Alerta espacial

Forte explosão no Sol é confirmada e tempestade solar pode chegar à Terra hoje (2)

Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos alertou sobre fenômeno

Uma ejeção de massa coronal registrada no Sol no dia 28 de setembro deve provocar uma tempestade geomagnética classificada como G1 ao chegar à Terra nesta sexta-feira (2), de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

Operações de satélite e redes de energia podem registrar oscilações pontuais, especialmente perto dos polos, mas nada que deva alterar a rotina de quem está no Brasil. O fenômeno surge do encontro entre o campo magnético terrestre e o plasma com partículas carregadas que o Sol projeta para o espaço.

A chegada do material solar acumulado desde 28 de setembro ocorre após dois dias de estabilidade geomagnética, em 30 de setembro e 1º de outubro.

Como se forma uma tempestade geomagnética

A ejeção de massa coronal envia plasma e partículas carregadas através do espaço até colidir com o campo magnético terrestre. Essa fricção gera as tempestades geomagnéticas, cuja intensidade varia conforme a quantidade de material ejetado e a direção da trajetória. A escala de classificação da NOAA vai de G1, a mais leve, até G5, a mais severa.

Nesta sexta-feira, o evento alcançará apenas o nível G1, o patamar mais baixo da escala. Isso significa que pequenas variações em operações de satélite e leves oscilações em redes elétricas são as consequências possíveis, concentradas sobretudo em regiões de latitude elevada.

Alterações na atmosfera superior também podem fazer satélites em órbita baixa perder altitude mais rapidamente, e esse fenômeno é conhecido como arrasto atmosférico.

Diferença entre este episódio e o de agosto

O aviso emitido no fim de agosto não tem ligação com o episódio desta sexta-feira: uma explosão solar de classe M6.9, ocorrida em 25 de agosto, motivou previsões de atividade geomagnética que já chegaram ao fim. A ejeção de massa coronal de 28 de setembro constitui um fenômeno distinto, tanto em origem quanto em cronograma.

O que não deve acontecer no Brasil

Ao contrário do que circula em redes sociais, a tempestade G1 não causará interrupções generalizadas de celulares ou internet no país. O serviço de GPS pode registrar interferências pontuais, mas elas se concentram principalmente em regiões próximas aos polos. Sistemas de Posicionamento em altas latitudes são os mais vulneráveis a perturbações durante eventos dessa magnitude.

Para o período entre 30 de setembro e 2 de outubro, a NOAA estima em 10% a chance diária de surgirem apagões de rádio nos patamares R1 e R2, enquanto a probabilidade de uma tempestade de radiação solar igual ou superior a S1 cai para 1%.

Esses cortes de sinal de rádio ocorrem quando a radiação liberada por uma explosão solar atinge diretamente a Terra. Esse processo é distinto do que causa o evento de sexta-feira. Para o nível G1 previsto, a avaliação da NOAA não indica apagão generalizado de rede.

Contexto: tempestades de maior magnitude

Em tempestades geomagnéticas de nível moderado ou superior, sistemas de energia em altas latitudes podem ter transformadores danificados. Auroras boreais também podem se tornar visíveis em estados americanos bem mais ao sul do que o comum, alcançando regiões como Nova York e Pensilvânia se a intensidade do evento aumentasse.

Nesta sexta-feira, porém, o nível G1 mantém os efeitos restritos às altas latitudes, sem consequências generalizadas para infraestruturas urbanas do hemisfério norte.

Astronomia

NASA encontra em Madagascar um "pedaço da Lua" de 100 km² escondido na Terra

Fotografia captada da Estação Espacial Internacional.

08/10/2026 16h00

Foto: Zelch Csaba/Pexels

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Uma fotografia captada da Estação Espacial Internacional revelou, no sul árido de Madagascar, um círculo de rocha clara que chamou a atenção da NASA. O brilho intenso da formação contrasta com o terreno circundante, lembra regiões observadas na Lua e preserva evidências de processos geológicos ocorridos centenas de milhões de anos atrás.

