O francês Sully Prudhomme conquistou o primeiro Prêmio Nobel de Literatura em 1901 e recebeu 150.782 coroas suecas por sua contribuição significativa às letras. O prêmio inaugurou uma tradição que persiste até hoje, e criado em 1901, o Nobel de Literatura reconheceu 121 pessoas até 2024.
Naquele ano, a autora sul-coreana Han Kang recebeu a honraria e um prêmio de 10 milhões de coroas suecas, equivalente a cerca de R$ 5,3 milhões.
Nascido em uma família de comerciantes, Prudhomme estudou no Lycée Bonaparte, uma das escolas mais tradicionais da França, mas precisou interromper os estudos por problemas de visão. Depois, trabalhou em uma fundição de aço e estudou Direito em um cartório antes de se dedicar definitivamente à literatura.
Da poesia inicial ao reconhecimento
Seus primeiros poemas, apresentados em uma sociedade estudantil, foram bem recebidos e o encorajaram a prosseguir como escritor. A coletânea "Estâncias e Poemas", publicada em 1865, foi elogiada pelo crítico Charles Augustin Sainte-Beuve e consolidou seu nome no cenário literário francês.
Antes da Guerra Franco-Prussiana (julho de 1870 a maio de 1871), publicou outras obras poéticas. O conflito, porém, afetou sua saúde, e com o tempo, sua poesia passou de uma abordagem sentimental a uma perspectiva mais complexa, que mesclava o Parnasianismo a reflexões filosóficas e científicas.
Legado na Academia Francesa e além
Em 1881, foi eleito membro da Academia Francesa, o que confirmou sua relevância nas letras do país. Morreu aos 68 anos, em 6 de setembro de 1907. Sua obra atravessou as fronteiras de seu tempo e influenciou gerações de escritores que depois disputariam o prêmio.
Autores brasileiros indicados ao Nobel
Sete escritores brasileiros foram indicados ao Nobel de Literatura entre 1901 e 1971, mas nenhum conquistou a honraria. Coelho Neto recebeu três indicações em 1933, e flávio de Carvalho e Manoel Wanderley receberam uma indicação cada um, em 1939 e 1941, respectivamente.
Alceu Amoroso Lima recebeu uma indicação em 1965, e Carlos Drummond de Andrade recebeu duas, em 1967 e 1969. Jorge Amado foi o escritor mais indicado, com 19 indicações entre 1967 e 1973. Érico Veríssimo também recebeu duas indicações, em 1963 e 1968.
Nenhum deles venceu, mas as indicações mostram a relevância da literatura brasileira no cenário internacional e na história do prêmio que Prudhomme ajudou a inaugurar.


