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DIFICULDADES

Ainda não foi recenseado? Veja as orientações do IBGE

O IBGE afirmou que a operação só deve ser concluída em janeiro de 2023

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A coleta do Censo Demográfico 2022 caminha para a reta final, mas não vai terminar neste ano.

Com dificuldade para contratar e manter em campo os recenseadores, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) afirmou na terça-feira (6) que a operação só deve ser concluída em janeiro de 2023.

Além da escassez de mão de obra, as recusas de parte da população em responder ao Censo também atrasaram a coleta.

Até o início desta semana, o IBGE contou 168 milhões de pessoas no Brasil, quase 80% da população estimada em 2021 (213 milhões).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO

Será que nunca vamos nos aposentar?

As mudanças nas regras da previdência e os mitos que precisam ser enfrentados

15/05/2026 00h03

Juliane Penteado

Juliane Penteado

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Uma das frases que mais escuto atualmente no escritório, nas aulas e até nas conversas do cotidiano é: “Doutora, desse jeito eu nunca vou me aposentar”. A sensação de insegurança previdenciária aumentou muito nos últimos anos, especialmente após a Reforma da Previdência de 2019. Para muitas pessoas, as constantes mudanças nas regras criaram um sentimento de desânimo, medo e até abandono do próprio planejamento de vida.

Mas será que essa percepção corresponde totalmente à realidade?

É verdade que o sistema previdenciário brasileiro passou por profundas transformações. A Emenda Constitucional nº 103/2019 alterou idade mínima, cálculo dos benefícios, regras de transição e critérios de acesso à aposentadoria. Além disso, algumas regras sofrem atualizações anuais, como pontuação e idade progressiva. Isso gera a impressão de que a aposentadoria se tornou um alvo impossível de alcançar.

No entanto, existe uma diferença importante entre mudanças legislativas e o fim da Previdência Social. E é justamente nessa confusão que muitos mitos acabam surgindo.

O primeiro deles talvez seja o mais repetido: “a Previdência vai quebrar”.

O debate sobre sustentabilidade financeira da Previdência existe e é legítimo, especialmente diante do envelhecimento populacional e da redução proporcional de trabalhadores ativos contribuindo para o sistema. Porém, afirmar simplesmente que a Previdência “vai acabar” ignora aspectos jurídicos, constitucionais e econômicos muito mais complexos.

A Previdência Social integra o sistema de Seguridade Social previsto na Constituição Federal, ao lado da saúde e da assistência social. Trata-se de uma política pública de proteção coletiva. O sistema pode sofrer reformas, endurecimentos e adaptações — como já ocorreu diversas vezes —, mas isso não significa desaparecimento da proteção previdenciária.

Outro ponto importante é compreender que contribuir para o INSS não significa apenas buscar uma aposentadoria futura. Muitas pessoas esquecem que a Previdência também protege o trabalhador em situações de incapacidade temporária, invalidez, maternidade e morte. Auxílio por incapacidade, pensão por morte e salário-maternidade continuam sendo fundamentais para milhões de famílias brasileiras.

Nos últimos anos, também se tornou comum ouvir que “é melhor investir em previdência privada do que pagar INSS”. Esse raciocínio, embora compreensível diante das incertezas atuais, precisa ser analisado com cautela.

A previdência privada pode ser um complemento importante de renda futura, especialmente para quem deseja manter determinado padrão financeiro na aposentadoria. Porém, ela não substitui integralmente a proteção previdenciária pública. O INSS não funciona apenas como investimento individual; ele possui caráter de seguro social.

Uma previdência privada, por exemplo, não reproduz automaticamente toda a cobertura social existente no regime público, especialmente em relação à proteção familiar e aos benefícios decorrentes de incapacidade laboral. Além disso, grande parte da população brasileira sequer possui renda suficiente para manter investimentos privados contínuos ao longo da vida.

Outro aspecto que merece atenção é a informalidade crescente no mercado de trabalho. Muitos trabalhadores acreditam que podem “deixar para depois” a regularização previdenciária. Entretanto, a ausência de contribuição pode gerar consequências graves no futuro, não apenas para aposentadoria, mas para qualquer situação de vulnerabilidade social.

