Reflexão e Filosofia

Machado de Assis: "Mais vale sonhar com a felicidade possível do que chorar a que perdemos"

A ironia cortante e a observação aguçada da sociedade caracterizam toda a obra de Machado.

A obra de Machado de Assis segue desafiando leitores e pesquisadores mais de um século após sua morte. Questões sobre relações humanas, ambição, ciúme e poder — tecidas em toda a produção do escritor — permitem que sua literatura dialogue com dilemas de diferentes épocas e gerações. Macaé recebeu em 25 de setembro um colóquio dedicado a aprofundar essas reflexões.

O evento "Uma Noite com Machado de Assis" acontece às 19h no Espaço Cultural de Convivência, localizado no hall da Secretaria Municipal de Cultura, na Avenida Rui Barbosa, 780, Centro. A entrada é gratuita e aberta ao público.

Por que Machado continua tocando o leitor

A ironia cortante e a observação aguçada da sociedade caracterizam toda a obra de Machado. Seus narradores frequentemente questionam aquilo que parece óbvio, convidando o leitor a enxergar além das aparências — um recurso que se repete em clássicos como "Memórias Póstumas de Brás Cubas", "Dom Casmurro" e "Quincas Borba".

Em "Dom Casmurro", a incerteza sobre a possível traição de Capitu virou uma das questões mais debatidas da literatura brasileira, capaz de gerar novas interpretações a cada leitura. Já "Memórias Póstumas de Brás Cubas" rompeu com as convenções narrativas ao deixar que um personagem contasse sua própria história após a morte.

O humor e a ironia servem, em diferentes obras, como ferramentas para explorar relações sociais e comportamentos humanos.

O encontro e o papel do mediador

Luiz Antônio Aguiar, mestre em Literatura e especialista na produção machadiana, conduzirá a conversa a partir de seu livro "Diálogo com Machado de Assis". Autor de dezenas de livros infantojuvenis e vencedor de dois Prêmios Jabuti, Aguiar vê no encontro uma oportunidade de aproximar gerações mais jovens da literatura brasileira.

Durante o colóquio, o especialista compartilhará análises e reflexões sobre a obra machadiana, estabelecendo diálogo direto com os presentes. Para Aguiar, o contato com o escritor oitocentista abre portas para que novos leitores descubram uma produção que continua relevante.

Espaços culturais abertos à comunidade

O Espaço Cultural de Convivência funciona como ambiente destinado a encontros e atividades gratuitas abertas à comunidade. Integrado à Praça das Artes e à Galeria Hindemburgo Olive, o local tem recebido rodas de conversa, lançamentos de livros e atividades terapêuticas desde sua criação.

Conforme informou a secretária municipal de Cultura, Waleska Freire, a intenção é ampliar o uso dos espaços culturais de Macaé e oferecer à população vivências que fortaleçam a vida comunitária. O espaço vem sendo ocupado por diversas iniciativas, desde terapias até encontros literários.

Uma frase que resume o dilema humano

Uma das reflexões mais conhecidas de Machado — "Mais vale sonhar com a felicidade que poderíamos ter do que chorar aquela que houvéssemos perdido" — aparece no romance "Ressurreição", publicado em 1.872, seu primeiro livro. A sentença está no Capítulo 23, intitulado "Adeus", como parte da angústia existencial do protagonista Félix diante das incertezas dos afetos.

Essa frase exemplifica como Machado aborda dilemas profundamente humanos — a inclinação de idealizar o futuro ou sofrer antecipadamente pelas perdas. A dualidade entre esperança e desespero, tão presente no pensamento do escritor, perpassa sua obra inteira e oferece ao leitor ferramentas para compreender as contradições da vida.

Como a ironia funciona como ferramenta de análise em Machado

A ironia em Machado de Assis não é apenas um recurso de estilo — ela funciona como um mecanismo para desmascarar o que está oculto nas relações humanas e sociais. Quando o narrador questiona aquilo que parece óbvio, força o leitor a examinar as motivações reais por trás das ações das pessoas, revelando hipocrisia, ambição e interesses disfarçados. Essa técnica transforma a leitura em um ato investigativo, onde o óbvio nunca é realmente óbvio.

