Boa ou má notícia?

Enquanto desemprego cai ao menor nível desde 2012 no Brasil, 5 milhões de robôs trabalham no mundo

O Brasil registrou sua menor taxa de desemprego para agosto

O Brasil registrou sua menor taxa de desemprego para agosto desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2012. Entre junho e agosto, 5,3% da força de trabalho estava desocupada, queda de 0,3% em relação ao trimestre anterior. O contingente de ocupados atingiu um novo recorde, de 103,5 milhões de pessoas.

O crescimento concentrou-se em setores específicos como construção e indústria, sinalizando recuperação seletiva do mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, dados do Banco Central revelam tensão: a inadimplência no crédito subiu para 5% em agosto. O patamar mais alto desde março de 2011, refletindo o peso das taxas de juros elevadas sobre a capacidade de pagamento das famílias.

Emprego formal bate recorde enquanto informalidade se mantém

Os vínculos formais no setor privado atingiram 39,5 milhões de trabalhadores — o maior número já registrado. Paralelamente, o contingente informal permaneceu em 26,1 milhões de autônomos e 5,5 milhões de domésticos. A informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, ante 37,3% no trimestre anterior.

A força de trabalho — ocupados mais desocupados — chegou a 109,3 milhões, alta de 0,5% no trimestre e 0,7% no ano. Essa expansão aponta para maior participação das pessoas no mercado, mesmo em um cenário em que a inadimplência sinaliza dificuldades de endividamento entre famílias e pequenos negócios.

Automação global avança enquanto Brasil cria postos

Enquanto o mercado nacional aquece, a transformação tecnológica acelera globalmente. Mais de 5 milhões de robôs industriais estão em operação em ambientes de trabalho ao redor do mundo, conforme dados da Federação Internacional de Robótica. O estoque cresceu 9% em 2025, refletindo ritmo acelerado de automação nas principais economias.

A China lidera essa transformação, com 59% das novas instalações de robôs no mundo em 2025. No Brasil, quase 4.300 robôs foram instalados no mesmo ano, um aumento de 38% impulsionado principalmente pela indústria automotiva. A tendência sinaliza que, enquanto o país cria empregos em setores tradicionais, a adoção de máquinas autônomas molda o futuro da produção em escala global.

O contraste entre crescimento local e transformação estrutural

A redução do desemprego brasileiro contrasta com desafios emergentes: humanoides e sistemas autônomos seguem em desenvolvimento para funções específicas, ainda enfrentando limitações em tarefas do mundo real. Projeções indicam expansão significativa dessa tecnologia nos próximos anos, com implicações diretas para mercados de trabalho em diferentes economias.

A queda do desemprego em agosto reflete um dinamismo setorial concentrado em construção e indústria, enquanto a inadimplência crescente demonstra fragilidade na base de renda das famílias. Ao mesmo tempo, a automação global continua seu avanço acelerado, sugerindo que flutuações trimestrais no emprego convivem com transformação mais profunda nas competências demandadas pelo mercado de trabalho.

Vida isolada

Alto Calilegua é um pequeno povoado perdido nas montanhas de Jujuy, na Argentina, onde apenas duas p

Eles vivem a 3.000 metros de altitude.

05/10/2026 18h12

capa (93)

capa (93) Foto: anastasija/Pexels

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Alto Calilegua é um pequeno povoado perdido nas montanhas de Jujuy, na Argentina, onde apenas duas pessoas escolheram fazer suas vidas. Betty e Tito vivem a 3.000 metros de altitude nas Yungas jujeñas, transformando este lugar praticamente abandonado em um refúgio único no mundo.

O casal recebe os poucos visitantes corajosos o suficiente para chegar lá com mates e pão caseiro, tornando a chegada um momento genuíno de humanidade em meio à vastidão montanhosa. O isolamento geográfico e a falta de conectividade determinaram o esvaziamento progressivo do pueblo ao longo dos anos.

A distância de centros urbanos, a ausência de serviços básicos e a escassez de oportunidades de trabalho forçaram a maioria dos habitantes a partir em busca de melhor qualidade de vida. Betty e Tito foram a exceção notável, preferindo manter suas raízes no lugar onde decidiram envelhecer juntos.

Uma jornada de 18 quilômetros até o topo

Chegar a Alto Calilegua não é tarefa para qualquer um. A trilha começa em San Francisco, localidade a 1.500 metros de altitude, e segue por uma montanha durante 18 quilômetros — trajeto que leva várias horas a pé ou a cavalo. Recomenda-se sempre ir acompanhado de um guia experiente que conheça bem a zona para evitar contratempos na caminhada.

