A confiança é a virtude das pessoas que buscam caminhos que desafiem sua fé e seu amor ao próximo. São lutadoras e vencedoras. São pessoas conscientes de suas fraquezas, mas também de suas forças.
Pessoas que alimentam um grande amor em assumir certos desafios não comuns e, por isso mesmo, próprios de pessoas corajosas e destemidas. São pessoas confiantes na bondade de Deus e em suas limitadas capacidades.
Não olham para trás. Não duvidam em seus passos. Por mais difícil que seja a situação que se apresenta, vão enfrentando e assumindo.
Com certeza, vale a pena permanecer nessa fidelidade e nessa confiança, pois algo permanece evidente e ilumina seus passos. É Deus presente e caminhante no mesmo caminho.
Esse Deus é quem confia na gente. Confia em todas as pessoas que amam desafios, que valorizam talentos e que apostam em decisões corajosas.
Permito-me buscar na Bíblia Sagrada um exemplo de confiança em Deus e de perseverança na missão. A pessoa de Abraão mostra claramente o que pode realizar um ser humano depois que tenha se deixado atrair e amar por Deus.
Pessoa de idade avançada. Sua esposa também. Não tinham filhos. Nessa situação, são surpreendidos por Deus, que lhes faz um convite: deixar sua terra, suas posses, seus escravos e tudo o que possuíssem.
Como recompensa, receberiam uma descendência sem limites. Em uma região em que se encontrava, não seria muito confiável um chamado desses. Mas ele acreditou na palavra de Deus, confiou no chamado, deixou tudo e seguiu.
Teve um filho. Um filho amado e querido. Esperança de mais riquezas e grandezas.
E veio mais uma surpresa. Deus lhe pede o sacrifício desse filho, Isaac. Proposta terrível. Apunhalou o fundo da alma. Ainda não havia findado a celebração por ter um filho, vem esse pedido sem possibilidade de volta.
Confiar em Deus. Essa a hora terrível.
Mas havia jurado fidelidade na confiança ao Deus de seus pais. Com o coração sangrando de dor, chama o filho e tudo prepara para o sacrifício. Imaginemos a situação desse pai.
A figura da mãe não aparece. Sua dor era mais cruel do que a do pai. Quem fala aqui é o silêncio. E no momento crucial, vendo a fidelidade se concretizando, Deus envia seu mensageiro e coroa essa submissão de Abraão com o cordeiro imolado, como meio de salvação da humanidade. Vem a recompensa da confiança jurada.
Nesse tempo da quaresma, torna-se recomendável a cada ser humano se colocar junto dessa figura de Abraão e analisar as possibilidades de encontrar momentos de reflexão, até mesmo de contribuir em gestos e atitudes de solidariedade com os mais necessitados.
Existem hoje também muitas pessoas que, como Sara, conseguem gerar bondade, mansidão, generosidade e salvação.
Existem outras muitas pessoas que não aceitam sair de seu comodismo, de seus vícios e de seu egoísmo, pouco se importando com as necessidades alheias. E Deus continua amando e solicitando cooperação e empenho na difusão do bem, da verdade e da salvação da humanidade.