Em diferentes obras, esse procedimento se repete com propósitos semelhantes: explorar relações sociais, interesses individuais e comportamentos humanos que, de outra forma, permaneceriam invisíveis. O humor que acompanha a ironia funciona como uma espécie de lente que amplia essas contradições, permitindo que o leitor as veja com clareza enquanto se diverte com a sagacidade do autor.

Reflexão

Sócrates: "Um bom amigo se coloca à disposição para remediar o que quer que esteja faltando"

A frase que resume essa visão aparece no livro II.

24/10/2026 17h13

Foto: Isabel Ponce/Pexels

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Sócrates considerava a amizade um tema digno de atenção por sua importância no dia a dia. Nos registros de Jenofonte, o filósofo grego descreveu as qualidades de um bom amigo e como essa relação sustenta quem recebe apoio.

A frase que resume essa visão aparece no livro II, capítulo 4, seção 6 de Recordações de Sócrates: um bom amigo se coloca à disposição para remediar tudo aquilo que lhe falta.

A afirmação revela um aspecto central da visão do filósofo: ele via os vínculos pessoais não como ornamento, mas como base para o desenvolvimento na vida privada e pública.

As formas concretas de ajuda entre amigos

Segundo os registros de Jenofonte, Sócrates apontava várias formas de um amigo agir na vida do outro. Um amigo compartilha gastos, oferece apoio quando surge o medo, trabalha para convencer terceiros em benefício do companheiro e acompanha o companheiro em momentos de dificuldade.

Essa disponibilidade não se limita aos bons momentos, e o amigo está presente na prosperidade e quando a vida traz reveses.

Para o filósofo, além da ajuda prática, a lealdade era central na amizade. Segundo Jenofonte, Sócrates afirmava que nada produz tanto prazer quanto as boas amizades. Ele sugeria que quem decide que a virtude consiste em superar os amigos em bondade e os inimigos em maldade encontrará um companheiro útil na busca de bons amigos.

A amizade comparada às capacidades do corpo humano

Jenofonte descreve como Sócrates recorria a comparações para ilustrar a importância da amizade. O filósofo usava capacidades físicas como metáfora para explicar como um amigo expande nossa própria capacidade de agir e ser no mundo. Um amigo funciona como extensão de nossas forças e habilidades.

O pensador também comparava a amizade ao cuidado que as pessoas dispensam às árvores frutais. Jenofonte observava que elas cuidam das árvores pelos frutos, mas negligenciam as amizades, embora os vínculos pessoais gerem muito mais valor. Essa reflexão se aprofunda na seção seguinte da obra, onde Sócrates aborda a questão do valor real que os amigos têm para cada um.

Jenofonte: o historiador que preservou o pensamento socrático

Jenofonte foi historiador e escritor grego nascido em Atenas por volta de 430 a.C, e falecido aproximadamente em 354 a.C. Ao documentar conversas e episódios do filósofo, Jenofonte preservou a conduta e os ensinamentos de Sócrates para a posteridade.

Seu trabalho é uma das principais fontes sobre o pensamento do filósofo grego. Sócrates foi condenado à morte em Atenas em 399 a.C, e nunca deixou escritos próprios.

Por essa razão, a maior parte do que se conhece sobre seu pensamento provém de testemunhas antigas, entre elas Jenofonte e Platão, que também incluiu Sócrates como personagem em seus diálogos.

Recordações de Sócrates aborda questões de conduta, relações pessoais e responsabilidades dos cidadãos. O trecho sobre amizade faz parte do segundo livro, e a edição em inglês está disponível na coleção Loeb Classical Library sob o título Memorabilia.

Por que Jenofonte decidiu registrar as reflexões de Sócrates sobre amizade

A Memorabilia não é apenas um registro desinteressado de conversas. Jenofonte escreveu a obra como uma defesa de Sócrates, uma apologia que respondia a acusações de que o filósofo corrompia a juventude e desrespeitava os deuses. Ao dedicar boa parte dos livros II e III a mostrar como Sócrates beneficiou seus amigos e muitos atenienses que o procuravam.

Jenofonte demonstrava na prática o tipo de influência que Sócrates exercia.

O trecho sobre amizade faz parte dessa estratégia, e não era apenas filosofia abstrata, mas um relato de como Sócrates agia com aqueles que o cercavam. Jenofonte oferecia exemplos edificantes das conversas e atividades do filósofo para provar que ele era uma força positiva para a comunidade, não um corruptor.

