Enquanto há uma intensa busca por colonizar Marte, Elon Musk planeja fundir Tesla e SpaceX em um conglomerado de aproximadamente 3,5 trilhões de dólares, o que seria a maior fusão da história. Para os acionistas da Tesla, que vão de pequenos poupadores a fundos de pensão, a operação significaria trocar ações de um fabricante de carros por participação em um conglomerado de foguetes, satélites e inteligência artificial.
A manobra ampliaria o poder de Musk sobre o grupo combinado: ele receberia cerca de um terço do total, o que elevaria seu pacote de bônus em aproximadamente um trilhão de dólares. Musk afirma que não participa das negociações porque é "parte em conflito", embora um dos conselheiros independentes, Ira Ehrenpreis, integre os conselhos de ambas as empresas.
O Roadster: carro conceito ou promessa fictícia?
Durante um evento no Texas, Musk apresentou o Roadster como fruto do trabalho conjunto das duas empresas, em uma ação de marketing destinada a dar credibilidade à fusão. A Tesla, porém, deixou claro que o veículo não está aprovado para circular em vias públicas e pode nunca sair da fábrica.
O contrato de reserva informa que o carro pode sofrer mudanças ou não ser produzido, como ocorreu com o modelo anterior, que foi cancelado. O Roadster é, portanto, um carro conceito cujo principal objetivo era dar credibilidade à fusão das duas empresas.
Por que Musk depende dos acionistas
A diferença de controle entre as duas empresas é o obstáculo central. Na SpaceX, Musk controla 82% dos votos graças a ações com direitos preferenciais; na Tesla, sua participação é de apenas 20%.
Uma fusão exigiria aprovação de metade de todas as ações em circulação, incluindo aquelas de acionistas que raramente participam de votações — um desafio que o próprio Musk descreveu como "um listão bastante alto".
Para facilitar a aprovação entre pequenos investidores que compõem uma base massiva de acionistas desengajados, a Tesla conseguiu luz verde da SEC em 29 de setembro para um programa de "voto automático".
O mecanismo funciona como piloto automático: o investidor se inscreve, e suas ações passam a apoiar automaticamente o conselho em cada assembleia. Ele pode desativar o sistema ou corrigir votos específicos quando desejar.
Conflitos de interesse e negociações paralelas
Musk afirma não participar das negociações por estar em conflito de interesses. Ira Ehrenpreis, porém, um dos conselheiros independentes, integra os conselhos das duas empresas, o que cria outro potencial conflito na operação.
As sinergias anunciadas versus a realidade
Musk defendeu a fusão argumentando que combinar as companhias tem grande mérito porque estão "praticamente na singularidade da superinteligência", momento hipotético em que a inteligência artificial ultrapassa a inteligência humana. Entre as sinergias mencionadas estão Terafab, uma fábrica de chips que ambas desenvolvem conjuntamente, robótica, software de IA e Starmind, plano da SpaceX para montar centros de dados em órbita.
O histórico da Tesla em inteligência artificial não sustenta as ambições descritas. O Cybercab já leva passageiros pagantes, mas apenas em dois locais delimitados geograficamente e com supervisão. A NHTSA abriu uma investigação em setembro para a certificação do veículo, e a Tesla tem até 30 de outubro para responder a 21 perguntas.
Enquanto isso, a Waymo oferece robotáxis em 15 cidades americanas, com aproximadamente 500 mil viagens pagas por semana; a Apollo Go, da Baidu. Superou 22 milhões de viagens em 27 cidades; e a BYD vende na China carros com nível 4 de autonomia. Sem supervisão humana, e oferece cobertura de danos, funcionalidade que a Tesla não oferece.
O produto que a Tesla oferece aos clientes sob o nome Full Self-Driving (Supervised) é, na verdade, um assistente de direção que exige que um humano atento monitore permanentemente o veículo.
A aposta em crescimento exponencial
A receita de inteligência artificial da SpaceX cresceu quase dez vezes no terceiro trimestre de 2026. Musk espera que a SpaceX alcance receita anual recorrente entre 500 bilhões e 1 trilhão de dólares até o final de 2027 — números que sustentariam. Ao menos financeiramente, a ambição de uma fusão de tal magnitude.
A operação permanece em análise pelos comitês especiais das duas empresas. Com aprovação dos acionistas como próximo passo necessário para que a fusão de um fabricante de Carros com um conglomerado aeroespacial se torne realidade.
Quando o Cybercab não pode ser usado como outros carros da Tesla
Enquanto os SUVs Model Y também funcionam como robotaxis, o Cybercab tem restrições mais severas. Ele não permite a entrada de menores de 13 anos — nem acompanhados por adultos — embora os Model Y usados para o mesmo serviço permitam crianças entre 8 e 17 anos.
O Cybercab também não possui os ganchos LATCH padrão para cadeirinhas infantis, exigindo que elas sejam presas apenas com cinto de segurança se, hipoteticamente, a política de idade fosse alterada.
Além disso, o veículo não permite que janelas sejam totalmente abertas. Essas restrições refletem uma abordagem mais conservadora de segurança para um veículo sem controles manuais, onde a Tesla não conseguiu equipá-lo com os mesmos padrões de segurança infantil que seus outros modelos possuem.


