Proibido interferir

Estudo faz alerta: interferência humana no clima da Terra pode ser muito difícil de reverter

Conclusão foi tirada de exames de bases científicas de uma decisão ambiental americana crucial

As pegadas digitais da atividade humana no clima terrestre estão agora impressas em evidências que vão muito além das temperaturas superficiais. Desde 2009, pesquisadores identificam sinais de aquecimento antropogênico em múltiplas partes do sistema climático, incluindo salinidade oceânica, cobertura de neve e atmosfera superior.

Este achado é central para um novo Estudo que examina as bases científicas de uma decisão ambiental americana crucial. Em 2009, a Agência de Proteção Ambiental concluiu que os gases de efeito estufa representam perigo à saúde pública.

Embora a agência tenha revertido essa conclusão em fevereiro de 2026, os autores da revisão científica afirmam que as evidências científicas apoiando a decisão original agora são consideravelmente mais robustas.

Como os cientistas identificam o aquecimento causado pelo homem

O método chamado impressão digital climática funciona comparando padrões específicos. O Sol, vulcões e gases de efeito estufa alterariam o clima de formas distintas, então os pesquisadores verificam qual padrão os dados reais demonstram.

O pesquisador Benjamin Santer, da Universidade de East Anglia, informou ao Earth que, se todo o aquecimento global desde 1850 viesse apenas de um aumento natural na energia solar, a atmosfera deveria aquecer do solo até 50 quilômetros de altitude.

A realidade, porém, segue padrão oposto, e a camada inferior da atmosfera aquece enquanto a estratosfera, acima dela, esfria. Esse resultado ocorre porque o dióxido de carbono extra retém mais calor na atmosfera baixa e ajuda a estratosfera a irradiar calor para o espaço. A perda de ozônio causada pela atividade humana, principal fonte do calor estratosférico, intensifica esse resfriamento.

Os cientistas Syukuro Manabe e Richard Wetherald previram esse padrão em 1967 com um modelo climático simples, muito antes de haver dados para testá-lo. Medições posteriores de balões meteorológicos e satélites confirmaram a previsão. E Manabe recebeu o Prêmio Nobel de Física em 2021 junto com Klaus Hasselmann, que desenvolveu os métodos para identificar essas impressões digitais.

 

Evidências que ultrapassam a temperatura superficial

Em 1995, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas concluiu, conforme informou o Earth, que o conjunto de evidências indicava uma influência humana discernível no clima global. Contudo, essa conclusão repousava sobre um número limitado de estudos, a maioria focando temperatura.

Conforme informou ao Earth, Santer destaca que essa situação mudou radicalmente: a afirmação de que os achados sobre influência humana formam uma casa de cartas baseada em poucos estudos de impressão digital talvez tivesse validade 30 anos atrás, mas não é válida agora.

Desde 2009, cientistas identificaram padrões de origem humana em mudanças na salinidade dos oceanos, na cobertura de neve do Hemisfério Norte, na cobertura de nuvens e na seca. Eles encontraram sinais nesses padrões também no tempo de escoamento de água em principais rios do oeste americano.

A atividade humana modificou ainda o ciclo anual das estações, alteração que pesquisadores detectaram na atmosfera inferior, na superfície do mar e nas águas oceânicas.

Escolha crucial

O que diz a psicologia sobre pais que dão o próprio nome aos filhos

Essa decisão costuma carregar também desejos e frustrações pessoais de quem escolhe o nome

13/10/2026 09h14

Foto: Sarah Chai/Pexels

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Batizar um filho recém-nascido com o mesmo nome do pai ou da mãe é uma prática difundida em diferentes culturas, geralmente associada à vontade de perpetuar a história familiar. No entanto, especialistas em psicologia apontam que essa decisão costuma carregar também desejos e frustrações pessoais de quem escolhe o nome.

Ao repetir o próprio nome no filho, o adulto projeta nele a chance de corrigir os próprios erros e de alcançar o que não conseguiu em sua trajetória, segundo a psicóloga Mayte Helguera. A criança pode crescer com a missão implícita de corrigir falhas alheias. Embora nasça de boa intenção, essa expectativa transforma a infância em um projeto de reparação.

