Cidades

Campo Grande

TJMS suspende liminar e valida multas aplicadas sem contrato pela Agetran

Imbróglio já passou por análise de ao menos três juízes

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O desembargador Amaury da Silva Kuklinski concedeu, nesta sexta-feira (26), decisão parcial em favor do município de Campo Grande e barrou a liminar que havia determinado a suspensão das multas aplicadas por equipamentos de fiscalização operados pelo Consórcio Cidade Morena, sem contrato vigente com a Prefeitura de Campo Grande.

Com a decisão parcial, as multas voltam a ter validade plena enquanto a questão contratual permanece sob análise do Tribunal de Contas e do colegiado do TJMS.

Na nova decisão, o desembargador relator reconheceu que a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) não tem competência material para cessar a aplicação de penalidades de trânsito, já que estas são impostas exclusivamente pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MS). 

Com isso, a Corte suspendeu os efeitos da liminar no ponto em que determinava a interrupção da aplicação de multas e a cobrança das penalidades já registradas. Estimativas apontam que o valor envolvido chega a R$ 31,5 milhões.

Além disso, destacou que a validade das multas decorre do cometimento da infração e da regularidade do auto de infração, conforme previsto no artigo 280 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), não sendo influenciada pela vigência ou não de contrato administrativo.

Por outro lado, o TJMS manteve a liminar quanto à ordem de cessação do pagamento das chamadas “confissões de dívidas” firmadas pelo município em favor do Consórcio Cidade Morena após o término do contrato administrativo, vencido em setembro de 2024.

O relator frisou que cabe ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) fiscalizar esse tipo de reconhecimento de débito e determinou o envio de cópia da decisão ao órgão de controle para análise detalhada da execução contratual, da regularidade dos cálculos de dívidas reconhecidas e da continuidade da prestação de serviços sem respaldo contratual.

O despacho ainda ordena que o TCE-MS informe sobre as razões pelas quais não foi realizado novo certame licitatório a tempo, antes do encerramento do contrato original. 

Histórico

Anteriormente alvo de multas aplicadas pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito, o desembargador Paulo Alberto de Oliveira (TJMS), alegou razão de foro íntimo e declinou da competência para julgar recurso interposto pela Prefeitura de Campo Grande, que pretendia reverter decisão de 1ª instância que suspendeu o efeito das multas.

Anteriormente, Odemilson Fassa também recuou, alegando razões de foro íntimo. No primeiro despacho, porém, Fassa não detalhou o motivo, ao contrário de Paulo Alberto de Oliveira, que disse ter sido alvo das multas supostamente ilegais da Agetran.

O imbróglio jurídico começou no início de setembro, quando o juiz Flávio Renato Almeida Reyes, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, atendeu a ação popular e determinou que a Agetran suspendesse a aplicação das multas oriundas dos aparelhos operados pelo consórcio, além de impedir a cobrança de penalidades aplicadas nos últimos 12 meses. A decisão também anulava o reconhecimento de dívida firmado pelo município.

O argumento do magistrado era evitar que motoristas arcassem com multas aplicadas de forma supostamente irregular, em razão da ausência de contrato válido com a administração pública.

A Procuradoria-Geral do Município recorreu ao TJMS, sustentando que a decisão de 1ª instância afrontava princípios como o da continuidade do serviço público e que poderia gerar prejuízos graves à ordem, segurança e saúde pública.

O recurso enfrentou entraves até chegar ao julgamento: dois desembargadores se declararam suspeitos para atuar no caso por terem sido pessoalmente multados pelos equipamentos da Agetran. 

As partes envolvidas e interessados agora têm prazo de 15 dias úteis para responder ao recurso, em conformidade com o Código de Processo Civil.

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Anastácio

Polícia Federal deflagra operação contra abuso sexual infantil em MS

Mandado é cumprido em Anastácio e equipamentos são apreendidos; investigação apura possível envolvimento de outros suspeitos e reforça alerta sobre riscos na internet

23/04/2026 17h32

Polícia Federal deflagra operação contra abuso sexual infantil em MS

Polícia Federal deflagra operação contra abuso sexual infantil em MS Foto: Arquivo PF

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A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (23), a Operação Aeges 2 com o objetivo de combater crimes de abuso sexual de crianças e adolescentes praticados na internet. A ação resultou no cumprimento de um mandado de busca e apreensão no município de Anastácio.

Durante a operação, foram apreendidos equipamentos eletrônicos considerados relevantes para o avanço das investigações. 

O material será submetido à perícia técnica, que deve analisar o conteúdo armazenado e verificar a possível participação de outras pessoas nos crimes investigados.

A corporação também destacou a importância da atualização na forma de tratar esse tipo de crime. Embora a legislação brasileira ainda utilize o termo “pornografia” previsto no artigo 241-E do Estatuto da Criança e do Adolescente, há uma orientação internacional para que se utilize expressões como “abuso sexual de crianças e adolescentes” ou “violência sexual de crianças e adolescentes”.

