/RS, Unicoopmed, Fundação Theatro São Pedro, a secretaria estadual de Cultura, o Instituto Estadual do Livro e a Associação de Amigos Lígia Averbuck.
Localizada na Rua Riachuelo, 1.089, no Centro Histórico de Porto Alegre, a mostra pode ser conhecida gratuitamente por quem tiver interesse nesse olhar particular sobre o escritor.
Como a curadoria constrói a proximidade com o leitor
A exposição aproxima duas representações do mesmo autor: a imagem de seus gestos cotidianos, registrada nas fotografias de Dulce Helfer, e a voz que emerge dos textos inéditos, manuscritos e cartas.
O visitante pode ver Caio em situações como comer, descansar e simplesmente existir, enquanto acessa pensamentos que ele guardou para si ou compartilhou apenas com amigos próximos, como Luciano Alabarse.
Segundo o curador Salus Loch, essa estratégia busca revelar "o que permanece essencial" na trajetória do autor. O mapa astral feito por Caio e as correspondências inéditas mostram aspectos pessoais que nunca passaram pelo crivo da publicação. Juntos, esses materiais criam uma sensação de intimidade que as fotos isoladas ou os textos publicados não alcançariam sozinhos.
Por que cinco espaços antes da exposição final
A "Jornada Caio Quintessencial" percorreu cinco instituições culturais de Porto Alegre ao longo de 2026 antes de chegar à Galeria Multipalco Eva Sopher. Passou pelo Instituto Estadual do Livro, pela Casa da Memória Unimed Federação, pelo Memorial do Ministério Público, pelo Goethe-Institut Porto Alegre e pela Cinemateca Capitólio.
Cada espaço abordou uma faceta do autor, do escritor engajado nas questões de seu tempo ao homem por trás dos textos.
A exposição aberta em outubro sintetiza essa jornada e reúne o que foi explorado nos cinco espaços anteriores. Por isso, a mostra se chama "As múltiplas faces": ela resulta de um projeto maior, em que cada endereço destacou uma camada da vida e da obra de Caio Fernando Abreu.