A estrutura é o maciço de anortosita de Saririaky, com aproximadamente 100 quilômetros quadrados de superfície. A anortosita é uma rocha ígnea intrusiva, formada quando o magma esfria sob a superfície terrestre e desenvolve grandes cristais minerais.

Uma herança do supercontinente antigo

Os cientistas determinaram que o maciço se originou no Precámbrico tardio, há pelo menos 600 milhões de anos, antes de Madagascar adquirir sua configuração geográfica atual. As rochas ao redor de Saririaky registram um episódio intenso da evolução geológica da região, marcado por deformações causadas por pressões e temperaturas elevadas.

A deformação deixou no terreno padrões lineares orientados de norte a sul, sinais das forças intensas que atuaram quando diferentes blocos continentais começaram a convergir. Os geólogos associam essas alterações às colisões entre blocos continentais que hoje integram África, Índia, Madagascar, Austrália e Antártida, durante a formação do supercontinente Gondwana.

Conexão com a superfície lunar

A comparação com a Lua vai além da aparência visual. A anortosita também é uma rocha comum na superfície lunar e integra as zonas claras e refletivas conhecidas como terras altas lunares.

Afloramentos similares aparecem desde o leste do Canadá e da Escandinávia até o sul da Índia, tornando essas formações terrestres referências valiosas para compreender materiais fundamentais nos primeiros momentos da história lunar.

As anortositas lunares têm mais de 4 bilhões de anos e cristalizaram a partir do antigo oceano de magma lunar até integrar sua crosta exterior. Embora cientistas tenham estudado amostras coletadas pelos astronautas do programa Apolo, esse material é limitado, razão pela qual recorrem a equivalentes terrestres para aprofundar o conhecimento sobre o passado do satélite.

Fragmentação e estrutura em grande escala

O estiramento e a quebra de materiais submetidos a tensões intensas geraram uma estrutura em larga escala conhecida como boudinage. A descoberta reforça a importância de estudar formações geológicas terrestres para compreender tanto a história do planeta quanto os mecanismos que moldaram nosso satélite natural ao longo de bilhões de anos.

Filosofia

Bertrand Russell: "Cientistas tornam o impossível possível. Políticos tornam o possível impossível"

Filósofo britânico veceu o Prêmio Nobel.

08/10/2026 15h04

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Bertrand Russell, filósofo britânico laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1950, afirmou que os cientistas se esforçam para tornar possível o impossível, enquanto os políticos se esforçam para tornar impossível o possível. A reflexão continua provocando debate sobre como o conhecimento e o poder são utilizados.

A frase contrapõe duas visões sobre o progresso humano e a capacidade de transformação. Russell distingue quem trabalha para ampliar as possibilidades humanas de quem, a partir das instituições, pode limitá-las. Enquanto a ciência busca respostas para problemas que pareciam insolúveis, a política nem sempre converte essas oportunidades em melhorias concretas para a sociedade.

Duas formas de entender o progresso

A distinção que Russell propõe apresenta dois caminhos opostos diante dos desafios. De um lado estão os cientistas, movidos pela curiosidade e pelo questionamento dos limites estabelecidos, que buscam novas soluções para o que parecia impossível.

Do outro lado, quem exerce o poder precisa tomar decisões que afetam toda a sociedade. Seus interesses e prioridades, porém, podem bloquear o que já é tecnicamente viável.

A reflexão não precisa ser interpretada como rejeição absoluta aos políticos, mas como crítica às decisões que transformam o simples em complicado. Dispor dos meios necessários para resolver um problema não garante vontade de implementar a solução. Russell convida a questionar se os maiores obstáculos para avançar são realmente as limitações intrínsecas ou as barreiras que o próprio sistema constrói.

Conhecimento e responsabilidade coletiva

O raciocínio de Russell aponta também para a responsabilidade que acompanha o conhecimento adquirido. A ciência pode abrir novos caminhos, mas depende de decisões coletivas para transformar suas descobertas em bem-estar.

Para Russell, o verdadeiro progresso não consiste apenas em conquistar o que antes parecia inalcançável, mas também em evitar que as próprias escolhas impeçam o uso do que já está ao alcance.

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