A mudança de nomenclatura busca evidenciar a gravidade das violações e o impacto causado nas vítimas.

Prevenção 

Além da repressão, a Polícia Federal reforçou o papel fundamental da prevenção. Em nota, a instituição orienta pais e responsáveis a acompanharem de perto o uso da internet por crianças e adolescentes, estabelecendo diálogo aberto sobre os riscos presentes no ambiente virtual.

O monitoramento de redes sociais, jogos online e aplicativos, aliado à educação digital, é apontado como uma das principais formas de proteção.

A recomendação inclui ainda atenção a mudanças de comportamento, como isolamento, uso excessivo ou sigiloso de dispositivos eletrônicos, que podem indicar situações de risco.

A orientação é que crianças e adolescentes sejam incentivados a relatar qualquer abordagem inadequada, tanto no ambiente virtual quanto no convívio presencial.

Para a Polícia Federal, a informação e o acompanhamento familiar continuam sendo ferramentas essenciais no enfrentamento desse tipo de crime, considerado um dos mais graves por atingir diretamente a dignidade e o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Operação Oncojuris

Fraude milionária envolvia ex-servidor, donos de farmácias e candidato a vereador

Esquema manipulava decisões judiciais para compra de medicamentos e desviava recursos públicos

23/04/2026 17h20

Delegada titular do Dracco, Ana Claudia Medina

Delegada titular do Dracco, Ana Claudia Medina Foto: Marcelo Victor/ Correio do Estado

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Guilherme de Oliveira Neto, Luiz Henrique Marino, Reginaldo Pereira dos Santos, Victor Guilherme Lezo Rodrigues e Altair Penha Malhada presos na manhã desta quinta-feira (23) no âmbito da 'Operação Oncojuris' são apontados como integrantes de um esquema criminoso que teria causado prejuízo de R$ 78 milhões aos cofres públicos do Estado.

Segundo apurado pela polícia, os cinco exerciam diferentes funções no esquema que manipulava decisões judiciais para compra de medicamentos e desviava recursos públicos por meio de pequenas farmácias e empresas de assessoria, sem qualquer capacidade financeira ou estoque. O grupo ingressava em ações judiciais como parte interessada, oferecendo medicamentos com valores muito abaixo do Preço Máximo de Venda ao Governo (PMVG).

As investigações começaram há sete meses após o Núcleo de Atendimento à Saúde (Nas) identificar um padrão considerado atípico em decisões sobre a compra de medicamentos, inclusive para tratamento de câncer.

Outro ponto crítico revelado pela investigação é que os medicamentos, em muitos casos, eram importados de forma irregular, sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sem número de lote e sem garantias mínimas de segurança, colocando em risco pacientes, especialmente aqueles em tratamento oncológico.

Donos de farmácias, Luiz Henrique Marino e Reginaldo Pereira dos Santos são investigados por atuar como empresários locais, fornecer orçamentos e participar diretamente da execução financeira das fraudes.

Ex-servidor público, Guilherme de Oliveira Neto e Victor Guilherme Lezo Rodrigues e Altair Penha Malhada, estes advogados, são investigados por compor o chamado "núcleo jurídico" do esquema, responsável por viabilizar as decisões que autorizavam o bloqueio de verbas públicas.

Ao todo, foram cumpridos 21 mandados em diferentes regiões do país. Entre os cinco mandados de prisão expedidos em Mato Grosso do Sul, apenas  Luiz Henrique Marino foi preso em Ribas do Rio Pardo. Os demais foram detidos em Campo Grande.  

Operação

Exonerado em junho de 2025, Guilherme de Oliveira Neto trabalhava na Secretaria de Estado de Saúde apontado como uma das peças de articulação interna do esquema. A apuração aponta ele como um dos que direcionavam os orçamentos de empresas específicas para subsidiar decisões judiciais.

Reginaldo Pereira dos Santos aparece como responsável por empresas como a Medic Import, além da Drogaria Vitória, localizada na Avenida Ernesto Geisel. Conforme as investigações, as empresas atuariam fornecendo orçamentos e, posteriormente, recebiam os valores liberados judicialmente.

Conhecido como "Henrique da Farmácia", Luiz Henrique Marino, foi candidato a vereador em Ribas do Rio Pardo em 2024 pelo PL, obteve 381 votos e não se elegeu. 

Segundo as autoridades, após a liberação dos recursos, grande parte dos valores era desviada por meio de cobranças de taxas de serviço ou assessoria, que podiam ultrapassar 70% do total repassado. Apenas uma pequena fração era efetivamente utilizada na aquisição dos medicamentos.

Estimamos que o montante de notas fiscais emitidas de forma irregular chega a aproximadamente R$ 78 milhões, afirmou o superintendente substituto da Receita Federal, Erivelto Alencar.

As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar o rastreamento dos recursos desviados.

A deflagração da Operação Oncojuris, foi conduzida pela Receita Federal em conjunto com o Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) do Ministério Público Estadual e o Núcleo de Atenção à Saúde (NAS) da Defensoria Pública do Estado.

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