Colunistas

CLAÚDIO HUMBERTO

"Efeito do desastre que é este governo"

Deputado Hélio Lopes (PL-RJ) sobre a alta na reprovação de Lula (PT) nas pesquisas

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Governo Lula já fez 279 voos nos jatinhos da FAB

Autoridades do governo Lula (PT) já realizaram 279 voos em jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB), regalia concedida apenas a ministros de Estado, do Supremo Tribunal Federal (STF), chefes das Forças Armadas e a presidentes dos Três Poderes. Camilo Santana (Educação) parece ter levado ao pé da letra a opinião do chefe Lula de que precisa aparecer para todo o País: se tornou, de longe, a autoridade que mais viajou nos jatinhos este ano: 52 voos. Apenas em março, foram 29 viagens.

Motta em segundo

Presidente da Câmara, Hugo Motta, que era até o mês passado o maior viajão da Esplanada, caiu para a segunda colocação: 33 voos.

Conta complexa

Quando ministros do STF pedem para usar aviões da FAB, eles são requeridos a pedido (no nome) do ministro da Defesa, que soma 32 voos.

Zero viagem

Presidente do STF, o ministro Edson Fachin não requereu jatinhos da FAB como chefe do Poder Judiciário.

FAB ocupada

Março representou o mês com mais viagens em jatinhos da FAB, este ano: 111. Em janeiro foram 87 deslocamentos e em fevereiro, 81.

Oposição vê Messias consolidando ativismo no STF

Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal (STF) gerou resistência imediata da oposição por reforçar o perfil de militância de esquerda que já marca outras indicações de Lula (PT). O advogado-geral da União é visto por esses políticos como operador jurídico do PT desde os governos Dilma Rousseff, que o chamava de “Bessias”, e a defesa de pautas identitárias e comportamentais no Judiciário, incluindo tentativas de controle do que a esquerda não controla: conteúdos de redes sociais.

Comprometimento

Messias é o homem que representou o governo em ações contra supostas ameaças às instituições, em embates com o bolsonarismo.

Ativismo na veia

Para críticos, Messias tem no DNA “teses lacradoras”, o ativismo judicial que leva o STF batalhas culturais e de censura e narrativas ideológicas.

Prioridade é outra

Lula desapontou, sem contestações, quem esperava juristas mulheres ou negros no STF. Ele só queria pessoas confiáveis. Tinha outra prioridade.

Torneira vai fechar

O uso dos milhões do cotão parlamentar para divulgação da atividade dos deputados e senadores passa a ser proibido a partir do início de junho, a 120 das eleições.

Certos vs. Incertos

Segundo levantamento BTG Pactual/Nexus, 69% dos eleitores já decidiram como vão votar na eleição presidencial de 2026 e não vão mais mudar de ideia. Só 30% do eleitorado ainda pode mudar o voto.

Tempo ruim

Pesquisa Futura (MG-07865/2026) não traz boa notícia para Lula em Minas Gerais. A oposição tem os dois nomes mais bem colocados para o Senado: Carlos Viana (PSD), 31,8%; e Aécio Neves (PSDB), 30,1%.

Bico fechado

Virou caso de justiça corte de uma entrevista de Eduardo Girão (Novo-CE) pela TV Senado. O parlamentar falava sobre elo de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente da Casa, e o rolo do INSS. O senador denuncia “sorrateira e covarde censura” e buscou o judiciário.

Promessa virou dívida

De acordo com o Partido Liberal, quem acreditou no discurso de Lula de picanha e cervejinha “recebeu de volta frustração, perda do poder de compra e governo cada vez mais distante da realidade da população”.

Escala 6x1

Nas contas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), os preços médios para o consumidor terão alta de 6,2% caso o limite semanal de horas de trabalho seja reduzido de 44 para 40 horas semanais.

Gasta sem dó

O poço sem fundo da gastança do governo Lula bateu R$1,4 trilhão só no primeiro trimestre do ano, indica a plataforma Gasto Brasil. Daria para financiar 7,1 milhões de casas, no valor de R$200 mil cada.

Crediário

Quanto menor a renda, maior foi a busca por crédito nos últimos 12 meses, aponta estudo da Serasa Experian. Até 1 salário-mínimo, a contratação cresceu 21,7% até janeiro/26. Acima de 10, cresceu 19,2%.

Pensando bem...

...não existem só jatinhos da FAB.

PODER SEM PUDOR

Olhos nos olhos

O ex-senador Demóstenes Torres (DEM-GO) arriscava alguns gracejos. Após ouvir o então ministro Waldir Pires (Defesa) se meter onde não era chamado, reclamando que o projeto do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) que permitia a videoconferência na Justiça “impede que o magistrado interrogue o acusado ‘olhos nos olhos’”, Torres não perdeu a piada: “Bom baiano, o ministro Waldir com certeza prefere uma lei Maria Bethânia”.

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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