O esforço compensa quando o viajante finalmente chega ao topo: uma pradaria de altura cercada pelas montanhas das Yungas. Com o Cerro Hermoso próximo e nuvens baixas que transformam a paisagem em um cenário cinematográfico. Essa beleza natural é o primeiro impacto de quem consegue resistir às horas de trilha e constitui parte importante da identidade visual do pueblo.

A aldeia vazia e seus tesouros silenciosos

Aproximadamente 25 casarões de adobe permanecem espalhados pela montanha, muitos deles abandonados e entregues ao tempo. Além das residências vazias, Alto Calilegua ainda conta com uma escola, uma sala médica, uma igreja. E um moinho comunitário — estruturas que funcionam como testemunhas silenciosas de uma época em que o lugar fervilhava de vida comunitária.

Alto Calilegua representa um caso extremo de esvaziamento rural, porém também um símbolo de resistência através da presença constante de Betty e Tito.

Um destino sem infraestrutura turística convencional

Alto Calilegua não é um centro turístico tradicional com hospedagens e restaurantes estruturados. Visitantes precisam chegar completamente preparados com tudo que necessitam, pois carecem de serviços básicos e não há comércio funcionando no pueblo. A experiência é pura, rústica e completamente dependente da disposição do viajante em abraçar o desconforto moderno.

Aqueles que conseguem fazer a trilha e permanecer algumas horas encontram em Betty e Tito anfitriões autênticos, pessoas que escolheram a montanha sobre qualquer comodidade. Sua presença transforma Alto Calilegua de ruína esquecida em destino vivo, prova de que algumas pessoas conseguem encontrar sentido em lugares que o resto do mundo abandonou.

Ciência

Filhos de pais divorciados têm 41% mais chance de ter uma doença que afeta 11,7 milhões no Brasil

O divórcio em si pode não ser o principal culpado.

05/10/2026 17h49

Foto: Aniekan umoren/Pexels

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Crianças cujos pais se divorciaram apresentam maior risco de desenvolver depressão na vida adulta, mas o divórcio em si pode não ser o principal culpado dessa associação. Um estudo publicado na revista Psychiatry Research com mais de 128 mil adultos dos Estados Unidos mostrou que problemas de saúde mental.

E uso de substâncias no ambiente familiar explicam boa parte dessa relação.

Na análise inicial, adultos que passaram pelo divórcio dos pais antes dos 18 anos tiveram 41% mais chance de relatar depressão ao longo da vida do que aqueles que cresceram com pais casados. A taxa foi de 19,2% no primeiro grupo e de 14,1% no segundo, segundo o estudo.

O contexto familiar importa mais que a separação

A diferença entre os grupos diminuiu quando os pesquisadores levaram em conta outras condições do ambiente familiar. Mais de um em cada cinco filhos de pais divorciados relataram que um dos pais tinha transtorno mental, em comparação com um em cada dez filhos de casais que permaneceram juntos.

Problemas com substâncias também foram mais frequentes: 35% entre filhos de divorciados contra 15% no outro grupo.

Arthur Vaciloto, psicólogo do Espaço Einstein de Bem-Estar e Saúde Mental, explica que a separação não é irrelevante para os filhos, mas que o ambiente em que ela ocorre faz toda a diferença. Segundo ele, fatores como instabilidade e insegurança afetam mais a saúde mental infantil do que o divórcio propriamente dito.

Como o divórcio é conduzido faz diferença

Em casais que vivem em constante conflito, a separação pode representar alívio para a criança, porque as brigas deixam de acontecer sob o mesmo teto. A separação formal raramente começa naquele momento: geralmente é a formalização de uma dinâmica que vinha piorando havia algum tempo.

Quando os pais mantêm discussões frequentes, permanecer juntos não protege necessariamente a criança. A exposição constante aos conflitos aumenta o estresse e ensina padrões inadequados de lidar com problemas. Vaciloto alerta que as crianças podem normalizar a violência verbal ou física ao observá-la repetidamente nas figuras de referência, reproduzindo depois esses comportamentos na escola e em outros contextos.

Impacto varia conforme a idade

O efeito da separação depende da fase do desenvolvimento da criança e de sua capacidade de compreender o que acontece. Crianças menores podem apresentar irritabilidade e regressão de comportamentos já superados. Em outras idades, são comuns ansiedade de separação e mudanças de conduta.

A depressão afeta aproximadamente 11,7 milhões de brasileiros, representando 5,8% da população. A forma como os responsáveis conduzem a separação e lidam com conflitos pode ajudar a proteger os filhos dos impactos emocionais mais severos durante essa transição.

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