Cidades

CRIME NO LAVA A JATO

Justiça dá provimento a recurso e acusados de matar Wesner vão a júri popular

Juiz de primeiro grau havia determinado que acusados respondessem por outro crime que não doloso contra a vida

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Desembargadores da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul deram provimento a recurso do Ministério Público Estadual (MPMS) e decidiram mandar a júri popular por homicídio doloso Thiago Giovanni Demarco Sena e Willian Enrique Larrea, acusados de matarem o adolescente Wesner Moreira da Silva, após agressão com mangueira de ar comprimido em uma lava a jato de Campo Grande.

Em maio do ano passado, juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, decidiu que os acusados não iriam a responder por homicídio doloso nem seriam mandados a júri, afirmando que para que fossem julgados por júri popular, é preciso que fique comprovado o crime doloso, o que não teria ocorrido devido a ter ficado comprovado, em interrogatórios e depoimentos de familiares, que acusados e vítima eram amigos e o caso decorreu de uma “brincadeira” e que deveriam responder por outro crime que não doloso contra a vida.

Ministério Público e a assistente de acusação e mãe da vítima, Marisilva Moreira da Silva recorreram da decisão, pedindo a reforma da sentença e a pronúncia dos réus pelo crime de homicídio doloso, para que ambos sejam submetidos ao Tribunal do Júri.

Desembargadores da 2ª Câmara Criminal deram provimento ao recurso, afirmando que, “havendo provas da materialidade e indícios suficientes de autoria,devem ser pronunciados os acusados, conquanto, nessa fase de prelibação, é vedada a solução definitiva da controvérsia, sob pena de usurpação da competência constitucionalmente prevista ao Tribunal do Júri”.

Conforme o acórdão, publicado hoje no Diário Oficial do TJMS, os magistrados consideraram que não há como afirmar que a ocorrência do dolo eventual é manifestamente inadmissível se demonstrados nos autos que os acusados podiam prever os danos que a injeção de ar comprimido na vítima poderiam causar. “...Cabe ao Conselho de Sentença, diante dos fatos narrados na denúncia e colhidos durante a instrução probatória, a emissão de juízo de valor acerca da conduta praticada pelo réu”, diz a decisão.

Mãe de Wesner quer acusados condenados - Foto: Arquivo / Correio do Estado

MÃE RENOVA ESPERANÇA

Mãe de Wesner, Marisilva Moreira, disse ao Correio do Estado que considera a decisão como um sopro de esperança para que seja feita a justiça. Segundo ela, ainda no hospital, Wesner pediu para que fosse feita a Justiça. 

"Peço que Deus me muita força, porque ele [Wesner] pediu para que pagassem o que fizeram com ele. Quando um filho pede algo a gente, a gente faz de tudo, imagina um filho dentro do hospital do jeito que ele estava. Ele disse, 'mãe eu quero que eles paguem' e eu respondi que no momento a prioridade era ele, mas assim que saísse, eu ia revirar o mundo para que pagassem o que fizeram com ele", disse. 

Marisilva disse ainda que quer olhar nos olhos dos acusados e perguntar o motivo de terem matado seu filho. Ela afirma que eles tinham consciência do que estavam fazendo e que não se tratava de brincadeira, conforme disseram ambos em depoimento.

"Brincadeira não mata, aquilo não foi brincadeira. Meu filho era magrinho, além de matar, violentaram ele. Eles trabalhavam todos os dias com aquele aparelho, eles sabiam a velocidade daquela máquina, eles sabiam sim que se fizessem isso ia matar meu filho. Mas meu filho ficou vivo pelo tempo para contar o que fizeram com ele", afirmou.

A mãe da vítima afirma também que está confiante que a justiça será feita e que os acusados serão condenados pelo crime. 

"Eles foram muitro cruéis e quero que paguem o que fizeram para que outra mãe não sofra o que estou sofrendo. Faz dois anos e cinco meses. Tem que pagar para pelo menos eu falar 'agora sim, eu fiz o que ele pediu'. Mas a vitória ela vem na hora certa e eles vão pagar tudo o que fizeram com o meu menino", finalizou.

CASO

No dia 3 de fevereiro de 2017, mangueira de ar foi introduzida no ânus de Wesner pelo patrão e colega de trabalho em lava jato na Vila Morumbi. O local chegou a ser incendiado. Já em depoimento à polícia, os agressores alegaram que tudo se tratava de uma “brincadeira” e foram liberados logo em seguida.

Perfurações levaram a retirada do intestino grosso do adolescente, que ficou vários dias internado, mas morreu no dia 15 do mesmo mês. Era ele quem mantinha a família há um mês com o que ganhava lavando carro, pois a mãe não trabalha e o pai tem câncer.

PONTA PORÃ

Homem é preso após apresentar documentos falsos para cursar medicina no Paraguai

O material consistia em certificado de conclusão e histórico escolar, que seriam utilizados para ingresso no curso

23/05/2026 11h00

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Nesta sexta-feira (22), um homem foi preso após tentar falsificar documentos para realizar apostilamento em um cartório, em Ponta Porã. Funcionários do local acionaram a Polícia Civil após perceberem o delito.

O material consistia em certificado de conclusão e histórico escolar, que seriam utilizados para ingresso em curso de medicina no Paraguai. O documento foi apresentado em nome do suspeito, que não foi divulgado.

