O Sistema Solar pode entrar em colapso muito antes do que se calculava, segundo um estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters. O trabalho aponta que a desintegração da arquitetura orbital começaria cerca de um bilhão de anos após a extinção do Sol. A estimativa anterior previa estabilidade orbital por 100 bilhões de anos.
A nova análise muda esse horizonte e associa o processo diretamente ao fim da vida da estrela que mantém os planetas em órbita.
Como o Sol vai se apagar
Em bilhões de anos, o astro vai se transformar em uma anã branca — um corpo pequeno e denso que esfria aos poucos depois de perder boa parte de sua massa original. Pesquisadores imaginavam que essa perda seria gradual, suave o bastante para manter as órbitas dos planetas intactas por um longo período.
O novo trabalho contraria essa visão: a perda de massa aconteceria de forma irregular, em episódios aleatórios que mexeriam bruscamente com a força gravitacional do sistema. Saturno, Urano, Netuno e os demais corpos celestes ficariam sujeitos a mudanças repentinas de trajetória, com risco elevado de colisões e dispersões.
Caos que começa antes do previsto
As simulações feitas pela equipe mostram algo ainda mais inesperado: a desordem orbital pode começar antes mesmo de o Sol virar uma anã branca, já na fase de gigante vermelha. Em 40% dos cenários simulados, corpos do sistema foram destruídos ou lançados para fora de órbita nessa etapa anterior.
O estudo descreve situações em que Saturno é ejetado em poucos milhões de anos, enquanto Urano e Netuno trocam de posição entre si. Os periélios — ponto da órbita mais próximo da estrela — chegariam a ser empurrados para dentro da trajetória de Júpiter, alterando por completo o arranjo que conhecemos hoje.
Terra não sofrerá as consequências
Apesar da magnitude das mudanças descritas, a descoberta não representa ameaça direta à humanidade. As condições que tornam a Terra habitável devem se perder por outros motivos muito antes de qualquer colapso gravitacional atingir o restante do sistema.
O intervalo entre a perda de habitabilidade do planeta e a desintegração orbital projetada pelos pesquisadores é tão vasto que torna o cenário mais um capítulo da física estelar do que um risco concreto. Ainda assim, a pesquisa reescreve parte do que se sabia sobre o futuro distante da vizinhança cósmica da Terra.
O sacrifício do quinto planeta que salvou a Terra
Nos primeiros 600 milhões de anos do Sistema Solar, tudo era caos. Havia cinco planetas gigantes, não quatro como hoje, e eles se chocavam gravitacionalmente, empurrando uns aos outros e aos corpos menores. Nesse processo violento, Júpiter "saltou" de uma órbita para outra, e essa mudança drástica acabou expulsando um dos planetas gigantes para o espaço interestelar. Esse planeta perdido tinha tamanho parecido com o de Urano ou Netuno.
O curioso é que essa expulsão funcionou como proteção. Se Júpiter tivesse mudado de órbita sem esse "sacrifício", sua gravidade teria perturbado tanto os planetas rochosos internos que a Terra, Marte e Vênus colidiriam entre si. A descoberta de que muitos planetas fluem sozinhos pelo espaço entre as estrelas sugere que perder um planeta dessa forma não é raro — é um processo comum na formação de sistemas planetários.