Por isso, incluir ensinamentos sobre amizade tinha um propósito maior: mostrar que Sócrates conhecia profundamente o que significa cuidar bem de outras pessoas.

Segundo turno

Que horas começa e termina o prazo de votação no 2º turno das Eleições 2026?

No domingo (25), conheceremos quem será o presidente do Brasil pelos próximos quatro anos

24/10/2026 16h38

Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

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Neste domingo, 25 de outubro, os eleitores têm das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, para votar no 2º turno das Eleições 2026. Ao todo, 34,1 milhões de eleitores paulistas podem votar, distribuídos em 11 mil locais de votação pelo estado.

Caso haja eleitores aguardando quando o prazo terminar, o atendimento não é interrompido: todos que já estiverem na fila conseguirão votar. Confira abaixo as principais informações divulgadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) para orientar quem vai às urnas.

Quem pode votar neste turno

Faltar ao 1º turno não impede ninguém de participar da votação deste domingo, desde que o documento esteja em situação regular. A checagem pode ser feita pelo aplicativo e-Título — após o login, é só acessar "Mais opções" e depois "Consultar situação eleitoral" — ou pelo site do Autoatendimento Eleitoral, na aba "Consulta", opção "Situação do título".

Fica fora da votação quem teve o cadastro cancelado por ausência em três pleitos seguidos sem justificativa, já que cada turno conta como uma eleição distinta. Também não pode votar quem está com a situação suspensa, o que atinge, por exemplo, pessoas em serviço militar ou com condenação criminal definitiva.

A regularização só será possível após a reabertura do cadastro em 3 de novembro. Mesmo quem está com o documento cancelado pode justificar a ausência pelo Autoatendimento após o pleito, dispensando a multa caso o pedido seja aceito.

Obrigatoriedade e idade mínima

Cidadãos entre 18 e 70 anos têm obrigação de comparecer às urnas, enquanto analfabetos, jovens de 16 e 17 anos e pessoas com mais de 70 anos votam por opção própria. Para participar deste 2º turno, é preciso ter completado 16 anos até 4 de outubro, data do 1º turno, além de já estar cadastrado perante a Justiça Eleitoral.

Documentos aceitos na seção

Um documento oficial com foto garante acesso à urna — RG, CNH, certificado de reservista ou passaporte, inclusive em versão digital. O e-Título funciona como identificação válida quando o aplicativo mostra a foto do eleitor, recurso disponível para quem já tem biometria cadastrada, e pode ser baixado no próprio dia da votação.

A carteira de trabalho é aceita apenas na versão física, pois a digital não mostra a foto. Pelo mesmo motivo, certidões de nascimento e casamento não são aceitas para a votação.

 

Votação sem biometria coletada

Quem nunca passou pela coleta biométrica da Justiça Eleitoral não fica impedido de votar, bastando apresentar documento oficial com foto e manter o cadastro regularizado. A identificação pode ocorrer pela digital graças a parcerias entre a Justiça Eleitoral e outros órgãos, que permitem importar esses dados para o sistema usado na seção.

Apenas um cargo em disputa

O eleitorado paulista decide somente a disputa pela presidência da República neste 2º turno. Para não esquecer o número do candidato escolhido, o eleitor tem permissão para levar uma anotação própria até a cabine.

Dúvidas sobre a votação também podem ser esclarecidas com a Lina, ferramenta de inteligência artificial do TRE-SP disponível no site do Tribunal e pelo WhatsApp (11) 3.130-2.200. A Central de Atendimento funciona 24 horas por dia, todos os dias, pelo número 148.

Qualquer denúncia de boato ou conteúdo enganoso sobre o pleito também pode ser encaminhada ao Ministério Público Eleitoral ou à Secretaria de Comunicação Social do TRE-SP. Responsável por esclarecer dúvidas da imprensa e do público.

Com o fechamento das urnas às 17h, a apuração dos votos começa e o resultado da disputa pela Presidência deve ser conhecido ainda na noite deste domingo.

Quando a carteira de trabalho não serve para votar

A carteira de trabalho física é aceita como documento de identificação, mas a digital não funciona. O motivo é simples: só documentos com foto permitem a identificação na seção, e a versão digital da carteira não exibe a fotografia.

Pela mesma razão, certidões de nascimento e casamento — que também não têm foto — são rejeitadas na hora de votar, mesmo sendo documentos oficiais.

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