Colunistas

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"Eles, que são defensores da democracia, têm que sair com segurança na rua. Não pode usar aviões...

...carreira porque são hostilizados. E o povo, que é antidemocrático, enche as ruas. Antigamente, nenhum ministro precisava dizer que defendia a democracia e era admirado", de Ives Gandra, que defende causas no Supremo desde 1962.

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Nunca a morte, com muita crueldade, de um cachorro, cometida por gente jovem, mobilizou tantos atos pelo Brasil nos últimos dias. O assassinato do cão Orelha teve grande manifestação de protesto, com participações de artistas, no fim de semana, na Avenida Paulista, no vão livre do Masp, em São Paulo. 
MAIS:   uma das manifestantes, à frente, carregava um cartaz onde se lia "Orelha eterno" e mais abaixo, "O Brasil está de luto". Uma observadora dizia que "as pessoas ficam agora mais indignadas com a morte de um cachorro que criança abatida em meio de um tiroteio ou a morte de uma mulher depois de rolar mais de quilômetro debaixo de um carro.

Saúde cara

Ministros do TCU receberam cerca de R$ 883 mil em reembolsos médicos em 2025, uma média de R$ 98 mil para cada um. A verba, destinada a ressarcir autoridades e seus parentes com gastos em saúde, é parte dos R$ 4,3 milhões em penduricalhos pagos aos ministros no ano passado, manobra que permite conceder salários acima do teto constitucional. o TCU impôs sigilo aos documentos que embasaram os reembolsos. O ministro do TCU que obteve o maior benefício "Ressarcimento de assistência médica", no ano passado, foi Benjamin Zymler, com R$ 200,7 mil. Equivale a uma média mensal de R$ 17 mil.

Reunião geral

Independente do que possa ter produzido em virtude do discurso de abertura dos trabalhos do ano no STF pelo presidente Edson Fachin (oficialmente, a Corte começa a funcionar apenas amanhã), ele sabe que não pode criticar abertamente seus colegas. Perderia apoio para implementar as medidas que pretende, inclusive o código de conduta. Se defender a ética em seu mandato, não poderá deixar passar comportamentos de ministros que, na visão dele, mancham a integridade do Supremo. A conversa maior acontece na reunião com todos os ministros da Corte que Fachin marcou para o próximo dia 12.

Vai ficar tenso

Requerimento de convocação que está chegando à CPMI do INSS deixara mais tenso o candidato Flávio Bolsonaro. Trata-se de Leticia Caetano dos Reis, que vem a ser sócia-administradora do escritório de advocacia do "01" desde sua fundação em 2021. Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, sócio do "Careca do INSS" numa empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas e alvo de uma operação da PF por suspeita de lavagem no exterior de dinheiro das fraudes praticadas contra os aposentados. Mais: o escritório funciona no mesmo endereço da mansão comprada por Flávio Bolsonaro há cinco anos por R$ 6 milhões.

Master e INSS: algo em comum 1

Dois dos maiores escândalos da atualidade têm em comum o sobrenome Lewandowski entre os personagens. No caso do INSS, a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas contrataram Enrique Lewandowski como advogado no processo que investiga ladroagem contra veteranos e pensionistas. O mesmo padrão se repete na bilionária fraude do Banco Master. 

Master e INSS: algo em comum 2

O Master contratou o escritório da família Lewandowski com o patriarca já na cadeira do ministro da Justiça, por R$ 250 mil mensais. Enrique é filho de Lewandowski, ministro durante a vigência do contrato e a PF é subordinada ao titular do ministério. Pedido de convocação de Enrique aguarda votação: tem "peso" e a "influência" de ser "filho de ministro". Requerimento da deputada Bia Kicis (PL-DF) quer quebrar o sigilo bancário de Enrique.

Noite de protestos

A 68ª edição do Grammy Awards aconteceu em 1º de fevereiro, na Crypto.com Arena, e foi caracterizada por várias declarações de artistas em protesto contra o ICE, (polícia de imigração dos Estados Unidos), além de severas críticas  direcionadas ao presidente Donald Trump. Nesta edição, foram adicionadas duas novas categorias: Melhor Álbum de Country Tradicional e Melhor Capa de Álbum, aumentando o total para 95 categorias premiadas. Para o Brasil, o evento foi memorável, com Caetano Veloso e Maria Bethânia recebendo o prêmio de Melhor Álbum de Música Global por Caetano e Bethânia Ao Vivo, fruto da turnê conjunta que realizaram em 2024 e 2025, que atraiu grandes públicos em todo o país. Caetano já tinha sido premiado anteriormente, mas Bethânia fez história ao se tornar a primeira cantora brasileira a conquistar um Grammy.