O peso de uma identidade herdada

Quando cresce sob esse peso simbólico, a criança corre o risco de deixar de lado os próprios interesses para satisfazer um roteiro que não escreveu. A busca por aprovação acaba pesando mais do que a descoberta de vocações e gostos próprios. Com isso, a construção de uma trajetória individual fica em segundo plano.

O psicólogo Juan Eduardo Tesone, autor de um livro sobre os rastros do nome próprio na construção da identidade, segundo o que disse ao O Globo, defende que o nome funciona como uma marca simbólica de identidade. Por isso, quando pai e filho compartilham o mesmo nome, os limites entre as duas identidades podem se misturar, gerando dificuldade para a criança reconhecer quem ela é para além da figura do adulto.

Essa sobreposição de papéis costuma gerar frustração quando as expectativas depositadas não se concretizam como esperado, e também pode afetar a autoestima durante os anos formativos.

Caminhos para preservar a individualidade

Especialistas em psicologia recomendam evitar repetir o nome dos pais. A escolha pode ajudar o desenvolvimento emocional a seguir sem comparações constantes entre pais e filhos.

Dar espaço para que a criança construa uma trajetória distinta, sem carregar o peso simbólico do mesmo nome, favorece uma identidade mais sólida desde os primeiros anos de vida.

Quando nomes parecidos não prejudicam a individualidade

Escolher nomes com a mesma inicial ou que rimam entre irmãos não prejudica automaticamente a construção da identidade das crianças. Especialistas apontam que a semelhança entre os nomes, por si só, não determina como os pais enxergam ou tratam a individualidade de cada filho.

Uma família pode escolher nomes muito parecidos e, ao mesmo tempo, reconhecer profundamente as diferenças entre os irmãos. O que importa é como a família se relaciona: se a criança é frequentemente comparada aos irmãos ou tratada como se fosse igual a eles. Ou se, apesar dos nomes parecidos, cada filho recebe espaço para desenvolver a própria personalidade.

A confusão ocasional de chamar uma criança pelo nome do irmão é apenas uma falha de linguagem e não indica, necessariamente, que os pais não reconheçam a identidade única de cada filho. Outros fatores, como gênero, aparência ou idade semelhante, podem contribuir mais para essas confusões do que o nome em si.

Repercussão

Terremoto revela algo inesperado sobre o interior da Terra e muda o que cientistas sabiam

Tremor modificou para sempre o que a ciência sabia sobre estrutura do planeta

13/10/2026 09h01

Imagem gerada por inteligência artificial

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Há 117 anos, um tremor sísmico nos Bálcãs revelou uma fronteira oculta sob a superfície terrestre e modificou para sempre o que a ciência sabia sobre a estrutura interna do nosso planeta.

O evento, registrado em 8 de outubro de 1909 na região do vale do rio Kupa, próximo à atual Croácia, se tornou uma chave para desvendar os mistérios das profundezas. Investigar as camadas profundas representa um dos maiores desafios da ciência moderna.

Enquanto naves espaciais já ultrapassaram os limites do Sistema Solar, as escavações mais profundas realizadas pela humanidade atingiram apenas pouco mais de 12 km na crosta terrestre.

Sem acesso direto às regiões mais distantes, pesquisadores dependem de técnicas indiretas — especialmente da análise de ondas sísmicas — para mapear estruturas localizadas a dezenas, centenas ou até milhares de quilômetros abaixo da superfície.

As camadas do mundo em que vivemos

O interior do nosso mundo funciona como um ovo cozido, a casca fina corresponde à crosta, a clara representa o denso manto, e a gema é o núcleo, localizado a mais de seis mil quilômetros de profundidade. Essa comparação simples ilustra como o planeta está dividido em regiões com propriedades e composições completamente diferentes.

Quando o cientista croata Andrija Mohorovičić analisou o terremoto de 1909, observou algo extraordinário nas ondas sísmicas geradas pelo tremor: elas aceleravam de forma abrupta quando atingiam uma profundidade específica no subsolo. Essa aceleração inesperada marcava a passagem de uma camada para outra — a fronteira entre a crosta e o manto.

A descoberta recebeu o nome de Descontinuidade de Mohorovičić, embora os cientistas a chamem simplesmente de Moho.

