História viva

Não é Inglaterra nem Dinamarca: esta cidade parece saída da Europa e fica perto do Brasil

Município reúne ruas de terra e casarões antigos.

A pouco mais de 100 quilômetros da capital da Argentina, um município reúne ruas de terra, casarões antigos e uma estação ferroviária centenária.

Azcuénaga, pequena localidade do partido de San Andrés de Giles, surgiu com o desenvolvimento ferroviário e se transformou numa escapada rural procurada por quem busca a atmosfera europeia no interior de Buenos Aires. A 117 quilômetros da capital portenha, mantém a estrutura de um vilarejo que parece ter saído das campinas europeias.

Construções que remetem aos imigrantes que fundaram a região, ruas sem pavimentação e um ritmo lento do campo bonaerense formam a identidade que atrai visitantes nos fins de semana.

Um século de história ferroviária

Azcuénaga foi fundada em 1 de abril de 1880, com a inauguração da estação do então Ferrocarril del Oeste. O povoado se estruturou ao redor da ferrovia, e essa origem ainda é visível nas construções que resistem até hoje.

A estação original era de madeira, mas foi substituída por um edifício de dois andares, coroado por telhado piramidal com telhas francesas.

No auge da ferrovia, o andar superior da estação servia de moradia para a família do chefe da estação. Nas poucas ruas do município, há casarões antigos, armazéns de ramos gerais, pensões e outros imóveis que integram o patrimônio local.

A Província de Buenos Aires reconhece que essas construções refletem as origens imigrantes da localidade, e grande parte de seu apelo turístico se baseia exatamente nesse acervo histórico.

Gastronomia e atrativos que transformam fins de semana

Azcuénaga não depende de grandes estruturas nem de atrações artificiais para receber visitantes. O pequeno vilarejo preserva ruas de terra, edifícios de outras épocas e o ritmo tranquilo do interior. Nos fins de semana, turistas procuram os restaurantes e os pratos de culinária caseira, e nos dias úteis, a zona rural mantém sua quietude.

A localidade tem aproximadamente 350 habitantes e concentra cerca de dez estabelecimentos gastronômicos que se tornaram pontos de encontro.

Entre os locais para visitar estão a própria estação ferroviária, a antiga pensão Sforzini, o Conventillo de Casa Terrén. A Casa Terrén e Cia., a padaria La Moderna e a capela Nuestra Señora de la Asunción. Cada um preserva fragmentos da história que moldou o lugar.

Surpresa no deserto

Após neve no deserto, satélites encontram montanha de 60 mil toneladas de roupas no Atacama

Campanha tenta dar novo destino ao material.

24/09/2026 17h22

Imagem gerada por inteligência artificial

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O Deserto do Atacama, no Chile esconde uma montanha de roupas descartadas grande o bastante para ser vista em imagens de satélite. Mais de 60 mil toneladas de peças, descartadas por pessoas a milhares de quilômetros de distância, foram parar no local, segundo a campanha Atacama RE-commerce, que tenta dar novo destino ao material e cobra apenas o frete.

O mesmo cenário árido virou notícia por outro motivo neste mês: duas tempestades de inverno consecutivas cobriram trechos do deserto com neve, um fenômeno raro nessa região historicamente seca. Satélites da Nasa registraram a transformação da paisagem entre 6 e 14 de agosto, e uma nova nevasca ampliou ainda mais a área branca dias depois.

De onde vêm as roupas descartadas

Países europeus reúnem peças fora de uso e enviam o material para a América do Sul, na expectativa de que ele ganhe uma segunda vida no comércio de roupas usadas. Parte dessas peças encontra novos donos, mas o volume que desembarca nos portos do continente supera a capacidade de absorção do mercado local.

As empresas de logística acabam empilhando o excedente no meio do deserto, próximo à cidade de Alto Hospício. A escolha do local não é acidental: o clima extremamente seco ajuda a preservar os tecidos amontoados, embora a presença dessas roupas represente um risco à biodiversidade da região.

Marcas de grife entre os descartes

O coletivo chileno Desierto Vestido e a ONG Ekō, em levantamentos próprios, encontraram no local peças de marcas como Zara, H&M, Adidas, Nike, Levi's, Tommy Hilfiger e Hugo Boss. Roupas de grandes grifes costumam ter mais chance de reaproveitamento, enquanto outros modelos enfrentam dificuldade maior para conseguir um novo comprador.

A Organização das Nações Unidas apontou a União Europeia como a maior exportadora mundial de roupas descartadas em 2024, com 30% do total.