Kendrick Lamar destacou-se como o grande vencedor da noite, levando cinco estatuetas (melhor música de rap, melhor performance de rap melódico, melhor álbum de rap e gravação do ano). Ele também garantiu o prêmio de performance de rap por sua participação na música "Chains & Whips", do Clipse, o que lhe permitiu ultrapassar Jay-Z e se tornar o rapper com o maior número de Grammy Awards na história da premiação. Outro destaque foi Bad Bunny, que conquistou 3 de suas 6 indicações. O artista porto-riquenho fez um discurso em que se dirigiu ao ICE, dizendo: "Quero dedicar esse prêmio a todas as pessoas que foram forçadas a deixar suas casas para buscar seus sonhos. A todos os latinos do mundo e a todos os artistas que vieram antes e que mereciam este prêmio. Muito obrigado." Lady Gaga também se destacou ao levar dois prêmios pelo álbum "Mayhem". Entre tantas celebridades que também passaram pelo tapete vermelho da premiação estavam, a modelo Heidi Klum, Chappell Roan, Sharon Osbourne, Queen Latifah,  Miley Cyrus, Kesha, Billie Eilish entre tantas outras. 

Replay de velhas manobras de Dilma

Está nas redes sociais e até em editoriais mais severos: o governo de Lula cumpriu a meta fiscal de 2025, as contas fecharam o ano com déficit de 0,1% do PIB (Produto Interno Bruto), dentro da margem de até 0,25%. No mundo real, contudo, segundo analistas, o déficit foi de R$ 61,7 bilhões (0,48% do PIB), quase o dobro do limite fiscal tolerado e 32% acima do rombo verificado em 2024. Para cumprir a meta, o governo de Lula esmerou-se em excluir da contabilidade diversos itens, como  despesas com sentenças judiciais (precatórios), ressarcimento a aposentados do INSS roubados em seus benefícios e gastos extras com a defesa, saúde e educação. O saldo negativo caiu para R$ 13 bilhões. É uma manobra, artifício ou alternativa, que lembra os tempos do governo Dilma em alguns aspectos e também não é grande novidade. Afinal, já foi usado em 2024. Mais: nos tempos da presidente antes da queda o expediente era chamado de "contabilidade criativa" - e Guido Mantega era o ‘coordenador’.

Sem discurso

Para analistas mais lúcidos, a candidatura de Fernando Haddad em São Paulo seria simples de resolver se Lula tivesse deixado o ministro tocar a economia. Como gastou o que quis e até o que não tinha, deixou Haddad sem discurso e com uma crise fiscal para defender nas urnas. Com Tarcísio de Freitas pela frente, nas eleições governamentais, o que significa derrota certa, Haddad não quer ser derrotado como em vezes anteriores. Quer ajudar na campanha de Lula - e nada além disso. Nos bastidores, Janja detona o ainda ministro.

Reformulação

A TV Gazeta, situado no coração da Avenida Paulista, em São Paulo, está promovendo uma série de mudanças em seu quadro de funcionários. No último mês dispensou  as apresentadoras Carol Minhoto, Pamela Domingues e Camila Galetti que comandavam suas atrações femininas (Mulheres e Você Bonita).  Conforme a direção da emissora, é crucial reconhecer a necessidade de modernização tanto no elenco quanto nas atrações. O próximo desafio será encontrar um equilíbrio entre a inovação e a conservação da memória. A meta é retirar o canal de sua zona de conforto, ampliando sua competitividade no setor publicitário e melhorando seu desempenho nas audiências. A nova temporada do programa Mulheres será lançada em 2 de março, apresentando um formato e uma liderança renovados, e será comandado por Gloria Vanique (ex-Globo e ex-CNN Brasil). A expectativa é que haja um crescimento na audiência, que atualmente está abaixo de 1 ponto de média. A TV Gazeta também está tentando recontratar Ronnie Von, que foi dispensado pela emissora há 7 anos.

