Reflexão

Pepe Mujica: "Pobre não é quem tem pouco, mas quem precisa cada vez mais"

O discurso consta nos registros oficiais do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai.

O ex-presidente uruguaio Pepe Mujica participou da Rio+20, conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável realizada no Rio de Janeiro em junho de 2012, e, em seu discurso, evitou se ater a metas técnicas.

No lugar delas, levantou uma questão que atravessaria fronteiras: a verdadeira pobreza não mora na falta de dinheiro, mas na ganância infinita e no desejo incessante de mais.

O discurso, cuja transcrição consta nos registros oficiais do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, questionava o padrão de consumo das economias ricas. Nele, Mujica indagou qual seria o impacto sobre o planeta caso os lares indianos passassem a ter a mesma quantidade de automóveis que os lares alemães.

Para ele, a pergunta expunha um problema político, não apenas ecológico. Os recursos do planeta não comportam replicar em escala global o padrão de consumo das nações mais ricas.

A ideia de Mujica também aparece em filósofos antigos

Epicuro, Sêneca e os povos aimarás dos Andes já haviam chegado à mesma conclusão séculos antes, e o ex-presidente os citava abertamente, sem reivindicar originalidade para seu argumento. Nas Cartas a Lucílio, Sêneca já defendia, em latim, que a condição de pobre cabe a quem deseja mais, e não a quem possui menos — ideia registrada na expressão "non qui parum habet, sed qui plus cupit, pauper est".

Sêneca recorria a Epicuro para afirmar que a pobreza vivida com alegria merecia respeito. O mérito de Mujica foi trazer essa reflexão secular para dentro de uma cúpula de chefes de Estado, tratando a moderação como escolha cultural e não como carência. Transformou uma lição de séculos em questão urgente de política ambiental e qualidade de vida.

O preço oculto em cada compra

Para Mujica, cada produto adquirido representa horas de trabalho — fragmentos da própria vida gastos para pagá-lo. Ele lembrou que trabalhadores conquistaram a jornada de oito horas e que, em alguns lugares, já discutiam reduzir para seis.

O problema é que boa parte desse tempo livre acaba sendo usada num segundo emprego, apenas para quitar financiamentos de carro, moto e outras prestações.

Esse dilema aparece na rotina de quem enfrenta trens lotados na Baixada e horas de engarrafamento na Avenida Brasil para fechar o mês. Um dia, a pessoa percebe ter envelhecido perseguindo posses, sem ter vivido de fato.

A reflexão não é um convite para abandonar o trabalho, mas para questionar o propósito de tanto esforço. O consumo sem limite transforma um desejo que nunca se satisfaz em trabalho que nunca termina. Mujica morreu em maio de 2025, mas sua crítica ao consumismo permanece relevante.

O que essa ideia ainda move

A definição de Mujica ecoa nas discussões atuais sobre comprar com critério e trocar o acúmulo por tempo livre.

A felicidade humana — primeiro elemento do meio ambiente — resume-se no amor à terra, no cuidado com os filhos e no tempo com amigos, conforme ressaltou ao encerrar seu discurso. Ela não se mede pela quantidade de coisas guardadas em casa. Desde a Rio+20, a frase continua a provocar quem sente o peso do carnê e da hora extra.

Dica caseira

O erro ao ligar a árvore de Natal que pode sobrecarregar a instalação elétrica

Em 2023, incêndios por sobrecarga elétrica provocaram 421 ocorrências e 35 mortes.

18/10/2026 17h15

Foto: Letícia Alvares/Pexels

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Concentrar a árvore de Natal, a televisão e outros aparelhos numa única tomada pode sobrecarregar a instalação elétrica. Quando vários plugues compartilham o mesmo benjamim, a corrente ultrapassa o limite suportado pela fiação, aquece os fios e pode derreter o plástico do adaptador.

O superaquecimento dos condutores danifica o isolamento interno e pode criar condições para curtos-circuitos de alta intensidade. Em ambientes fechados, como salas de estar, materiais decorativos inflamáveis aumentam o risco de incêndio. Equipamentos sensíveis ligados ao mesmo ponto também podem sofrer danos irreversíveis com variações bruscas de corrente.

Por que as tomadas sobrecarregadas aquecem

A passagem contínua de eletricidade acima da capacidade dos condutores transforma energia em calor desnecessário. Esse processo degrada o isolamento dos fios internos, expondo os componentes energizados e criando o risco de faíscas perigosas que podem inflamar papéis, tecidos e ramos de árvore próximos.

