O poeta e arquiteto catalão Joan Margarit acreditava que uma vida boa não dependia do sucesso, do dinheiro ou da ausência de problemas. Para ele, a felicidade consistia em construir um refúgio pessoal onde três elementos pudessem prosperar: dignidade, amor maduro e música.
Essa reflexão, atribuída a ele pelo El Confidencial, resume a visão de Margarit sobre a existência: construir um abrigo capaz de valorizar o que permanece quando as circunstâncias se tornam difíceis.
Margarit nasceu em 1938 e morreu em 2021, aos 82 anos. Foi uma das vozes mais reconhecidas da poesia contemporânea em língua espanhola e combinou criação artística com reflexão sobre a experiência humana.
A dignidade como primeiro pilar
O primeiro elemento desse refúgio é a dignidade, entendida como a capacidade de manter o respeito por si mesmo até nos momentos mais complicados. Na obra poética de Margarit, o sofrimento e a incerteza fazem parte da existência, mas não precisam eliminar o que confere valor a uma pessoa.
Construir um refúgio baseado na dignidade significa reconhecer os próprios limites e aceitar a vulnerabilidade, sem abrir mão do respeito para consigo mesmo e para com os outros. Não se trata de evitar erros nem de alcançar uma vida perfeita, mas de encontrar uma forma de viver que preserve a integridade pessoal diante das dificuldades.
A dignidade sustenta a pessoa quando as circunstâncias externas se deterioram.
O amor maduro como ancoragem emocional
O segundo pilar é o amor maduro, que se afasta das relações idealizadas e valoriza os vínculos construídos ao longo dos anos. Em vez de se basear apenas na paixão ou na intensidade dos primeiros momentos, essa perspectiva destaca a confiança, o cuidado e a companhia ao longo do tempo.
Compartilhar experiências, aceitar defeitos e permanecer ao lado de outra pessoa nas etapas difíceis tornam-se centrais. O amor surge como um espaço de segurança emocional, capaz de oferecer apoio quando outras certezas desaparecem.
Na obra de Margarit, os afetos e a memória das pessoas queridas ocupam um lugar essencial e ajudam a sustentar a vida em seus momentos mais frágeis.
A música como dimensão artística
O terceiro elemento é a música, que representa a dimensão artística e emocional desse refúgio pessoal.
Sua presença nessa reflexão mostra a importância da beleza e da cultura no cotidiano: ouvir uma melodia, ler um poema ou entrar em contato com uma obra artística pode oferecer momentos de calma e ajudar a expressar sentimentos que a linguagem cotidiana não consegue traduzir.
Além de poeta, Margarit também exerceu a profissão de arquiteto. Em 2019, recebeu o Prêmio Cervantes, uma das maiores honrarias das letras em língua espanhola, reconhecimento que celebrou sua contribuição à poesia contemporânea em catalão e castelhano.
Juntos, esses três pilares formam uma base para enfrentar as dificuldades da existência. A reflexão de Margarit sugere que a felicidade não é um destino a alcançar, mas um espaço a construir e cultivar, no qual dignidade, amor e beleza se reforçam.


