Ilha deserta

Por que 40 mil pessoas querem se mudar para uma ilha desabitada há mais de 70 anos?

A seleção busca apenas duas pessoas.

Great Blasket Island, na costa sudoeste da Irlanda, está recebendo candidaturas para uma temporada de trabalho que atrai dezenas de milhares de pessoas. A seleção busca apenas duas pessoas. Mas já acumula mais de 40 mil candidaturas — número que revela o fascínio que esse pequeno território em frente à península de Dingle exerce sobre pessoas do mundo inteiro.

O que torna a experiência tão procurada não é um salário alto nem benefícios luxuosos. Os voluntários recebem hospedagem em um dormitório compartilhado, refeições durante o trabalho, acesso à cozinha. E aos espaços comuns, além do trajeto de volta ao continente ao fim de uma temporada de aproximadamente seis meses.

O que falta na ilha é justamente aquilo de que muitos tentam escapar: comércio, automóveis, sinal de celular estável ou serviços urbanos convencionais.

A história de um lugar esquecido

A ilha desabitada desde 1953 carrega uma narrativa peculiar. Os últimos moradores foram evacuados naquele ano pelo isolamento extremo e pela falta de acesso a serviços essenciais — uma decisão que transformou casarões antigos em patrimônio cultural e em atração turística para milhares de visitantes a cada primavera e verão europeu.

As ruínas das casas lembram quem viveu ali, e hoje, focas-cinzentas, golfinhos e aves marinhas dividem o espaço com turistas que chegam de barco. A ilha integra o arquipélago Blasket, no condado de Kerry, e é cercada pelo oceano Atlântico. Praias selvagens, penhascos íngremes e fauna abundante definem a paisagem, que atrai fotógrafos, naturalistas e curiosos em busca de isolamento.

O trabalho e quem pode se candidatar

Os voluntários trabalham de 1º de abril a meados de outubro. Eles atendem na cafeteria, preparam comidas e bebidas, limpam e preparam as cabanas entre as estadias dos hóspedes, mantêm as instalações e atendem ao público durante a temporada turística.

A vaga não exige experiência profissional anterior, e o recrutador busca pessoas maiores de idade, com inglês fluente, capacidade de trabalhar em grupo e disposição para viver em um ambiente isolado.

Conhecer o idioma irlandês é um diferencial, mas não é obrigatório. Cada candidato paga a passagem aérea até a Irlanda e o deslocamento inicial até a ilha. O mar também impõe seus termos: em dias de mar agitado, nenhuma embarcação faz a travessia. Os voluntários podem ficar presos naquele pedaço de terra cercado de água.

Missão espacial

Uma nova era começa no espaço: NASA ativa tecnologia inédita de comunicação

Equipamento é chamado Deep Space Station 23.

27/09/2026 12h50

Foto: SpaceX/Pexels

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A NASA ativou uma antena de rádio de 114 pés no deserto da Califórnia para se comunicar com mais de 40 sondas espalhadas pelo sistema solar.

O equipamento, chamado Deep Space Station 23, foi inaugurado no Complexo de Comunicações Deep Space de Goldstone, perto de Barstow. A antena reforça a capacidade de comunicação da agência com missões que exploram desde a Lua até os confins do espaço intergaláctico.

A NASA rastreia sondas em locais tão distintos quanto Marte, Júpiter e Saturno. Entre elas está a Voyager 1, que cruzou a fronteira do espaço intergaláctico em 2012 e continua enviando sinais para casa.

O Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da agência, localizado no sul da Califórnia, gerencia o novo equipamento de 34 metros de diâmetro. A antena se junta à Deep Space Network, rede global de comunicações com complexos na Califórnia, na Espanha e na Austrália.

Rede de comunicação sob pressão

Há anos, as antenas da Deep Space Network operavam no limite de sua capacidade. O novo equipamento amplia a capacidade da rede, da qual cada missão depende para enviar e receber dados por meio de um pequeno grupo de antenas em três pontos específicos da Terra.

James Kenyon, administrador associado da Diretoria de Pesquisa e Missões Tecnológicas da NASA. Informou que a expansão reforça a infraestrutura de comunicação necessária para os próximos passos da agência, da exploração ampliada da Lua à investigação mais profunda do sistema solar.

Operação que começou em agosto

Cientistas da NASA testaram o Deep Space Station 23 de maio a julho para validar seu funcionamento. A antena iniciou operações em 3 de agosto, rastreando o Observatório de Raios-X Chandra. Desde então, mantém contato com dezenas de missões, incluindo o Mars Reconnaissance Orbiter, a sonda Psyche, Juno e Voyager 1.