Isso se agrava ainda mais entre trabalhadores autônomos, motoristas de aplicativo, diaristas, pequenos comerciantes e trabalhadores por conta própria. Em muitos casos, o desconhecimento sobre contribuições como MEI ou contribuinte individual faz com que pessoas trabalhem durante décadas sem qualquer proteção previdenciária efetiva.

Também é necessário reconhecer que as mudanças previdenciárias não impactam todos da mesma forma. As mulheres, por exemplo, sentiram fortemente os efeitos das novas regras. O aumento da idade mínima e das exigências de contribuição ocorre em um contexto social em que ainda existe desigualdade no mercado de trabalho, sobrecarga de cuidado familiar e maior incidência de informalidade feminina.

Por isso, o debate previdenciário não pode ser apenas matemático ou atuarial. Ele também precisa considerar desigualdades sociais, econômicas e estruturais presentes na realidade brasileira.

Apesar de todas as dificuldades, ainda é possível se aposentar. Mas talvez nunca tenha sido tão necessário falar em planejamento previdenciário.

Hoje, simplesmente olhar idade ou tempo de contribuição já não é suficiente. É necessário analisar regras de transição, verificar vínculos no CNIS, identificar períodos especiais, avaliar contribuições incorretas e compreender qual regra pode ser mais vantajosa.

Muitas pessoas acreditam que estão “longe demais” da aposentadoria, quando na verdade possuem possibilidades jurídicas que sequer conhecem. Outras imaginam estar próximas do benefício, mas descobrem erros de contribuição que comprometem completamente o planejamento.

A verdade é que a Previdência mudou. E provavelmente continuará mudando ao longo dos próximos anos. Mas isso não significa desistir dela. Significa compreender que informação, planejamento e acompanhamento técnico se tornaram indispensáveis.

Mais do que discutir se um dia vamos nos aposentar, talvez a pergunta mais importante seja: estamos nos preparando corretamente para esse futuro?

Leandro Provenzano

Imóvel Irregular no Brasil

14/05/2026 06h00

Leandro Provenzano

Leandro Provenzano Foto: Montagem / Correio do Estado

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Será que você pode perder sua propriedade?

Existe um problema silencioso que afeta milhões de famílias brasileiras: o imóvel onde moram ou que acreditam ser seu, na prática jurídica, não pertence a elas. Estima-se que entre 15 e 40 milhões de imóveis no Brasil possuem alguma irregularidade documental.

Só é Dono quem tem o nome na Matrícula

Muita gente acredita que por ter assinado um contrato de compra e venda em um cartório significa que o imóvel já está em seu nome, mas isso não é verdade. Muitas vezes, o que assinamos em cartório com reconhecimento de firma das assinaturas é somente um contrato de compra e venta, mas ele sozinho não transfere a propriedade do imóvel para o novo dono.

Para realmente ser dono do imóvel, deve ser feito o registro deste contrato, na matrícula do imóvel, perante o cartório de registro de imóveis daquela região onde o imóvel está localizado. Sem isso, o novo proprietário ainda corre riscos de perder sua aquisição, que na prática ainda estará em nome do antigo proprietário.

Riscos Reais de Ter um Imóvel Irregular

Manter um imóvel em situação irregular pode parecer inofensivo enquanto nada acontece. O problema é que, quando algo acontece, geralmente é tarde demais e o prejuízo é imenso.

Há várias formas de se perder um imóvel, ou ter outros tipos de prejuízos quando o nome do comprador ainda não consta na matrícula do imóvel, como:

  • Penhora e leilão do imóvel por uma dívida em nome do antigo dono;

  • Disputa com herdeiros do antigo proprietário, uma vez que perante terceiros, o vendedor ainda é o dono;

  • Impossibilidade de vender, financiar ou dar o imóvel como garantia;

  • Multas e impossibilidade de ligação de serviços públicos, uma vez que as concessionárias podem exigir a matrícula do imóvel ou contrato de aluguel para realizar a ligação de serviços como água e luz.

Impossibilidade de Vender o Imóvel

Tecnicamente, é possível celebrar um contrato particular de compra e venda de um imóvel que não está devidamente registrado em seu nome, o que chamamos de “contrato de gaveta”, mas este tipo de contrato não garante a propriedade do bem para o nome do comprador.

