<p>Um vulcão no extremo oriente russo voltou a entrar em atividade após aproximadamente 500 anos de dormência. O Krasheninnikov, localizado na região de mesmo nome na Rússia, começou a expelir lava e detritos em julho de 2025, logo após um terremoto de magnitude 8.8 atingir o oceano próximo.</p>
<p>A agência espacial americana Nasa divulgou imagens de satélite na última quinta-feira (24) que documentam o fenômeno com detalhes inéditos. O registro reúne 17 capturas feitas pelo satélite Nisar entre dezembro de 2025 e meados de agosto, montadas em um vídeo que mostra a progressão da erupção como um time-lapse.</p><div class="bob-video" style="margin:18px 0"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/BwU0of7ae38" width="560" height="315" frameborder="0" loading="lazy" allowfullscreen="" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture"></iframe></div><p><br></p>
<h2>Como o satélite capturou a lava em movimento</h2>
<p>O satélite Nisar, desenvolvido em parceria entre a Nasa e a agência espacial indiana ISRO, funciona de forma diferente das câmeras tradicionais. Ele dispara micro-ondas contra o solo e registra o eco que retorna, capturando dados a cada 12 dias com precisão de vários metros mesmo sem luz visível.</p>
<p>Essa tecnologia, chamada de radar de abertura sintética, permitiu aos pesquisadores acompanhar a lava enchendo uma caldeira interna menor até transbordar para uma cratera maior do vulcão, onde o material se espalhou em formato de leque. As imagens são facilmente acessíveis por meio da nuvem, tornando possível o acompanhamento contínuo de fenômenos geológicos de qualquer lugar do planeta.</p>
<h2>O despertar de uma montanha adormecida</h2>
<p>O Krasheninnikov possui duas crateras ativas, sendo a do norte aquela que retomou a atividade vulcânica. A cratera norte passou a lançar rocha derretida e detritos em direção ao leste após o terremoto de magnitude 8.8 ocorrido a cerca de 240 quilômetros de distância. O terremoto, que ocorreu em julho de 2025, impulsionou o despertar do vulcão.</p>
<p>Terremotos de grande magnitude têm capacidade de alterar a pressão nas câmaras magmáticas profundas, podendo desencadear erupções em vulcões considerados extintos ou dormentes há longos períodos. No caso do Krasheninnikov, o monitoramento contínuo por satélite permitiu documentar cada etapa do processo desde o primeiro fluxo de lava até a formação do padrão final.</p>
<p>A fumaça da erupção atingiu mais de 6 quilômetros de altitude e se espalhou por pelo menos 75 quilômetros, demonstrando a magnitude do evento geológico.</p>
<h2>Vigilância global de vulcões ativos</h2>
<p>O satélite Nisar consegue cobrir de forma sistemática praticamente todos os cerca de 1,3 mil vulcões ativos acima do nível do mar existentes no planeta. Essa capacidade de monitoramento contínuo permite que pesquisadores identifiquem mudanças geológicas antes mesmo que elas sejam percebidas no solo, oferecendo oportunidades de alerta precoce para comunidades próximas.</p>
<p>O caso do vulcão russo demonstra como a tecnologia de sensoriamento remoto se tornou ferramenta essencial para compreender a dinâmica dos processos vulcânicos e suas conexões com eventos sísmicos. Cada imagem capturada pelo Nisar contribui para um retrato detalhado de como estruturas vulcânicas silenciosas por séculos podem ser reacesas por perturbações geológicas distantes.</p>


