Michael Packard ficou preso por cerca de 40 segundos na boca de uma baleia jubarte durante um mergulho em busca de lagostas, em junho de 2021. O incidente foi o único caso documentado de um mergulhador preso na boca de uma baleia gigante, segundo informou a CNN Brasil.
O Ja'n J, barco batizado em homenagem aos filhos adolescentes de Packard, Jacob e Josiah, o levou naquele dia para uma segunda descida. Ao se aproximar do fundo do oceano, Packard foi atingido de repente por uma força colossal, parecida com um trem de carga.
Os primeiros segundos no interior da boca
Tudo escureceu ao seu redor enquanto a água desaparecia, e packard inicialmente supôs que um tubarão o havia atacado, mas logo percebeu que nenhuma mordida o tinha perfurado. Seu corpo foi comprimido por uma força titânica, enquanto ele agitava os braços contra as paredes duras e cavernosas da enorme cavidade bucal que envolvia seu tronco.
Com as pernas para fora, ele entendeu a situação: uma baleia jubarte o havia engolfado por completo, acidentalmente, durante sua busca por alimento. O impacto inicial havia deslocado seu regulador de oxigênio, e quando conseguiu reposicioná-lo, Packard bateu nas paredes da cavidade para tentar fazer o animal soltá-lo, mas não adiantou.
A biologia da baleia e o risco real
Esses cetáceos pesam até 40 toneladas e medem 18 metros de comprimento. Diferentemente do mito popular, as baleias-jubarte não caçam animais grandes. Elas se alimentam de presas minúsculas, como krill e plâncton, que sugam por meio de estruturas filtrantes chamadas placas de queratina, e essas placas retêm apenas organismos microscópicos.
Packard conhecia essa característica anatômica e compreendeu que a baleia não conseguiria engoli-lo. Ainda assim, entrou em pânico ao sentir a língua enorme pulsar por todo o corpo, contraindo-se e soltando-se repetidamente. Era como estar dentro de uma criatura viva que tentava devorá-lo, embora soubesse que não corria o risco de ser digerido.
Despedidas mentais e libertação súbita
Dominado pelo terror, ele calculava que teria apenas 45 minutos de ar antes de sufocar. Pensou nos filhos e na mãe, imaginando como a notícia de sua morte devastaria as pessoas que amava e lhe tiraria a chance de ser o pai que sempre desejou ser.
A baleia expeliu o marinheiro em um enorme jato de água após aproximadamente 40 segundos de aprisionamento. Seu colega de tripulação e outro marinheiro que estava por perto testemunharam a cena. Packard voltou ao barco, onde caiu em lágrimas, ainda em choque, e gritou de dor no joelho.