Além disso, nenhum comprador em sã consciência vai pagar o valor de mercado por um imóvel que não terá seu nome garantido na matrícula, o que faz com que este tipo de imóvel irregular seja comercializado normalmente por no máximo 60% do seu valor de mercado.

Como Regularizar um Imóvel: Vias Judicial e Extrajudicial

A boa notícia é que, na grande maioria dos casos, é possível regularizar. O caminho depende da situação específica: qual é a irregularidade, se há documentos, qual é o histórico de posse e se existe ou não litígio.

A regularização de imóveis, em grande parte dos casos ainda pode ser feita sem ter que entrar no judiciário, o que acelera o tempo em que o imóvel será regularizado.

Diversas estratégias podem ser usadas para regularizar um imóvel, dependendo de cada caso, sendo eles:

  • Adjudicação compulsória, que é quando o comprador já pagou o preço integral do contrato de compra do imóvel, mas não consegue por algum motivo a assinatura de transferência do vendedor;

  • B) Usucapião, que é quando o possuidor (morador) do imóvel está na posse por mais que determinado tempo – há diversas modalidades de usucapião e cada uma exige um tempo específico de posse – e essa posse garante a ele também ter a propriedade do bem;

  • C) Regularização via inventário, que é quando o melhor caminho para regularização é transferir o imóvel para os herdeiros do proprietário que já faleceu.

Oportunidade para Investidores: Comprar Direitos de Posse e Regularizar

Para investidores experientes, o universo dos imóveis irregulares representa uma das maiores oportunidades de valorização imobiliária do Brasil. A lógica é simples:

  • Imóveis irregulares são negociados com deságio significativo em relação ao preço de mercado porque a maioria dos compradores comuns não quer assumir o risco jurídico da regularização imobiliária;

  • Quem adquire os "direitos de posse" ou o contrato de gaveta paga menos e, após a regularização, possui um imóvel com escritura e matrícula limpa — que passa a valer o preço de mercado;

  • O lucro pode ser expressivo: em imóveis de alto valor, a diferença entre o preço pago na irregularidade e o valor após regularização pode superar centenas de milhares de reais.

Atenção: Esse tipo de operação possui riscos elevados e exige análise jurídica rigorosa antes de qualquer aquisição. É fundamental verificar a cadeia dominial, a situação de posse, a ausência de litígios e as reais possibilidades de regularização — antes de assinar qualquer documento.

Investidores que operam nesse nicho com suporte jurídico especializado consistentemente, em regra, obtêm retornos superiores aos do mercado imobiliário convencional.

Por Onde Começar? A Importância da Análise Documental

Não existe regularização sem análise documental prévia. Cada caso tem peculiaridades que podem mudar completamente o caminho a seguir. Os documentos mais importantes para uma primeira análise são:

  • Matrícula atualizada do imóvel;

  • Escritura pública ou contrato de gaveta/instrumento particular;

  • Comprovantes de pagamento;

  • IPTU dos últimos anos;

  • Documentos pessoais das partes envolvidas e

  • Certidões de óbito, se houver falecimento de proprietários ou vendedores.

Com esses documentos em mãos, um advogado especialista em direito imobiliário consegue identificar qual é a irregularidade, qual o melhor caminho de regularização, e quanto vai custar e estimar um tempo que vai demorar para realizar a regularização do imóvel.

Não Deixe para Depois

A regularização de imóveis não é burocracia pela burocracia. É proteção real do seu patrimônio — ou da sua oportunidade de investimento.

Enquanto a documentação está irregular, o imóvel existe na prática, mas não existe juridicamente. E é justamente essa diferença que pode custar caro: uma penhora inesperada, uma briga de inventário, uma venda travada na hora que você mais precisa de liquidez.

O Brasil tem os mecanismos jurídicos necessários para regularizar a grande maioria dos imóveis irregulares — tanto pela via judicial quanto pela extrajudicial, em cartório. O que faz toda a diferença é ter uma orientação especializada, que analise a documentação e indique o caminho mais seguro, rápido e econômico para o seu caso específico.

Um imóvel irregular é, juridicamente, uma bomba-relógio. O tempo que passa sem regularização aumenta os riscos — e os custos para resolver o problema.

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