De um lado, um empresário de Los Angeles ergueu uma mansão orçada em R$ 1,8 bilhão; do outro, incorporadoras de São Paulo lançam estúdios com apenas 10 metros quadrados. Os dois extremos do mercado imobiliário global revelam estratégias opostas sobre como habitar o espaço escasso e ajudam a definir o futuro da moradia nos centros urbanos.
Localizada em Los Angeles, a mansão "The One" foi erguida por Nile Niami ao longo de uma década. O valor do imóvel, estimado a princípio em US$ 500 milhões, foi revisto para US$ 350 milhões, mas a construção segue sendo apontada como a mais dispendiosa já feita.
A grandiosidade do luxo californiano
Com 9.755 metros quadrados de área, o imóvel foi projetado tanto para os moradores quanto para acomodar visitantes. O complexo conta com 20 quartos, 30 banheiros, uma casa de hóspedes independente, pista de dança, simulador de golfe, pista de atletismo e quatro pistas de boliche. Cada espaço foi pensado para o entretenimento.
Ao todo, são sete piscinas distribuídas pelo terreno, sendo uma delas olímpica e aquecida e as outras seis instaladas na área externa. O escritório principal foi posicionado entre duas dessas piscinas, com vista para os acessos da casa. A residência ainda abriga seis elevadores, duas adegas e uma sala de fumantes que exibe capas históricas da revista Playboy.
Durante uma visita registrada pelo produtor e criador de conteúdo Michael, Niami informou que escolheu cada detalhe da casa — cada tinta. Pedra e azulejo — e que se sentia esgotado após a conclusão do projeto.
O custo da construção chegou a US$ 110 milhões, e apesar da ambição do projeto, a dívida contraída para financiá-lo criou dificuldades. De acordo com o Los Angeles Times, Niami foi notificado formalmente por inadimplência, situação que pode resultar na execução da hipoteca e no leilão da propriedade.
O oposto: habitação mínima em São Paulo
Em São Paulo, a tendência segue na direção inversa, e a Vitacon lança estúdios com apenas 10 metros quadrados — a menor unidade habitacional da América Latina, segundo a construtora. A estratégia amplia os espaços comuns dos condomínios, com lavanderias, áreas para visitas e proximidade com o transporte público, enquanto reduz o tamanho individual das unidades.
O edifício VN Nova Higienópolis fica a 450 metros da estação Santa Cecília da Linha-3 Vermelha. Ao abrir a porta, o morador visualiza quase tudo de uma vez: de um lado ficam o vaso sanitário, a pia e o chuveiro; do outro, a pia e os móveis. A sugestão é usar um sofá-cama, guardado durante o dia.
Unidades dessa metragem chegam a ser anunciadas por até R$ 320 mil, embora a maioria esteja à venda por R$ 220 mil.
Um fenômeno que se repete globalmente
O modelo não é uma invenção brasileira, e cidades como Nova Iorque, Tóquio e Roterdã já oferecem moradias menores do que os estúdios paulistas. O Japão abriga o apartamento considerado o menor do mundo, com apenas cinco metros quadrados.
Na Coreia do Sul, os "Goshiwons" — pequenas moradias para idosos e estudantes — ocupam apenas três metros quadrados e funcionam como alternativa econômica para quem mora sozinho.
Em Curitiba, um projeto anterior também anunciou estúdios de 9,8 metros quadrados. O portfólio da Vitacon em São Paulo inclui três edifícios com esse padrão, como o VN Oscar Freire, em Pinheiros, onde a menor unidade custa R$ 542 mil.
O VN Vergueiro, no bairro Paraíso, também tem uma unidade de 10 metros quadrados, mas a menor unidade disponível para venda tem 16 metros quadrados e custa R$ 387 mil. A valorização do solo urbano impulsiona esse movimento e molda a forma como bilionários e moradores ocupam o espaço nas metrópoles.


