Política

MARTELO A SER BATIDO

Gerson garante que PP ainda pode ter candidato ao Senado

Postulante à vaga, o presidente da Assembleia Legislativa reforçou que prioridade é reeleição de Riedel a governador

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Às vésperas da abertura da janela partidária em março, um prazo de 30 dias para que parlamentares possam mudar de partido sem perder o mandato e que a cada ano eleitoral ocorre seis meses antes do pleito, o PP de Mato Grosso do Sul ainda não bateu o martelo sobre ter ou não um candidato ao Senado.

Formando uma federação partidária com o União Brasil, a legenda, conforme algumas das suas principais lideranças estaduais disseram ao Correio do Estado, tornou-se grande demais para se abster da disputa por uma das duas vagas de senadores que serão escolhidas pelos eleitores sul-mato-grossense no dia 4 de outubro.

Uma desses caciques é o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), deputado estadual Gerson Claro (PP), um dos postulantes à vaga de pré-candidato a senador da República pela Federação Partidária União Progressista.

Em entrevista exclusiva à reportagem, ele pontuou que disputas majoritárias não se constroem de forma individual, mas a partir do diálogo e da construção coletiva dentro de um projeto político consistente.

“Faço parte de uma federação sólida, com lideranças experientes e reconhecidas, como a senadora Tereza Cristina, presidente estadual do PP e da União Progressista, e tenho colocado meu nome à disposição para contribuir da melhor forma possível”, pontuou.

Gerson Claro revelou que há discussão em torno da pré-candidatura da federação ao Senado, mas ela será amadurecida com serenidade, ouvindo o partido, o grupo político e a sociedade.

“Qualquer decisão será tomada com responsabilidade, sempre tendo como prioridade os interesses de Mato Grosso do Sul e do Brasil. Porém, posso afirmar que essa questão não está encerrada dentro da União Progressista, entretanto, mantendo como prioridade a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP)”, assegurou.

MESMA CARTILHA

Comunga da mesma opinião a ex-deputada federal Rose Modesto (União Brasil).

Para ela – com a provável chapa pura do PL para disputar as duas vagas ao Senado por Mato Grosso do Sul, já que, até o momento, são pré-candidatos pelo partido o ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado estadual Capitão Contar –, a Federação União Progressista será obrigada a lançar pelo menos um pré-candidato ao cargo.

Na opinião dela, o nome que reúne todas as condições para ser o escolhido é o do presidente da Alems. 

A pré-candidata a deputada federal entende que a União Progressista lançará apenas um pré-candidato ao Senado porque tem o compromisso de apoiar a eleição de Azambuja, porém, como o PL caminha para ter dois pré-candidatos ao Senado, a federação terá de formar uma aliança branca, ou seja, fazer um acordo eleitoral informal com a legenda à qual oficialmente não estará coligada.

Por meio dessa informalidade, PP e União Brasil poderão pedir votos para o próprio candidato a senador e também para Azambuja e vice-versa, sem a necessidade de um documento de coligação formal registrado na Justiça Eleitoral que una os partidos em todos os níveis da disputa.

Esse tipo de aliança permite que diretórios regionais apoiem candidatos que seriam vetados pelas executivas nacionais, contornando, por vezes, regras de verticalização que exigem alinhamento das coligações em diferentes níveis.

Na prática, o partido pode lançar um candidato próprio, mas orientar, de forma velada ou explícita, seus eleitores a votarem no candidato de outra legenda. Isto é, a Federação União Progressista pedirá para que os seus eleitores destinem o primeiro voto para Gerson Claro e o segundo para Azambuja.

IMPASSE

Diante desse impasse, os próximos dois meses devem ser muito movimentados dentro da União Progressista para que seja batido o martelo para que a federação partidária tenha pré-candidato ao Senado, mesmo já concorrendo ao comando de governo do Estado com a reeleição de Eduardo Riedel.

Para os outros partidos que fazem parte da ampla aliança para a reeleição de Riedel, como o PP já tem o governador, não precisa disputar também uma das duas cadeiras de senador da República no pleito deste ano, pois seria, na linguagem popular, muita “gulodice” dos progressistas.

No entanto, tudo mudou depois que o ex-deputado estadual Capitão Contar entrou no páreo para ser o segundo pré-candidato ao Senado pelo PL ao lado de Azambuja, já que tudo estaria sendo costurado para que o ex-governador fizesse uma dobradinha com o senador Nelsinho Trad (PSD), que tentará a reeleição ao cargo.

Como essa provável dobradinha – Azambuja e Nelsinho – ficou praticamente impossível, pelo menos de forma oficial. Os caciques do PP e do União Brasil entendem que a federação partidária agora também pode lançar um pré-candidato a senador, mesmo já concorrendo à manutenção da cadeira de chefe do Executivo estadual.

Diante disso, foi dada a largada para uma briga de “cachorro grande” pelo direito de pedir votos para os eleitores de centro-direita no Estado.

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POLÍTICA

Lula se encontra com líderes da Colômbia e Burundi durante Fórum Celac-África

O presidente brasileiro destacou a instalação de um escritório da Embrapa em Adis Abeba como oportunidade para ampliar a cooperação no desenvolvimento do setor agropecuário africano

21/03/2026 22h00

Presidente Lula

Presidente Lula Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu neste sábado, 21, com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, à margem do Fórum de Alto Nível Celac-África, em Bogotá. Os dois avaliaram a presidência colombiana à frente da Celac e as expectativas para o início da presidência do Uruguai no bloco, reiterando a importância de fortalecer instâncias multilaterais regionais.

