Literatura

Gabriel García Márquez: Nas cidades não nos matam com tiros, e sim com decretos

Frase marcante vem de "O Amor nos Tempos do Cólera"

As bibliotecas públicas de Poços de Caldas indicam a leitura de O Amor nos Tempos do Cólera, de Gabriel García Márquez. A indicação faz parte da divulgação semanal do perfil @bibliotecaspublicasdepocos no Instagram e busca aproximar a comunidade do acervo disponível nos três espaços da cidade, além de incentivar novos leitores.

O romance nasceu de uma história real vivida pelos pais do escritor. Gabriel Elígio García, telegrafista, violinista e poeta, apaixonou-se por Luiza Márquez ainda jovem. O coronel Nicolas, pai da moça, tentou separar o casal ao enviar a filha para o interior durante um ano.

Para manter o contato com a amada, Gabriel recorreu a amigos telegrafistas e montou uma rede que levava mensagens até onde Luiza estivesse. Esse episódio de resistência amorosa serviu de inspiração direta para a trama que acompanha Florentino Ariza e Fermina Daza.

Uma obra marcada por acontecimentos históricos

García Márquez começou a escrever o livro em 1984, em Cartagena das Índias, logo depois do ano sabático que tirou após receber o Prêmio Nobel.

Durante esse período, reuniu fatos históricos que dariam corpo à narrativa, como a epidemia de cólera que atingiu a cidade no fim do século 19 e o naufrágio do galeão espanhol San Jose, carregado de joias.

A combinação de fato histórico e ficção é uma característica da obra de García Márquez, conhecido mundialmente como mestre do realismo fantástico latino-americano. O livro vai além da história de amor: explora a profundidade da paixão ao longo do tempo, com cartas perfumadas e pétalas de flores prensadas entre as páginas.

 

A trajetória de Gabo até o Nobel

Nascido em 1927 na aldeia de Aracataca, perto de Barranquilla, na Colômbia, Gabriel García Márquez ficou conhecido pelo apelido de Gabo. Sua carreira no jornalismo começou em 1949, e ele passou por diversos veículos e cidades e foi correspondente internacional do jornal El Espectador em Nova York.

Esse material jornalístico foi depois reunido e publicado em 5 volumes, registro de décadas de trabalho na imprensa.

A consagração veio pela ficção, e em 1982, García Márquez recebeu o Prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto de sua obra. Esse reconhecimento influenciou a própria gênese de O Amor nos Tempos do Cólera. O escritor morreu em 2014, e sua obra marcou a literatura do século 20.

Como acessar o livro nas bibliotecas

O exemplar está disponível para empréstimo nas três unidades públicas municipais. A Biblioteca Centenário fica na Praça Getúlio Vargas, sem número, no prédio da Urca, e funciona das 8h às 17h30, e o contato é pelo WhatsApp, no telefone 3.697-2.375.

A Biblioteca Júlio Bonazzi fica na Praça Tiradentes, 621, próxima à Fonte do Monjolinho, e funciona das 8h às 17h30, e o contato é pelo número 3.697-2.198.

A unidade da Cohab, que leva o nome de Manuel Francisco Costa Guimarães, fica na Rua Álvaro Quinteiro Junior, 345, e funciona das 7h às 15h. O contato é pelo telefone 3.697-2.074.

A indicação semanal busca ampliar a visitação aos três espaços e democratizar o acesso ao acervo bibliográfico da cidade, além de incentivar o livro, a leitura e a literatura.

Quanto tempo Florentino esperou por Fermina antes de conseguir ficar com ela?

Florentino esperou 53 anos, quase sem contato com Fermina, e os dois trocaram cartas durante apenas dois anos, no início do romance, quando eram jovens, mas o pai dela impôs a separação. Durante décadas, Florentino permaneceu na cidade enquanto Fermina se casava com Juvenal, com quem teve um relacionamento de 51 anos.

Só depois da morte do marido Fermina voltou a ter contato com Florentino, e os dois finalmente ficaram juntos. Ao todo, a procura durou 51 anos, nove meses e 4 dias.

Por que o romance é estruturado como um triângulo amoroso que se estende por décadas

O triângulo funciona na narrativa porque Florentino nunca abandona sua busca, enquanto Fermina segue com a própria vida. A separação inicial, forçada pela intervenção do pai, interrompe o contato entre os dois, mas não apaga o sentimento de Florentino. Fermina aceita se casar com Juvenal — não por amor, mas por ser "a pessoa certa" aos olhos da família.

Durante os 51 anos de casamento, ela mantém uma vida segura e socialmente aceitável. Florentino, por sua vez, permanece preso ao sonho da moça que rejeitou seu pedido de casamento quando ele retornou à cidade. Assim, o livro cria sua tensão central: dois destinos que poderiam ter sido um só, separados pelas convenções sociais e pela vontade de terceiros.

Amor e sofrimento

Miguel de Unamuno: "Não há felicidade maior do que amar aquilo que nos faz sofrer"

Escritor e filósofo resgatou o pensamento de compreensão sobre o sofrimento e o compromisso sincero

03/11/2026 06h44

Imagem: Agence Meurisse/Wikimedia Commons

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Numa sociedade obcecada pelo conforto imediato, resgatar o pensamento clássico permite compreender que o sofrimento e o compromisso sincero são elementos indispensáveis para alcançar uma plenitude real e duradoura. A obsessão por eliminar qualquer incômodo da rotina nos afasta daquilo que verdadeiramente nos importa e nos transforma.

Vivemos convencidos de que uma existência plena significa construir um mundo blindado contra o desconforto, evitando os obstáculos e fugindo de tudo que ameace nossa segurança. Porém, ao tentar remover cada pequena fissura da realidade, perdemos a verdadeira intensidade daquilo que experimentamos e corremos o risco de nos desconectar do solo firme da vida.