Dave Gallagher, diretor do JPL, informou que a adição da antena de próxima geração aproxima a rede de uma modernização completa que incorpora tecnologia avançada. Segundo ele, após mais de 60 anos de operação contínua em apoio a missões relevantes, as atualizações preparam a rede para uma nova era de exploração.

Construção e funcionalidade técnica

A construção começou em fevereiro de 2020, e em dezembro de 2024, os engenheiros baixaram a estrutura metálica de 133 toneladas que sustenta a antena. Depois, anexaram os painéis que refletem os sinais de rádio e calibraram o equipamento para funcionar com o restante da rede.

O Deep Space Station 23 é a quinta antena em Goldstone, juntando-se a três outros pratos de 114 pés e a um prato mais antigo de 230 pés.

Germaine Aziz, que gerencia o Projeto de Ampliação de Abertura da Deep Space Network no JPL, informou que construir a antena não foi o principal desafio. A maior dificuldade foi integrar os complexos sistemas mecânicos, elétricos, de software, de radiofrequência e de infraestrutura em um equipamento pronto para missões.

Cada subsistema precisou ser integrado, calibrado e verificado para operar com precisão e confiabilidade.

Reação diferente

Seu corpo pode reagir de forma diferente ao comer com quem você ama, aponta pesquisa

Este hábito pode alterar a forma como o corpo lida com o açúcar no sangue depois da refeição

27/09/2026 11h33

Foto: Kampus Production/Pexels

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Comer um pedaço de pão branco ao lado do parceiro pode alterar a forma como o corpo lida com o açúcar no sangue depois da refeição. É o que mostra uma pesquisa conduzida por Monia Masalha e Shir Atzil, da Hebrew University, em parceria com Shai Fuchs, do Sheba Medical Center.

O estudo, publicado na revista Science Advances, comparou o que acontece no organismo de adultos saudáveis quando eles se alimentam sozinhos ou na companhia do cônjuge. A diferença apareceu nos picos de glicose registrados logo após a refeição.

Como o teste foi montado

A equipe reuniu 108 adultos de 54 casais que estavam juntos havia pelo menos nove meses, todos sem diabetes. Cada participante comeu 102 gramas de pão branco — uma quantidade padrão usada em testes desse tipo, com cerca de 50 gramas de carboidrato.

Cada pessoa passou pela mesma refeição duas vezes no mesmo dia: uma sozinha, outra com o parceiro por perto, em ordem sorteada e com intervalo de pelo menos quatro horas entre as sessões. O ambiente foi montado como uma sala de estar comum, com sofá, tapete e luz natural, e os casais podiam conversar ou se tocar à vontade.

Picadas no dedo mediram a glicose antes de comer e em outros seis momentos ao longo de duas horas.

O que mudou nos níveis de glicose

Ao somar quanto a glicose subiu acima do nível de jejum e por quanto tempo permaneceu elevada. Os pesquisadores encontraram uma diferença de cerca de 15% a menos quando o parceiro estava na sala.

Os valores de partida eram semelhantes nas duas sessões, mas a curva se manteve mais baixa entre 45 minutos e duas horas depois do pão, no encontro acompanhado.

Ao considerar apenas a primeira sessão de cada participante — o que descarta qualquer efeito residual da refeição anterior —. A diferença chegou a 24% a menos entre quem comeu com o parceiro.

Em declaração ao Earth.com, Atzil disse que a regulação da glicose não depende só do que se come, mas também de quem está à mesa durante a refeição.

Estresse e toque não explicam o resultado

Para descartar que o efeito fosse simples calma, a equipe monitorou a atividade das glândulas sudoríparas — um sinal clássico de estresse — durante as duas horas de teste. As leituras não variaram entre as sessões e não se relacionaram com os picos de glicose registrados.

O toque físico também não explicou a diferença: casais que se tocaram mais durante a refeição não apresentaram glicose mais baixa. E o efeito da presença do parceiro se manteve mesmo quando o contato físico foi descontado da análise.

Um padrão que vai além dos adultos

Pesquisadores da mesma equipe observaram um padrão parecido em outras situações de proximidade, quando adultos enfrentavam frio ou choques leves. O padrão também apareceu em bebês que permaneciam ao lado da mãe, e a equipe chamou a ideia por trás desses achados de fisiologia social (Social Physiology).

Atzil, que estuda vínculos afetivos no Department of Psychology da Hebrew University. Optou por testar primeiro os laços mais próximos para este primeiro teste de conceito: casais românticos em adultos e mães com bebês. Ela explicou que fez essa escolha deliberadamente porque, se a fisiologia social existe, seria nesses vínculos que esperaria encontrar o efeito com mais clareza.

Os resultados reforçam que o corpo de cada pessoa não processa a comida de forma isolada — a companhia à mesa também parece deixar marca na resposta metabólica à refeição.

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