Uma ideia registrada em papel há mais de cinco séculos deixou de ser apenas um desenho e virou voo real sobre a África do Sul. Em 2000, o britânico Adrian Nicholas lançou-se de um balão a 3 mil metros de altura preso a uma réplica da pirâmide projetada por Leonardo da Vinci, e a descida comprovou que aquele mecanismo antigo era capaz de funcionar.
Os resultados indicaram que a armação piramidal diminuía o ritmo da queda, tornando possível uma descida sem sobressaltos. Preso abaixo da estrutura, Nicholas teve a trajetória observada de perto por uma equipe de paraquedistas que acompanhou cada etapa do teste. A solução mecânica concebida séculos antes mostrou viabilidade prática.
A invenção de Leonardo da Vinci
O paraquedas renascentista tinha uma cobertura em formato de pirâmide, mantida aberta por uma armação rígida de madeira. A pessoa ficava suspensa por cordas abaixo da estrutura, que explorava a resistência do ar para frear a queda. O desenho é datado de aproximadamente 1.485.
A réplica construída para o teste pesava cerca de 85 quilos e foi montada com madeira, tecido e cordas. O conjunto era volumoso e se diferenciava dos equipamentos modernos de paraquedismo, feitos com estruturas flexíveis e mais leves. Transportar toda a estrutura até a altitude exigiu um balão de ar quente.
Como foi executado o salto em 2000
O teste ocorreu em 26 de junho de 2000 sobre a província de Mpumalanga. Um balão levou o conjunto até cerca de 3 mil metros, onde a réplica foi posicionada com a cobertura preparada antes do início da descida. Outros paraquedistas acompanharam Nicholas durante todo o percurso e monitoraram o comportamento do equipamento histórico.
Para garantir a segurança, Nicholas carregava um paraquedas moderno. A aproximadamente 600 metros do chão, soltou-se da estrutura antiga e acionou o equipamento contemporâneo. A troca foi necessária porque o peso do conjunto histórico poderia representar risco se atingisse Nicholas durante a chegada ao solo. A separação permitiu concluir o pouso com segurança.
O sucesso da descida não significa que toda a operação tenha sido segura. Nicholas completou o pouso com um equipamento diferente, o que deixa claro que resistir bem durante a queda e garantir uma chegada segura ao chão não são, necessariamente, a mesma coisa dentro de um sistema de paraquedas. O experimento não transforma o desenho histórico em alternativa aos paraquedas modernos.
Por que a pirâmide conseguiu frear a queda
Ao cair, o corpo é puxado para baixo pelo próprio peso, ao mesmo tempo em que o ar oferece uma força contrária ao deslocamento. Quanto maior a superfície exposta ao vento, maior essa oposição, o que já representa uma diferença enorme frente a uma queda livre sem qualquer equipamento. A velocidade com que alguém desce, nesse contexto, varia conforme o peso envolvido, o tamanho da área exposta, o desenho da estrutura e a densidade do ar no momento do teste.
No experimento, a combinação da cobertura piramidal com a armação rígida permitiu que Nicholas descesse de forma controlada. Ele descreveu a experiência como suave, o que oferece evidência prática da viabilidade da solução idealizada por Leonardo mais de cinco séculos antes.