Em 2023, incêndios por sobrecarga elétrica provocaram 421 ocorrências e 35 mortes. As residências concentram quase metade dos acidentes elétricos, e mais de 80% deles resultam em mortes. Em São Paulo, os casos de incêndio subiram 60%, e o mau uso de benjamins está entre as principais causas.

A solução: distribuir a carga elétrica

Distribuir os aparelhos por diferentes tomadas da sala, em vez de concentrá-los num único ponto, distribui a carga pela fiação da casa. E ajuda a manter a temperatura controlada durante o funcionamento contínuo das luzes e dos equipamentos.

Réguas de proteção com disjuntor interno oferecem segurança adicional: desligam automaticamente quando detectam anomalias na corrente e protegem a instalação elétrica e os aparelhos conectados.

A seção mínima do condutor para tomada é de 2,5 mm², que suporta corrente de 21 A. Usar filtro de linha com disjuntor oferece mais segurança do que o benjamim tradicional para distribuir a carga, reduzindo os riscos de sobrecarga e de danos irreversíveis à rede elétrica residencial.

Como escolher enfeites seguros

Adquirir luzes com certificação oficial garante que os condutores atendem aos requisitos de segurança. Produtos de procedência duvidosa costumam ter fios finos demais, mais suscetíveis a rompimentos e à oxidação com o uso contínuo, o que aumenta o risco de falhas na rede elétrica.

Os modelos com tecnologia LED esquentam menos e consomem menos energia, reduzindo a sobrecarga total da instalação. Antes de montar a decoração, revise as condições das tomadas — se notar fios desencapados ou espelhos amarelados pelo calor, providencie o conserto com um profissional qualificado.

Desligar todos os enfeites luminosos antes de dormir ou ao se ausentar do imóvel preserva os circuitos. Isso reduz a conta de luz e protege a residência contra problemas elétricos durante as festas.

Preparativos natalinos

Folha de louro embaixo da árvore de Natal: o que significa e por que virou tendência

Prática se tornou um ritual simples, barato e fácil de reproduzir em qualquer casa

18/10/2026 16h01

Foto: Marek Kupiec/Pexels

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Uma folha de especiaria comum na cozinha ganhou outro papel nesta época do ano: enfeitar e, segundo a crença popular, atrair prosperidade para 2024. Colocar louro embaixo da árvore de Natal se espalhou como um ritual simples, barato e fácil de reproduzir em qualquer casa.

A ideia vem do Feng Shui, sistema chinês que organiza ambientes para equilibrar energias e abrir caminhos para o dinheiro, a saúde e a harmonia. Nessa lógica, o aroma forte e a cor verde da planta funcionam como uma espécie de escudo contra a inveja.

E as vibrações ruins, justamente no período em que a casa recebe mais visitas e celebrações.

Como posicionar a planta na decoração

Uma forma comum é abrir bolas transparentes de plástico, daquelas de encaixar, e inserir pequenos ramos dentro antes de pendurá-las na árvore. Quem só tem enfeites tradicionais também pode retirar a tampa metálica com cuidado e acomodar os ramos ali, sem estragar a peça.

Outra alternativa é reunir a especiaria seca em um pote de vidro e apoiá-lo na base da árvore. O arranjo reforça simbolicamente a ideia de dinheiro entrando em casa. Pequenos buquês amarrados com fita vermelha ou dourada também podem ser transformados em enfeites naturais pendurados nos galhos, já que essas cores são associadas pelo Feng Shui ao crescimento financeiro.

O louro em outros rituais de sorte

A planta não aparece só na árvore: ela também é recomendada dentro da carteira ou da bolsa, junto ao dinheiro, com troca mensal para manter o efeito. A tradição ainda indica dobrar três folhas junto a uma cédula como gesto que atrairia recursos e preservaria a saúde e o equilíbrio emocional.

Há ainda quem associe o ingrediente a rituais com fogo e água. Uma versão prevê deixar uma unidade queimar até virar cinzas sob uma vela verde-escura. Outra manda amassar os galhos na água e descartá-los no chão, repetindo o gesto até três vezes.

Essas práticas são antigas, estão ligadas à simbologia popular e ganharam novo fôlego quando foram adaptadas à decoração natalina.

Um amuleto que também decora

Para quem gosta de unir estética e crença, misturar a especiaria com canela ou cascas de laranja na árvore cria um visual natural e perfumado, sem fugir do espírito da época. O resultado funciona como enfeite rústico e, para quem segue o Feng Shui, como reforço simbólico logo na virada para 2024.

Seja pelo aroma, pela tradição ou pela curiosidade de testar algo diferente, colocar a especiaria perto da árvore virou um gesto de baixo custo para quem quer começar o ciclo seguinte com uma intenção declarada de renovação.

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