O Reino Unido aparece em segundo lugar, com 16%, e os Estados Unidos completam o topo da lista, com 15%. Essa distribuição reflete a alta rotatividade do consumo de moda, impulsionada pela troca constante de estações e coleções no continente europeu.

Um tribunal ambiental chileno já determinou, em outro momento, um plano de dez anos para tentar remediar os danos causados pelo acúmulo de roupas na região.

Neve rara cobre o mesmo deserto

A região já havia registrado queda de neve em 2025 e também em 2011. Mas o episódio deste mês se destacou pela extensão: a cobertura branca avançou dos Andes até perto da costa do Pacífico. As imagens de satélite mostram o planalto de Chajnantor, dentro do complexo vulcânico Altiplano-Puna, onde fica um dos radiotelescópios mais potentes do planeta, o ALMA.

Com a chegada da neve e de ventos fortes, o equipamento suspendeu suas operações e colocou as antenas em modo de proteção. Uma segunda tempestade, já na segunda quinzena de agosto, espalhou uma faixa ainda maior de neve fresca, que chegou perto da cidade portuária de Antofagasta. A área reúne outros observatórios astronômicos, alguns também paralisados durante o temporal.

O que explica o fenômeno

Baixas isoladas — sistemas de baixa pressão que se desprendem da corrente de jato e ocasionalmente alcançam o norte chileno — respondem pela maior parte da chuva de inverno no Atacama. Foi o que ocorreu em 2025, segundo René Garreaud, cientista atmosférico da Universidade do Chile.

A tempestade do fim de agosto teve origem parecida. Mas se desprendeu de uma área de baixa pressão que cobria uma extensão enorme do hemisfério, da ponta da América do Sul até regiões subtropicais. Em Taltal, na costa norte do Chile, choveu quase 40 milímetros em três dias.

O enfraquecimento da alta subtropical do Pacífico, o sistema que normalmente mantém a aridez da região, ajuda a explicar por que a chuva conseguiu avançar tanto. O evento provocou deslizamentos de terra e enchentes repentinas em partes do norte do Chile, afetando milhares de pessoas e causando grandes danos a centenas de casas.

Afastamento militar

Decisão é tomada e mais de 70 mil policiais e bombeiros são afastados no Brasil

Dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

24/09/2026 16h50

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index (5) Foto: RDNE Stock project/Pexels

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Um total de 70,4 mil profissionais das forças de segurança pública foram afastados das funções em 2024 por transtornos mentais diagnosticados, segundo dados oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O órgão reuniu as informações no Painel Qualidade de Vida no Trabalho, que reúne números de 135 instituições nos 26 estados e no Distrito Federal.

Cada afastamento contabilizado foi respaldado por laudo de psicólogo ou psiquiatra. E classificado na categoria F da Classificação Internacional de Doenças, da Organização Mundial da Saúde, que abrange transtornos mentais e de comportamento.

Bombeiros lideram os afastamentos

Os Corpos de Bombeiros Militares registraram o maior número de casos, com 38.761 licenças com diagnóstico formal. Sargentos de diferentes patentes somaram a maior parte das ausências: 12.295 entre 1º sargentos, 8.481 entre 2º sargentos e 5.504 entre 3º sargentos.

As Polícias Militares aparecem em seguida, com 28.449 licenças registradas com código da CID-10, além de 1.472 afastamentos por receita médica sem detalhamento, protegidos por sigilo. Soldados formam o grupo mais afetado dentro da corporação, com 16.963 casos isolados.

Já nas Polícias Civis, 3.276 afastamentos tiveram diagnóstico confirmado, e os Agentes de polícia concentraram 2.660 deles, à frente de escrivães (444) e delegados (343).

Suporte psicológico chega tarde

O painel expõe uma falha recorrente: o apoio psicológico geralmente chega depois que o profissional já está esgotado, sem acompanhamento constante para evitar o agravamento do quadro.

Nas Polícias Militares, 22 Unidades Federativas oferecem suporte de psicologia e psiquiatria, mas apenas oito proporcionam avaliação psicológica periódica e 19 não realizam acompanhamento de rotina.

O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, informou ao CNN Brasil que a coleta desses dados ainda enfrenta obstáculos ligados ao sigilo médico dos servidores. Ele disse que a intenção é transformar esse mapeamento em obrigação anual.

Com aperfeiçoamentos sucessivos na metodologia, e que o mais importante é que estão olhando para a saúde mental dos profissionais da segurança pública.

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