Atrás do filho

O presidente Lula está mais do que preocupado: relator do escândalo do INSS, o ministro André Mendonça (é um dos grandes defensores da ida de Jorge Messias, da AGU, a uma cadeira no Supremo) teria cobrado a Polícia Federal sobre uma suposta inércia nas investigações contra Lulinha. O ministro do STF teria questionado a ausência de diligências contra o filho de Lula. Acha que a PF poderia ter pedido, pelo menos, a apreensão do passaporte de Lulinha. Tem mais: a investigação do INSS poderá revelar surpresas a partir de apurações contra Roberta Luchsinger lobista e amiga dos Lula da Silva. 

Terceirizado

Daniela Beyruti, presidente do SBT, que saiu de férias quando a emissora tentava montar uma grade nova para 2026, parece ter concordado que não entende muito do ramo. Acaba de contratar Alessandra Ribeiro, não muito conhecida na área, para cuidar da programação, artístico, conteúdo, comercial e finanças. Tudo o que seria obrigação de Beyruti. O SBT continua em terceiro lugar, muitas vezes perdendo audiência na hora do almoço e fim da tarde para a Band. Alessandra deve apresentar resultados em três meses (!).

Gil em campo

Aos 83 anos, Gilberto Gil continua incansável. O show "Tempo Rei", sua última grande turnê, só termina em 28 de março, em São Paulo, depois de passar pela Argentina e pelo Chile. Ao todo serão 30 apresentações, com uma média de 40 mil pessoas por show. E ele nem pensa em "pendurar as chuteiras", tanto que se apresenta em setembro no Rock in Rio, ao lado do britânico Elton John, de 78 anos. Para manter a forma, Gil faz pilates , assiste peças de teatro e lê livros – uma receita e  tanto, pelo que se deduz.

Mistura Fina

Apesar da ofensiva da oposição contra a atuação de Dias Toffoli no processo envolvendo o Banco Master, as chances de algo contra o ministro do Supremo andar no Senado, como pedido de impeachment, são perto de zero, como já avisou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP) aos colegas. O mesmo com  o ministro Alexandre de Moraes. 
 
Magno Malta (PL-ES) reclama: "Não dá mais para fingir que não está acontecendo nada", protocolando novas denúncias e pedir impeachment de Toffoli. Além de Malta, Eduardo Girão (Novo-CE) também assina o aditamento e diz ter indícios de conflito de interesses e suspeição de parcialidade". No Congresso, a aposta é que, se sair, é uma versão light de CPI com foco no Master e isso no Senado, na Câmara, esquece.

O novo CEO do Atlético-MG, Pedro Daniel, assumiu o cargo com duro confronto pela frente. Do outro lado do gramado, está um esquadrão de credores. Ele já iniciou uma peregrinação junto aos bancos para tentar renegociar o passivo da empresa com generosos deságios. Um dos adversários a ser toureado é o BTG, a quem a SAF deve cerca de R$ 200 milhões. Não é de hoje que o risco de uma recuperação extrajudicial ou mesmo judicial ronda o Atletico-MG, o endividamento passa dos R$ 2 bilhões.
 
Ainda endividamento: é praticamente quatro vezes a receita - indicador mais usado entre clubes. Trata-se do maior índice de alavancagem do futebol brasileiro. Financistas que já se debruçam sobre os balanços do Atletico-MG chegam a dizer que se fosse uma empresa "comum", os credores já teriam executado garantias e colocado o negócio na lona. Ou seja: sem uma repactuação, o passivo é impagável e a situação do Galo beira o insustentável. O cenário só não é pior porque a SAF acaba de receber um novo aporte de Rubem Menin dono da MRV, do Banco Inter, da CNN, e um de seus maiores acionistas. 

Ex-integrante do Departamento de Estado do governo Donald Trump, o historiador Adam Howard, fará palestra no Fórum da Liberdade, maior evento liberal do país, que será realizado em Porto Alegre em 9 e 10 de abril. Atual diretor-executivo do International Chruchill Society, ele vai abordar a relação entre valores ocidentais e orientais no contexto internacional e como os Estados Unidos têm se posicionado.


In –  Brincos de curvas orgânicas

Out – Brinco de formas padrões

CLÁUDIO HUMBERTO

"É inegável que a crise desgastou a nossa campanha"

Edinho Silva, presidente nacional do PT, sobre os escândalos do Master e do STF

20/09/2026 07h00

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto

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Pesquisas previam vida fácil de Lula. Mas a realidade...

A duas semanas do primeiro turno em 2022, o Datafolha previa Lula 12 pontos à frente de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o Ipec (que era Ibope) chutava vitória de 15 pontos do petista.

