Colunistas

CLAÚDIO HUMBERTO

"É a prova do ódio que ele e toda esquerda têm dos patriotas"

Deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) sobre o veto de Lula ao projeto da dosimetria

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Lula quer destravar ‘Bessias’ com saída de ministro

Lula quer usar a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública como janela de oportunidade para destravar a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em estudo no Planalto está a separação de Justiça e da Segurança Pública, passando ao menos uma das partes para o centrão. Lula ensaia um aceno a Davi Alcolumbre (União-AP) para desanuviar o péssimo clima instalado com o presidente do Senado.

A volta dos que não foram

Se fala até em ressuscitar Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para uma das pastas. O senador foi o pivô da última crise entre Lula e Alcolumbre.

Ministro indemissível

O problema para Lula é que, uma vez nomeando Pacheco, aliado de Alcolumbre, eventual demissão do posto é declaração de guerra.

Quase um escambo

Não sendo Pacheco, Lula avalia costurar com os senadores uma indicação que viabilize a aprovação de Messias.

Saco sem fundo

Para 2026, a perspectiva é de ainda mais gastos com emendas. O Orçamento do ano, já aprovado, prevê pagamento de R$61 bilhões.

Ministros fizeram quase 1.800 voos pela FAB

Regalia disputada pela nata de Brasília, os jatinhos da Força Aérea Brasileira fizeram ao menos 1.778 decolagens com autoridades ao longo de 2025. Têm direito à regalia os ministros de Estado, chefes das Forças Armadas, presidentes da Câmara, Senado e Supremo Tribunal Federal e, normalizado no governo Lula, sem previsão legal, até ministros do STF. A conta não considera os rolês de Lula e Janja, sempre com grandes comitivas e com a gastança protegida pelo sigilo.

AeroMotta

Só deu Hugo Motta zanzando por aí. O deputado, que até tem o próprio avião, fez ao menos 141 viagens nas asas da FAB (e por nossa conta).

Economia pra quem?

Fernando Haddad (Fazenda) não quer nem saber de voos de carreira. Foram 132 viagens ao longo do ano. Foram 20 a mais do que em 2024.

Supremo voador

A presidência do STF fez 100 decolagens. Os ministros, outras 19. O total de 2025 supera os voos de 2024 (1553) e fica atrás de 2023 (1997).

Uma piscada

Durou pouco a ordem para investigar denúncia de omissão médica a Jair Bolsonaro. Canetada do ministro Alexandre de Moraes (STF) anulou a sindicância determinada pelo Conselho Federal de Medicina.

Vai cair

Nas contas do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), o veto de Lula ao projeto da dosimetria não deve prosperar, “será derrubado na primeira sessão do Congresso Nacional”, conclui o deputado.

A galope

Carol de Toni (PL-SC) não quer nem esperar o fim do recesso para votar o veto de Lula ao projeto da dosimetria. A deputada protocolou pedido para uma sessão extraordinária do Congresso para derrubar a medida.

Bem na fita

O Aeroporto Internacional de Brasília é o segunda mais pontual do mundo. Foram 88,36% de decolagens (114.481) no horário em 2025. A avaliação anual foi divulgada pela Cirium, que analisa dados da aviação.

Fim da sabotagem

Eduardo Girão (Novo-CE) quer mudar o regimento interno do Senado para que apenas parlamentares que subscrevem pedidos de CPI participem do colegiado. Quer acabar com o aparelhamento e boicote.

Triste legado

Para Julia Zanatta (PL-SC), a passagem de Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça não deixa saudade. Diz a deputada que o legado que fica é o “crime organizado mais forte, mais ousado e mais armado”.

Debandada

Ricardo Lewandowski, que se demitiu do Ministério da Justiça, deve ser só o primeiro a pedir o boné este ano. Quem quiser disputar eleição tem que se descompatibilizar. Ao todo, mais de 20 ministros devem sair.

Piorou

Debilitado, o ex-presidente Jair Bolsonaro agora faz uso de antidepressivos. “Está cada dia pior”, diz o filho Carlos Bolsonaro que presenteou o pai com um radinho a pilha.

Pergunta na Venezuela

Delcy Gonçalvez é a ditadora em exercício ou ditadora interina?

PODER SEM PUDOR

Alvíssaras, vereador

O ex-presidente do STJ, ministro Edson Vidigal, contou com muita graça – respondendo a e-mail de um alagoano – a história de um vereador eleito “com espantosa votação” em São Luís (MA), nos anos 60: “Era uma figura simpática, inteligente, com excelente memória para números, inclusive. Mas não gostava de ler nada, nem jornal. Tinha dificuldade para ler discurso. Algumas palavras ele as pronunciava com certa empáfia, distorcendo-as. Então, uma vez ele disse com muita convicção – ‘Senhor Presidente, tenho uma notícia jussareira para Vossas Excelências...’ Com todo o respeito, seus nobres colegas, segurando o riso, franziram as laterais da boca como se mastigassem os lábios. O homem queria dizer ‘notícia alvissareira’.”