O preço do compromisso sincero

Tudo aquilo que nos apaixona — uma meta profissional, um compromisso genuíno ou uma relação significativa — exige uma entrega marcada pela incerteza e por momentos difíceis. Ao recusar o risco para evitar o sofrimento, caímos numa satisfação superficial que se assemelha mais ao entretenimento passageiro do que ao bem-estar autêntico.

Essa obsessão pelo conforto permanente não apenas torna a rotina mais monótona, mas também dilui o valor dos projetos e dos vínculos que realmente nos transformam. A busca incessante pela segurança deixa a experiência vazia de significado e a reduz a um processo sem importância.

 

Unamuno e a fragilidade como caminho

Miguel de Unamuno, nascido em Bilbao em 1864, foi catedrático de Grego e reitor da Universidade de Salamanca. Tornou-se uma figura central da Geração de 98 ao analisar a crise de identidade espanhola e a existência humana.

Em ensaios como Do sentimento trágico da vida, o intelectual basco advertia que enfrentar a dificuldade não é uma barreira, mas um caminho para compreender o mundo com maior lucidez.

Sua visão desafia a crença moderna de que a plenitude reside na remoção do incômodo, sugerindo que o valor pode emergir justamente daquilo que nos desafia.

Abraçar a fragilidade como via para a autenticidade

Unamuno disse: "Não há felicidade maior do que amar aquilo que nos faz sofrer". A frase revela que aquilo que gera inquietação costuma coincidir com o que mais nos importa.

Quando aceitamos que tudo valioso é frágil e tem data de vencimento, a experiência deixa de ser um processo sem peso e se torna muito mais intensa.

Aceitar que o compromisso traz contradições não significa buscar amargura de forma gratuita, mas conferir sentido profundo ao caminho percorrido. A filosofia de Unamuno convida a enxergar as sombras como componente inseparável do amor e da própria existência. Quem tenta se imunizar contra as quedas termina se afastando da capacidade real de se envolver com o que o rodeia.

A plenitude além do conforto

A verdadeira plenitude não consiste em evitar as feridas da vida, mas em ter coragem de amar aquilo pelo qual vale a pena se arriscar. A filosofia da Geração de 98 nos lembra que o bem-estar real não se encontra no isolamento confortável, mas em saber lidar com as tensões cotidianas com sabedoria e propósito.

O pensamento de Unamuno permanece relevante porque questiona a ideia contemporânea de que felicidade equivale à ausência de dor. Ao resgatar essa perspectiva, reconhecemos que viver plenamente exige compromisso sincero, aceitação da vulnerabilidade e coragem para amar aquilo que nos desafia.

Plana ou Esférica?

Ele gastou 18 mil euros para provar que a Terra é plana, mas acabou tendo um destino inesperado

Homem investiu pesado para tentar comprovar que a Terra é plana

03/11/2026 06h02

Foto: lidierme nascimento/Pexels

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Bob Knodel investiu cerca de 18.000 euros em equipamentos de precisão para tentar comprovar que a Terra é plana, mas o próprio experimento acabou derrubando sua tese diante das câmeras. O resultado inesperado virou um dos momentos mais comentados do documentário "Behind the Curve", lançado pela Netflix.

O documentário acompanhou nomes de destaque do movimento terraplanista, incluindo Mark Sargent, e reuniu depoimentos de cientistas e astrofísicos sobre a persistência dessas ideias. O episódio com Knodel expôs o oposto do que ele pretendia demonstrar ao público.

O giroscópio que contrariou a expectativa

Na tentativa de reunir provas contra o movimento de rotação da Terra, Knodel recorreu a um giroscópio a laser, aparelho capaz de captar variações mínimas de rotação. O instrumento registrou uma deriva de 15 graus por hora, número incompatível com o que o grupo esperava encontrar.

Os presentes se surpreenderam com o resultado. Diante dele, a equipe passou a procurar uma explicação que justificasse o dado antes de aceitar o que o equipamento mostrava.

Uma segunda tentativa com luz

Depois do giroscópio, o grupo montou outro experimento para observar uma fonte luminosa através de dois orifícios posicionados na mesma altura em relação ao chão. Uma câmera deveria captar a luz de uma lanterna colocada do outro lado do percurso.

A ideia era simples: se a luz aparecesse mesmo com todos os pontos nivelados, isso reforçaria a hipótese de uma superfície plana. A câmera, porém, não conseguiu registrar a luz nas condições propostas, repetindo a frustração do teste anterior.

Como a cena virou parte da série

Knodel chamou o resultado do giroscópio de um problema e disse que o grupo passou a buscar maneiras de descartar a possibilidade de que o aparelho estivesse detectando o movimento real do planeta. Essa busca por uma justificativa aparece como núcleo do episódio no documentário.

O diretor Daniel J. Clark afirmou que tinha certeza de que a Terra é redonda e desconfiava que os youtubers pudessem ser apenas trolls até conhecê-los pessoalmente. Segundo ele, ridicularizar os terraplanistas só os isola ainda mais; por isso, o filme evita fazer troça deles.

Um lançamento que ganhou repercussão

"Behind the Curve" estreou no Hot Docs, em Toronto, em 2018, antes de chegar ao catálogo da Netflix em 2019. A repercussão veio justamente do contraste entre o investimento alto dos protagonistas e os resultados que desmentiam suas próprias teorias.

O caso de Bob Knodel segue como um dos exemplos mais citados de como um teste pensado para confirmar uma crença pode acabar documentando o oposto, mesmo com equipamento de precisão à disposição.

 

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