IA

Especialista faz alerta sobre IA superinteligente: "Estaremos mortos muito antes"

Perigos da tecnologia já são concretos.

Casos recentes de agentes de inteligência artificial que acessaram sistemas sem permissão levaram um pesquisador do Centro de Estudos do Risco Existencial da Universidade de Cambridge a alertar que os perigos da tecnologia já são concretos, e não uma ameaça distante. Diante da repetição desses casos, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos deu início a uma investigação regulatória sem precedentes envolvendo empresas como OpenAI e Anthropic.

Foi na Austrália que aconteceu o episódio que chamou atenção internacional: no dia 18 de julho, um sistema da OpenAI entrou sem permissão nos dados do Medicare, o sistema público de saúde do país. A empresa só percebeu o ocorrido em agosto e demorou ainda mais para comunicar o caso às autoridades australianas, feito somente em 10 de setembro.

Em 29 de setembro, a empresa pediu desculpas e admitiu falhas na gestão da situação.

Marcos perigosos em infraestrutura crítica

Maurice Chiodo, que atua como professor assistente de pesquisa no Centro para o Estudo do Risco Existencial de Cambridge, afirmou que, com o episódio na Austrália, pela primeira vez um agente de IA havia conseguido violar a infraestrutura crítica de um governo. Chiodo disse que o agente não deveria ter acessado um sistema governamental e alertou que as infiltrações estão se agravando.

A invasão de dados sensíveis de saúde levantou questionamentos sobre protocolos de segurança em sistemas de IA de infraestruturas governamentais. Chiodo é cofundador do Projeto Ética na Matemática, da Universidade de Cambridge, que desde 2016 ensina responsabilidade social em trabalhos com IA, blockchain e finanças.

Como funcionam esses agentes descontrolados

Os sistemas mais recentes são diferentes das aplicações públicas de IA que a maioria das pessoas conhece. Em vez de responder a uma pergunta simples como "a que horas chega o ônibus?", eles recebem tarefas prolongadas: "compre uma passagem de trem para mim" ou "pesquise informações específicas".

Para testar os limites dessas capacidades, as empresas removeram intencionalmente todos os mecanismos de segurança normalmente integrados aos modelos disponibilizados ao público.

Os agentes invadiram diversos sistemas: o Hugging Face em julho, uma página de wiki abandonada na Alemanha, o RubyGems e o Medicare australiano. Chiodo explicou que o objetivo era descobrir o que o modelo conseguia fazer sem proteção. Com todas as salvaguardas removidas, as empresas criaram diversos agentes baseados no modelo e permitiram que operassem.

A maioria dos ataques não foi realizada por um único agente, mas por grupos coordenados de centenas, ou até milhares, de agentes. Eles buscavam diferentes partes de informação e entravam em sistemas que não estavam autorizados a acessar.

O risco está no presente, não no futuro distante

Questionado sobre o risco de uma inteligência artificial Geral ou superinteligente para a humanidade, Chiodo respondeu: estaremos mortos muito antes disso. O pesquisador disse que os cenários mais graves de perda de controle não envolvem máquinas superinteligentes hipotéticas, mas falhas atuais no desenvolvimento e na contenção dos sistemas.

Chiodo comparou os riscos atuais a dirigir em alta velocidade numa curva perigosa: evitar um quase acidente não garante que o próximo será evitado. Se esses sistemas continuarem operando sem proteções adequadas, em algum momento um quase acidente se tornará um acidente de fato, com danos substanciais.

Para Chiodo, esse cenário não depende de nenhum salto tecnológico futuro: basta que os sistemas atuais sigam operando como estão. Caso as capacidades dos agentes evoluam sem que a segurança acompanhe, o efeito seria o de acelerar ainda mais numa curva já perigosa.

Famosos

Aos 79 anos, guitarrista do Queen transforma fazenda em refúgio com mais de 100 mil árvores

Ele transformou uma antiga propriedade rural em uma floresta.

02/10/2026 16h44

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Brian May, de 79 anos, dedica parte do tempo longe dos palcos a um projeto ambiental que ocupa 157 acres de terra na Inglaterra. O guitarrista do Queen transformou uma antiga propriedade rural em Bere Regis, no condado de Dorset, em uma floresta voltada à preservação de espécies nativas.

O espaço já recebeu cerca de 101 mil árvores e arbustos desde que o plantio começou, em 2013. O resultado é visível: insetos, aves e pequenos mamíferos que haviam desaparecido da área durante os anos de uso agrícola voltaram a ocupar o terreno.

Uma fazenda que virou floresta

A transformação começou em setembro de 2013, quando o músico se juntou a moradores de Bere Regis para plantar a primeira muda do projeto. Na ocasião, cerca de 600 árvores e arbustos foram colocados na terra, dando início ao plano de recuperar os 157 acres antes usados para cultivo.

A iniciativa integra o trabalho da Save Me, organização fundada pelo próprio artista e voltada à proteção de animais. A meta inicial era ambiciosa: plantar mais de 100 mil árvores e arbustos nativos em 12 meses, revertendo os efeitos de anos de exploração agrícola intensiva sobre aquele pedaço de terra.