CLÁUDIO HUMBERTO

"É inegável que a crise desgastou a nossa campanha"

Edinho Silva, presidente nacional do PT, sobre os escândalos do Master e do STF

20/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Pesquisas previam vida fácil de Lula. Mas a realidade...

A duas semanas do primeiro turno em 2022, o Datafolha previa Lula 12 pontos à frente de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o Ipec (que era Ibope) chutava vitória de 15 pontos do petista.

Nas urnas, o placar válido foi 48,4% a 43,2%. No segundo turno, o Datafolha previa vitória de Lula com 16 pontos de vantagem, enquanto o ex-Ibope calculava vitória do petista por 19 pontos. Na realidade, a vantagem foi de 1,8% no 2º turno.

Repeteco?

A 15 dias da eleição de 2026, o Datafolha prevê Lula com 39% a 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44%, no segundo.

Muro estreito

O Quaest viu vitória de 8% de Lula em 2022 nos dois turnos. Agora prevê Lula à frente por 5% no primeiro, mas derrotado no segundo turno.

Instituto fechou

A duas semanas da eleição 2018, o Ibope errava em 18% o resultado de Bolsonaro no 1º turno. E ainda previu empate com Haddad no 2º turno.

Chegou perto

O instituto Paraná Pesquisa foi quem mais acertou em 2022. A 14 dias da eleição previa vitória de Lula por quatro pontos no primeiro turno.

Especialista vê presidência de Moraes como surreal

Próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a tradição, Alexandre de Moraes pode ter o comando da Corte sob impedimento perante a opinião pública, é o que avalia à coluna o professor, mestre e doutor em Direito Constitucional da USP Rubens Beçak, caso o Supremo abra investigação contra o magistrado.

Beçak diz ainda que os ministros deveriam examinar administrativamente se Moraes poderia continuar com os processos relacionados ao Master.

Peça o boné

Para Max Kolbe, advogado especialista em Direito Constitucional, Moraes deveria até se abster de disputar a presidência, caso investigado.

Situação surreal

Kolbe considera “estarrecedor” um investigado comandar a instituição responsável por supervisionar a apuração da própria conduta: “surreal”.

Não dá

No campo político, as críticas ao ministro são ainda mais incisivas, “é um escárnio com a cara do povo”, disse à coluna Rodrigo Valadares (PL-SE).

Tradição não é regra

Por tradição, o presidente o Supremo Tribunal Federal é o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o posto. A eleição para sucessão de Edson Fachin deve ocorrer em agosto de 2027. Kassio Nunes Marques é o próximo da fila após Alexandre de Moraes.

Caravana

A chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL, tem investido no Nordeste nestes dias. A meta é percorrer os nove estados da região, tida como prioridade para a campanha.

Arruda no TSE

Derrotado no TRE-DF, José Roberto Arruda (PSD) tenta no TSE validar a indeferida candidatura ao governo do Distrito Federal. Quem vai relatar o recurso na mais alta corte eleitoral é o ministro Dias Toffoli.

Sangria na pauta

O julgamento do dissídio coletivo dos funcionários dos Correios, sem dó da combalida estatal, será nesta segunda-feira (21). Os grevistas querem coisas tipo adicional de 70% sobre férias e 200% sobre repouso ou feriado trabalhado, além de manter regalias tipo vale extra de Natal.

Picadeiro ocupado

Na polêmica sessão do STF que deveria definir se Alexandre de Moraes será investigado pela relação com Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes falou durante mais tempo que Cármen Lúcia e André Mendonça... somados.

Foi pouco

Segundo a oposição no Congresso, o aumento do auxílio anunciado por Lula (PT) poderia ser maior do que 15%. “Desde que o imenso rombo da corrupção e do empreguismo público fosse eliminado”, diz um auxiliar.

Nome dado

Rogério Marinho (PL-RN) revelou ao Jornal Gente, da Bandeirantes, que o então líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu ligação do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reclamando e “cobrando” após o Senado aprovar projeto que o STF não gostou.

Detalhe

O projeto que os ministros e Gilmar Mendes não gostaram, disse Rogério Marinho, determinava prazo curto para o plenário do STF analisar decisões monocráticas, aquelas expedidas por um só ministro.

Pensando bem…

... no Brasil, nada mais real do que o surreal.

PODER SEM PUDOR

O delegado professor

O jovem Tancredo Neves foi ser promotor em São João Del Rey. Foi chegando e arranjando uma namorada. Mal sabia que o delegado havia proibido namoro nas praças, por isso ele se misturou aos muitos casais que ocupavam um dos jardins públicos da cidade.

A polícia chegou de repente e expulsou todo mundo. Tancredo já ia protestar quando o delegado o percebeu. Rápido, o policial mostrou que tinha muito a ensinar a ele: “Doutor, botei esse pessoal para fora para deixar o senhor à vontade...”. Ah, bom.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

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