Uma ferramenta para explorar o invisível

Para o físico e astrofísico Thiago Maia, especialista em fenômenos naturais e integrante da Declaração Climática Mundial no Brasil. O achado revolucionou a geofísica ao demonstrar que tremores funcionavam como ferramenta de investigação indireta do subsolo.

A descoberta da Moho revelou, conforme Maia explicou ao Olhar Digital, camadas internas da Terra com propriedades distintas. Especialmente uma mudança marcante entre a crosta e o manto, abrindo caminhos para estudar o interior do planeta sem precisar perfurá-lo.

A diferença detectada nas ondas sísmicas revelava mudanças de densidade entre as camadas. A maioria dos pesquisadores atribui essa alteração na velocidade das ondas à transição entre tipos de rocha: a crosta, formada por materiais distintos do manto mais denso e rico em peridotito.

Conforme informou Maia, a profundidade dessa descontinuidade varia conforme a localização geográfica: sob os oceanos, situa-se a aproximadamente 6 km de distância, enquanto sob continentes essa espessura alcança até 35 quilômetros.

O que permanece desconhecido após 100 anos

Mais de 100 anos após a descoberta inicial, essa fronteira invisível continua sendo essencial para entender como o nosso mundo funciona internamente.

A importância da Moho reside no fato de que, apesar de a humanidade nunca ter perfurado diretamente até o manto em seu estado natural. As ondas sísmicas geradas por terremotos atravessam o planeta inteiro, permitindo mapear estruturas internas invisíveis aos nossos olhos.

Maia ressalva, porém, que a Moho não deve ser entendida simplesmente como uma parede física perfeitamente definida. Ao atravessar camadas internas com propriedades distintas, as ondas sísmicas revelam uma descontinuidade que a caracteriza fundamentalmente.

Aquele tremor de 1909, um evento potencialmente destrutivo, tornou-se ferramenta de conhecimento — demonstrando como a natureza, em seus fenômenos mais violentos, pode revelar os maiores segredos da estrutura terrestre.

Por que as ondas sísmicas mudam de velocidade na Moho

Quando uma onda sísmica viaja pelo interior da Terra, ela se comporta como a luz passando por materiais diferentes — muda de velocidade dependendo do que atravessa. Na Moho, essa mudança é brusca porque marca a transição entre dois tipos de rocha com densidades completamente distintas. A crosta, camada superior, é formada por rochas mais leves. Já o manto, logo abaixo, é composto por rochas muito mais densas e ricas em minerais como peridotito, olivina e piroxênios. Essa diferença de densidade faz as ondas acelerarem de forma repentina quando passam de uma camada para a outra — é como se entrassem em um material mais compacto e "denso demais" para atravessar na mesma velocidade anterior.

O que a descoberta da Moho significa para nosso conhecimento do planeta

A Moho transformou a geofísica porque provou que não precisamos perfurar o planeta para conhecê-lo. Antes dessa descoberta, os cientistas tinham pouca certeza sobre o que existia abaixo de alguns quilômetros de profundidade. Agora, usando terremotos como ferramentas naturais de investigação, conseguimos mapear estruturas a dezenas, centenas e até milhares de quilômetros de distância. Isso significa que a gente pode estudar o interior da Terra de forma indireta, usando apenas os dados que as ondas sísmicas nos trazem — sem precisar de máquinas perfurando o solo durante décadas.

Quando a Moho não funciona como uma parede bem definida

Muitas pessoas imaginam a Moho como uma fronteira perfeita, uma linha clara separando duas camadas distintas — algo como uma parede em uma casa. Mas a realidade é mais complexa. A Moho não é uma camada física sólida com espessura uniforme. Sua profundidade varia bastante conforme a localização geográfica: nos oceanos fica próxima a apenas 6 quilômetros da superfície, enquanto sob os continentes pode atingir até 35 quilômetros, e sob cordilheiras chega a 70 quilômetros. Além disso, a transição entre a crosta e o manto não acontece instantaneamente — é mais uma zona de mudança onde as propriedades das rochas vão se alterando gradualmente. O que define a Moho é justamente esse comportamento que as ondas sísmicas revelam, e não uma estrutura física bem demarcada.

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