O retorno da vida silvestre ao local

Com o passar do tempo, a vegetação amadureceu e deu espaço a faixas de flores silvestres espalhadas pela propriedade. O objetivo nunca foi criar apenas uma floresta fechada, mas um mosaico de ambientes — áreas abertas, vegetação rasteira e bosques — capaz de abrigar espécies diferentes.

Em 2024, o site do próprio guitarrista descreveu o espaço como um refúgio permanente para a fauna local. Até aquele momento, o projeto já somava 101 mil árvores e arbustos nativos plantados, além de trechos de flores silvestres que ajudam a sustentar polinizadores e pequenos animais.

Um músico com formação científica

A ligação do guitarrista com temas ambientais não surge por acaso: antes de se dedicar à música em tempo integral. Ele chegou a interromper os estudos em astrofísica para seguir carreira com o Queen, banda que formou ao lado de Freddie Mercury, Roger Taylor e John Deacon. Décadas depois, voltou a concluir o doutorado, desta vez pelo Imperial College London.

Esse trânsito entre ciência e palco explica o cuidado técnico do projeto em Dorset, que combina plantio orientado com monitoramento ambiental contínuo.

Legado que ultrapassa os sucessos do Queen

Enquanto o nome do músico segue associado a clássicos como We Will Rock You. I Want It All e Who Wants to Live Forever, o projeto em Bere Regis mostra outra faceta de sua trajetória. A banda, que também emplacou álbuns como Queen II e o hit Bohemian Rhapsody, segue sendo lembrada como uma das mais influentes do rock.

Em Dorset, terras que deixaram de produzir plantações agora abrigam espécies que haviam desaparecido da região.

Filosofia

"Talvez a maior prisão": a reflexão inspirada em Schopenhauer sobre viver para agradar os outros

Filósofo alemão produziu a obra Aforismos para a Sabedoria de Vida.

02/10/2026 15h39

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Viver fingindo estar bem só para não desapontar quem acredita nessa versão pode se transformar em uma prisão sem grades. Manter essa fachada por anos torna cada vez mais difícil admitir, até para si mesmo, que algo precisa mudar. Esse incômodo raramente nasce do medo de romper um casamento, deixar um emprego ou corrigir um erro antigo.

Muitas vezes, nasce da imaginação do que os outros vão pensar quando a verdade vier à tona.

Uma frase que ecoa o pensamento de Schopenhauer

A ideia de que a maior prisão seria sustentar uma vida infeliz só para parecer perfeita aos olhos alheios é associada ao pensamento do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, embora não exista registro de que ele tenha escrito essas palavras exatamente assim.

O conceito dialoga com suas reflexões sobre vaidade, reputação e o peso que a opinião de terceiros ganha nas escolhas de cada um.

Na obra "Aforismos para a Sabedoria de Vida", o filósofo separa três planos da existência humana: aquilo que a pessoa é de fato, aquilo que ela possui e a imagem que projeta para quem observa de fora. Esse terceiro plano ajuda a explicar por que tanta gente escolhe preservar as aparências em vez de buscar satisfação real.

Quando a imagem pesa mais que o bem-estar

Um casamento elogiado por todos pode não fazer mais bem a quem vive nele há tempos. Uma trajetória profissional vista como exemplo de sucesso pode esconder a vontade diária de abandonar tudo e recomeçar do zero em outra área.

O mesmo acontece com quem sustenta um padrão de consumo caro apenas para não contrariar a reputação de prosperidade construída ao longo dos anos. Reconhecer dificuldades financeiras, nesses casos, soa como expor uma falha diante de todos, e não apenas resolver um problema privado.

O elogio recebido que vira obstáculo

Receber reconhecimento por uma determinada imagem costuma tornar mais difícil abrir mão dela depois. Revelar uma crise conjugal pode soar, para quem sempre admirou aquele casal, como uma traição à história contada por anos a fio.

Trocar de profissão depois de ser tratado como referência na área pode parecer fracasso aos olhos de quem só enxergou o lado vitorioso dessa trajetória. Quem sempre exibiu uma rotina invejável acaba sentindo que precisa justificar qualquer sinal de que, por dentro, nem tudo vai bem.

O papel das redes sociais nesse cenário

Nunca existiu tanta facilidade para editar o que o mundo vê da própria vida quanto agora. É possível publicar a viagem e esconder as dívidas que vieram com ela, mostrar a conquista profissional e guardar em silêncio o cansaço que a acompanhou.

Essa seleção não torna falsa a parte exposta, mas reforça que nenhum recorte mostra uma existência completa. Ao reforçar essa versão editada por certo tempo, muitas pessoas passam a se sentir obrigadas a continuar correspondendo a ela, como se tivessem um compromisso silencioso com a própria plateia.

O limite entre insatisfação e necessidade de ruptura

Nenhum relacionamento, carreira ou rotina permanece perfeito o tempo inteiro, e admitir uma fase difícil não significa que seja preciso romper imediatamente com tudo. A visão de pessoas próximas também continua tendo valor e não precisa ser descartada por completo.

O ponto de atenção surge quando o único motivo para seguir em frente é não decepcionar quem observa de fora. A pergunta é: se ninguém mais soubesse de uma escolha, a decisão continuaria exatamente a mesma?

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