Colunistas

CLAÚDIO HUMBERTO

"Não tem acordo com quem quer blindar bandido"

Deputado Evair de Melo (PP-ES) sobre manobra governista para melar a CPMI do INSS

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Até o pescoço: relatório cita Lulinha 118 vezes

Familiares do presidente Lula são citados ao menos 214 vezes no relatório final da CPMI que investigou a gatunagem que lesou mais de 6 milhões de aposentados e pensionistas do INSS. O robusto documento, com 4.340 páginas, tem o termo “Fábio Luís” registrado por 118 vezes. É o nome de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente da República, que teve indiciamento pedido pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). O termo Lulinha, alcunha do herdeiro petista, aparece 71 vezes.

Pelegão é 13

José Ferreira da Silva, pelegão irmão de Lula, foi citado 13 vezes. O apelido, Frei Chico, outras 12. Mas escapou do indiciamento.

Entorno lulista

“Luchsinger”, sobrenome de Roberta, amiga íntima de Lulinha, é outro termo bem recorrente: 99 vezes. A lobista teve indiciamento pedido.

Pizzaria aberta

Responsável pela blindagem dos convocados, “STF” foi citado 353 vezes no documento. O termo “habeas corpus” registrou 68 repetições

STF representado

Dos ministros do Supremo, os mais citados foram André Mendonça (87), Flávio Dino (22), Toffoli (27) e Alexandre de Moraes (8).

Mais quatro anos de PT aniquilam o País, diz Salles

O deputado Ricardo Salles (Novo-SP) acredita que a disputa eleitoral de 2026 vai ser a “eleição do vale tudo” para o PT de Lula e cia; “eleição de golpes abaixo da linha da cintura”, disse o parlamentar em entrevista ao podcast Diário do Poder. Pré-candidato ao Senado em São Paulo, Salles também criticou “candidaturas forasteiras” de Simone Tebet, que “não se elege nem síndica de prédio” no Mato Grosso do Sul, seu estado natal, e Marina Silva, que “não tem legitimidade para ser candidata”.

Morte anunciada

“O PT já deveria ter perdido a relevância por conta dos escândalos,” avalia Salles. “Sem Lula, o PT é acéfalo”.

Demais é menos

Salles acredita que é um “erro brutal” a direita lançar três candidatos ao Senado em São Paulo, pois pode diluir o eleitorado conservador.

Inércia

Salles também criticou o Senado, órgão responsável por eventuais processos contra ministros do STF: “Que moral tem o Senado?”.

Basta um pretexto

As primeiras imagens de Jair Bolsonaro em casa, capturadas por drones de emissoras, acionaram o alerta. Aliados calejados dizem que isso pode usado como pretexto para suspender a domiciliar do ex-presidente.

Morando no MDB

Ex-prefeito de São Bernardo e secretário de Segurança Urbana da cidade de São Paulo, Orlando Morando se filia ao MDB neste sábado (28), com a presença de Michel Temer e do prefeito Ricardo Nunes.

Trabalho não parou

Relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar concluiu o relatório final da comissão às 2h da manhã de sexta (27), poucas horas antes do início da apresentação que pediu indiciamento de Lulinha e outros 217 enrolados.

Faltam 190 dias

Após a virada inédita de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT) nas chances de vitória na eleição presidencial da plataforma Polymarket, a diferença aumentou: passou de 42,5% a 42% para 44,1% a 42%.

Caldo entornou

A chapa esquentou na CPMI do INSS. Ofendido pelo petista Lindbergh Farias (RJ), Alfredo Gaspar (PL-AL) devolveu em alto e bom som, “ um bandido que está no mandato”, “usuário de drogas” e daí pra baixo.

Memória de elefante

Coube a Luiz Fux (STF) relembrar aos ministros do STF que a corte já prorrogou trabalhos de CPIs, inclusive com aguerrida defesa do decano Gilmar Mendes, que, agora, vê o ato como inconstitucional.

Claro no escuro

Clientes da Claro ficaram sem internet em diversos bairros de Brasília, esta semana, por mais de 12 horas. Até algumas repartições públicas foram atingidas pelo blecaute de sinal da operadora.

Sistema forte

Pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul, o deputado Zucco (PL) disse que “estamos diante de um cenário em eu o sistema se recusa a seguir investigando as fraudes do INSS”.

Pensando bem...

...aprovado ou rejeitado, o relatório da CPMI do INSS está à disposição do Ministério Público.

PODER SEM PUDOR

Acontece que ela é baiana

Presidente da sessão de ontem na Câmara, o deputado José Linhares (PP-CE) anunciou às 15h06, o discurso do “nobre deputado Jumari Oliveira”.

- É deputada, senhor presidente – retrucou Jumari (sem partido-BA).

- Desculpe, não olhei para a esquerda – tentou justificar-se Linhares.

Ela, na bucha:

- O senhor tem quatro anos para aprender que eu sou Jumari, mulher e baiana. 

EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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