Avanço nas pesquisas

Cientistas descobrem gelo em Marte e encontram algo surpreendente no polo norte

O gelo no polo norte marciano contém muito menos poeira do que se estimava até agora

O gelo no polo norte marciano contém muito menos poeira do que se estimava até agora. Uma pesquisa da Universidade de Washington revelou que o gelo exposto naquela região possui geralmente menos de 3% de poeira em massa, enquanto cálculos anteriores apontavam percentuais de até 25%.

A diferença importa porque a poeira escurece o gelo e altera a quantidade de luz solar refletida de volta ao espaço. Mais escuro, o gelo absorve mais calor e vaporiza mais rapidamente.

Fora dos polos, onde o gelo às vezes fica exposto, praticamente todo o gelo marciano está enterrado sob uma camada de poeira. Esses oásis de gelo limpo no polo norte registram a história climática do planeta — o mesmo tipo de registro obtido na Terra com amostras extraídas das calotas polares.

Como os cientistas descobriram a diferença

Aditya Khuller, pesquisador sênior do Laboratório de Física Aplicada da Universidade de Washington, e Pari Mohan, recém-formado em geociência pela mesma instituição, não coletaram novas amostras de gelo. Em vez disso, reexaminaram medições já existentes do pouso da Phoenix, da NASA, e de instrumentos instalados em naves em órbita marciana.

O desafio de medir o gelo em Marte remonta a 2008, quando a Phoenix pousou perto do polo norte. Foi uma conquista importante depois que a sonda Polar Lander desapareceu nas proximidades do polo sul em 1999. A trincheira cavada continua sendo o único local do planeta onde o brilho do gelo exposto foi medido do solo.

A distância dificulta as medições: Marte nunca chega a menos de 55 milhões de quilômetros da Terra.

Um método que funciona melhor que o anterior

Khuller havia identificado um problema nos cálculos anteriores, e os pesquisadores usavam métodos desenvolvidos para estudar o solo lunar, mas, quando ele testou essa abordagem na Terra, os números não batiam.

Para o novo estudo, ele e Mohan refizeram os cálculos com métodos desenvolvidos por Steve Warren, professor emérito de ciências da Terra e espaço da Universidade de Washington. Esses métodos são usados há décadas no estudo da neve e do gelo terrestres.

Ao acompanhar as variações de brilho ao longo das estações marcianas, a equipe descobriu que a região funciona como um "sanduíche de sorvete": camadas alternadas de gelo mais sujo e mais limpo. No inverno marciano, forma-se uma geada mais poeirenta, e no verão, essa camada desaparece e expõe abaixo dela um gelo mais antigo e limpo.

Golpe

Ela alugou uma casa pelo Airbnb e vendeu todos os móveis do lugar em apenas um dia

Situação ocorreu em Balneário Rincão, Santa Catarina.

01/10/2026 20h01

Foto: keresi72/Pixabay

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Em Balneário Rincão, Santa Catarina, uma mulher reservou uma casa pelo Airbnb para passar apenas uma noite e, antes mesmo de o prazo de saída se encerrar, já havia esvaziado o imóvel, retirando móveis e eletrodomésticos para revendê-los.

O valor obtido com a venda dos objetos a uma loja de móveis usados, R$ 3,8 mil, ficou muito aquém dos R$ 17 mil que o dono do imóvel estima que o conjunto valia. A Polícia Civil apura o caso. Para não despertar desconfiança enquanto retirava os pertences, a suspeita contou aos vizinhos que tinha acabado de comprar a casa.

Como a fraude foi descoberta

A estadia começou na manhã do dia 23 de setembro, e o check-out estava marcado para as 13h do dia seguinte. Quando o prazo passou sem resposta, o proprietário foi pessoalmente ao endereço conferir a situação.

Ao abrir a casa, encontrou o imóvel vazio. Entre os itens levados estavam duas camas box, quatro mesas de cabeceira, um sofá, três banquetas, um balcão de banheiro, uma TV de 32 polegadas, uma lava e seca e uma geladeira.

Ao conversar com os vizinhos, o proprietário obteve uma foto de um caminhão de mudanças usado na retirada dos objetos. Os moradores relataram que a suspeita havia se apresentado como a compradora recente do imóvel, numa tentativa de disfarçar a ação.

O proprietário localizou os móveis em publicações nas redes sociais de uma loja pertencente a um parente do dono do caminhão. As imagens mostravam os itens, que o dono da casa conseguiu recuperar.

Investigação e medidas tomadas

O homem que comprou os móveis na loja foi autuado por receptação culposa — quando não há comprovação de que conhecesse a ilicitude da mercadoria. Para a polícia, a mulher pode estar envolvida em outras tentativas de aplicar golpes, inclusive contra familiares.