Durante a análise, foram identificadas divergências em nomes e inconsistências nos selos utilizados. Após consultas junto ao Tribunal de Justiça de Goiás e à instituição de ensino mencionada na documentação, foi constatado que o selo eletrônico estava vinculado a outra pessoa e que não havia qualquer registro em nome do investigado.

A instituição informou ainda que nunca ofertou ensino na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) e que funciona em regime integral desde 2017.

Também foram identificados indícios de falsificação nos selos atribuídos ao cartório e à Secretaria de Educação de Goiás.

O caso é investigado pela 1ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã.

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HABEAS CORPUS

Justiça concede liberdade a cardiologista suspeito de feminicídio

O médico João Jazbik Neto foi apontado como principal suspeito da morte de sua esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, após divergência nas narrativas

23/05/2026 10h30

Imóvel na Chácara dos Poderes onde a fisioterapeuta foi encontrada morta a tiros

Imóvel na Chácara dos Poderes onde a fisioterapeuta foi encontrada morta a tiros Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, teve sua liberdade concedida pela Justiça de Campo Grande após a defesa dar entrada no habeas corpus.

Na última segunda-feira (18), o médico teria encontrado o corpo de sua mulher, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, em uma propriedade rural na Chácara dos Poderes, na Capital sul-mato-grossense, acionando a Polícia Civil logo em seguida. Para que prestasse esclarecimento, o cardiologista foi detido e, desde então, estava preso.

Durante audiência de custódia realizada na manhã desta quarta-feira (20), o juiz converteu a prisão em flagrante do médico em prisão preventiva.

A decisão ocorreu enquanto a Polícia Civil aprofundava as investigações sobre as circunstâncias da morte de Fabíola. Embora o caso tenha sido inicialmente tratado como possível suicídio, divergências identificadas nos depoimentos e elementos encontrados pela perícia levaram à abertura de um inquérito complementar para apurar eventual feminicídio.

Segundo a investigação, foi o próprio médico quem acionou a Polícia Civil informando ter encontrado a esposa já sem vida dentro da propriedade onde o casal morava. No entanto, durante as oitivas, policiais identificaram inconsistências entre a versão apresentada por Jazbik Neto e os relatos de outras testemunhas que estavam no local.

Além disso, conforme já havia informado o delegado da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Leandro Santiago, a lesão encontrada na cabeça da vítima não seria compatível, preliminarmente, com a dinâmica narrada pelo médico.

As investigações também apontaram que, após a morte da fisioterapeuta, o cardiologista teria determinado que um caseiro e um ex-funcionário removessem um armário contendo armas e munições para outro imóvel dentro da chácara. A conduta foi enquadrada como fraude processual, levando à prisão em flagrante dos envolvidos.

Agora, cerca de cinco depois do caso, nesta sexta-feira, o responsável pela defesa de Jazbik Neto, o advogado José Belga Assis Trad, confirmou que o médico será liberado em breve, após ter sido concedida sua liberdade. "Confirmo que foi concedido o Habeas Corpus. Ele está sendo colocado em liberdade", disse.

Um dia após o caso vir à tona, José Trad divulgou uma nota em sua rede social, a qual afirma que o cardiologista foi autuado em flagrante pelos crimes de posse irregular de arma de fogo e fraude processual. Mesmo que sua liberdade tenha sido concedida pela Justiça, o médico terá que usar tornozeleira eletrônica.

Vale lembrar que João Jozbik Neto é conhecido por ter feito parte da equipe médica do primeiro transplante de coração em Mato Grosso do Sul, em 23 de setembro de 1994. O paciente foi um jovem de 27 anos que apresentava miocardiopatia.

Os transplantes de coração na Santa Casa foram suspensos em 2005 e retomados em fevereiro de 2013. Jazbik Neto também estava na equipe médica na retomada de transplantes no hospital, em cirurgia realizada em um homem de 50 anos.

Detalhes do caso

A fisioterapeuta Fabíola Marcotti foi encontrada morta a tiro em uma chácara na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande.

Jazbik Neto acionou a Polícia Civil e informou que já a encontrou em óbito. No entanto, de acordo com o delegado da Deam, Leandro Santiago, em entrevistas prévias, o médico e outras testemunhas que se encontravam no local divergiram nas versões apresentadas.

Além disso, perícia preliminar constatou que a lesão que a vítima tinha na cabeça não condizia com a versão apresentada pelo médico.

"A equipe realizou diversas diligências na propriedade e constatou que o suspeito, companheiro da vítima, determinou que o caseiro e um ex-funcionário seu deslocassem um armário com diversas armas de fogo e munições para um casebre dentro da propriedade, o que consistiu em crime de fraude processual, motivo pelo qual os três foram autuados em flagrantes por esse crime", explicou o delegado.

"Agora iremos instaurar um inquérito complemenaar em autos apartados para apurar, sob uma perspectiva de gênero, as circunstâncias do óbito da vítima Fabíola, se se trata de um suicídio ou de uma feminicídio", concluiu Santiago.

O advogado José Belga, que representa Jazbik Neto, informou, por meio de nota, que a suspeita de feminicídio teria sido descartada pela pericía e pelos responsáveis pela investigação do caso.

"Apesar do luto e do sofrimento de que padece neste momento, o Dr. João Jasbik se colocou à inteira disposição da autoridade policial, prestando todos os esclarecimentos e concordando com a realização do exame residuográfico, afastando qualquer suspeita da hipótese de feminicídio, inicialmente considerada pela investigação", diz a nota.

No entanto, em declaração posterior, o delegado informou que não está descartada a hipótese de feminicídio e que o caso segue sob investigação.

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