Petro também confirmou presença na reunião "Democracia contra o Extremismo", marcada para 18 de abril, em Barcelona.

Durante o evento, Lula se encontrou também o presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, quando o parabenizou pela eleição à presidência da União Africana e agradeceu a adesão do País à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

O presidente brasileiro destacou ainda a instalação de um escritório da Embrapa em Adis Abeba como oportunidade para ampliar a cooperação no desenvolvimento do setor agropecuário africano, e convidou Ndayishimiye para visita de Estado ao Brasil.

Por fim, Lula afirmou ainda que o Brasil apoia a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet à Secretaria-Geral da ONU e registrou o apoio da União Africana ao ex-presidente senegalês Macky Sall, mas defendeu que a ONU seja liderada por uma mulher da América Latina e Caribe.

POLÍTICA

Lula critica uso da força por nações ricas para invadir outros países

Na Cúpula da Celac, ele defende a soberania da América Latina e Caribe

21/03/2026 18h30

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva Valter Campanato/Agência Brasil

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Em discurso neste sábado (21) ,durante a 10ª  Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do I Fórum Celac-África, em Bogotá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as crescentes intimidações à soberania da América Latina e do Caribe e a retomada da política colonialista por parte dos Estados Unidos (EUA). 

“Não é possível alguém achar que é dono dos outros países. O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático?

Ele questionou ainda em que parágrafo e em que artigo da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) está dito que o presidente de um país pode invadir o outro? "Em que documento do mundo está dito isso? Nem da Bíblia. Não existe nada que permita que isso aconteça. É a utilização da força e do poder para nos colonizar outra vez?”.

O presidente citou como exemplo o caso da Bolívia, que sofre com a pressão dos Estados Unidos para a venda dos minerais críticos, como o lítio, utilizados na confecção de baterias elétricas, essenciais à transição para uma matriz energética baseada em fontes renováveis.

Lula citou o passado de países da América Latina, do Caribe e da África, vítimas do regime colonial que saqueou suas riquezas. “Aqui, neste plenário, todo mundo tem experiência de que o seu país já foi saqueado em tudo que é ouro que tinha, tudo que é prata, que é diamante, tudo que é minério”, disse.

“Ou seja, já levaram quase tudo da Bolívia. Agora que a Bolívia tem minerais críticos, é a chance da Bolívia, da África, da América Latina não aceitar ser apenas exportador de minerais para eles”, acrescentou.

O presidente disse ainda que esses materiais devem ser utilizados para promover o desenvolvimento tecnológico dos países africanos e latinoamericanos, para “dar um salto de qualidade na produção de combustíveis alternativos".

“Quem quiser que venha se instalar e produzir no país, para que a gente tenha a chance de desenvolvê-lo, nós já fomos colonizados, fizemos luta pela independência, conquistamos democracia, perdemos democracia, agora estão querendo nos colonizar outra vez”, defendeu.

Para ele, é preciso gritar alto e bom som para não permitir que isso aconteça em outros países, o que já aconteceu em Gaza recentemente, por exemplo.

O presidente voltou a criticar a falta de atuação do Conselho de Segurança da ONU para impedir a proliferação de conflitos ao redor do mundo. Ele citou os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, o genocídio na Faixa de Gaza, os conflito na Líbia e as guerras no Iraque e na Ucrânia.

“O que estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as guerras”, afirmou.

Ele defendeu uma tomada de atitude para não permitir que os países mais poderosos se achem donos dos países mais frágeis. "Quando é que a ONU vai convocar uma reunião extraordinária para que a gente decida qual é o papel dos membros do Conselho de Segurança? Por que não se renova? Por que não se colocam mais países representando o Conselho de Segurança da ONU?, perguntou.

Lula também criticou o investimento cada vez maior em armamentos, em contraste com os recursos destinados ao combate à fome.

“É importante que a gente não perca de vista que, enquanto se gastou no ano passado US$ 2,7 trilhões em armas e guerras, nós ainda temos 630 milhões de pessoas passando fome. Ainda temos milhões de seres humanos sem energia elétrica. E ainda temos milhões de seres humanos sem acesso à educação e outros milhões e milhões de mulheres e crianças que são resultado dessas guerras fratricidas e que ficam abandonados sem documento, sem residência, sem ter sequer uma pátria onde morar”, lamentou.

Além de Lula, participam da cúpula da Celac o presidente colombiano, Gustavo Petro, o uruguaio Yamandú Orsi e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves. Vinte chanceleres também marcam presença

Ao falar da cooperação entre os países africanos, da América Latina e do Caribe, o presidente disse que o multilateralismo traz oportunidades de cooperação, investimento e comércio.

“Ainda somos penalizados por uma ordem desigual, estabelecida, enquanto o colonialismo e o apartheid prevaleciam em muitas partes do mundo. Não faz sentido que a América Latina e a África não tenham representação adequada no Conselho de Segurança da ONU”, afirmou. “Precisamos manter o Atlântico Sul livre de disputas geopolíticas alheias”.

Juntos, os 55 países da União africana e os 33 países da Celac reúnem cerca de 2,2 bilhões de pessoas. Lula destacou que os países devem incrementar os esforços no combate à fome, enfrentamento às mudanças do clima, na preservação do meio ambiente, transição energética, inteligência artificial, entre outros e que essa é a guerra a ser vencida.

“Essa é a guerra que temos que fazer para acabar com a fome na África, na América Latina, acabar com o analfabetismo, acabar com a falta de energia elétrica”, afirmou.

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