O Airbnb suspendeu a conta usada para fazer a reserva enquanto o episódio é apurado. A Proteção contra Danos ao Anfitrião, oferecida em todas as hospedagens da plataforma, cobre prejuízos de até US$ 3 milhões em casos de danos ou furtos durante a estadia.

A investigação segue em andamento, e até a noite de 30 de setembro, a suspeita ainda não havia sido localizada.

Negócio

Empresa australiana paga R$ 3,5 bilhões por projeto de terras raras em Minas Gerais

Com a compra, a Lynas assume o controle do projeto Caldeira.

01/10/2026 19h27

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A mineradora australiana Lynas Rare Earths fechou um acordo para comprar a também australiana Meteoric Resources, negócio avaliado em cerca de A$ 968 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 3,5 bilhões pela cotação atual. Com a compra, a Lynas assume o controle do projeto Caldeira, em Minas Gerais, que reúne o que as empresas classificam como o maior volume já identificado de argila iônica rica em terras raras fora do território chinês.

O negócio foi divulgado nesta quinta-feira (1º), mas sua conclusão depende do cumprimento de uma série de condições prévias. Uma delas é o aval do CIMCE, o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, instância instituída pela lei de minerais críticos sancionada em setembro deste ano. A compra também depende da aprovação dos acionistas da Meteoric e de autorização judicial.

A homologação é exigida porque o projeto envolve direitos minerários de elementos considerados estratégicos para o país.

Como vai funcionar o pagamento

Não haverá pagamento em dinheiro: o negócio será concluído por meio de troca de ações. Cada acionista da Meteoric receberá 0,0207 ação da Lynas por cada ação da Meteoric que possui, o equivalente a A$ 0,286 por papel.

Esse valor representa um prêmio de 68,4% sobre o preço de fechamento das ações da Meteoric em 30 de setembro, usado como referência para calcular a oferta. Antes de qualquer transferência, os acionistas precisam aprovar os termos em assembleia, e a Justiça também terá que validar o acordo.

O potencial do projeto Caldeira

Segundo o estudo de viabilidade definitivo do empreendimento, a produção média anual estimada é de 3.862 toneladas de neodímio e praseodímio (NdPr) e 127 toneladas de disprósio e térbio (DyTb). As empresas classificam o Caldeira como o maior depósito já mapeado de terras raras associadas a argilas iônicas fora do mercado chinês.

O calendário prevê o envio de um documento detalhado aos acionistas em dezembro. A votação dos acionistas da Meteoric está marcada para janeiro de 2027. Março do mesmo ano é a data-limite estimada para fechar o negócio, caso todas as condições sejam cumpridas.

Como parte do acordo, a Meteoric terá acesso a uma linha de crédito de até A$ 110 milhões (cerca de R$ 396 milhões), concedida pela Lynas, destinada a bancar o avanço do Caldeira, cobrir gastos ligados à transação e suprir necessidades de capital de giro ao longo do processo. A primeira parcela, de A$ 35 milhões (aproximadamente R$ 126 milhões), estará disponível após a assinatura do acordo.

Por que as terras raras viraram alvo global

Os 17 elementos que compõem as terras raras são usados em celulares, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. Eles não são escassos, mas o desafio é encontrar depósitos com concentração suficiente para viabilizar a extração em escala comercial.

Essa dificuldade explica por que o tema virou peça central de uma disputa que envolve tecnologia, energia limpa e indústria de defesa.

A China controla cerca de 70% da produção global e domina etapas estratégicas como o processamento do minério e a fabricação de ímãs. Essa concentração fez Estados Unidos e União Europeia correrem atrás de fornecedores alternativos para reduzir a dependência do mercado chinês.

O lugar do Brasil nessa disputa

Com reservas em Goiás, Bahia, Amazonas e Minas Gerais, o país ocupa a segunda posição mundial em volume de terras raras disponíveis. Esse potencial já apareceu nas conversas entre Brasil e Estados Unidos durante as tensões do tarifaço, quando representantes americanos sinalizaram interesse em comprar minerais estratégicos brasileiros.

O Instituto Brasileiro de Mineração destaca o Caldeira como um dos projetos mais relevantes do país no setor. Os preços ajudam a explicar o interesse das potências: o neodímio e o praseodímio chegam a € 55 o quilo, enquanto o térbio pode superar € 850 por quilo.

Em agosto, a americana USA Rare Earth já havia garantido US$ 1,55 bilhão para comprar a Serra Verde, mineradora que opera a mina Pela Ema, em Goiás. Parte desse valor veio diretamente do governo dos Estados Unidos. O movimento reforça como o Brasil se tornou peça-chave na corrida mundial por esses minerais.

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