Nas urnas, o placar válido foi 48,4% a 43,2%. No segundo turno, o Datafolha previa vitória de Lula com 16 pontos de vantagem, enquanto o ex-Ibope calculava vitória do petista por 19 pontos. Na realidade, a vantagem foi de 1,8% no 2º turno.

Repeteco?

A 15 dias da eleição de 2026, o Datafolha prevê Lula com 39% a 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 46% a 44%, no segundo.

Muro estreito

O Quaest viu vitória de 8% de Lula em 2022 nos dois turnos. Agora prevê Lula à frente por 5% no primeiro, mas derrotado no segundo turno.

Instituto fechou

A duas semanas da eleição 2018, o Ibope errava em 18% o resultado de Bolsonaro no 1º turno. E ainda previu empate com Haddad no 2º turno.

Chegou perto

O instituto Paraná Pesquisa foi quem mais acertou em 2022. A 14 dias da eleição previa vitória de Lula por quatro pontos no primeiro turno.

Especialista vê presidência de Moraes como surreal

Próximo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a tradição, Alexandre de Moraes pode ter o comando da Corte sob impedimento perante a opinião pública, é o que avalia à coluna o professor, mestre e doutor em Direito Constitucional da USP Rubens Beçak, caso o Supremo abra investigação contra o magistrado.

Beçak diz ainda que os ministros deveriam examinar administrativamente se Moraes poderia continuar com os processos relacionados ao Master.

Peça o boné

Para Max Kolbe, advogado especialista em Direito Constitucional, Moraes deveria até se abster de disputar a presidência, caso investigado.

Situação surreal

Kolbe considera “estarrecedor” um investigado comandar a instituição responsável por supervisionar a apuração da própria conduta: “surreal”.

Não dá

No campo político, as críticas ao ministro são ainda mais incisivas, “é um escárnio com a cara do povo”, disse à coluna Rodrigo Valadares (PL-SE).

Tradição não é regra

Por tradição, o presidente o Supremo Tribunal Federal é o ministro mais antigo que ainda não tenha ocupado o posto. A eleição para sucessão de Edson Fachin deve ocorrer em agosto de 2027. Kassio Nunes Marques é o próximo da fila após Alexandre de Moraes.

Caravana

A chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, do PL, tem investido no Nordeste nestes dias. A meta é percorrer os nove estados da região, tida como prioridade para a campanha.

Arruda no TSE

Derrotado no TRE-DF, José Roberto Arruda (PSD) tenta no TSE validar a indeferida candidatura ao governo do Distrito Federal. Quem vai relatar o recurso na mais alta corte eleitoral é o ministro Dias Toffoli.

Sangria na pauta

O julgamento do dissídio coletivo dos funcionários dos Correios, sem dó da combalida estatal, será nesta segunda-feira (21). Os grevistas querem coisas tipo adicional de 70% sobre férias e 200% sobre repouso ou feriado trabalhado, além de manter regalias tipo vale extra de Natal.

Picadeiro ocupado

Na polêmica sessão do STF que deveria definir se Alexandre de Moraes será investigado pela relação com Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes falou durante mais tempo que Cármen Lúcia e André Mendonça... somados.

Foi pouco

Segundo a oposição no Congresso, o aumento do auxílio anunciado por Lula (PT) poderia ser maior do que 15%. “Desde que o imenso rombo da corrupção e do empreguismo público fosse eliminado”, diz um auxiliar.

Nome dado

Rogério Marinho (PL-RN) revelou ao Jornal Gente, da Bandeirantes, que o então líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu ligação do decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reclamando e “cobrando” após o Senado aprovar projeto que o STF não gostou.

Detalhe

O projeto que os ministros e Gilmar Mendes não gostaram, disse Rogério Marinho, determinava prazo curto para o plenário do STF analisar decisões monocráticas, aquelas expedidas por um só ministro.

Pensando bem…

... no Brasil, nada mais real do que o surreal.

PODER SEM PUDOR

O delegado professor

O jovem Tancredo Neves foi ser promotor em São João Del Rey. Foi chegando e arranjando uma namorada. Mal sabia que o delegado havia proibido namoro nas praças, por isso ele se misturou aos muitos casais que ocupavam um dos jardins públicos da cidade.

A polícia chegou de repente e expulsou todo mundo. Tancredo já ia protestar quando o delegado o percebeu. Rápido, o policial mostrou que tinha muito a ensinar a ele: “Doutor, botei esse pessoal para fora para deixar o senhor à vontade...”. Ah, bom.

 

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

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